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Planos de Saúde e Odonto é Fenix

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18/10 - O projeto do primeiro útero artificial, que poderá salvar bebês prematuros
Nos Países Baixos, médicos e designers estão desenvolvendo o primeiro útero artificial para bebês extremamente prematuros. Bebês prematuros poderão ser colocados no útero artificial, explicam cientistas da Holanda BBC Nos Países Baixos, médicos e designers estão desenvolvendo o primeiro útero artificial para bebês extremamente prematuros. "Meu projeto para um útero artificial é feito de de cinco grandes balões onde bebês vão ficar meio que nadando em seus próprios fluidos", explica a designer Lisa Mademaker. "Tubos fazem a circulação de fluidos, de sangue." "Quando eu fazia residência em ginecologia, 27 anos atrás eu sabia que era possível fazer isso", diz Guid Oei, ginecologista, do Centro Médico Máxima e responsável pelo projeto. "A principal diferença é que o útero artificial é preenchido com líquido. Uma incubadora é preenchida com ar, que é um ambiente inóspito para bebês extremamente prematuros", afirma. "O ar machuca os pulmões em formação." Cientistas da Holanda estão trabalhando para produzir útero artificial em labortório BBC Ele explica que o bebê prematuro será colocado no aparelho imediatamente após o parto, e conectado a uma placenta artificial. "O útero artificial é um ambiente líquido preenchido com água e vários tipos de minerais. Então o bebê recebe oxigênio e nutrientes através do cordão umbilical. Assim como quando ele está em seu ambiente natural", afirma Oei. Segundo ele, o bebê cresce e depois de quatro é feito um 'segundo parto'. "Isso poderia salvar muitas vidas", diz. Por ano, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros no mundo todo. Cerca de metade dos que nascem mais prematuros morrem. "Ainda não sabemos nada sobre consequências de curto e longo prazo para os bebês. Esse projeto vai demorar cerca de cinco anos até começarmos a usar o útero artificial em bebês humanos", explica o médico. Veja mais sobre o útero artificial no vídeo.
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18/10 - O que a menopausa realmente provoca no seu corpo
Quando a mulher para de menstruar é um sinal do fim da fertilidade. Os sintomas causam muitos desconfortos, mas podem ser aliviados com hábitos simples. Sintomas e duração da menopausa variam de mulher para mulher BBC Mulheres de 45 a 50 anos fazem parte do clube exclusivo da menopausa, que sinaliza o fim da menstruação e da fertilidade. Nem todas passam por isso, mas, se passam, os sinais são claros. A menopausa afeta o cérebro, os ossos, os músculos e o coração. Pode causar ondas de calor, problemas de sono, ansiedade, disfunção urinária e ressecamento vaginal. Muitas vezes, as mulheres também perdem o interesse em fazer sexo. Queda na produção de estrogênio causa a menopausa BBC Tudo se resume a um hormônio, o estrogênio. Conforme o corpo envelhece, o corpo produz menos. Mas nenhuma menopausa é igual à outra. Os sintomas variam, assim como sua duração. Exercícios e uma dieta saudável ajudam a minimizar desconfortos. Algumas mulheres têm sintomas antes dos 45 anos, mas ainda não estão na menopausa. Uma mulher não entra de fato na menopausa até parar de menstruar por um ano. Como homens não menstruam, não têm menopausa. Mas sabe quem tem? Quatro espécies de baleias com dentes. São os únicos animais além dos humanos que entram na menopausa. Veja mais sobre menopausa no vídeo da BBC.
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18/10 - Nasa faz a primeira caminhada espacial de astronautas mulheres
Christina Koch e Jessica Meir saem da Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (18) para corrigir uma falha no sistema de energia. Nasa faz a primeira caminhada espacial de astronautas mulheres Christina Koch e Jessica Meir saem da Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (18) para corrigir uma falha no sistema de energia. É a primeira vez que apenas mulheres realizam essa atividade. Assista ao vivo a transmissão da Nasa: a caminhada começou às 8h50 de Brasília. A caminhada havia sido adiada porque faltavam trajes no tamanho adequado para mulheres
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18/10 - Duas astronautas fazem uma caminhada no espaço, um feito histórico
Missão das americanas é reparar um controlador de energia do lado de fora da ISS. Foto oficial das duas astronautas que realizaram a primeira caminhada espacial feminina da Nasa Divulgação/Nasa A primeira caminhada espacial com uma equipe totalmente feminina realizada nesta sexta-feira (18) estabelece um momento histórico para o programa espacial. Até o presidente Donald Trump saudou as astronautas Christina Koch e Jessica Meir por seu feito histórico. "Vocês representam esse país tão bem", disse Trump. "Estamos muito orgulhosos de vocês", afirmou em uma vídeo-chamada à Estação Espacial Internacional (ISS). Siga a transmissão ao vivo da caminhada feita pela Nasa A missão das astronautas americanas é reparar um controlador de energia do lado de fora da ISS. A caminhada espacial desta sexta deve durar várias horas, para trocar uma unidade de recarga de bateria que parou de funcionar no fim de semana passado. Duas mulheres caminham juntas no espaço pela primeira vez A ISS converte a luz solar em energia elétrica através de painéis fotovoltaicos, mas durante sua órbita gasta muito tempo sem receber luz diretamente, e é nesses períodos que tira vantagem da energia armazenada nas baterias. A manobra desta sexta foi anunciada pela NASA na segunda-feira e faz parte de um processo mais amplo que está em andamento para substituir as baterias antigas de níquel-hidrogênio por novas unidades de íons de lítio, que têm maior capacidade. Koch, engenheira elétrica, lidera Meir, doutora em biologia marinha e que está realizando sua primeira caminhada espacial, também conhecida como "atividade extraveicular". O presidente Donald Trump conversou com as duas astronautas que fizeram a primeira caminhada espacial só de mulheres da Nasa Reprodução/Nasa O primeiro passeio espacial feito pelas duas astronautas estava marcado para março, mas a NASA teve que cancelar quatro dias antes porque elas não tinham os trajes do tamanho certo para cada uma. "Queremos garantir que o espaço esteja disponível para todas as pessoas, e esse é outro marco nessa evolução", afirmou o administrador da NASA Jim Bridenstine. "Eu tenho uma filha de 11 anos, quero que ela se veja como tendo as mesmas oportunidades que tive quando eu era criança", acrescentou. Duas astronautas da Nasa fazem primeira caminhada espacial só de mulheres Mulheres na Lua A NASA, tradicionalmente dominada por homens, recebeu críticas de várias frentes após a fracassada missão feminina de março, que, para essas vozes, representava uma evidência do sexismo implícito na cultura da agência espacial americana. Ken Bowersox, vice-administrador interino da NASA, disse esperar que uma caminhada espacial conduzida apenas por mulheres logo se torne uma questão de rotina. Questionado sobre por que demorou tanto tempo para organizar uma atividade extraveicular completamente feminina, Bowersox disse que a altura maior dos homens era uma vantagem. "Homens muito altos são os que conseguiram fazer o trabalho porque podiam alcançar e fazer as coisas com mais facilidade", disse ele. "Mas também incorporamos mulheres às equipes por causa de seus cérebros", acrescentou. "Eles trazem habilidades diferentes, pensam de maneira diferente", acrescentou. Em 1983, Sally Ride se tornou a primeira mulher americana a viajar para o espaço, como membro da sétima missão do ônibus espacial. Hoje, o número de astronautas mulheres de origem americana excede o de qualquer outro país. Nasa apresenta nova roupa espacial para próximas missões Mas quem ostenta o recorde de ter sido a primeira mulher no espaço é a cosmonauta Valentina Tereshkova, da antiga União Soviética, em 1963, seguida por sua compatriota Svetlana Savitskaya em 1982, que viria a ser a primeira mulher a realizar uma caminhada espacial dois anos depois. Os Estados Unidos estão atualmente desenvolvendo uma missão chamada Artemis, irmã gêmea de Apolo da mitologia grega, com a qual pretendem retornar à Lua depois de mais de 50 anos, e incluirão mulheres em suas equipes de astronautas. Possivelmente, também poderá compreender uma missão composta apenas por mulheres. A data prevista para o primeiro desses novos pousos tripulados na Lua, considerados improváveis por vários especialistas, é o ano de 2024. Astronautas da Nasa Jessica Meir (esq.) e Christina Koch (dir.) Divulgação/Nasa
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18/10 - Nasa faz nesta sexta a primeira caminhada 100% feminina no espaço
As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem sair da Estação Espacial Internacional para corrigir uma falha no sistema de energia nesta sexta-feira; será a primeira vez que apenas mulheres realizam esta atividade. Astronautas Christina Koch e Jessica Meir em fotos oficiais da Nasa Nasa A agência espacial norte-americana (Nasa) faz nesta sexta-feira (18) a primeira caminhada espacial feita apenas com mulheres. Antes, mulheres já haviam feito caminhadas espaciais, mas sempre em equipes mistas. O G1 vai transmitir ao vivo a caminhada na manhã desta sexta. Confira aqui. Como funcionam os trajes que permitem ficar uma semana sem ir ao banheiro Nasa apresenta trajes espaciais mais flexíveis para próxima missão na Lua As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem corrigir uma falha no sistema elétrico da Estação Espacial Internacional (ISS). Desde 1965, a Nasa já fez mais de 200 caminhadas. Em março deste ano, uma caminhada feminina que estava prevista foi cancelada porque a Nasa não tinha trajes espaciais do tamanho adequado para as astronautas a bordo. Morre Alexei Leonov, primeiro humano a caminhar no espaço As astronautas da Nasa Jessica Meir (à esquerda) e Christina Koch dentro da câmara Quest, preparando os trajes espaciais e as ferramentas dos EUA que usarão na primeira caminhada 100% feminina no espaço Nasa Na tripulação há quatro astronautas treinados para a realização destas manobras, dois homens e duas mulheres. Em mais de cinco décadas desde a primeira caminhada espacial, das 227 manobras, mulheres participaram apenas de 14, sempre acompanhadas de homens. Uma das líderes da operação, Megan McArthur, celebrou em uma rede social este evento que considerou "absolutamente animador." "O fato de que serão duas mulheres mostra que temos muitas astronautas capazes e qualificadas na missão" – Megan McArthur, astronauta da Nasa. A Nasa esclareceu, por meio de um comunicado, que as falhas no sistema elétrico não prejudicam as operações da ISS nem representam um risco à segurança da tripulação. Christina Koch (dir.) e Jessica Meir posam para foto na Estação Espacial Internacional (ISS) Nasa
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18/10 - Técnica pioneira contra câncer vai estar no SUS? Saiba como 4 novos pacientes serão decisivos no estudo
Terapia utilizada em homem de 64 anos com linfoma em fase terminal, deve ser reproduzida em mais quatro pacientes até o primeiro semestre do ano que vem. Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell, que ainda não tem data para ser disponibilizada na rede pública de saúde. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo O tratamento que levou à remissão de um linfoma em fase terminal no mineiro Vamberto Luiz de Castro deverá ser aplicado em mais quatro pacientes até julho de 2020, afirma um dos pesquisadores do grupo responsável pela criação de técnica de terapia genética pioneira no país. "Minha expectativa é que até o primeiro semestre de 2020 vamos ter realizado pelo menos mais 4 tratamentos compassivos", disse ao G1 o hematologista Eduardo M. Rego, que é pesquisador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP), entidade que concentrou as pesquisas. Livre de tumores, paciente defende benefício para mais pessoas "Inacreditável", diz esposa de paciente após terapia genética de sucesso Eduardo M. Rego, que também é professor da Faculdade de Medicina da USP e coordena o setor de hematologia do grupo Oncologia D’OR, explica que os próximos passos para esta descoberta incluem ainda a realização de um estudo clínico, que deve durar dois anos e ter um grupo maior de pacientes – ele não define prazos, nem número de atendidos. A expectativa é que, junto com o acompanhamento de Vamberto, os resultados que virão a ser obtidos com os próximos quatro pacientes também sirvam para guiar os os rumos do projeto. "No estudo clínico é onde poderemos testar a eficácia e a segurança do tratamento. Tem que garantir que ele é eficaz e seguro, a partir daí podemos pleitear que essa estratégia seja incorporada ao SUS, mas aí vai entrar uma discussão de orçamento, que a gente não controla.", ressaltou Rego. Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, o coordenador do CTC Dimas Tadeu Covas, avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma Covas. Próximos passos O primeiro paciente a estar “virtualmente” curado de um linfoma a partir desta técnica ainda segue em tratamento, com medicações e sessões de fisioterapia para reabilitação após 40 dias em que ficou internado. O mineiro Vamberto receberá o diagnóstico final de cura após cinco anos de acompanhamento da equipe médica. O linfoma é um câncer que afeta as células do sistema linfático, que é uma parte importante do sistema imunológico, ou seja, o sistema de defesa do nosso organismo que ajuda a combater infecções. No linfoma, essas células passam a se proliferar de forma descontrolada. Nos próximos meses, os pesquisadores esperam poder realizar mais quatro tratamentos no CTC. De acordo com o hematologista Eduardo M. Rego, todos serão feitos até o fim do primeiro semestre de 2020. Este passo será realizado apenas em formato compassivo, com pacientes que não tenham mais nenhuma opção de tratamento. Após estes pacientes, o grupo pretende abrir um protocolo de pesquisa clínica que atenderá mais pacientes em um prazo de dois anos. Depois deste período é que apresentarão os resultados do estudo para a Anvisa, que irá decidir se o tratamento poderá ou não ser liberado no país em escala. Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando o paciente chegou ao hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu, e as que restam sinalizam a evolução da terapia. Reprodução/Fantástico 100 % brasileira Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou ao G1 que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer. "As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor", disse Cunha. "E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de R$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS." O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que, para que o estudo pudesse ter atendido a um paciente no hospital universitário, seu encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética. Um porta-voz do Ministério da Saúde disse ao G1 que a pasta não comenta sobre pesquisas em andamento, mas explicou que antes de ser disponibilizado na rede SUS, o tratamento precisa passar "por uma série de comissões" que avaliam os riscos e a segurança dos pacientes e tem que ser aprovado pela Anvisa. Tratamento complexo Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse ao G1 que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. Terapia genética A estratégia da CART-Cell consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Initial plugin text
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18/10 - Hubble observa o visitante interestelar
Cometa Borisov, o segundo cometa interestelar a visitar o Sistema Solar NASA/D. Jewitt Lembra do cometa Borisov, o segundo cometa interestelar a visitar o Sistema Solar? Eu falei dele no mês passado aqui. Pois então, um astrônomo da Universidade da Califórnia apresentou nesta semana as primeiras imagens do cometa obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. David Jewitt observou o cometa em 12 de outubro e rapidamente processou as imagens para divulgá-las durante a semana seguinte, tamanho era o interesse dos astrônomos em geral. E o que se viu nessa imagem? Um cometa como outro qualquer! Sim, diferente de Oumuamua, o primeiro visitante de outro sistema estelar a ser identificado, o cometa Borisov tem cauda e uma coma de poeira proeminente. Cientistas estudam Oumuamua, o misterioso asteroide interestelar Oumuamua também foi observado pelo Hubble quando foi descoberto em 2017, mas para a decepção geral ele não se parecia em nada com um cometa: não apresentava cauda, não parecia ter coma e muito menos jatos. Não se pode excluir a possibilidade de ele ter tudo isso, mas como ele já estava muito distante quando foi observado esses detalhes escaparam da detecção porque estavam abaixo do limite dos instrumentos. Por esse motivo sua classificação gerou um certo debate, pois na ausência de cauda ou qualquer emissão de gases, a classificação mais adequada é a de asteroide. No caso do Borisov não restou nenhuma dúvida e além da imagem, outras características foram obtidas. Por exemplo, o composto cianeto foi encontrado nos gases da cauda do cometa. Esse composto é o mais abundante encontrado em cometas do nosso Sistema Solar. Além disso, seu brilho também é igual ao brilho de cometas típicos do nosso sistema. Como o brilho do cometa depende do material do que ele é feito e que é evaporado pela ação da luz do Sol, esse fato sugere que a composição do Borisov não deve ser tão diferente. Jewitt diz que se ele fosse basear sua opinião a partir das informações obtidas das imagens feitas pelo Hubble, ele jamais diria que esse cometa não foi formado no Sistema Solar. Os resultados, por enquanto, não mostram nada de extraordinário. Quem denuncia sua origem são seus parâmetros orbitais. O cometa Borisov viaja a uma velocidade de 176 mil km/h, muito mais do que a velocidade orbital da Terra em torno do Sol, que não chega a 130 mil km/h. Essa é a principal evidência de que esse cometa veio de fora do Sistema Solar. Nenhum corpo do nosso sistema poderia chegar a essa velocidade, mesmo que estivesse na longínqua Nuvem de Oort e fosse acelerado pela gravidade solar. Jewitt, que também participou da descoberta de 20 novas luas em Saturno em outra pesquisa, está agora trabalhando nas imagens para tentar obter mais informações do seu núcleo. Analisando-se a luz refletida pelos gases do cometa e a luz espalhada pela poeira ejetada do núcleo, é possível subtrair uma da outra em processos digitais. Com isso será possível descobrir se há jatos e qual a rotação do núcleo. Jewitt aponta também que o cometa está ainda se aproximando do Sol e deverá ficar mais e mais brilhante nesse processo, o que deve ajudar nas observações.
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18/10 - À espera de recursos, Sirius atinge energia para gerar luz síncrotron
Pesquisadores conseguiram injetar a carga elétrica máxima prevista e preparam teste no terceiro e principal acelerador do superlaboratório em construção em Campinas (SP); estrutura, no entanto, segue sem receber verba contingenciada pelo governo federal. Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação À espera do descontingenciamento de verbas do governo federal para concluir o principal projeto científico brasileiro, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização responsável pelo Sirius, anunciou nesta quinta-feira (17) que atingiu em teste, com sucesso, energia necessária para a geração da luz síncrotron. Agora, a equipe se prepara para injetar elétrons no terceiro e principal acelerador do equipamento, que já está completamente montado. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Em construção em Campinas (SP), o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. De acordo com o CNPEM, o teste foi realizado na noite de quarta (16) e nele "foi possível injetar a carga elétrica máxima prevista, 3 GeV (Gigaeletron volts) no segundo dos três aceleradores que fazem parte da estrutura." O Sirius é formado por três aceleradores. O primeiro é responsável por produzir e começar a acelerar o feixe de elétrons. O segundo é responsável por dar aos elétrons a energia necessária para que sejam transferidos ao acelerador principal, a partir de onde será emitida a luz síncrotron. "Esse tipo especial de luz, de altíssimo brilho, é capaz de revelar detalhes dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, solo, ligas metálicas, dentre muitos outros", destaca o CNPEM. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Atraso Com o atraso na liberação de recursos pelo contingenciamento de verbas, e a previsão de recursos para 2020 abaixo da expectativa, o CNPEM já informou que as 13 de linhas de pesquisa previstas para o Sirius não ficarão prontas no próximo ano. A abertura do laboratório, no entanto, segue confirmada para 2020, com um número menor de estações de pesquisas. Três delas estão em fase de montagem. Para concluir o Sirius, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, estima o investimento de mais R$ 400 milhões - cerca de R$ 1,3 bilhão já foram investidos na estrutura. Do orçamento previsto para 2019, no entanto, a pasta ainda precisa destinar R$ 205,1 milhões ao CNPEM. Dos R$ 255,1 milhões aprovados, o MCTIC fez empenho de R$ 75 milhões, e depositou R$ 50 milhões. Depois, pediu aumento do limite de empenho ao Ministério da Economia de mais R$ 180 milhões. Em nota, o MCTIC disse que o descontingenciamento dos R$ 180 milhões está previsto para a próxima semana, "a critério do Ministério da Economia". O ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, em Campinas (SP) Fernando Evans/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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17/10 - Pesquisadoras da UFU desenvolvem novas formas de combate ao tipo mais agressivo de câncer de mama
Duas pesquisas utilizam proteínas retiradas do veneno de cobras. Já a outra utiliza drogas sintéticas. Pesquisadoras da UFU estudam há oito anos novas formas de tratamento para o câncer de mama Reprodução/TV Integração Três pesquisadoras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estudam há oito anos novas formas de tratamento para o tipo mais agressivo de câncer de mama. Duas pesquisas utilizam proteínas retiradas do veneno de cobras e a outra utiliza drogas sintéticas para o combate do câncer triplo negativo. Segundo a pesquisadora e doutoranda em genética bioquímica Denise Guimarães, o triplo negativo é o tipo de câncer de mama mais agressivo. “Trata-se de um câncer bastante agressivo. Geralmente ele acomete mulheres na faixa mais jovem. Quanto mais jovem a mulher, mais agressivo se torna o tumor. E a nossa busca é que encontremos uma molécula que seja direcionada especificamente pra esse tipo”, informou Guimarães. A pesquisa desenvolvida pela doutora em genética bioquímica Fernanda Van Peten, utiliza proteínas retiradas do veneno de cobras jararacas. “Nós testamos e depois essa mesma proteína foi colocada no que a gente chama de ‘in vivo’ nos animais, mostrando uma seletividade para esse tipo de câncer. Então, posterior a todo esse resultado positivo, onde a gente consegue observar toda uma via já desenhada, nós agora trabalhamos com moléculas altamente específicas e selecionadas para o câncer de mama”, explicou. Pesquisadoras da UFU em Uberlândia desenvolvem novas formas de combate ao câncer de mama Prêmio O trabalho de inibição de metástases desenvolvido por Fernanda recebeu em 2019, o prêmio de melhor doutorado do Instituto Butantã. “Essa molécula atua especificamente nesses genes metastáticos, então, ela é capaz de inativar esses genes, tornando possível a inibição da metástase”, disse ela. A estimativa é de que os resultados da pesquisa estejam no mercado em até dez anos e possam ajudar no tratamento de aproximadamente 60 mil novos casos descobertos no Brasil anualmente. O mastologista Juliano Cunha reforçou a importância das pesquisas, mas lembrou que algumas ações cotidianas podem diminuir em mais de 30% o risco de câncer de mama. “A obesidade, o tabagismo e o etilismo aumentam o risco pro câncer de mama. A partir do momento que a gente assume uma postura de atividade física, redução dos vícios, controle do peso, uma melhor qualidade da nossa alimentação, nós estamos reduzindo o risco de câncer de mama e de outras doenças em até mais de 30%”, afirmou o mastologista. O médico lembrou, ainda, que o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura. “O diagnóstico precoce faz com que nós tenhamos dados e resultados muitos melhores em relação ao tratamento do câncer de mama. Os casos iniciais têm taxa de cura de cerca de 95%”, completou. Busca pessoal Para a pesquisadora Denise Guimarães, a busca por novos tratamentos vai além do trabalho acadêmico. Em 2014, ela foi diagnosticada com câncer de mama e passou por cirurgia, quimioterapia e todos os protocolos de tratamento. Após o tratamento, a pesquisadora retomou o trabalho no laboratório com mais motivação. “Foi uma coisa que me deu um estímulo a mais pra que eu voltasse agora e retomasse a pesquisa para buscar um alívio pra quem sofre dessa doença”, comentou. Após o tratamento, a pesquisadora retomou o trabalho no laboratório com mais motivação. Reprodução/TV Integração Drogas Sintéticas Já a pesquisa desenvolvida pela doutora em genética Mariana Zóia utiliza drogas sintéticas. “Essas drogas são desenvolvidas no laboratório de nanobiotecnologia. Fiz uma parte desse trabalho também na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. São drogas sintéticas que desenvolvemos pra conseguir tratar esse tipo de tumor agressivo. Nós já testamos em células, portanto, o tratamento in vitro foi bastante eficaz, aumentou a morte celular e reduziu a capacidade agressiva dessa célula e partimos para os testes ‘in vivo’ em dois tipos de animais e o próximo objetivo é fazer o teste em pacientes”, disse. Mariana ainda desenvolve outra pesquisa com uma droga que já existe no mercado. A droga foi desenvolvida para outra doença, mas os testes no tratamento do câncer de mama já começaram.
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17/10 - Estudo aponta presença de metais pesados em comidas de bebê nos EUA
Foram encontrados rastros de arsênico e chumbo em 1 a cada 4 alimentos industrializados para o público infantil no país norte-americano; quase todas as amostras apresentaram traços de ao menos um metal tóxico. Alimentos para bebês nos EUA apresentaram traços de metais pesados em sua composição Pexels Papinhas de bebê, biscoitos e sucos artificiais nos Estados Unidos podem estar contaminados por metais pesados. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17), foram encontradas uma ou mais substâncias tóxicas como arsênico, chumbo, cádmio, grafite e mercúrio em 95% dos alimentos analisados. O levantamento foi feito pela organização Healthy Babies Bright Futures (HBBF), que alertou para os riscos do acúmulo destes metais para o desenvolvimento da atividade cerebral dos pequenos. Nenhuma das marcas analisadas atuam no mercado brasileiro. Em 2017, a agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA) pediu aos fabricantes que fossem reduzidas ao "menor grau possível" a exposição dos alimentos a estes metais. Segundo a HBBF, em uma década, a presença de arsênico em produtos derivados de arroz reduzir em até 63%. Foram analisados 168 alimentos de 61 marcas locais. A cada 20 amostras, em 19 foram registrados níveis perceptíveis de ao menos um metal pesado. Arroz é vilão Os alimentos foram separados em cinco grupos: Snacks/lanchinhos: biscoitos e barrinhas Alimentos para dentição: biscoitos mais rígidos e biscoito de arroz Cereais: cereais matinais Bebidas: leite, suco de maçã e iogurte Frutas/vegetais: papinhas e frutas amassadas Os "snacks", ou lanchinhos, foram os que apresentaram maior concentração de metais pesados. Seguidos de perto por produtos derivados de leite. A HBBF alertou para o consumo dos produtos derivados de arroz, como cereais e biscoitos. De acordo com o estudo, eles apresentaram alta concentração de arsênico orgânico, variação mais tóxica desta substância. Alimentos aparentemente saudáveis a base de cenoura e batata doce, por exemplo, entraram na lista de risco de exposição a metais pesados por ter sido encontrado traços de arsênico e grafite em sua mistura.
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17/10 - Gerociência quer ampliar fronteiras do conhecimento sobre envelhecimento
Os mecanismos celulares ligados ao surgimento das doenças crônicas são a mais nova frente de batalha Eventos dedicados ao envelhecimento têm recebido cada vez mais espaço na agenda mundial. Não poderia ser de outro jeito, já que, no meio deste século, haverá mais de 2 bilhões de idosos no planeta. Entre os dias 28 e 30 deste mês, cerca de 120 palestrantes se reunirão em Washington, capital norte-americana, num fórum intitulado “O futuro da saúde”. A questão da longevidade está presente em todo o programa. O peso de doenças como as demências, que hoje atingem 50 milhões de pessoas, mas que alcançarão 82 milhões em 2030, é um dos temas de destaque. Para diminuir os custos com a enfermidade, será preciso garantir oportunidades a todos para manter o cérebro saudável – o que é sinônimo de diminuir a desigualdade. A desigualdade compromete a longevidade mesmo em matérias básicas como a alimentação. Nos Estados Unidos, quase 45% das crianças que vivem na pobreza estão obesas ou com sobrepeso, enquanto esse percentual cai para 22% entre aquelas com melhores condições socioeconômicas. Como atender ao desafio de prover comida de qualidade, que desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde? O mesmo se aplica para moradias que estejam preparadas para receber idosos com limitações. O médico e pesquisador Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine, que se dedica a estudar centenários Divulgação Um dos convidados é o médico e pesquisador Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine, que se dedica a estudar centenários e como seus genes os protegem contra problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer. Ele costuma dizer que “o pior cenário é a longevidade com um longo período de doença. Temos que conseguir viver mais com menos anos de doença”. Uma de suas palestras disponíveis on-line trata justamente do tópico e tem o bem-humorado título de “How to die young at a very old age”, cuja tradução, “Como morrer jovem numa idade avançada”, mostra que saúde e velhice podem ser compatíveis. Nos dias 4 e 5 de novembro, o Third Geroscience Summit ocorrerá em Bethesda (Maryland) sob a coordenação do Departamento Nacional de Saúde (National Institutes of Health) dos EUA. A gerociência investiga os mecanismos celulares e genéticos ligados ao envelhecimento e ao surgimento das doenças crônicas. Embora na mesma linha do outro evento, este será aberto ao público e transmitido. A batalha contra os desafios relacionados à velhice vem acontecendo em nível molecular. Para os pesquisadores, entender o que faz com que alguns indivíduos envelheçam com uma proteção maior contra enfermidades poderá ser a chave para mudar o destino da humanidade.
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16/10 - Ministério da Saúde libera R$ 206 milhões para municípios ampliarem vacinação contra sarampo
Portaria publicada nesta quarta (16) no Diário Oficial formaliza incentivo financeiro para ações que ampliem a cobertura da vacina tríplice viral. O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (16) a liberação de R$ 206 milhões para a vacinação contra o sarampo e outras doenças em 3.131 municípios do país onde há maior necessidade. A medida está no contexto da Campanha de Vacinação contra o Sarampo, realizada entre 7 de outubro e 30 de novembro de 2019. "O objetivo é ampliar a cobertura vacinal, o controle de surtos e a interrupção da transmissão do sarampo, e outras doenças possíveis de imunização, em todo o país", informou o ministério da Saúde em nota. A vacina tríplice viral também protege contra rubéola e caxumba, mas a cobertura vacinal deste ano é a mais baixa dos últimos cinco anos. A esta altura do ano, deveria estar próxima da meta de 95%. Os recursos são do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e serão enviados aos fundos de saúde dos municípios e do Distrito Federal, "em caráter excepcional", conforme portaria publicada no Diário Oficial. Segundo o texto, o ministério: "estabelece incentivo financeiro para implementação e fortalecimento das ações de ampliação da cobertura vacinal da tríplice viral e de prevenção, controle do surto e interrupção da cadeia de transmissão do sarampo e outros agravos imunopreveníveis, no âmbito da Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde." Campanha vacinação sarampo Ipatinga Prefeitura de Ipatinga/Divulgação Condições e objetivos O valor destinado a cada cidade será de R$ 1,00 por habitante, conforme o Censo do IBGE de 2016. Porém, só metade da verba separada para cada município será enviada de imediato. Outros 25% serão enviados somente após os municípios atingirem a cobertura vacinal de 90% a 94,9% do público-alvo. E outros 50% para os que superarem a meta de cobertura de 95%. Os objetivos dessa ação compreendem: ampliar a cobertura vacinal em crianças de um ano de idade a um ano, 11 meses e 29 dias de idade; estimular a implementação das medidas de prevenção, controle da transmissão do sarampo; garantir o acesso e fortalecer as ações de imunização de rotina nos serviços da Atenção Primária à Saúde; apoiar a operacionalização da Campanha de Vacinação contra o Sarampo. Dez passos para melhorar a cobertura O ministério indica 10 medidas para melhoras a aplicação da vacina tríplice viral nas unidades públicas: Garantir a sala de vacina aberta todo o horário de funcionamento da unidade Evitar barreiras de acesso Aproveitar as oportunidades de vacinação Monitorar a cobertura vacinal Garantir o registro adequado da vacinação Orientar a população sobre atualização do calendário vacinal Combater qualquer informação falsa sobre vacinação Intensificar as ações de vacinação em situações de surto Promover a disponibilidade e a qualidade das vacinas ofertadas à população Garantir pessoal treinado e habilitado para vacinar durante todo o tempo de funcionamento da unidade
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16/10 - Alimentação à base de carne crua para animais de estimação pode ser nociva para pets e humanos
Comida crua para pets pode causar doenças nos animais domésticos e também representar um risco de doenças infecciosas para os humanos que têm contato com eles. Refeições com carne crua para pets são populares mas podem conter inúmeras bactérias Unsplash As refeições com carne crua, cada vez mais populares entre donos de cães e gatos, podem estar cheias de bactérias resistentes a vários medicamentos, representando um sério risco para animais e seres humanos, advertiram cientistas nesta quarta-feira (16). Três quartos das amostras coletadas e testadas na Suíça excederam os limites recomendados para bactérias conhecidas como causadoras de infecções gastrointestinais. Mais da metade das amostras continha agentes infecciosos resistentes às medicações projetadas para matá-los, afirmaram os pesquisadores em um estudo publicado na revista científica Royal Society Open Science. Como mudar sua dieta pode proteger o planeta Entenda como a poluição do ar afeta seus pulmões e o que você pode fazer para evitar problemas "É realmente preocupante que tenhamos encontrado enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro ampliado (ESBL, na sigla em inglês) em mais de 60% das amostras", declarou Magdalena Nuesch-Inderbinen, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Zurique, referindo-se a uma enzima que torna ineficaz alguns antibióticos. "Elas incluem vários tipos de E. coli, bactéria presente nas fezes que pode causar infecções tanto em humanos, quanto em animais", acrescentou. Alimentos a base de carne crua para cachorros de estimação ficaram populares nos últimos anos Unsplash As vendas de comida crua para animais domésticos - também conhecida como "comida crua biologicamente apropriada" ou BARF, na sigla em inglês - dispararam nos últimos anos, especialmente a destinada a cães. Atribui-se a esse tipo de dieta benefícios como aumentar a vitalidade canina, mesmo com poucos estudos que sustentem estas alegações. De fato, associações de veterinários nos Estados Unidos e no Canadá fizeram soar o alerta sobre a comida crua para animais de estimação, com informes mostrando que é uma fonte de infecções por Salmonella e yorsiniose (gastroenterite causada por alimentos) em cães. E isto também é um problema para os seres humanos. "Comidas à base de carne crua podem estar contaminadas com bactérias que seriam resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo os categorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como criticamente importantes para a medicina humana", declarou Nuesch-Inderbinen à AFP. Alimentação a base de carne crua para cães e gatos pode ser nociva, diz estudo Unsplash Cautela para donos de pets "Há evidências crescentes de que estes patógenos representam um risco de doenças infecciosas para os humanos, não só durante o manuseio da comida, mas também de contaminação de superfícies da casa e através do contato com os cães e suas fezes", acrescentou. Estima-se que haja 140 milhões de cães e gatos na União Europeia e um número similar na América do Norte e no Brasil. De forma genérica, a resistência a antibióticos se tornou uma importante crise de saúde em todo o mundo. "A situação com as bactérias resistentes a múltiplos medicamentos saiu do controle nos últimos anos", completou o co-autor do estudo Roger Stephan, professor do Instituto de Segurança Alimentar e Higiene da Universidade de Zurique. O uso indiscriminado de antibióticos está criando super bactérias resistentes a medicamentos comuns Unsplash O uso indiscriminado e às vezes inapropriado de antibióticos permitiu mutações aos micro organismos sobreviventes, que se tornaram superbactérias que superam a capacidade dos novos medicamentos de contê-los. Devido ao uso excessivo de antibióticos na pecuária, os animais criados para o consumo humano se tornaram um importante reservatório de resistência microbiana. "Assim como a comida convencional para os animais de estimação, a maior parte das dietas baseadas em carne crua se baseiam em subprodutos de animais abatidos para o consumo humano", destacou o estudo. Para descobrir exatamente quão contaminados estão os alimentos crus para os pets, os cientistas testaram 51 amostras de diferentes fornecedores na Suíça, compradas em lojas físicas e na Internet. "Advertimos todos os donos de cães e gatos que queiram alimentar seus animais com uma dieta 'BARF' a manusear a comida cuidadosamente e manter estritos padrões de higiene", disse Nuesch-Inderbinen. "Os donos de pets devem ser conscientes do risco de que seu animal pode estar carregando bactérias multirresistentes e disseminá-las", acrescentou.
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16/10 - Como mudar sua dieta pode proteger o planeta
Estudo examina os hábitos alimentares em 140 países para medir o impacto que produção e consumo de comida têm sobre as questões climáticas. Uma conclusão: os europeus têm que dar o exemplo. Alimentação saudável pode ajudar a preservar o planeta, diz ONU Unsplash O dia 16 de outubro marca o Dia Mundial da Alimentação, data lembrada todos os anos pela FAO, a agência das Organização das Nações Unidas (ONU) para agricultura e alimentação. A data não trata apenas do combate à fome: ela também se concentra em encontrar maneiras de alimentar a humanidade e, ao mesmo tempo, preservar o planeta. É um apelo à ação em todos os setores para tornar dietas saudáveis e sustentáveis mais acessíveis a todos. Mas como alcançar isso? Uma maneira seria introduzir maneiras diferentes de os países adaptarem seu hábitos alimentares. Essa foi a principal conclusão de um estudo recente dos pesquisadores do Johns Hopkins Center for a Livable Future (centro para um futuro viável), sediado nos Estados Unidos. Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição Glúten é vilão do intestino? Saiba quando a proteína precisa ser cortada do cardápio Uma mudança-chave que precisa acontecer seria mudar na Europa e nos EUA a cultura de uma dieta baseada em carne e laticínios, disse à DW Martin Bloem, coautor do estudo Mudanças dietéticas especificamente nacionais para mitigar as crises climáticas e hídricas: "A situação para os países mais pobres não é a mesma dos países de alta renda, e as soluções para os países de alta renda são muito mais simples." A criação de gado é responsável por quase 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a FAO. O gado é o maior culpado. Criados tanto para a carne bovina quanto para o leite, eles representam cerca de 65% das emissões do setor pecuário, seguidos pela carne suína (9%), leite de búfala (8%) e aves e ovos (8%). Subproduto da digestão das vacas, o metano (CH4) é responsável pela maior parte das emissões do gado e, estima-se, é pelo menos 25 vezes potencialmente mais causador do efeito estufa do que o dióxido de carbono (CO2). O gado também é responsável por outras emissões de gases do efeito estufa, como o óxido nitroso (N20) e dióxido de carbono, principalmente devido à produção de ração, que muitas vezes envolve grandes aplicações de fertilizantes à base de nitrogênio. Combate à fome Criança em estado agudo de desnutrição recebe atendimento dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, em foto de outubro de 2016 Albert Gonzalez/AFP Segundo o estudo, porém, com mais de 800 milhões ainda passando fome no mundo, o impacto no clima não poder ser o único guia para o que as pessoas comem. Alimentos de origem animal, especificamente leite e ovos, são uma fonte valiosa de proteína e nutrientes, especialmente para crianças pequenas e mulheres grávidas. "Alguns países, como a Indonésia, Índia e a maioria dos africanos, podem precisar aumentar drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa e o uso da água, porque têm de combater a fome e a deficiência de crescimento", explica Bloem. Lá ainda há uma taxa de 40% de nanismo entre crianças, um efeito colateral da desnutrição. Essa deficiência de crescimento também tem um grande impacto de longo prazo sobre as habilidades cognitivas das crianças. "É irreversível aos dois anos de idade, de modo que o nanismo tem enormes implicações para o capital humano desses países. Por isso é muito importante prevenir essa deficiência, e precisamos de alimentos de origem animal para isso", diz Bloem. "Não podemos manter isso fora da equação quando falamos de proteção climática.” Uma solução, de acordo com Bloem, seria fortalecer certos produtos, como os cereais, o que contribuiria para reduzir a necessidade de alimentos de origem animal. É uma prática já em uso em muitos países desenvolvidos, mas até agora pouco aplicada pelos mais pobres. Peixe pode ser a resposta Os pescados são consideradas boas alternativas às carnes e laticínios Caroline Attwood/Unsplash Uma das principais conclusões do estudo mostra que uma dieta em que as proteínas provenham predominantemente de animais dos primeiros níveis da cadeia alimentar – como peixes pequenos e moluscos – cujo impacto ambiental é quase tão baixo como numa dieta vegana. "Os peixes pequenos são realmente fundamentais para os pobres, particularmente na África e na Ásia, onde são uma das principais fontes de proteína e cálcio, já que a ingestão de leite é muito baixa nesses países", diz Bloem. "Mas 80% de todo o peixe produzido hoje em dia vem da Ásia e é importado para a Europa e EUA. E a ração para alguns desses peixes maiores que importamos são na verdade peixes menores, implicando privar os mais pobres dessa fonte vital de proteína e cálcio." Os pesquisadores também concluíram que uma dieta que envolve a redução do consumo de alimentos animais em dois terços geralmente tem uma pegada climática mais baixa do que a dieta vegetariana lacto-ovo mais tradicional. Outra conclusão do estudo é que a produção local nem sempre é a melhor opção do ponto de vista da proteção climática. Criação de gado é um dos principais poluentes na produção de alimentos Unsplash A produção de de carne bovina no Paraguai, por exemplo, gera quase 17 vezes mais gases de efeito estufa do que a produção do produto na Dinamarca. Muitas vezes, essa disparidade se deve ao desmatamento para criação de pastos, segundo o estudo. "O país de origem de um alimento pode ter enormes consequências para o clima", diz Bloem. "Na Europa, o solo é muito mais fértil, por exemplo, o que torna a produção mais eficiente. Portanto o comércio internacional pode ser bom para o clima, se os alimentos forem produzidos em locais onde o impacto climático é menor", mesmo considerando o fator transporte. O estudo conclui que os países de renda média e baixa precisam ser guiados e apoiados pelos desenvolvidos, a fim de evitar erros ambientais pelos quais o planeta já está pagando. "Precisa haver uma estreita colaboração entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. É um problema de todos. Estamos todos juntos nisso", alerta Bloem. É preciso contextualizar Mas, apesar dos resultados, uma das principais conclusões do relatório é que nem sempre há respostas diretas: o contexto de compreensão é vital para encontrar uma solução, de acordo com Bloem. "Por isso realizamos análises em todos esses diferentes países, para que se possa ver qual é a melhor saída para cada país lidar individualmente com dietas e questões de saúde, bem como clima e sustentabilidade." Dietas com ênfase vegetal são recomendadas pela ONU em estudo Celso Tavares/G1 Ao fim, o estudo apresenta nove dietas de ênfase vegetal, que vão desde não comer carne vermelha nem produtos derivados de animais (vegana) até um tipo de semivegetarianismo que inclui frutos do mar. As sugestões individuais de dieta serão agora apresentadas aos formuladores de políticas em cada país, fornecendo-lhes os dados e informações necessários para desenvolver estratégias nacionais apropriadas. Ao mesmo tempo, o estudo exorta a população ocidental a fazer mais. Os baby-boomers do mundo desenvolvido, por exemplo, emprega em média menos de 10% de sua renda em alimentos, enquanto a mesma geração em países pobres como Nigéria, Quênia e Bangladesh gasta entre 50% a 60%. "Portanto não há espaço para eles fazerem melhor. Mas nós, no mundo ocidental, podemos pagar mais pelos nossos alimentos, para que possamos pagar pelas consequências não intencionais”, conclui Martin Bloem.
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16/10 - 'Mercúrio retrógrado' é uma ilusão de ótica que não influencia vida na Terra, explicam cientistas
Astrólogos veem o fenômeno como um período ligado a confusões e instabilidade; cientistas afirmam que não há evidências de que outros planetas influenciem em comportamentos na Terra. Mercúrio retrógrado é um fenômeno que ficou popularmente conhecido por meio da astrologia Nasa Mercúrio retrógrado. É um conceito que descreve um fenômeno astronômico, mas que se espalhou para a cultura popular por meio da astrologia e que se traduz para muitos como algo de ruim que pode acontecer. Mas o que é realmente Mercúrio retrógrado? Em termos científicos, Mercúrio retrógrado é simplesmente uma ilusão de ótica que faz parecer que o planeta está retrocedendo, a partir da nossa perspectiva da Terra. Obras de arte e logos no céu: como a humanidade está 'fabricando estrelas' A polêmica sobre o vulcão no Havaí que pode ser chave para encontrar vida extraterrestre "Mercúrio retrógrado é uma definição científica real, que descreve o que acontece quando esse planeta parece estar se movendo para trás, da perspectiva da Terra", disse à BBC a astrofísica de Oxford Rebecca Smethurst. "Mas não é assim. É simplesmente uma ilusão de ótica que ocorre porque o observamos da Terra", disse Smethurst. O fenômeno do Mercúrio retrógrado é, na verdade, uma ilusão de ótica Nasa No entanto, para o mundo da astrologia, a suposta reversão de Mercúrio está associada a períodos de instabilidade ou confusões. Por isso alguns falam, por exemplo, da influência do Mercúrio retrógrado no Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, prevista para 31 de outubro e de todo o caos que acompanha esse processo. "É preciso deixar algo muito claro: nenhum movimento dos planetas influencia ou pode influenciar o que acontece na Terra. Não há estudos que demonstrem uma relação disso com o comportamento das pessoas", disse a astrofísica Rebecca Smethurst. Mas como acontece esse fenômeno científico e qual é a suposta relação estabelecida pelos astrólogos? Fórmula 1 De acordo com Smethurst e Rick Fienberg, da Sociedade Astronômica dos Estados Unidos, o fenômeno ótico ocorre porque Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e leva apenas 88 dias para orbitar em torno da nossa estrela. A Terra leva 365 dias para fazer essa mesma jornada. "É como comparar um carro de Fórmula 1, que neste caso é Mercúrio, a um veículo mais lento que percorre um circuito mais distante, que neste exemplo seria a Terra", explicou Smethurst. Mercúrio demora 88 dias para dar uma volta completa em torno do Sol, enquanto a Terra demora 365 Rede Globo "Mercúrio não só vai mais rápido, mas também percorre uma distância menor." O especialista ainda ressalta que, de três a quatro vezes por ano, ocorre o efeito óptico descrito como Mercúrio retrógrado: a impressão é de que o corpo celeste está retrocedendo, se afastando. Mas com um elemento adicional: as órbitas da Terra e de Mercúrio ao redor do Sol são totalmente diferentes. "É como se Mercúrio desse uma volta em nós. Ele se aproxima e depois passa pela gente", disse o astrônomo Rick Fienberg ao The New York Times. Smethurst e Fienberg dão o mesmo exemplo: é um efeito semelhante ao que acontece ao tentar ultrapassar um carro na estrada. Por um momento, parece que o outro veículo ficou mais lento, mas ele simplesmente está mantendo a mesma velocidade. Astrologia Esse fenômeno — que também ocorre com outros planetas — tem sido associado na astrologia há muito tempo a eventos que ocorrem no dia a dia. Os céticos apontam que, sendo um fenômeno que ocorre três ou quatro vezes por ano, é útil para os astrólogos culpá-lo quando as coisas não estão indo bem. "A associação que ocorre é por reforço positivo, como acontece com o horóscopo: 'Hoje é possível que você perca as chaves se você nasceu em maio', diz uma previsão. E talvez você nunca tenha pensado nisso, mas começa a prestar atenção porque o horóscopo disse isso", explicou a astrofísica Rebecca Smethurst. Mercúrio retrógrado é visto por astrólogos como uma época de mal-entendidos e confusões Michael Goh/REX/Shutterstock "O mesmo vale para Mercúrio retrógrado", disse. Como na astrologia Mercúrio é considerado o planeta da comunicação, quando ocorre o fenômeno de Mercúrio retrógrado são previstos mal-entendidos e confusões. Segundo um estudo do Centro de Pesquisas Pew, 37% das mulheres e 20% dos homens nos Estados Unidos acreditam nos postulados da astrologia. "Mas não há uma única evidência científica de que esses tipos de fenômenos tenham alguma influência sobre o que acontece na Terra... muito menos sobre o que acontecerá com o Brexit", concluiu Smethurst.
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16/10 - Nasa adianta para esta semana primeira caminhada no espaço 100% feminina
As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem sair da Estação Espacial Internacional para corrigir uma falha no sistema de energia na quinta ou sexta-feira; será a primeira vez que apenas mulheres realizam esta atividade. Christina Koch (dir.) e Jessica Meir posa para foto na Estação Espacial Internacional (ISS) Nasa A agência espacial norte-americana (Nasa) vai adiantar a primeira caminhada espacial feita apenas com mulheres. Na terça-feira (15) foi anunciado que as astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem corrigir uma falha no sistema elétrico da Estação Espacial Internacional (ISS) ainda nesta semana. Esta será a primeira manobra 100% feminina entre as mais de 200 realizadas desde 1965. Em março deste ano, a caminhada foi cancelada porque a Nasa não tinha trajes espaciais do tamanho adequado para as astronautas a bordo. A saída está prevista para acontecer entre quinta (17) e sexta-feira (18) e faz parte de atividades previstas para a manutenção de baterias da unidade. Na semana passada outros astronautas realizaram as trocas dos equipamentos anteriores por versões mais modernas de lítio. Astronauta em caminhada espacial na ISS NASA/Arquivo Na tripulação há quatro astronautas treinados para a realização destas manobras, dois homens e duas mulheres. Em mais de cinco décadas desde a primeira caminhada espacial, das 227 manobras, mulheres participaram apenas de 14, sempre acompanhadas de homens. Uma das líderes da operação, Megan McArthur, celebrou em uma rede social este evento que considerou "absolutamente animador." "O fato de que serão duas mulheres apenas mostra que temos muitas mulheres capazes e qualificadas na missão." A Nasa esclareceu, por meio de um comunicado, que as falhas no sistema elétrico não prejudicam as operações da ISS nem representam um risco à segurança da tripulação.
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16/10 - Médica desbanca mitos sobre saúde feminina; veja cinco
Médica canadense-americana Jen Gunter desbanca informações falsas sobre saúde feminina; ela ficou famosa ao enfrentar dicas sem comprovação científica da atriz Gwyneth Paltrow. "Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito efetiva", diz Gunter Divulgação/BBC A médica canadense-americana Jen Gunter virou uma caçadora de mitos sobre a saúde da mulher. Na visão dela, centenas de anos de desinformação serviram para que homens controlassem e oprimissem as mulheres. "Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito eficaz", afirma. Agora, para ela, uma indústria inteira de "bem-estar" perpetua esses mitos e cria novos para vender seus produtos. Mulheres ejaculam? As perguntas que levaram à criação da Pussypedia Cirurgia inédita usa pele de tilápia na reconstrução vaginal Seu objetivo, como ela diz no início do livro que lança agora em inglês, "The Vagina Bible" (A Bíblia da Vagina, em tradução livre), é empoderar todas as mulheres com informações precisas sobre a vagina e a vulva. "Pensei: 'Meu Deus, se é difícil para mim, que sou médica, como todo o resto das pessoas faz para encontrar informações?'" São 400 páginas respondendo a dúvidas das mais simples (o que é vagina?, o que é vulva?) às mais complexas (qual é a verdade sobre a vacina de HPV?). Gunter ficou famosa nos Estados Unidos por ter brigado publicamente com a atriz Gwyneth Paltrow, ganhadora do Oscar por "Shakespeare Apaixonado" que virou uma espécie de "guru" com um blog sobre saúde e bem-estar e uma empresa que vale milhões de dólares. O site da atriz já foi multado por divulgar informações sem base científica — algo que foi repetidamente apontado por Gunter, que já desmentiu que sutiãs causariam câncer (não causam!), que vaporizadores vaginais limpariam o útero (não limpam!; a ideia de que o útero é sujo é "um mito patriarcal", escreveu), entre outros. Em 2017, Gunter escreveu um texto dizendo que o site da atriz se alimentava da indústria do medo, gerando dúvidas e ideias erradas nas mulheres. O conselho editorial do blog da atriz respondeu chamando Gunter de "estranhamente segura" para fazer as afirmações que fazia. Gunter respondeu: "Eu não sou 'estranhamente segura' sobre saúde vaginal. Eu sou adequadamente segura porque sou uma especialista. Eu fiz 4 anos de medicina, 5 anos de residência em ginecologia e obstetrícia, um ano de pesquisa em doenças infecciosas" e seguiu citando todo seu currículo. "Uma mulher sem treinamento médico algum que diz para as mulheres andarem por aí com ovos vaginais é a que é 'estranhamente segura'." Na entrevista abaixo, ela fala sobre as causas e interesses por trás dos mitos sobre saúde feminina espalhados em sites e redes sociais e tira dúvidas sobre a saúde da mulher. Sexo é bom e eu gosto: vagina larga - como fortalecer? BBC News Brasil - No seu livro, você afirma que as mulheres sofreram com 'centenas de anos de desinformação'. A que tipo de desinformação você se refere? Jen Gunter - Em muitas culturas, não podemos nem falar o nome das partes dos corpos das mulheres. Não podemos dizer 'vagina', 'vulva' e 'clitóris'. Se você não pode falar o nome da parte, você sugere que há vergonha e que tem alguma coisa de suja nisso. Se você não pode falar sobre seu corpo, como você vai encontrar informações corretas sobre ele? O corpo das mulheres não foi estudado da mesma maneira que o corpo dos homens foi. Não estudamos a saúde feminina da mesma maneira que estudamos a saúde masculina. E as mulheres foram excluídas da medicina e da ciência. Foi só recentemente que passamos a escutar suas vozes. E agora, além disso, temos a indústria de 'wellness' [bem-estar], que é um marketing enganoso. Isso sempre existiu, mas agora vemos isso no nosso feed no Instagram, no Facebook, Twitter. Além disso, vemos as mesmas manchetes incorretas sendo repetidas várias vezes. E todos nós confundimos repetição com precisão. Quando as pessoas leem esses mitos, se espalhando cada vez mais rapidamente, essa informação 'pega' mais. BBC News Brasil - Como e por que você começou a desbancar mitos? Gunter - Como médica, eu me importo com a informação que meus pacientes trazem para o consultório. Foi um grande fator. Mas foi também porque eu tive filhos com condições sérias de saúde e comecei a pesquisar coisas online e achei muito lixo. Pensei: 'Meu Deus, se é difícil para mim, que sou médica, como todo o resto das pessoas faz para encontrar informações?' Então comecei a pensar sobre as informações que minhas pacientes traziam sob outra perspectiva. BBC News Brasil - Você também brigou publicamente com a atriz Gwyneth Paltrow. O que motivou essa desavença? Gunter - Um dia me mandaram um artigo [do site de Paltrow] sobre vaporizadores vaginais. Eu pensei: 'Essa é a coisa mais estúpida do mundo'. Então eu escrevi sobre isso e viralizou. Depois teve o texto dizendo que sutiãs causam câncer de mama. Não causam. E o que dizia para mulheres colocarem ovos vaginais. Não façam isso! Eu comecei a desmentir essas coisas e a Gwyneth achou que eu fosse 'estranhamente segura' para fazer essas afirmações, sendo uma médica e tal. E no final o site foi multado. Mas disseram que estavam apenas 'conversando'. É muito perigoso passar informações assim e depois dizer 'não estávamos transmitindo informações' ou mandando as pessoas fazerem alguma coisa. Você não quer transmitir informações ou mandar as pessoas fazerem algo, mas escreveu um artigo sobre ovos vaginais e está vendendo ovos vaginais. Eu acho que a maioria das pessoas diria que isso é mandar as pessoas fazerem algo. Médicos fazem alerta após mulher se queimar durante ‘vaporização vaginal’ Atriz Gwyneth Paltrow AP Photo/Matt Sayles BBC News Brasil - A quem interessa espalhar essas informações falsas sobre a saúde da mulher? Gunter - Bom, primeiro, a quem quer vender um produto. Se você tem suplementos não confiáveis e quer vendê-los, ou se você quer que mulheres coloquem 'ovos de energia' em suas vaginas, você vai querer desinformá-las. Se você quer vender absorventes internos caros que supostamente são orgânicos, sem benefícios para a saúde, você vai querer espalhar desinformação para que mulheres escolham os produtos mais caros. Mas essa desinformação também é muito danosa quando falamos sobre escolhas contraceptivas e direitos ao aborto. Vemos mulheres com medo de certos métodos contraceptivos por causa de mitos, ou vemos mulheres que não foram educadas adequadamente sobre contracepção por causa de desinformação, tomando decisões erradas porque não têm informação suficiente. E vemos governos tirando direitos reprodutivos das mulheres. E também há muitas semelhanças entre as imprecisões científicas e as notícias falsas na política. Algumas vezes, as pessoas compartilham desinformação por falta de conhecimento, mesmo. É preciso ter mais educação sobre saúde e ciência. A mesma coisa ocorre com ciência climática ou conteúdo antivacina. Se você examinar as pessoas que são contra vacinação, a minoria acredita em teorias da conspiração e a maioria foi contaminada com desinformação online. BBC News Brasil - No seu livro você menciona o patriarcado como grande motor da desinformação nesses casos. O que o patriarcado e o machismo têm a ver com os mitos que lemos por aí sobre a saúde das mulheres? Gunter - Tudo vem disso. Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito eficaz. Se você quer manter as mulheres na pobreza, sem dar a elas seus direitos e informações de reprodução, sem permitir que decidam sobre seus próprios corpos, essa é uma boa maneira de fazer isso. O mito básico, a crença básica e central do patriarcado é que os corpos femininos são sujos. Quando as meninas começam a menstruar, elas são sujas, envergonhadas em muitas culturas e comunidades. É assim que você controla as pessoas. Se você quer controlar metade da população, e tem um sinal claro de que são diferentes, de que estão sangrando, esse é um instrumento eficaz. Dizer: 'Ah, esse sangue é nojento e anormal, tem alguma coisa errada com você'. E mulheres viraram commodities. Elas precisam ser virgens até o casamento e precisam produzir tantas crianças quanto possível e, quando ficarem velhas, devem se calar e ir embora. É assim que somos tratadas. BBC News Brasil - E quais são as consequências, para as mulheres, de acreditar nesses mitos? Gunter - Elas acabam tomando decisões sobre sua saúde que podem ser ruins para elas. Acabam não recebendo o sexo que querem na cama porque não sabem dizer: 'Ei, só 30% das mulheres chegam ao orgasmo com penetração, quero estímulo na área do meu clitóris'. 100% das mulheres deveriam tomar a vacina da HPV, mas não tomam por causa da desinformação e de medo. É uma decisão médica ruim, porque expõe as mulheres a câncer do colo do útero. Há consequências sérias. BBC News Brasil - Você falou há pouco que 'não estudamos a saúde feminina da mesma maneira que estudamos a saúde masculina'. Como isso influencia o que sabemos sobre a saúde e o corpo feminino? Gunter - Para muitos medicamentos e condições médicas, os testes são feitos normalmente em homens saudáveis ou em homens, no geral. E há razões para tanto, que poderiam ter sido aceitáveis quando não tínhamos informações. As mulheres têm ciclos, nossos hormônios são diferentes em diferentes horas do dia. E algumas dessas coisas podem afetar condições médicas. Eu entendo biologicamente como estudos iniciais podem ser feitos em homens, mas isso não significa que é aceitável parar aí. Pessoas de diferentes contextos raciais podem responder de forma diferente a medicações diferentes. Sabemos que a idade pode ter um impacto. Tem muita exclusão de todos que não são homens brancos entre as idades de 18 e 35, a população jovem 'ideal' para estudos. Orgasmo clitoriano e vaginal: qual a diferença? Nós temos que pedir mais. Temos que dizer: vocês não podem estudar coisas que afetem só uma pequena população, porque até estudarmos todo mundo nós não vamos saber, não temos como saber que pode haver diferenças de impacto para diferentes idades e que mulheres podem responder aos medicamentos de forma diferente, baseado na sua idade, seu status da menopausa e a época do mês. BBC News Brasil - Com tantas notícias falsas sobre política, mas também sobre saúde, as pessoas podem ficar ansiosas, sem saber como se informar. Afinal, como devemos navegar esse ambiente repleto de informações nem sempre confiáveis? Gunter - Primeiro, não confie em celebridades nunca. A não ser que te digam para parar de fumar, o que é ótimo. Eu queria poder dizer que você pode confiar em médicos, mas você também nem sempre pode. Com sorte, você pode achar um médico em quem confiar. Mas médicos podem ser uma fonte de desinformação, também. E a internet também. Você pode ter bons médicos, médicos predatórios ou médicos que realmente não sabem. Você pode ter bons sites na internet e sites predatórios, e você pode ter sites cujos autores estão só confusos e passando informações incorretas sem saber. Acho que a vacina para isso são fatos. Quanto mais sabemos sobre o nosso corpo, mais poderemos receber informações e dizer: 'Isso é lixo, eu não deveria acreditar nisso'. Fatos ajudam. Também temos de ensinar as pessoas como pesquisar informações sobre saúde. É muito importante, temos que aumentar a educação sobre saúde. Temos de ensinar as pessoas como identificar viés em sites. Toda vez que você recebe uma informação médica, você deve refletir: 'Por que essa pessoa quer que eu acredite nisso? Qual é seu interesse nisso? É um jornalista, é alguém vendendo um produto, é alguém que é contra vacinas?'. Oito dúvidas sobre a saúde feminina As cinco primeiras dúvidas foram esclarecidas por Gunter durante a entrevista; as dúvidas de 6 a 8 foram respondidas com base em seu livro. 1) O ponto G existe? Jen Gunter - O "ponto G", no estudo original de Ernst Gräfenberg, descrevia de forma bastante precisa o que agora sabemos que é o clitóris, uma grande estrutura com tecido erétil que é muito perto da uretra. Então ele estava descrevendo algo que hoje sabemos: que parte do clitóris é muito próxima da uretra, e que muitas mulheres devem ter essa parte sensível dependendo do tipo de estimulação e do momento. Em alguns dias pode ser ótimo, em outros, não. Diferentes coisas podem afetar o que sentimos como prazeroso. Mas, de alguma maneira, essa ideia foi transcrita pelo patriarcado como um ponto que você pode tocar e levar a mulher à loucura. Não, não é isso, não é um botão que você aperta. É parte de uma coisa toda, parte do tecido erétil, e você vai ter que estimular aquilo com esforço, assim como você vai ter que estimular outras partes, e não é só um local, uma glândula específica. Acho que isso se tornou um "telefone sem fio". E mulheres dizem: "Não consigo ter um orgasmo com meu parceiro tocando só essa parte". Sim, porque não há um botão secreto. É mais que isso. E então nós vemos pessoas oferecendo "injeções para o ponto G", baseado na ideia de que você pode estimular os nervos dessa área, mas não pode. Aquele estudo originalmente correto foi traduzido para o público incorretamente. Seja porque os homens querem acreditar que podem levar as mulheres à loucura só com um toque, ou por causa da crença patriarcal de que o pênis é a melhor forma de as mulheres chegarem ao orgasmo. Mulheres que mantêm relações com mulheres dizem: "Do que vocês estão falando? Um pênis não é nada necessário para uma ótima experiência sexual". Falando com pessoas que não têm pênis, chegamos a conclusões diferentes. 2) A comida que ingerimos influencia nossa saúde vaginal? Comer é algo bom para nossa saúde como um todo. Se você tem uma dieta saudável e balanceada, você vai ter um corpo mais saudável no geral. Mas você não pode pensar na comida como algo para partes específicas do corpo, não é assim que funciona. E você não pode mudar o cheiro da sua vagina. O maior mito é que o consumo de açúcar pode causar infecções fúngicas. Essa é uma desinformação completa porque você não pode modificar o nível de açúcar da sua vagina com comida. Não é assim que o açúcar chega à sua vagina. E em alguns períodos do mês, a vagina pode ter até mais açúcar que o nível do seu sangue. E o açúcar na vagina também alimenta as bactérias que fazem bem. É uma completa falta de informação sobre todo o ecossistema da vagina. Há pessoas que pensam que comer iogurte ou colocar iogurte na vagina pode curar a candidíase. Não é verdade, porque não tem o tipo certo de lactobacilos. Você pode comer iogurte, é ótimo, é uma boa fonte de cálcio, e mulheres precisam de cálcio nas suas dietas, mas não vai ajudar sua vagina. 3) Como devemos limpar a vulva e a vagina? Limpar a vagina e limpar a vulva são duas coisas diferentes. A vulva é a pele da parte de fora, onde as roupas encostam na pele [formada pelos lábios maiores e menores e o clitóris, entre outros órgãos femininos externos], e a vagina é a parte de dentro [o canal que liga a vulva ao colo do útero]. A vagina nunca precisa de limpeza. Deixe ela em paz. Não encoste nela. É como um forno que se limpa sozinho. Duchas, sprays, lenços dentro da vagina, tudo isso é danoso. Nunca os use. Você mata as bactérias e pode danificar a camada de muco protetor que fica dentro da vagina. O corrimento existe para proteção. As células que estão lá flutuando na sua vagina que saem e que são parte do corrimento são parte um mecanismo de proteção, também. Elas só saem quando têm que sair. Então você está atrapalhando todos esses mecanismos de proteção naturais, as bactérias do bem, o muco, e pode até estar danificando as células e fazendo com que seja mais fácil para as bactérias entrarem. A vulva é só pele, como em qualquer outra parte. Não é mais suja que outras partes. Quando você se limpa, seu objetivo é tirar o sebo, secreções das glândulas sebáceas, e bactérias, se houver. Não necessita produtos de limpeza agressivos. Para muitas pessoas, água é o suficiente. Mas para as pessoas que acham que precisam de algo mais, um produto de limpeza pode ser melhor. Um produto de limpeza usa enzimas e químicos para tirar a sujeira e os detritos da pele sem tirar o manto ácido da pele, substância que protege nossa pele. É uma camada de proteção. E quando você tira essa camada, a pele fica seca. É o que o sabão faz. O sabão também pode aumentar o pH da sua pele. O pH da vulva é de mais ou menos 5.3, então você quer usar um produto que tenha mais ou menos o mesmo pH da vulva — é a coisa mais segura a se fazer. Eu só uso um sabonete facial porque eles são mais baratos e muitos produtos femininos não foram testados e muitos têm fragrância, e você não quer usar fragrância. E eu não quero apoiar uma empresa que também vende duchas. 4) Os pelos protegem a vagina? Devemos removê-los? Pelos púbicos são normais. Não é anormal tê-los. E acreditamos que o que fazem é providenciar uma barreira mecânica para a pele bloqueando sujeira e detritos, e que também provavelmente mantêm a a umidade da pele naquela área porque o teor de umidade da vulva é maior que o do resto do corpo. E também pode ter um papel no prazer sexual, porque cada folícula de pelo é ligada a um nervo — é por isso que dói quando você depila. Então mexer nos pelos púbicos pode aumentar as sensações no seu corpo na atividade sexual. Os riscos diretos de remover pelos púbicos são ferimentos, o que não é incomum — vemos feridas, infecções, pelos encravados. E alguns estudos sugerem que a remoção de pelos púbicos pode aumentar a chance de transmitir ou adquirir doenças sexualmente transmissíveis virais, herpes e HPV. Quando você remove um pelo ou passa uma lâmina, você cria um microtrauma na pele. É por isso que não passamos mais a lâmina antes de cirurgias, porque isso pode causar um microtrauma na pele e aumentar as possibilidades de adquirir infecções na cirurgia. Mas as pessoas são adultas e devem tomar decisões sobre seus próprios corpos. É uma decisão cosmética, não médica, de remover pelos púbicos, e há riscos. Mas as pessoas têm seu próprio cálculo de risco e benefício. Eu pinto o meu cabelo, posso irritar meu couro cabeludo. Mas sou uma adulta e posso tomar uma decisão adulta. O que é danoso é como a sociedade impõe a depilação a meninas, que começam a tirar os pelos quando têm 13 ou 14 anos, sem experimentar uma vida com pelos púbicos. Então elas não sabem se isso é melhor para elas sexualmente ou não. Elas acham que é anormal tem pelos púbicos e que devem removê-los. E há uma diferença entre remover os pelos e saber que essa é uma decisão cosmética. Eu sou a favor de que as pessoas façam as modificações que queiram no corpo, mas elas devem ser bem informadas, saber os fatos. 5) A pílula faz as mulheres engordarem? Isso já foi bastante estudado. Não há conexão entre as duas coisas. E os estudos foram feitos por médicos levando em consideração as preocupações das mulheres. Um estudo em que comparam mulheres tomando a pílula e mulheres com o DIU de cobre, ou seja, sem hormônios, mostrou que elas ganharam peso da mesma forma. Então isso nos mostra que uma mudança no modo contraceptivo é associada a uma mudança nos padrões de alimentação, mas não há relação com a pílula, não é uma coisa hormonal. As dúvidas a seguir foram esclarecidas a partir de informações do livro de Gunter: 6) As mulheres devem tomar vacina contra a HPV? Sim. O HPV (vírus que infecta a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões) é causa do câncer de colo de útero e outros tipos de câncer, então a vacina ajuda a prevenir isso. Idealmente, a vacina é ministrada entre as idades de 9 e 12 anos. "As vacinas são altamente efetivas", diz Gunter no livro, "e muito seguras". Mais de 200 milhões de doses foram dadas no mundo inteiro. As doenças atribuídas à vacina "nunca apareceram em estudos de longo prazo". "Isso não significa que as meninas não tiveram sintomas, significa que sua condição médica não é resultado da vacina." Ela desmente preocupações por causa de boatos espalhados online sobre a suposta presença de mercúrio na vacina (algumas vacinas contém etilmercúrio, que é comprovadamente seguro, mas a vacina de HPV não contém o composto) e alumínio ("isso já foi extensivamente estudado há quase 100 anos, e a dose nas vacinas é sabidamente segura"). 7) Como uma mulher sabe se está com infecção urinária? Essas dicas valem para mulheres que têm de 2 a 3 infecções urinárias por ano. Mulheres com 4 ou mais episódios anuais têm as chamdas infecções urinárias recorrentes, e a situação pode ser diferente. Há uma boa probabilidade de infecção urinária quando existe um aumento da frequência das idas ao banheiro, ardência ao urinar e nenhuma mudança no escorrimento. Algumas mulheres sentem dor na bexiga e ficam com sangue na urina. Nem todas as mulheres têm sintomas clássicos, então o diagnóstico é difícil. O tratamento é com antibióticos. Falta de ingestão de água e má higiene podem provocar a infecção urinária 8) É normal sentir dor durante o sexo? Segundo o "The Vagina Bible", 30% das mulheres sentem dor com penetração vaginal. É uma condição médica — não é normal sentir dor no sexo. Muitas das causas têm tratamento. Nem toda condição tem cura, mas melhorar a dor é quase sempre possível. Primeiro, a mulher que sente dor durante o sexo deve contar isso para seu médico, que deve buscar as causas para essa dor. Há dez causas comuns para a dor durante o sexo, e é possível sofrer de mais de uma (estrógeno baixo, contracepção hormonal, infecção vaginal, espasmos dos músculos do assoalho pélvico, vestibulite vulvar, alterações na pele da vulva, cicatrizes, endometriose, inflamação na bexiga e problemas mecânicos ou técnicos).
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16/10 - Amapá confirma 1º caso de sarampo após 22 anos, diz Vigilância
Vítima foi mulher de 32 anos que disse não ter saído do estado, mas que pode ter tido contato com visitantes de estados do Nordeste. Manchas vermelhas pelo corpo são sintoma de sarampo Febrasgo.org/Divulgação A Superintendência de Vigilância em Saúde confirmou nesta quarta-feira (16) o registro de um caso de sarampo no Amapá após duas décadas. A vítima foi uma mulher de 32 anos que apresentou os sintomas em agosto, mas como o estado não registrava pacientes desde 1997, foram feitos vários exames, inclusive na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que atestaram a doença. O caso foi registrado em Macapá e durante a investigação a mulher, que não teve complicações, informou que não deixou o estado, mas acreditava ter tido contato com visitantes de estados do Nordeste, como Maranhão e Ceará, que registraram casos. Desde maio, segundo boletim do Ministério da Saúde, foram mais de 5,1 mil registros de sarampo em 18 estados e o Distrito Federal, sendo mais de 4,3 mil deles em São Paulo. O registro do 1º caso de sarampo após 22 anos acontece a poucos dias antes do Dia D de vacinação contra a doença, que acontece neste sábado (16). O público-alvo são crianças de 6 meses a 5 anos de idade que devem ser levadas a um posto de saúde pelos pais ou responsáveis. A expectativa da Central de Imunização do estado é vacinar 78 mil crianças, sendo 44 mil apenas na capital Macapá. 16 dúvidas sobre o surto e a vacinação do sarampo Assista aos vídeos do telejornal com as notícias do Amapá.
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16/10 - Arqueólogos descobrem 20 sarcófagos antigos no Egito
Governo do país descreveu a descoberta como 'uma das maiores e mais importantes' dos últimos anos. Sarcófagos encontrados por arqueólogos no Egito em uma das maiores descobertas recentes Ministério de Antiguidades do Egito/AP Arqueólogos do Egito descobriram pelo menos 20 sarcófagos antigos de madeira na cidade de Luxor, no Sul do país, conforme o informou o Ministério de Antiguidades do Egito informou na terça-feira (15). As fotos do ministério mostram sarcófagos coloridos, com inscrições e pinturas. O ministério descreveu a descoberta como "uma das maiores e mais importantes" dos últimos anos. Em um breve comunicado publicado no site do governo, o ministério afirma que a descoberta foi na necrópole de Asasif. Ela está localizada na cidade antiga de Tebas do Oeste e abriga tumbas de diferentes períodos históricos, de 1994 a 332 A.C, desde o Império Médio, Novo Império e fases mais recentes. Sarcófagos encontrados por arqueólogos no Egito em uma das maiores descobertas recentes Ministério das Antiguidades do Egito/AP O comunicado diz, ainda, que os sarcófagos foram encontrados "exatamente como foram deixados". Eles estavam em dois níveis diferentes, um sobre o outro. De acordo com o Egito, mais detalhes serão divulgados no próximo sábado (19). O país tem buscado dar mais publicidade às suas descobertas arqueológicas, na expectativa de reanimar seu setor de turismo, duramente atingido pelas manifestações e conflitos de 2011. O ministro de antiguidades Khaled el-Anany visita a descoberta recente de 20 sarcófagos em Luxor, no Egito. Ministério de Antiguidades do Egito/AP
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16/10 - Nasa apresenta trajes espaciais mais flexíveis para próxima missão na Lua
Os modelos são protótipos e ainda não foram testados no espaço; design ainda deve ser terminado até a volta à Lua, prevista oficialmente para 2024 com a missão Artemis 3. Nasa apresenta nova roupa espacial para próximas missões Menos rigidez para se mover com mais facilidade: os trajes que os astronautas americanos usarão para caminhar na Lua nos próximos anos, como parte do programa Artemis, foram apresentados nesta terça-feira (15) pela agência espacial norte-americana (Nasa). Estes modelos são protótipos que ainda não foram testados no espaço e cujo design ainda deve ser terminado. Entenda o que será a missão Artemis, que levará a primeira mulher a Lua Como funcionam os trajes que permitem ficar uma semana sem ir ao banheiro O regresso à Lua está previsto oficialmente para 2024 com a missão Artemis 3, embora este cronograma ainda seja incerto devido a atrasos e problemas de financiamento. Os trajes só devem ficar prontos em 2023. Engenheiros posam para fotos em trajes espaciais para missão Artemis, prevista para 2024 Kevin Wolf/AP Na frente de uma enorme bandeira americana na sede da Agência Espacial dos Estados Unidos em Washington, os engenheiros vestiram os trajes para a imprensa. Os trajes anteriores, que foram usados para caminhar na Lua nas missões Apollo (1969-1972), fornecem oxigênio aos astronautas, reciclam o ar, regulam a temperatura e protegem contra a radiação. Os engenheiros da Nasa estiveram trabalhando durante anos em uma versão melhorada, especialmente para a eliminação de dióxido de carbono. Na realidade haverá dois tipos de traje: um para caminhar na Lua, branco com bandeiras azuis e vermelhas, chamado "xEMU" (acrônimo em inglês de Unidade móvel de exploração extraveicular), e outro para o trajeto entre a Terra e a Lua, mais leve e de cor laranja, batizado "Orion Crew Survival Suit", o traje de sobrevivência para a tripulação da cápsula de Orion. Trajes mais maleáveis facilitam os movimentos dos exploradores espaciais Kevin Wolf/AP O modelo xEMU será mais flexível, conforme demonstraram os engenheiros da Nasa. "Lembrem-se que durante os anos da Apollo, Neil Armstrong e Buzz Aldrin pulavam como coelhos no solo lunar. Agora será possível caminhar", disse Jim Bridenstine, chefe da Nasa. E como demonstrou a engenheira Kristine Davis, os astronautas terão muito mais liberdade de movimento: poderão levantar os braços acima da cabeça, o que não era possível com os trajes Apollo; também poderão agachar facilmente para pegar rochas lunares, sem se arriscar a perder o equilíbrio e cair. Outra inovação importante é que o novo traje foi desenhado para se adaptar a todos os tamanhos, tanto para homens como para mulheres. Jim Bridenstine e Kristine Davis durante demonstração da Unidade Móvel de Exploração Extra-veicular, da Nasa Kevin Wolf/AP
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16/10 - Cientistas descobrem como parasita mortal passou de gorilas para humanos
Descoberta poderá ajudar o desenvolvimento de novas maneiras de combater a malária. Gorilas são ameaçados por caçadores no Congo Melissa Major/Pixabay Uma rara sequência de eventos permitiu que um tipo mortal de malária em gorilas "pulasse" para outras espécies e atacasse os humanos. Centenas de milhares de pessoas morrem todos os anos em decorrência da malária, e o tipo pesquisado pelos estudiosos (Plasmodium falciparum) é responsável pela maioria dos casos. Grandes primatas africanos foram os hospedeiros originais do parasita. Mas os cientistas descobriram que uma mutação genética ocorrida 50 mil anos atrás se transformou em uma ameaça aos humanos. Picadas de mosquitos Os achados, divulgados na publicação PLoS Biology, poderão ajudar o desenvolvimento de novas maneiras de combater a malária, afirma o Instituto Wellcome Sanger. A malária é causada por um parasita que entra na corrente sanguínea depois da picada de um mosquito infectado em um humano ou em outros animais. Há diversas cepas do parasita, e um dos mais relevantes, que afeta apenas humanos, é o Plasmodium falciparum. Ela mudou de hospedeiros na mesma época da primeira migração de humanos para fora da África, entre 40 mil e 60 mil anos atrás. Os pesquisadores analisaram as mudanças genéticas de diferentes tipos ancestrais do parasita, focando em particular o gene chamado rh5 — um peça vital do código do DNA que permite à malária infectar hemácias humanas. Esse alvo é importante para os profissionais de saúde que atuam no desenvolvimento de vacinas contra a malária. Pesquisadores acreditam que há milhares de anos dois tipos de malária co-infectaram um gorila e trocaram material genético entre si. Pesquisadores da Unicamp descobrem molécula que pode levar a novo tratamento da malária O Plasmodium falciparum absorveu o gene rh5. "Este raro evento levou a muitas mortes de humanos", afirmou o pesquisador que liderou o estudo, Gavin Wright. "O rh5 é atualmente um importante candidato para uma vacina contra a malária. Então, se tivermos mais informações sobre esse gene, isso pode ajudar o combate à doença." Para ele, teoricamente há poucas chances de novas mutações em breve. Quase metade da população mundial vive sob risco de malária. A maioria dos casos registrados e das mortes são com crianças da África Subsaariana, causada pelo Plasmodium falciparum.
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15/10 - Deputados da França aprovam extensão da reprodução assistida a solteiras e lésbicas
Debate sobre o projeto durou mais de 80 horas, e proposta obteve 359 votos a favor e 114 contra. Painel mostra resultado de votação na Câmara sobre reprodução assistida a mulheres lésbicas e solteiras Christophe Archambault/AFP Deputados da França aprovaram nesta terça-feira (15) um projeto de lei de bioética que estende os direitos de reprodução assistida às mulheres solteiras e lésbicas. O texto ainda prevê novos direitos para as crianças nascidas de doações de esperma. O projeto de lei foi aprovado em primeira instância na Câmara francesa, por 359 votos a favor, 114 contra e 72 abstenções, após mais de 80 horas de intensos debates. O texto será examinado no Senado em janeiro. "Trata-se de um texto equilibrado, às vezes progressista, às vezes conservador [...], que não compromete nenhum dos princípios éticos aos quais nosso país está apegado", declarou antes da votação a ministra da Saúde, Agnès Buzyn. A foto, de julho de 2016, mostra um casal de mulheres se abraçando durante a marcha do Orgulho Gay em Paris, na França. Thibault Camus/AP Além da abertura da reprodução médica assistida a todas as mulheres, o texto prevê uma reforma de filiação para os filhos de mães lésbicas e do acesso às origens para crianças nascidas de esperma doado. A medida autoriza também o congelamento de óvulos, atualmente proibido na França com exceção de certos casos médicos (câncer ou endometriose), e a pesquisa com células-tronco embrionárias. O texto recebeu o apoio da grande maioria dos deputados do partido majoritário LREM (A República em Marcha, de centro, situação) e do MoDem (de centro, aliado do governo), assim como dos socialistas, comunistas e outras alas da esquerda. Os deputados LR (Os Republicanos, conservadores), que se pronunciaram a favor do direito de cada filho a ter um pai, votaram em sua maioria contra a lei. Além deles, a líder do partido nacionalista Reunião Nacional, Marine Le Pen, disse antes da votação que não aprovaria o texto "tal como está". Para esta lei que aborda vários temas delicados, ou que em alguns casos dizem respeito à vida pessoal, cada grupo político autorizou a liberdade de voto. 'Equilíbrio' Deputados franceses votam sobre estender direito a reprodução assistida a mulheres solteiras e lésbicas Christophe Archambault/AFP O artigo mais emblemático desta lei e que centrou a maior parte dos debates é a extensão do direito à reprodução médica assistida aos casais de lésbicas e às mães solteiras, uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron e de seu antecessor, o socialista François Hollande. Esta reforma deve permitir "abrir os olhos sobre o que é a família francesa contemporânea (...), que tem diferentes formas", declarou a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, uma das três responsáveis, com seus colegas da Justiça e da Pesquisa, em redigir o projeto de lei. Segundo o governo, o texto mantém "um equilíbrio entre o respeito da dignidade humana, a liberdade de escolha de cada um e a solidariedade entre todos". Atualmente, a lei só autoriza a reprodução médica assistida a casais heterossexuais, mediante fecundação in vitro ou inseminação artificial em caso de esterilidade. Segundo estimativas, a extensão deste direito representaria um custo adicional de 15 milhões de euros à seguridade social. De acordo com uma pesquisa Ifop de setembro, cerca de 70% dos franceses são favoráveis a que todas as mulheres tenham esse direito. No começo de outubro, mais de 70 mil pessoas se manifestaram em Paris contra a ampliação do direito à reprodução assistida, sete anos depois das mobilizações contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que foi aprovado em 2013. Um novo dia de mobilização em todo o país está previsto para novembro. Vários deputados de direita denunciaram incansavelmente nas últimas semanas um "efeito dominó", temendo que o próximo passo seja a aprovação da barriga de aluguel, apesar das negativas do governo. O governo francês espera que a lei de bioética seja aprovada antes do próximo verão, em meados do ano que vem.
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15/10 - Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição
Relatório do Unicef mostra que pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares no mundo. A alimentação saudável é fundamental para o desenvolvimento infantil Freepik Uma em cada três crianças com menos de cinco anos está desnutrida ou sofre de sobrepeso no mundo. Das 676 milhões de crianças que viviam no planeta em 2018, pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares, calcula o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em relatório publicado nesta terça-feira (15), o maior sobre o assunto dos últimos 20 anos. “Esses problemas são uma ameaça para o crescimento das crianças”, explica Victor Aguayo, responsável pelo Programa Mundial de Nutrição do UNICEF. Segundo o especialista, essas crianças talvez nunca alcancem o seu pleno potencial físico e intelectual.   No total, 149 milhões de crianças no planeta têm atraso no crescimento devido à desnutrição crônica e 50 milhões são magras em relação à sua estatura, devido à desnutrição aguda ou a um problema de absorção de nutrientes. Criança em estado agudo de desnutrição recebe atendimento dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, em foto de outubro de 2016 Albert Gonzalez/AFP Esta situação está estreitamente relacionada à pobreza, pois afeta mais os países pobres e as populações em situação precária nos países ricos. Contudo, conforme mostra o estudo, não existe mais o clichê de que crianças de países pobres são malnutridas, enquanto as de países ricos têm sobrepeso. A situação é bem mais complexa, havendo uma justaposição dos problemas num mesmo lugar. “No passado tínhamos uma tendência a acreditar que o sobrepeso era resultado da má nutrição dos ricos e que o baixo peso resultava da má nutrição dos pobres. Mas esse não é o caso, pois podemos ter exemplos de subnutrição e de obesidade dentro da mesma comunidade”, explica Aguayo.  "As diferentes formas de má nutrição coexistem cada vez mais em um mesmo país e até em um mesmo lar", com a mãe com sobrepeso e o filho desnutrido. Um exemplo é o México, onde "ainda há uma grande proporção de crianças desnutridas e, ao mesmo tempo, uma grande pandemia de sobrepeso e obesidade infantil, considerada uma emergência nacional pelo governo", completa o especialista. Globalização é um das causas São inúmeras as razões que podem ter impacto sobre a nutrição infantil. Cada vez mais famílias têm deixado o campo para viver nas cidades, a entrada das mulheres na força de trabalho, mudanças no clima e biodiversidade são variáveis que precisam ser analisadas, segundo os pesquisadores do UNICEF. Além disso, dietas tradicionais têm sido substituídas por hábitos de consumo ricos em gorduras e açúcares, com baixa concentração de nutrientes. “Há um mundo que está mudando por causa da globalização. Um regime alimentar que compreende frutas, legumes, produtos lácteos e ovos está se tornando cada vez mais caro, enquanto regimes alimentares que são pobres do ponto de vista nutricional se tornam mais baratos”, analisa Victor Aguayo. Segundo Unicef, a seca na Somália pode levar a até 270 mil crianças sofrerem de desnutrição grave neste ano Farah Abdi Warsameh/AP De acordo com os dados do UNICEF, 340 milhões de crianças sofrem de carências alimentares. Elas recebem o número de calorias suficientes, mas não o de minerais e vitaminas indispensáveis para o seu desenvolvimento, como ferro, iodo, vitaminas A e C, devido, principalmente, à falta de frutas, verduras e produtos de origem animal. Estas carências podem ter consequências físicas e intelectuais severas, como sistema imunológico deficiente, problemas de vista ou de audição. Este fenômeno começa muito cedo, com uma amamentação insuficiente e uma diversificação alimentar baseada em produtos impróprios, e se agrava com a crescente acessibilidade a alimentos ricos em calorias mas pobres em nutrientes, como o macarrão instantâneo. "A maneira como entendemos e reagimos à desnutrição precisa mudar: não se trata apenas de dar às crianças comida suficiente. Antes de tudo, é preciso lhes dar uma boa alimentação", destacou Henrietta Fore, diretora do UNICEF, em um comunicado que acompanha o relatório. O papel dos governos O órgão convoca os governos a promoverem os alimentos necessários para uma dieta equilibrada e a agirem para que ela seja acessível economicamente. O UNICEF também defende a regulamentação da publicidade do leite infantil em pó e dos refrigerantes, assim como a aplicação de etiquetas com informação nutricional nos alimentos que sejam facilmente compreensíveis, para ajudar os consumidores a escolherem produtos mais saudáveis. A desnutrição segue sendo o principal problema, ao afetar as crianças quatro vezes mais que o sobrepeso. O número de crianças que não recebem comida suficiente para as suas necessidades nutricionais retrocedeu 40% entre 1990 e 2005, mas prevalece como um grande problema em muitos países, especialmente na África subsaariana e no sul da Ásia. Obesidade infantil é um dos fatores de risco para hipertensão Pixabay O UNICEF alerta para o fato de que o sobrepeso e a obesidade se desenvolvem rapidamente, com 40 milhões de crianças pequenas afetadas, inclusive nos países pobres. Enquanto este problema era praticamente inexistente nos países com baixa renda em 1990 (3% deles tinham mais de 10% de crianças com sobrepeso), agora três quartos destes Estados enfrentam a questão.
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15/10 - Brasil tem mais baixa cobertura da vacina tríplice viral desde 2015, diz Ministério da Saúde
A esta altura do ano, cobertura deveria estar próxima da meta de 95%, mas o Brasil registra apenas 57,2%. Vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A vacinação é a única maneira de prevenir o sarampo. O esquema vacinal é feito por meio da vacina tríplice viral, disponível em todos os postos de saúde do Estado Natinho Rodrigues/Agência Diário O Brasil tem a mais baixa cobertura vacinal para a tríplice viral dos últimos cinco anos. De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (15), em todas as regiões do país a cobertura não chega aos 70%. No total do Brasil, está em 57,19% atualmente. A esta altura do ano, deveria estar próxima da meta de 95%. A cobertura vacinal é a proporção do público alvo que já foi vacinada. A queda da cobertura para a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, começou em 2017. Mesmo que ainda não tenhamos terminado o ano de 2019, o ministério já apresenta os dados como sinal de forte alerta, especialmente para o sarampo. "O Brasil vem enfrentando grandes surtos de sarampo, que estão em consonância com o decréscimo das coberturas vacinais", diz o Ministério da Saúde. A pasta "vem lançando mão de estratégias que visem a reversão deste cenário epidemiológico, aumentando a proteção da população, principalmente dos grupos prioritários que são as crianças", afirma a pasta. São Paulo registra mais 3 mortes por sarampo e número no estado chega a 12 no ano Cobertura vacinal da tríplice viral em outubro de 2019. G1/G1 O estado com a mais baixa cobertura vacinal neste ano é o Pará, com 44,9%. Já o mais bem posicionado é Alagoas, com 67,7%. Falta de homogeneidade Outro problema é a falta de homogeneidade da cobertura entre os municípios do país. Isso porque as doenças podem transitar de uma cidade para outra e, se a vacinação não for feita de forma homogênea nos diferentes estados, é impossível criar "cinturões" de imunização na população brasileira. A meta é de que 70% dos municípios atinjam a cobertura vacinal desejada - algo que nunca foi alcançado, conforme o boletim. Mas, entre 2015 e 2019, esse dado só piorou, e hoje estamos em apenas 6,2%. Por outro lado, o ministério acredita que "muito ainda pode ser feito para o alcance da homogeneidade adequada". No período de 90 dias até 28 de setembro, 242 municípios de 19 estados brasileiros tinham registrado pelo menos 1 caso de sarampo; 173 desses municípios e 97% dos casos estão em São Paulo Ana Carolina Moreno/G1 Especialista responde dúvidas sobre vacinação contra sarampo
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15/10 - Por que mais de 70% dos casos de câncer de mama no Brasil são diagnosticados em estágio avançado
A maioria das mulheres diagnosticadas com a doença no país palpa o próprio nódulo; para muitas delas o problema é a dificuldade de marcar uma consulta ou fazer um exame pelo sistema público de saúde. Depois da cirurgia de retirada da mama, Sandra Duarte ficou com uma sequela e faz fisioterapias semanalmente no Hospital do Câncer de Ribeirão Preto, SP Leonardo Rodrigues/G1 O relato é breve: "Câncer de mama 6 meses esperando biópsia Agora aguardando consulta com oncologista Para começar quimioterapia." No início do ano, a Femama, que reúne 72 entidades filantrópicas que apoiam mulheres com câncer de mama, colocou no ar uma página intitulada "Relatos de Espera", para que pacientes compartilhassem as dificuldades que tiveram para serem diagnosticadas e começarem o tratamento. Entre as dezenas de mensagens está a de Cristiane, de Mangaratiba (RJ), enviada no dia 6 de fevereiro. Com mais ou menos adjetivos, as histórias são parecidas, e não por acaso: as deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS), na visão de muitos especialistas, postergam diagnóstico e tratamento de milhares de mulheres em todo o Brasil e aprofundam as desigualdades entre ricas e pobres. Imagens mostram regressão de câncer em paciente terminal após tratamento pioneiro na América Latina Brasileiro com câncer terminal terá alta após terapia genética pioneira obter sucesso pela 1ª vez na América Latina Melhorar o acesso Para especialistas como o mastologista Rodrigo Gonçalves, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), esse é um ponto central na luta do país contra o câncer de mama, que tem atingido - e matado - cada vez mais mulheres no Brasil. Melhorar o acesso das mulheres ao SUS é uma das principais recomendações do paper "Avaliação ética do rastreamento de câncer de mama no Brasil para se fazer frente às estatísticas negativas". O trabalho, que está sendo submetido a uma publicação internacional, é assinado por ele e outros três colegas: José Maria Soares Jr, professor da Faculdade de Medicina da USP, Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP, e José Roberto Filassi, professor chefe do setor de mastologia da FMUSP. O texto ressalta o número elevado de diagnósticos da doença em estágio mais avançado. A proporção passa de 70%: 53,5% dos diagnósticos são em estágio 2 e 23,2% em estágio 3, de acordo com os dados do Estudo Amazona, assinado por pesquisadores de 19 instituições e que leva em conta dados de pacientes atendidos pelas redes pública e particular. Em países como Estados Unidos, por exemplo, 62% dos casos são detectados em estágio inicial, quando os tumores ainda são localizados. O paper dos pesquisadores brasileiros ressalta que, se tomadas apenas as mulheres com acesso à saúde privada, as proporções se invertem. A grande maioria recebe o diagnóstico no estágio inicial da doença. Essa diferença, dizem, mostra como é "perverso" o sistema "dual" de saúde no Brasil, em que quem tem condições paga o sistema privado e quem não tem depende unicamente do SUS. Quanto mais tardio o diagnóstico, menores as chances de sobrevivência da paciente e mais invasivo o tratamento - o número de sessões de quimio e radioterapia e a necessidade da retirada da mama, a mastectomia. Nobel de Medicina premia americano e japonês por terapia contra o câncer Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo Um ano do nódulo à cirurgia Cristiane da Silva Abreu realizou uma mastectomia radical com esvaziamento axilar no dia 26 de dezembro de 2018, quase um ano depois de descobrir um nódulo abaixo do mamilo. Em busca de um diagnóstico, no começo do ano passado ela procurou a ginecologista da rede privada com quem costumava fazer sua prevenção. Sem plano de saúde, a carioca separava pelo menos R$ 300 por ano para tentar fugir da fila do SUS, pagar a consulta com especialista e alguns exames. Desta vez, a mamografia mostrou uma alteração do tipo bi-rads 4 na mama, que indica suspeita de malignidade e necessita de biópsia para confirmação. Por conta da região delicada em que se encontrava o nódulo, o procedimento precisava ser cirúrgico - e não apenas por meio de uma punção -, com retirada e reconstituição do mamilo. Isso foi em março. Abril, maio, junho, julho, agosto... A espera durou 6 meses - e poderia ter sido maior. Cristiane decidiu acionar um cunhado que trabalhava na Secretaria de Saúde de Mangaratiba e que intercedeu por ela junto à secretaria da pasta, que transferiu seu caso para o hospital federal Cardoso Fontes. "Fiz a biópsia e, na saída do procedimento, a médica alertou que muito provavelmente eu precisaria fazer a mastectomia." Foram mais três meses até a cirurgia, que retirou a mama esquerda e parte do músculo peitoral. A reconstrução da mama seria delicada, demandaria uma série de enxertos - e, por isso, ela decidiu que não faria. O relato de Cristiane é o que abre este texto. Ao contrário do que a mensagem econômica nas palavras pode sugerir, ela é uma dessas pacientes que tiram energia das dificuldades. Dando risada, contou na conversa por telefone com a reportagem que, para fazer valer a isenção ao IPTU à qual tem direito, já que passou a ser considerada portadora de deficiência após a cirurgia, chegou a "invadir" a prefeitura de Mangaratiba. "Fui no gabinete do prefeito e mostrei minha cicatriz", diz a funcionária pública, hoje com 47 anos. Cristiane não precisou fazer quimioterapia, como pensava em fevereiro de 2019. Por recomendação médica, entretanto, tem de acompanhar de perto a outra mama. Até hoje, porém, não conseguiu uma consulta. "Liguei no começo do ano e disseram que a agenda de 2019 já estava fechada." Dois cientistas ganham prêmio Nobel de Medicina por pesquisa sobre câncer Mais de 60 dias entre diagnóstico e tratamento Para as pacientes do SUS, a espera para realização de uma biópsia - fundamental para entender o tipo de câncer e as possibilidades de tratamento - leva entre 75 e 185 dias, conforme os dados citados no trabalho de Gonçalves. O intervalo entre o diagnóstico do câncer de mama e o primeiro tratamento no SUS leva mais de 60 dias em mais de 50% dos casos, de acordo com os dados reunidos pelo Painel-Oncologia, do Instituto Nacional de Câncer (INCA) até 2017. Os números de 2018 apontam uma proporção ligeiramente menor, mas há um volume grande de casos sem informação (cerca de 7%), ou seja, em que não se sabe o intervalo do diagnóstico ao tratamento. A médica mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da Femama e chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lembra que uma lei aprovada em 2012 determina um prazo máximo de 60 dias para início do tratamento após o diagnóstico. "Os gestores públicos já estão usando os 60 dias como indicador de eficiência, cobram dos hospitais - mas, como tudo no Brasil, as coisas demoram a mudar." Agora, a entidade faz campanha pela aprovação da "Lei dos 30 dias", que estabelece um prazo máximo de um mês para que a mulher consiga ser diagnosticada. O projeto passou pela Câmara em dezembro do ano passado e está parado no Senado. Caleffi conta que o PL já entrou e saiu da pauta algumas vezes e que agora está parado na Comissão de Finanças e Tributação. "Eles dizem que não tem dinheiro (no sistema público de saúde para garantir o diagnóstico em 30 dias)", diz a médica, que defende pautas de interesse das pacientes com câncer de mama há 26 anos. Nódulo de 14 centímetros A gaúcha Katia Lopes recebeu o primeiro diagnóstico de câncer de mama aos 28 anos, em 2006. A cidade de Tramandaí, onde vive, não tem médicos especialistas. Assim, ela fez todo o tratamento em Porto Alegre, a uma hora e quarenta de ônibus. Foi uma maratona. Para as sessões de quimioterapia - que começaram cerca de 8 meses depois de ela sentir o nódulo no seio -, acordava de madrugada para chegar a tempo ao ponto de onde saia o transporte disponibilizado pela prefeitura, que partia às 4h30 da manhã. Em 2015, quase dez anos depois da primeira mastectomia radical, ela sentiu um nódulo na outra mama. O fato de já ser paciente oncológica não fez diferença na fila de espera do SUS: foram três meses até que conseguisse se consultar com a mastologista que a acompanhava. Outro diagnóstico de malignidade. O nódulo cresceu rápido e, quando ela foi operada, em 22 de janeiro de 2017, o tumor media 14 centímetros. Em 2006, a médica deu encaminhamento na prefeitura para que Katia fosse submetida a um teste genético. O procedimento ajudaria a medir o risco de ela desenvolver câncer na outra mama ou em outras partes do corpo, mas até hoje não foi liberado. Katia conseguiu se aposentar por invalidez depois da primeira mastectomia, que foi bastante invasiva. Recentemente, entretanto, o pente fino que o INSS vem fazendo sobre aposentadorias por invalidez e auxílio doença cortou o benefício. Ela entrou na Justiça, mas perdeu a causa. Há 6 meses procura emprego, "alguma coisa que não seja pesada", já que sente dores quando força o movimento dos braços. Seu advogado tenta garantir na Justiça um auxílio de meio salário mínimo por mês, que ela espera para ajudar a pagar as despesas de casa, com quem mora com o filho, de 25 anos. 'Fura fila' As histórias de Cristiane e Katia, que foram diagnosticadas jovens, antes dos 50 anos, não são casos raros: 41,1% de todos os casos de câncer de mama no país atingem mulheres até essa idade, conforme os dados do Estudo Amazona, citados no trabalho do médico Rodrigo Gonçalves. Nos EUA, por exemplo, o percentual de diagnósticos até os 54 anos de idade (parâmetro adotado pelo National Cancer Institute) é de 30,4%. O mastologista afirma que ainda "não existe nenhuma explicação sólida sobre os motivos de termos mais mulheres jovens com câncer no Brasil", mas chama atenção para o fato de que as diretrizes para o rastreamento da doença estabelecidas pelo Ministério da Saúde recomendam a mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. "O Brasil está copiando as recomendações de rastreamento de países desenvolvidos - e que não atendem a 41% da população afetada pela doença", ressalta. A sugestão dele e dos colegas, entretanto, não é reduzir a idade de rastreamento - que representaria um custo elevado para o sistema de saúde sem necessariamente trazer benefícios na mesma proporção -, mas melhorar o acesso das mulheres ao SUS, especialmente aquelas com nódulos palpáveis e lesões suspeitas. Nesses casos, eles recomendam que as pacientes tenham prioridade na fila para consulta e exames - o que já acontece em hospitais públicos como o Pérola Byington, em São Paulo, exemplifica o médico. Segundo o mastologista Luiz Henrique Gebrim, diretor do Pérola Byington, 70% das mulheres com câncer diagnosticadas no SUS palparam o nódulo - é o que os médicos chamam de "self detected cancer" ("câncer autodetectado"). "Elas não precisam de mamografia, precisam de exame clínico e biópsia", concorda. Na unidade, que recebe os casos já triados, as pacientes são submetidas à biópsia no mesmo dia da consulta com o especialista. Detectado em estágio inicial, a mortalidade do câncer de mama cai em até 30%. "Nós economizamos mais (porque reduzimos os tratamentos de alta complexidade) e salvamos mais gente." Com apoio da fundação americana Susan Komen, o hospital está replicando seu modelo em outros Estados. Segundo Gebrim, já foram treinados cerca de 100 médicos em cidades como Manaus, Belém e Teresina. A diretora geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Ana Cristina Pinho, respondendo a questionamentos da reportagem enviados ao Ministério da Saúde, afirmou que as áreas técnicas do instituto e a pasta defendem a hierarquização dos casos, para que as lesões suspeitas sejam verificadas de forma mais célere, e diz que a diretriz para o fast track já existe no SUS. "Na prática ele não funciona a contento, de maneira organizada, estruturada. Não é isso que a gente vê. Precisa que a rede esteja funcionando mais adequadamente, e esse é um trabalho a ser feito", disse, por telefone. Segundo ela, já existem protocolos de encaminhamento rápido nos casos suspeitos para investigação diagnóstica na atenção primária, que é de competência dos municípios. "Nada disso é possível sem o envolvimento dos gestores municipais e estaduais. O SUS, na sua concepção, é um sistema tripartite, que funciona necessariamente em rede. Se a rede não funciona, o sistema não vai funcionar." Aumento da mortalidade Questionada sobre o aumento da mortalidade do câncer de mama no Brasil, que muitos especialistas consideram em parte reflexo da dificuldade de acesso de muitas mulheres ao SUS, a diretora geral do INCA aponta outras razões - a maior longevidade do brasileiro, o aumento no número de casos e de uma melhor "qualificação e apuração das bases de dados". "A incidência do câncer de mama está aumentando na população, mas por quê? Porque a nossa população está vivendo mais. Então é um processo natural. A gente está seguindo a tendência no mundo. Isso mostra avanços, de um modo geral, para a saúde da população, proporcionado pela cobertura universal (do sistema de saúde)." Segundo ela, "a tendência é que a mortalidade, pelo menos durante um período, aumente. E, a partir de um determinado momento, ela comece a reduzir, na média." Ana Cristina Pinho também ressalta que a mortalidade, de forma geral, não aumentou de maneira proporcional ao aumento da incidência, e que ela chegou a cair em algumas regiões. No lançamento da Campanha Outubro Rosa deste ano, a página do Ministério da Saúde destaca que a mortalidade no país está abaixo da média global, em linha com a de países como Estados Unidos, Reino Unido e França, mas não menciona que ela está crescendo. O indicador passou de 9,15 por 100 mil habitantes para 12,11 por 100 mil entre 1980 e 2016 - alta de 32% -, conforme os dados da International Agency on Research on Cancer (Iarc), ligada à Organização Mundial de Saúde. A mesma base mostra que os países citados pela pasta em seu site têm reduzido a mortalidade desde meados dos anos 90.
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15/10 - Uso de antidepressivos depois dos 65 anos vem aumentando
Estudo do Reino Unido também mostra que foi pequena a mudança no número de idosos diagnosticados com a doença A proporção de idosos acima dos 65 anos que fazem uso de antidepressivos mais do que dobrou nas últimas duas décadas. No entanto, o número de pessoas mais velhas diagnosticadas com depressão não teve oscilação dessa magnitude. Talvez, portanto, não estejamos resolvendo nenhum problema, e sim nos medicando cada vez mais. O estudo resultou de uma parceria das universidades de Cambridge, East Anglia, Newcastle e Nottingham, todas no Reino Unido, e foi publicado no “British Journal of Psychiatry”. Os dados são tão volumosos que, mesmo se referindo a britânicos, valem para nossa reflexão. A professora Carol Brayne, da Universidade de Cambridge: preocupação com a interação de antidepressivos e outras medicações Divulgação: Cambridge University Os pesquisadores se basearam em levantamentos realizados entre 1991 e 1993 e entre 2008 e 2011, nos quais foram entrevistadas mais de 15 mil pessoas na Inglaterra e no País de Gales. No primeiro período analisado, 4.2% dos idosos usavam antidepressivos, enquanto, 20 anos depois, esse percentual pulou para 10.7%. Em relação à ocorrência da doença, nos anos de 1990, o contingente afetado girava em torno de 7.9%, tendo baixado para 6.8%. Nas duas fases do estudo, a enfermidade era mais comum entre as mulheres. O professor Antony Arthur, pesquisador de East Anglia, lembrou que a depressão afeta a qualidade de vida no mundo inteiro, mas que ainda não há muitas informações relacionadas aos idosos. “A depressão atinge uma em cada 15 pessoas acima dos 65 anos e isso impacta o indivíduo e sua família. Houve uma mudança pequena na prevalência da doença, mas a proporção de pacientes tomando antidepressivos teve um salto. Isso pode ter sido provocado não só pelo diagnóstico correto, mas também por um excesso de prescrições ou utilização da medicação para outras condições de saúde. Qualquer que seja a explicação, esse aumento substancial não reduziu a depressão na população acima dos 65 anos”, afirmou. Os participantes foram ouvidos sobre as atividades diárias, os cuidados com a saúde e remédios que tomavam. Os questionários tinham ainda o objetivo de averiguar a existência de depressão entre os entrevistados. A professora Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge, comentou: “enquanto o número de casos de demência vem caindo, esse novo trabalho mostra que a depressão não apresentou redução, mesmo com a utilização dramaticamente aumentada de medicamentos. O quadro nos traz preocupação, dado o potencial de efeitos adversos da combinação de medicações diferentes em idosos”. Para o professor Antony Arthur, o quadro merece atenção: “as causas e os fatores que perpetuam a depressão, além das melhores práticas para administrar a doença, continuam sem o endereçamento devido”.
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15/10 - Entenda como a poluição do ar afeta seus pulmões e o que você pode fazer para evitar problemas
Exposição a poluentes causa a morte de 50 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com a OMS. Turistas tiram fotos com a poluição atmosférica tomando o céu do famoso horizonte de Hong Kong. Anthony Wallace/AFP/Arquivo Talvez você não dê muita importância ao assunto e sequer perceba o perigo a sua volta, mas o ar que respiramos diariamente pode ser fatal. Divulgada no ano passado, uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que nove em cada 10 pessoas no mundo estão expostas a concentrações de poluentes acima dos limites recomendados. No Brasil, o problema é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral. Poluição do ar pode afetar gravemente nossa saúde mental A relação entre poluição e maior mortalidade já foi amplamente comprovada pela ciência. Há estudos que mostram, por exemplo, que suspender a circulação de veículos em uma grande cidade por um determinado período reduz a taxa de mortes por doenças respiratórias - situação que ocorreu em Atlanta, nos Estados Unidos, durante a realização da Olimpíada e se repetiu em outras cidades-sede do evento. “A correlação é direta e está muito bem documentada: se você tem ar poluído, tem mais doença respiratória, independentemente de qual é a condição do paciente, porque isso é agressivo para o sistema respiratório”, alerta a pneumologista pediátrica Maria Helena Bussamra, do Hospital Infantil Sabará. Controle da emissão de poluentes, uso do transporte coletivo e de energias limpas e renováveis são medidas que podem ajudar a dimimuiar a poluição. Luiz Souza/NSC TV Os chamados materiais particulados são os principais responsáveis por atentar contra nossa saúde - são eles que sujam de cinza as fachadas de edifícios. No organismo, entram pelas narinas até o pulmão e, a partir daí, espalham-se pela corrente sanguínea e o corpo inteiro. “A poluição pode tanto causar novas doenças como exacerbar aquelas já existentes. Quem tem asma ou bronquite crônica, por exemplo, pode ter piora do quadro quando exposto a uma concentração elevada de poluentes. Pessoas saudáveis podem desenvolver doenças agudas como infecção respiratória e asma ou problemas um pouco mais leves como rinite e nariz escorrendo”, esclarece o pneumologista Carlos Tietboehl, coordenador da Comissão Científica de Doenças Ocupacionais e Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Alguns sintomas causados pelo ar sujo são fáceis de notar, como garganta e boca secas, falta de ar e tosse. São tentativas do corpo de expulsar os intrusos que entram no sistema respiratório. Mas também há sinais silenciosos, como maior risco de infarto, obesidade, prejuízo à memória e até mesmo impacto na fertilidade. Risco maior para crianças e idosos A baixa imunidade de idosos e crianças torna esses dois grupos mais suscetíveis aos males causados pela poluição. Os bebês sofrem ainda mais. “O calibre da via aérea das crianças é menor do que dos adultos, o que facilita a obstrução. Além disso, como o sistema imunológico delas tem uma resposta mais baixa, elas ficam mais suscetíveis aos vírus, e a poluição aumenta a circulação de vírus”, comenta Maria Helena. Mas se o perigo está no ar que respiramos, como se proteger? As medidas mais importantes dependem de ações coletivas, como controle dos escapamentos dos veículos para reduzir a emissão de poluentes, maior uso do transporte coletivo e de energias limpas e renováveis. São iniciativas que fazem bem para a saúde do ambiente e de todos nós que nele vivemos. Mas algumas atitudes individuais também podem ajudar. Quem pratica atividade física ao ar livre, por exemplo, deve evitar exercícios intensos em locais com muito trânsito, que são mais poluídos. “A atividade exige uma frequência respiratória maior, portanto, vai entrar mais ar contaminado no pulmão”, afirma Tietboehl. O uso de máscaras, muito comuns em países asiáticos, é uma boa forma de prevenção para quem precisa se expor ao ambiente. Ficar dentro de casa também não é garantia de segurança, pois o material particulado consegue entrar. Além disso, há fontes de poluição nos próprios lares, como queima de madeira em lareiras e fogões a lenha. Para manter a casa mais protegida, além de evitar essas fontes de poluentes, uma boa saída é usar umidificadores de ar, principalmente para quem mora em cidades muito secas. Uma forma de proteger bebês e crianças é a limpeza frequente do nariz. “A narina deve ser higienizada com soro pelo menos duas vezes ao dia, preventivamente. Quando o problema está instalado, é preciso limpá-la toda vez que há entupimento”, indica a pneumologista pediátrica do Hospital Infantil Sabará.
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14/10 - Por que andar devagar pode ser sinal de envelhecimento rápido
Velocidade com que pessoas caminham aos 45 anos revela o ritmo do envelhecimento de corpo e cérebro, aponta estudo. Pesquisadores testaram a velocidade da caminhada dos participantes em uma esteira de oito metros de comprimento Duke University A rapidez com que as pessoas caminham após completar 40 anos é um sinal do quanto o cérebro e o corpo estão envelhecendo, apontam cientistas. Ao fazer um teste simples da velocidade dessas pessoas, pesquisadores compilaram dados suficientes para medir o processo de envelhecimento pelo qual elas passam. Não apenas o corpo daquelas que caminham mais lentamente envelhece de forma mais rápida, apontaram os cientistas, mas também o rosto delas parecia mais velho. E tinham cérebros menores. Na opinião da equipe internacional de cientistas envolvida no estudo, as descobertas representam uma "surpresa extraordinária". Os médicos costumam medir a velocidade da marcha para avaliar a saúde geral de um paciente, principalmente naqueles que têm mais de 65 anos de idade. Trata-se de um bom indicador de força muscular, função pulmonar, equilíbrio, força da coluna e visão. Velocidades mais lentas no caminhar durante os anos de velhice também são associadas a um maior risco de demência e declínio das funções do corpo. 'Lentidão é sinal de problemas na velhice' Nesse estudo, que avaliou mil pessoas na Nova Zelândia — nascidas na década de 1970 e acompanhadas regularmente até os 45 anos —, o teste de velocidade de caminhada foi realizado muito mais cedo, em adultos ainda na meia-idade. Os participantes da pesquisa também fizeram testes físicos e de funções cerebrais. Além disso, ainda durante a infância, os indivíduos passaram por testes cognitivos a cada dois anos. "Esse estudo mostra que caminhar lentamente já é um sinal de problemas desde décadas antes de a velhice chegar", disse a psicóloga especializada em envelhecimento Terrie E. Moffitt, autora principal da pesquisa, ligada ao King's College, de Londres, e à Duke University, nos Estados Unidos. Mesmo aos 45 anos, houve uma grande variação nas velocidades de caminhada — o movimento mais rápido foi de pouco mais de 2 metros por segundo na velocidade máxima (sem correr). Em geral, as pessoas que caminham mais lentamente apresentaram maiores sinais de "envelhecimento acelerado" — seus pulmões, dentes e sistema imunológico estavam em piores condições do que aqueles que, nos testes, demonstraram andar mais rapidamente. A descoberta que mais surpreendeu os pesquisadores foi a de que quanto mais lentamente as pessoas caminham, maior a probabilidade de terem também cérebros mais velhos. E os pesquisadores descobriram que podiam prever a velocidade com que pessoas na faixa dos 45 anos caminhavam, ao avaliar os resultados dos testes de inteligência, linguagem e habilidades motoras de quando elas tinham três anos de idade. As pessoas que, ao chegarem à idade adulta, caminhavam mais lentamente (média de 1,2 metro por segundo) tinham um QI, em média, 12 pontos menor que aquelas que, ao chegar aos 40 anos, se tornaram as mais rápidas (ritmo de caminhada de 1,75 metro por segundo). Estilo de vida A equipe internacional de pesquisadores — que publicou o estudo na revista mensal da Associação Médica dos Estados Unidos — afirmou que as diferenças nas condições físicas e no QI entre os grupos de pessoas podem ser tanto consequência do estilo de vida escolhido pelos participantes quanto um reflexo de um melhor estado de saúde em seus primeiros anos. Mas os cientistas sugerem que, já no início da vida, é possível verificar sinais de quem terá uma melhor saúde nos anos seguintes. Os pesquisadores afirmam que medir a velocidade da caminhada desde mais cedo do que se costuma fazer hoje pode auxiliar na elaboração de tratamentos para retardar o envelhecimento. Atualmente, diversos tratamentos estão sendo investigados, de dietas de baixa caloria ao uso de drogas como a metformina (medicamento usado contra diabetes). Testar a rapidez das caminhadas desde cedo pode servir também como um indicador precoce da saúde do cérebro e do corpo, para que as pessoas possam mudar seu estilo de vida enquanto jovens e saudáveis, afirmam os pesquisadores.
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14/10 - Ministério da Ciência e Tecnologia pede à Economia liberação de R$ 180 milhões do orçamento do Sirius
O valor está previsto no orçamento de 2019 do principal programa de pesquisa brasileiro, mas está contingenciado. Laboratório de luz síncroton de 4ª geração está em construção em Campinas (SP). Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) pediu ao Ministério da Economia, em ofício, liberação de R$ 180 milhões ao Projeto Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração em construção em Campinas (SP). O valor está previsto no orçamento de 2019 do principal programa de pesquisa brasileiro, mas está contingenciado. Apesar do pedido de empenho, não há prazo para o pagamento da verba. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Em visita ao Sirius, o ministro Marcos Pontes estimou R$ 400 milhões para concluir o laboratório. Do orçamento deste ano, de R$ 255,1 milhões, a pasta ainda precisa destinar R$ 205,1 milhões - o MCTIC fez empenho de R$ 75 milhões, e depositou R$ 50 milhões ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização responsável pela estrutura. Com o atraso na liberação de recursos pelo contingenciamento de verbas, e a previsão de recursos para 2020 abaixo da expectativa, o CNPEM já informou que as 13 de linhas de pesquisa previstas para o Sirius não ficarão prontas no próximo ano. A abertura do laboratório, no entanto, segue confirmada para 2020, com um número menor de estações de pesquisas. Verba contingenciada A liberação de verbas para o Sirius foi prejudicada pelo contingenciamento de verbas pelo governo federal. A primeira liberação de recursos pela União, no entanto, não foi a esperada pelo MCTIC. Dos R$ 8,3 bilhões descontingenciados, R$ 80 milhões foram destinados à pasta, uma das menores fatias. Na ocasião, o ministro Marcos Pontes mostrou descontentamento. Ele disse ao G1 que esperava por cerca de R$ 1 bilhão para tocar projetos do MCTIC, entre eles o Sirius, e reclamou da pouca verba, chegando a comparar a diferença entre "expectativa e realidade" como se tivessem "tirado o motor de um Fórmula 1". "É basicamente quando você tem uma corrida, um carro de Fórmula 1, você quer aumentar a velocidade do carro e corta o motor", disse. O ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, em Campinas (SP) Fernando Evans/G1 Entenda o Sirius O laboratório, que já está com toda a obra civil concluída e aguarda testes no terceiro e principal acelerador de elétrons, é uma das mais modernas do mundo. Com a luz síncrotron gerada pelo Sirius os pesquisadores poderão analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas. A estrutura pode revolucionar a pesquisa brasileira e internacional em várias áreas, como saúde, agricultura e exploração do petróleo. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O equipamento brasileiro, no entanto, foi projetado para ter uma luz mais brilhante que o europeu. O atraso nos repasses, por enquanto, não deve afetar a abertura das primeiras linhas de pesquisa do Sirius em 2020. Pelo menos é o que garante o diretor do projeto, Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM. "Não tem milagre. Você atrasa o escopo total do projeto, mas o ponto importante é que foi possível fazer uma gestão para que o Sirius comece a dar retorno. Com a entrega da primeira linha de luz, ele começa a ser utilizado", explicou Silva. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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14/10 - Paciente com remissão de câncer terminal já está em casa, em BH, após tratamento inédito no Brasil
Mineiro de 64 anos tinha linfoma e tomava morfina todo dia. No domingo, ele teve alta do hospital; segundo médicos, paciente está 'virtualmente curado'. Pesquisadores brasileiros criaram método 100% nacional para a aplicação de técnica que pode custar mais de US$ 475 mil. Vamberto é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP "Hoje, o que eu quero, de verdade, é que aconteça para todas as pessoas que passam por isso o que aconteceu com a gente." Esse é o sentimento de Rosemary Castro, mulher de Vamberto Luiz de Castro, de 64 anos. O funcionário público aposentado é o paciente que tinha linfoma em fase terminal e agora, segundo os médicos, está "virtualmente" livre da doença. Ele teve alta neste sábado (12), após apresentar melhoras com um tratamento inédito na América Latina, baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. Em entrevista ao G1, Rosemary, a esposa do paciente, contou: "Deram alta mais rápido do que a gente esperava e ainda conseguimos um voo para mais cedo". Segundo ela, o marido se recupera em casa e "está muito bem". Ela, o marido e o filho chegaram a Belo Horizonte neste domingo (13). O paciente passou 40 dias no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). O Fantástico acompanhou a saída do casal do hospital. Antes de se submeter ao tratamento inédito, Vamberto tomava doses máximas de morfina diariamente e não conseguia mais andar. O tumor havia se espalhado pelos ossos. No início de setembro, o corpo do paciente estava tomado por tumores. Na semana passada, no entanto, a maioria deles já havia desaparecido. E os que restam, segundo os médicos, sinalizam a evolução da terapia. Vamberto Castro, de 64 anos, deixa o hospital em Ribeirão Preto com a mulher, Rosemary, após tratamento inédito na América Latina Reprodução/TV Globo Como perdeu muitos quilos e ficou deitado por muitos dias, a partir de agora Vamberto terá de recuperar peso e fazer exercícios de fisioterapia, para a mobilidade voltar ao normal. A mulher dele contou que o filho descobriu que pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estavam trazendo para o Brasil a terapia genética descoberta no exterior. "Era o único lugar que tinha esse tratamento. Foi tudo pelo SUS. E tivemos a sorte de ele ter todas as características para fazer o tratamento", disse Rosemary. Rosemary Castro, mulher de Vamberto Castro, que está 'virtualmente' curado de um linfoma após tratamento inédito na América Latina Reprodução/TV Globo Muito alegre e aliviada, a mulher falou sobre a importância de o governo incentivar esse tipo de pesquisa para que mais pessoas também tenham a oportunidade de cura: "Todo mundo merece essa chance que a gente teve". O casal tem também uma filha e um neto. E agora, com a família completa e reunida novamente em casa, Rosemary espera que a recuperação do marido seja ainda mais rápida. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo O tratamento Há um mês, o corpo do paciente estava tomado por tumores, evidenciados no exame pelas manchas pretas. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu e as que restam sinalizam a evolução da terapia. Reprodução/Fantástico Imagens de exames realizados pela equipe de médicos mostram e evolução do tratamento. Os novos exames mostraram que a maioria deles desapareceu. Vamberto deverá ser acompanhado por cinco anos, até poder ser considerado curado da doença. Entenda o tratamento em 7 pontos: Em 9 de setembro, Vamberto foi hospitalizado; apresentava quadro de linfoma em fase terminal Tratamento com base em técnica CART-Cell nunca tinha sido feito no Brasil Técnica modifica células para combater tumores Custo do tratamento nos EUA chega a US$ 475 mil Em pouco mais de um mês paciente apresentou remissão da doença Será acompanhado durante 5 anos até o diagnóstico de cura Técnica foi desenvolvida no Brasil com financiamento público Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está "virtualmente" livre da doença. Os pesquisadores da USP – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. O linfoma é um câncer que afeta as células do sistema linfático. Ele é uma parte importante do sistema imunológico, responsável pela defesa do nosso organismo no combate a infecções. Por causa do linfoma, essas células passam a se proliferar de forma descontrolada. A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. O método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer. No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar perto de US$ 500 mil. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Perspectivas para o SUS Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão Preto, disse que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. Initial plugin text
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14/10 - Imagens mostram regressão de câncer em paciente terminal após tratamento pioneiro na América Latina
Homem de 64 anos tinha linfoma e tomava morfina todo dia. Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell, que pode custar mais de US$ 475 mil. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo Exames feitos com pouco mais de um mês de diferença mostram a remissão de um linfoma em fase terminal no mineiro Vamberto Luiz de Castro, 64 anos, que recebeu tratamento inédito na América Latina, baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell (veja as imagens abaixo). No início de setembro, o corpo do paciente estava tomado por tumores, mas, na semana passada, a maioria deles já havia desaparecido. E os que restam, segundo os médicos, sinalizam a evolução da terapia. O linfoma é um câncer que afeta as células do sistema linfático, que é uma parte importante do sistema imunológico, ou seja, o sistema de defesa do nosso organismo que ajuda a combater infecções. No linfoma, essas células passam a se proliferar de forma descontrolada. Nobel de Medicina 2018 premia americano e japonês por terapia contra o câncer "Inacreditável", diz esposa de paciente Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando o paciente chegou ao hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu, e as que restam sinalizam a evolução da terapia. Reprodução/Fantástico Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, dizem que Vamberto está "virtualmente" livre da doença. Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a "remissão do câncer". Antes do tratamento, ele tomava doses máximas de morfina diariamente e não conseguia mais andar. O tumor havia se espalhado pelos ossos. Vamberto tinha tentado quimioterapia e radioterapia, mas seu corpo não respondeu bem a nenhuma das técnicas. Após uma semana com a terapia genética, ele já havia voltado a andar e deixado de sentir fortes dores. "Cheguei a ter medo de morrer, mas em nenhum momento esse medo foi maior do que a minha vontade de viver", disse Vamberto Castro ao Fantástico. Os pesquisadores da USP – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. Terapia genética A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer. A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar mais de US$ 475 mil. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Initial plugin text
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14/10 - A mulher que passou 12 anos sem conseguir emitir qualquer som
Aos 13 anos, Marie McCreadie perdeu a capacidade de emitir sons. Ela foi discriminada e internada num hospital psiquiátrico, até que a misteriosa causa de sua mudez foi descoberta. Marie publicou "Voiceless" em julho Marie McCreadie/BBC Imagine que, um dia, você de repente perca a capacidade de falar. Tenta emitir sons, mas as palavras simplesmente não saem da boca. O que passará por sua cabeça? Agora imagine que isso aconteça por mais de uma década. Você perde sua forma mais básica de comunicação e nem sequer pode conversar com seus amigos. Até que, um dia, inesperadamente, você recupera a fala. Essa é a história de Marie McCreadie. Do Reino Unidos à Austrália Voltemos ao tempo até o início da década de 1970. Marie nasceu no Reino Unido, mas se mudou com a família para a Austrália quando tinha 12 anos. Naquelá época, ainda conseguia falar. "Aterrissamos em fevereiro. Deixamos para trás uma Londres gelada e chegamos na metade do verão australiano (...). Era como férias de verão", ela recorda. Mas todo verão tem um fim. Justo quando Marie começava a se adaptar à vida nova, imitando inclusive o sotaque australiano com sucesso, algo terrível aconteceu. Marie McCreadie ficou 12 anos sem poder falar, até que um dia recuprou a voz Marie McCreadie/BBC De repente, sem voz "Acordei com uma forte dor de garganta e um grande resfriado", Marie conta à BBC. "Um ou dois dias depois, tive bronquite." "Na primeira semana, a irritação (da garganta) era muito intensa por causa da febre." "Mas quando a temperatura baixou, a infecção desapareceu e comecei a me sentir melhor e 'normal'... mas, depois de umas seis semanas, minha voz não voltou." Marie não sabia o que havia acontecido, mas pensava que poderia voltar a falar a qualquer momento. Pouco a pouco, deu-se conta de que isso não aconteceria - pelo menos por muitos anos. E ela não só não conseguia falar. Ela não conseguia emitir qualquer tipo de som com as cordas vocais. Nem uma voz rouca, nem uma tosse. Marie foi ao médico, mas os diagnósticos foram confusos e errados. "A princípio diagnosticaram uma laringite e depois disseram que se tratava de mudez histérica", conta. A expressão mudez histérica foi usada pela primeira vez no século 19. É descrita como um transtorno da função vocal sem que haja mudanças no corpo, que resultaria num silêncio voluntário. Em outras palavras, o médico achava que ela se negava a falar. Mas Marie não concordava com o diagnóstico. De qualquer forma, ela estava ocupada demais tentando lidar com o mundo como uma adolescente sem voz, o que lhe trouxe várias dificuldades óbvias, mas também algumas inesperadas. "O telefone, por exemplo. Não podia marcar um corte de cabelo ou uma consulta médica. E se estava em apuros ou sofria um acidente tampouco podia gritar." Ela lembra que, certo dia, sentiu medo quando caminhava com amigos pela montanha e não pode pedir ajuda ao ficar atolada. "Me dei conta de que tinha de ser mais cuidadosa", afirma. Marie superou todos os traumas, mas se lembra vividamente das duras experiências que enfrentou Marie McCreadie/BBC "A filha do diabo" Outro episódio traumático ocorreu quando a professora a obrigou participar do coral do colégio - todos na classe deveriam fazê-lo - e Marie teve de deixar o recinto. Ela diz que muitos na escola não entendiam sua mudez. "No princípio, todos pensaram que era muito divertido. Mas você se cansa disso muito rapidamente quando se trata de sua vida cotidiana." "Eu sempre levava pequenos cadernos de notas e um lápis, e me punha a escrever. Alguns de meus amigos podiam ler meus lábios - porque estávamos sempre juntos -, mas não sempre. Às vezes, não podia participar de conversas." Ela também usava as mãos e fazia sinais para se expressar, "mas na maioria das vezes tinha de escrever o que queria dizer." Ela diz que não tinha ajuda no colégio, pelo contrário. "Eu ia a um colégio católico e uma freira, ao saber que não havia uma razão física que me impedisse de falar, disse que Deus estava me castigando e havia me deixado sem voz." "(Meus colegas) começaram a acreditar no que diziam, que eu estava sendo castigada e tinha de confessar meus pecados para recuperar minha voz. Eu me negava porque não tinha nada a confessar." Marie diz que começou a questionar a si mesma. "No mundo em que crescemos, o padre, as freiras, os médicos tinham sempre razão. Não eram postos em dúvida." "As meninas costumavam me chamar de mulher do diabo e outras piadas desse tipo, mas com o tempo deixou de ser uma piada. Era grave, extremo." "Como me neguei a confessar pecados, não me deixavam entrar na igreja e ir para a missa que frequentávamos todas as sextas, então tinha de ficar do lado de fora." "Nesse momento, comecei a acreditar neles e a pensar que era diabólica, que pertencia ao diabo, que Cristo não queria olhar para mim, que não era parte da cristandade, que era uma bruxa." Fora da escola, vizinhos diziam que ela havia enlouquecido, e um amigo de sua mãe sugeriu que ela fosse abandonada "porque não se sabe o que pessoas como ela podem fazer". No hospital psiquiátrico Dois anos depois de ter perdido a voz, Marie se sentia isolada, frustrada e cheia de dúvidas. As coisas se complicaram tanto que ela tentou se matar aos 14 anos. Acabou em um hospital e, quando se recuperou, foi transferida para um hospital psiquiátrico. "Isso foi um inferno, um pesadelo. Havia drogados, pessoas com crises nervosas, uma mulher que imagino ter sofrido abusos... Eu era a mais jovem e era muito influenciável." Também se lembra da falta de intimidade e das terapias com choques elétricos. Ela escutava os pacientes gritando e chegou a fazer uma sessão. "Era como uma câmera de tortura. Muito cruel." Marie fugiu e foi à casa de um amigo. Ela pode voltar a sua casa, mas a relação com os pais estava danificada. Tinha medo de todo mundo ao redor, "não queria ver ninguém, a pouca confiança que tinha nas pessoas desapareceu no hospital psiquiátrico", lembra. Ela então se isolou por seis meses. Marie não acreditava que voltaria a recuperar a voz e começou, pouco a pouco, a reconstruir sua vida. Ela passou a trabalhar no café administrado por sua mãe e aprendeu a língua de sinais. Voltou a estudar e aprendeu mecanografia. Não é que os problemas dela tivessem se resolvido, mas pelo menos ela era agora uma adulta com uma vida relativamente normal. Até que um dia, quando tinha 25 anos, estava no trabalho e começou a se sentir muito mal. "Comecei a tossir e começou a sair sangue da minha boca. Pensei que estava morrendo. Podia sentir algo se movendo no fundo da minha garganta. Em certo momento pensei que estava tossindo minhas entranhas. Hoje parece uma idiotice, mas naquele momento sua cabeça dá voltas." Um colega chamou uma ambulância, e Marie foi levada ao hospital. Os médicos viram que ela tinha um objeto na garganta e conseguiram extraí-lo. Estava coberto de muco e sangue, mas, quando o limparam, descobriram que se tratava de uma moeda. Ela estava desde os anos 1960 com aquela moeda presa na garganta - e diz não ter ideia de como o item foi parar lá. Aquela pequena moeda havia ficado presa no fundo de sua garganta por 12 anos, justo ao lado de suas cordas vocais, impedindo que elas vibrassem e emitissem sons. Mas, assim que a moeda saiu, Marie recuperou a voz. "Pude sentir o som na minha garganta, gemidos, soluços. No início, não sabia de onde vinha esse ruído." "Fiquei em choque." Como não haviam visto aquela moeda na garganta? Os médicos disseram que a posição do objeto havia o tornado indetectável. Marie teve de reaprender a respirar e a moderar o tom da voz, mas diz que não levou muito tempo. Sua primeira ligação telefônica foi para a mãe, que começou a chorar. Depois participou do coral local para fazer as pazes com o passado. Em seu livro "Voiceless" (sem voz), publicado em julho de 2019, ela conta a história. Quanto à moeda, ainda a guarda numa pulseira que veste de vez em quando.
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13/10 - De Niro e Pacino: setentões de volta em épico sobre a máfia
Martin Scorsese, prestes a completar 77 anos, dirige “The irishman” Em novembro, Martin Scorsese completará 77 anos. Um dos diretores mais brilhantes de sua geração, ele brindará o público com o que promete ser uma nova obra-prima: “The irishman” (“O irlandês”), cujo trailer já está disponível. Num panorama cinematográfico onde imperam comédias rasas ou filmes de aventuras que ocupam centenas de salas, os amantes da sétima arte poderão se esbaldar com esse encontro de veteranos. O elenco é encabeçado por Robert de Niro (76 anos), Al Pacino (79) e Joe Pesci (76), atores cuja química já foi testada em diversas ocasiões. Assim como em produções anteriores, como “Os bons companheiros”, “Os infiltrados” e “Cassino”, Scorsese fala da máfia e do seu papel na construção da identidade dos Estados Unidos como nação. Há inclusive menção a uma possível participação da Cosa Nostra no assassinato de John Kennedy. Essa também é uma história de violência, traição, reminiscências e perdas. O filme é baseado no livro “I heard you paint houses”, de Charles Brandt – “Eu soube que você pinta casas” era um eufemismo utilizado para identificar matadores de aluguel. A expressão foi criada porque o sangue das vítimas, normalmente abatidas a tiros, espirrava nas paredes... A Netflix bancou o projeto de mais de 150 milhões de dólares de Scorsese, cuja estreia nos cinemas ocorrerá no começo do próximo mês e, no streaming, no dia 27 de novembro. Al Pacino e Robert De Niro, em “The irishman”, filme sobre a máfia dirigido por Martin Scorsese Divulgação São quase três horas e meia de projeção. Na abertura, a câmera percorre os corredores de um asilo até chegar a um idoso, o responsável pela narrativa de seus crimes e sobre os comparsas a quem serviu. Ele é Frank Sheeran, o irlandês interpretado por De Niro, que aprende a matar no Exército, ao servir durante a Segunda Guerra Mundial. Depois passa a trabalhar para o mafioso Russell Bufalino (Joe Pesci) e se torna o principal suspeito do assassinato do líder sindical Jimmy Hoffa, vivido por Pacino. Ao rememorar sua trajetória, ele lembra que, nos anos de 1950, “Hoffa era tão famoso quanto Elvis Presley”. Scorsese usou recursos digitais para “remoçar” o trio, uma vez que a história cobre décadas das vidas dos personagens. Os setentões, na frente e atrás das câmeras, estão mais afiados do que nunca.
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12/10 - A misteriosa civilização que ocupou a Arábia Saudita há 2 mil anos
Uma equipe de 60 especialistas quer descobrir mais sobre a cultura dos nabateus no deserto de Al Ula; é a primeira vez que um território desconhecido tão extenso da Península Arábica é investigado com métodos científicos. A misteriosa civilização que ocupou a Arábia Saudita há 2 mil anos Richard Duebel Os desertos rochosos de Al Ula, no noroeste da Arábia Saudita, são conhecidos por seus céus escuros, que permitem aos observadores de estrelas estudar facilmente corpos celestes sem o problema da poluição de luz. Mas a região também atrai arqueólogos que buscam fazer o primeiro levantamento aprofundado da região, que tem aproximadamente o tamanho da Bélgica, em uma tentativa de conhecer mais sobre uma civilização misteriosa que já viveu ali. Uma cultura há muito perdida, a civilização nabateia habitou o norte da Península Arábica e o sul do Levante entre o século 4 a.C. até 106 d.C. Os nabateus governavam seu império na deslumbrante cidade de Petra, na Jordânia, mas fizeram de Hegra, hoje conhecida como Mada'in Saleh, em Al Ula, sua segunda capital. Seu status de civilização independente terminou com sua conquista pelo imperador romano Trajano. Os nabateus tinham uma sofisticada tradição arquitetônica, influenciada pelos mesopotâmicos e gregos. Eles esculpiram fachadas de templos e túmulos em falésias rochosas e deixaram para trás sofisticados monumentos em pedra – mas muitos locais permanecem inexplorados. Uma grande equipe internacional de mais de 60 especialistas começou a trabalhar em um projeto que durará inicialmente dois anos para pesquisar a área de 3,3 mil km², que foi habitada pelos nabateus por 200 anos, a partir de 100 a.C.. É a primeira vez que uma área tão grande de território mais ou menos cientificamente desconhecido é sistematicamente investigada. Pesquisa pode colocar Arábia Saudita no mapa da história antiga Tumba de Madain Saleh, em al-Ula, na Arábia Saudita, em foto de arquivo de 10 de fevereiro de 2019 Stephen Kalin/Reuters Escavações são realizadas há algum tempo em Mada'in Saleh e outros locais reconhecidos como nabateus por arqueólogos sauditas, incluindo Abdulrahman Alsuhaibani, professor da Universidade King Saud. "Eu me concentrei nas civilizações dedanita e lihyanita", explica ele. "Agora que a Comissão Real de Al Ula está envolvida, será possível realizar um trabalho para entender mais profundamente como sociedades primitivas evoluíram." O envolvimento da Comissão Real garante que tecnologia de ponta esteja à disposição dos arqueólogos. Embora o serviço Google Earth e o olho treinado de especialistas permitam frequentemente distinguir características naturais e artificiais, aeronaves leves equipadas com câmeras especializadas que oferecem imagens mais detalhadas do território permitirão identificar características arqueológicas até então desconhecidas. Segundo Rebecca Foote, arqueóloga americana responsável pela pesquisa da Comissão Real de Al Ula, os esforços anteriores se concentraram na escavação, porque uma pesquisa sistemática nesta escala requer tempo e recursos que estão disponíveis apenas agora. Ela acredita que o escopo do empreendimento colocará a Arábia Saudita em evidência quando se trata da história antiga. "Sabe-se muito do primeiro ao terceiro milênio antes de Cristo e estamos bem informados sobre o Egito antigo e a Mesopotâmia", ela reconhece. "Mas descobriu-se relativamente pouco sobre a Península Arábica nos tempos antigos. Ainda não sabemos exatamente como nossas descobertas terão impacto sobre a compreensão da história antiga. Mas é provável que reformulem a visão do mundo nestes períodos." Foote passou muitos anos trabalhando em Petra, que continua a ser o monumento mais conhecido deixado pela civilização nabateia. Ela diz que a arqueologia aérea será a chave para explorar a arquitetura funerária desta cultura, monumentos e locais mais incomuns que, de outra forma, levariam anos para serem investigados. "A tecnologia agora permite ter uma visão geral confiável e abrangente. Nada disso foi feito antes nesta escala", explica ela. Enquanto escavações anteriores lideradas pela França revelaram uma rede de comércio de incenso que percorria o lado oeste da península, passando por Al Ula, Foote quer aprender mais sobre o papel da água na prosperidade da região. "Podemos imaginar que eles tinham uma economia agrícola bem-sucedida, mas havia cobrança de impostos sobre o incenso? Como administravam sua água?" Tecnologia de ponta ajuda a fazer descobertas arqueológicas Initial plugin text Com o estudo da hidrologia prestes a começar, as respostas devem começar a surgir, graças em parte ao trabalho da equipe de arqueologia aérea, que ajuda a identificar locais específicos. Voando entre 600 e 900 metros de altura, o grupo de pesquisa liderado por Jamie Quartermaine, da organização Oxford Archaeology, já cobriu metade dos 11,5 mil locais previstos. Conhecido como pesquisa preventiva, esse trabalho geralmente é realizado para garantir que não sejam erguidas construções próximo de sítios arqueológicos. "Aprendemos com os erros de outros países e estamos investindo para evitar danos aqui", diz Quatermaine. A pesquisa também ajuda a fornecer respostas para especialistas de áreas como arte rupestre. "Mesmo há cinco anos, o GPS não era suficientemente preciso. Hoje, estamos usando vários métodos diferentes de fotografia, incluindo drones, câmeras suspensas em aeronaves leves e ortofotografias aéreas de ponta", afirma Quatermaine. A ortofotografia produz uma representação fotográfica de uma superfície terrestre, no qual todos os elementos apresentam a mesma escala, livre de erros e deformações. Com câmeras posicionadas a 45º, essa técnica gera uma imagem a cada dois ou três segundos e produz assim milhares de fotos que permitem medir distâncias reais após serem realizados correções topográficas. Um software especializado as combina em um modelo detalhado e de alta resolução da paisagem. Até agora, já foram encontrados desta forma locais e estruturas funerárias da Idade do Bronze. Além disso, os drones são usados ​​com câmeras posicionadas na mesma angulação. "Isso nos permite ver não apenas o plano horizontal, mas até certo ponto o vertical. Estamos cientes de que podemos encontrar arte rupestre em locais específicos", diz Quatermaine. Na etapa final da pesquisa, membros de equipes especializadas irão a campo. Após cinco anos de trabalho no norte da Península Arábica, a especialista em arte rupestre Maria Guagnin está impressionada com o enorme banco de dados que está sendo criado sobre todos os períodos históricos. "Pela primeira vez, estão sendo analisados todos os aspectos da paisagem arqueológica", ressalta ela. "Nosso conhecimento da distribuição pré-histórica de animais é até agora amplamente dependente da localização de sítios arqueológicos e paleontológicos escavados. Muitas espécies foram consideradas ausentes na Península Arábica, mas a arte rupestre mostra o contrário." A presença de espécies de mamíferos não documentadas em Al Ula fornece novas informações sobre sua distribuição, bem como os tipos de habitat e vegetação disponíveis em eras pré-históricas nesta região. Representações de animais também ajudam a datar esses registros. Considera-se improvável, por exemplo, que cavalos ou camelos com cavaleiros existissem antes de 1.200 a.C.. Initial plugin text Gado domesticado, ovelhas e cabras foram introduzidos na Península Arábica entre 6.800 a.C. e 6.200 a.C.. Eles foram domesticados no Levante e levados para a Arábia Saudita. Isso fornece uma maneira de datar a arte rupestre, porque, antes disso, é improvável que houvesse animais domésticos nesta área. A grande quantidade de informações coletadas pela equipe internacional de Al Ula provavelmente será útil para sítios arqueológicos como Petra, incluindo a revelação de possíveis rotas entre Petra e Mada'in Saleh. Abdulrahman Alsuhaibani está escavando há alguns anos em Dedan, um local onde há evidências de uma civilização que antecede os nabateus. Ele diz que o escopo do trabalho é tamanho, que serão necessárias gerações para entender seus resultados. "O que torna esse trabalho tão importante no cenário mundial é que ele fornecerá uma compreensão não apenas de Mada'in Saleh e Petra, mas de civilizações anteriores amplamente desconhecidas por nós." Um dos papéis de Abdulrahman é treinar estudantes da Universidade King Saud, em Riad, que tem um pequeno posto avançado em Al Ula. "Eles estão aprendendo em meio a uma das mais extensas pesquisas e escavações. Os alunos de hoje poderão muito bem fazer descobertas que nem podemos imaginar hoje."
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12/10 - 'Sobrevivi à leucemia e virei médica para salvar pessoas com a doença'
Marina Aguiar chegou a ser desenganada por um médico por causa de um câncer. Curada, ela acompanha pacientes que tratam a doença em Brasília e se prepara para realizar seu primeiro transplante. Marina Aguiar se formou em Medicina e se especializou em transplantes para tratar pacientes com leucemia Arquivo Pessoal/ BBC A médica Marina Aguiar, de 31 anos, dedica grande parte de seus dias aos cuidados de pacientes que fazem tratamento contra a leucemia, em um hospital de Brasília. Quem a vê saudável pelos corredores da unidade de saúde não imagina que ela também enfrentou a mesma doença, há mais de 10 anos, e chegou a ser desenganada pelos médicos. A decisão de cursar Medicina surgiu quando Aguiar estava em tratamento contra a leucemia, aos 18 anos. "Percebi a importância de médicos que acreditem na recuperação dos pacientes. Isso me motivou a querer ajudar pessoas que vivem algo semelhante ao que enfrentei", conta à BBC News Brasil. Para ir atrás do sonho de se tornar médica, ela teve de abandonar o curso de Odontologia e enfrentar o temor dos parentes, preocupados com as dificuldades que a jovem, na época ainda em tratamento, poderia enfrentar. Antes de conquistar o diploma, Aguiar enfrentou situações que a deixaram abalada: o tratamento não deu resultados, não houve doadores compatíveis de medula óssea e um médico não acreditava que ela sobreviveria. "Fiquei triste muitas vezes. Mas sempre tentava acreditar que tudo daria certo em algum momento", diz Aguiar. Ela considera que o diploma de Medicina é a sua maior vitória contra a doença. A descoberta do câncer Durante o ensino médio, Aguiar tinha dedicação extrema aos estudos para passar em odontologia na Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela foi aprovada no vestibular e começou o curso. Era março de 2006. Em meio à alegria com o início da universidade, uma situação passou a preocupar a adolescente: as dores frequentes nas pernas. "Fui a diferentes médicos, mas alguns diziam que eram dores psicológicas, em razão da minha preocupação com os estudos. Outros diziam que eram dores relacionadas à coluna. Cheguei a fazer fisioterapia para ver se melhorava", diz. Os tratamentos indicados pelos médicos não trouxeram resultados. "Eu tinha feito vários exames que, a princípio, não deram alterados. Até que um dos resultados apontou que eu estava com anemia", lembra. A jovem fez tratamento para a anemia, que não surtiu efeitos. Em agosto de 2006, cinco meses após o início das dores, Aguiar fez uma ressonância magnética, que apontou alteração em sua medula óssea. Ela foi encaminhada a um hematologista, que a examinou e pediu exames mais aprofundados. No dia seguinte, o especialista chamou a mãe de Aguiar, a educadora física Keila Aguiar, e comunicou sobre a doença da jovem, que havia recém-completado 18 anos. Aguiar foi diagnosticada com leucemia linfocítica aguda (LLA), doença na qual as células que normalmente se transformam em linfócitos – glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo – se tornam cancerosas e substituem rapidamente as células saudáveis da medula óssea. Desta forma, o paciente desenvolve anemia e fica com o sistema imunológico extremamente prejudicado. "Descobri que as intensas dores que eu tinha na perna eram no fêmur, na região da coxa, que é uma área do corpo em que também se encontra a medula óssea. Eram dores causadas pela leucemia", diz a jovem. Conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2019 devem ser diagnosticados 12,5 mil novos casos de câncer em pessoas de zero a 19 anos. Desses, os mais frequentes são leucemia, tumores que atingem o sistema nervoso central e linfomas (no sistema linfático). Não há estimativas específicas para cada tipo da doença. Segundo o DataSUS, foram registradas 831 mortes por leucemia em crianças e adolescentes no Brasil em 2017, dado mais recente. A descoberta da doença deixou a mãe consternada. Ela conhecia pouco sobre leucemia e diz que, a princípio, chegou a pensar que pudesse ser uma sentença de morte para a filha. "Comecei a chorar muito quando soube. Perdi o chão. Fiquei arrasada. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer com a minha filha", relembra a mãe. A leucemia da jovem foi descoberta em estágio avançado. Ela estava anêmica e frágil. A adolescente soube da doença quando a mãe retornou da consulta. "A princípio, a minha ficha não caiu. Só pensei em procurar o tratamento adequado", conta Marina Aguiar. No mesmo dia do diagnóstico, ela foi internada em uma unidade de saúde pública de Goiânia, cidade onde nasceu e morava na época. O plano de saúde dela não cobria quimioterapia ou qualquer tratamento contra o câncer. "O médico me disse que se eu demorasse mais uma semana para descobrir a doença, talvez não estivesse viva. Foi muito pesado passar por isso. Eu só pensava nos meus planos que teria que deixar de lado, como a faculdade que eu tinha acabado de começar", diz. As dificuldades com a quimioterapia A jovem iniciou os procedimentos de quimioterapia logo após ser internada. Entre agosto de 2006 e abril de 2007, ela viveu entre o hospital e sua casa. "A minha rotina mensal era passar sete dias fazendo quimioterapia, três dias em casa e logo voltar para o hospital para tomar antibiótico, para tratar diversas infecções que contraía por causa da baixa imunidade", diz Aguiar. Nos primeiros dois meses de tratamento, os médicos notaram que os resultados eram pouco satisfatórios. Por isso, orientaram que Aguiar deveria passar por um transplante de medula óssea. "Meus pais e meu irmão fizeram exames para ver se poderiam me ajudar, mas não eram compatíveis", diz a médica. Os parentes iniciaram uma campanha em Goiânia em busca de doadores. A iniciativa mobilizou diversos moradores, mas nenhuma pessoa era compatível. A jovem foi inscrita no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), mas lá tampouco havia pessoas compatíveis. Só lhe restava esperar por tempo indeterminado até encontrar um doador. Oito meses se passaram desde o início do tratamento. As quimioterapias foram finalizadas com resultados insatisfatórios, pois as células cancerosas continuavam na medula óssea da jovem. "Recebi alta hospitalar sem nenhuma expectativa de cura. O médico que me acompanhava me disse que eu poderia fazer um tratamento mais simples, que hoje sei que não me curaria, era uma medida paliativa, só para me dar um pouco mais de tempo de vida." Uma tentativa de salvar a filha Logo que souberam que o tratamento não teve bons resultados, os pais se desesperaram. Diante da ausência de pessoas compatíveis, decidiram seguir o conselho de um médico conhecido da família e gerar um novo filho. Keila e o marido, o empresário Fernando Augusto Aguiar, recorreram à fertilização in vitro. Era o único método viável, pois a mãe, na época com 39 anos, tinha feito laqueadura depois do nascimento do filho caçula, 12 anos antes. "Quando descobri que ter mais um filho era um modo de tentar salvar a Marina, não pensei duas vezes", diz a mãe. O primeiro procedimento não deu certo. "Eu precisava de repouso, mas como passava o dia inteiro com a Marina no hospital, enquanto o meu marido cuidava do nosso filho caçula, acabei não conseguindo seguir as orientações médicas", diz a educadora física. Na segunda fertilização, a mãe passou mais tempo em repouso e engravidou de gêmeos. "Foi uma alegria imensa, porque ali pensei que poderia salvar a minha filha", diz. A expectativa era tentar fazer o transplante por meio da coleta de sangue do cordão umbilical de um dos recém-nascidos. Os planos iniciais não deram certo, porque os bebês nasceram prematuros, em novembro de 2007, com pouco mais de seis meses de gestação. "O parto deles foi muito complicado. Como nasceram muito antes do previsto, não havia sangue suficiente para um possível transplante", diz Aguiar. Os recém-nascidos passaram 40 dias na UTI neonatal e receberam alta hospitalar. "Fiquei arrasada, porque o nosso maior objetivo era que o sangue de um dos cordões umbilicais pudesse ajudar a minha filha", diz a mãe. A expectativa seguinte era que um dos recém-nascidos, caso fosse compatível, doasse medula óssea à irmã. Quando as crianças completaram um ano, passaram por exames que apontaram que não eram compatíveis. "Quando soube disso, parece que um buraco se abriu sobre mim. Foi horrível saber que eu não conseguiria ajudar a minha filha", conta a mãe. Tratamento de manutenção Em abril de 2007, quando encerrou os meses de quimioterapia, Aguiar optou por não fazer o novo tratamento proposto pelo médico que a acompanhava e procurou outro especialista no Hospital do Câncer de Goiás (HCG). No HCG, ela conheceu o hematologista César Bariani. "Ele me fez ter esperanças de que poderia me curar. Isso foi muito importante naquele momento", diz a hoje médica. O especialista deu início a um tratamento definido como uma intensa quimioterapia de manutenção na paciente. O tratamento era mais fraco que o primeiro, e Aguiar não precisou ficar internada. Dessa vez, ela não perdeu todo o cabelo e nem teve fraqueza extrema. "Muitos pacientes não aguentam chegar a essa segunda fase, quando não conseguem a cura no primeiro tratamento. Acredito que eu tenha conseguido porque era muito jovem", afirma. Ela deveria fazer o procedimento somente enquanto aguardava um doador de medula. Uma das expectativas, no início da quimioterapia de manutenção, era aguardar os exames de compatibilidade nos irmãos gêmeos dela. No novo tratamento, ela conseguiu participar presencialmente das aulas do curso de odontologia. No tratamento anterior, teve de entrar com recurso na Justiça para conseguir autorização para cursar as disciplinas a distância. Aguiar conta que a preocupação com os estudos esteve presente desde o primeiro dia em que foi internada para tratar a leucemia. "Não queria perder nenhum semestre", diz. Na época em que estudou a distância, colegas de classe a visitavam no hospital para ajudar a jovem com os conteúdos. "Mesmo internada e fazendo um tratamento muito agressivo, nunca reprovei", diz. Apesar de fragilizada, ela reservava horários para estudar. Os professore iam até o hospital para aplicar as provas. Ela concluiu os primeiros semestres de Odontologia sem reprovar em nenhuma disciplina. Aprovação em Medicina Enquanto fazia a quimioterapia de manutenção, Aguiar decidiu que se tornaria médica. "Nos meses em que fiquei internada, me encantei pela medicina. Mas decidi, de fato, que seguiria por essa área nesse começo da quimioterapia de manutenção." "Quando o doutor César Bariani me deu esperanças, enquanto o médico anterior tinha me dito que não havia mais alternativas, decidi que queria fazer medicina para que também pudesse dar esperanças para outros pacientes", diz ela. Em dezembro de 2007, a jovem prestou vestibular para medicina em uma universidade particular de Goiânia. Foi aprovada. Os parentes se assustaram com a decisão. "Eles tinham medo de que eu não tivesse preparo emocional para lidar com pacientes com leucemia. Achavam que eu poderia não conseguir." No início de 2008, ela trancou o curso de odontologia e ingressou na faculdade de medicina. Por causa da quimioterapia de manutenção, ela combinou com os diretores da nova universidade que faltaria alguns dias da semana para fazer o tratamento. O curso particular foi pago pelo pai da jovem. "Mesmo com algumas dificuldades, porque o curso de medicina custa caro, ele me apoiou", relata. A cura da leucemia Marina se dividia entre as aulas de medicina e o tratamento contra a leucemia. No início de 2009, quase dois anos após começar a quimioterapia de manutenção, a jovem estava sem esperanças. Depois que ela descobriu que os irmãos – Pedro Augusto e Davi Augusto Aguiar, hoje com 11 anos – não eram compatíveis, ela não tinha nenhum outro possível doador de medula. O médico disse que ela teria que parar com o tratamento, pois seu organismo não suportaria. Quando ela suspendeu o tratamento, fez novos exames, que apontaram que não havia mais células cancerosas em sua medula óssea. Porém, por ser um tratamento de manutenção e mais fraco que o primeiro, as chances de a leucemia voltar eram consideradas altas. "Depois que terminei a manutenção, passei a realizar exames semanais, para que qualquer retorno da doença fosse descoberto logo no início. Com o tempo, esses exames se tornaram quinzenais, depois mensais, trimestrais e assim foi indo. Os anos foram passando e a doença nunca retornou", diz a médica. Hoje, ela é considerada curada. "É preciso esperar 10 anos, depois do fim do tratamento, para atestar a cura". Ela classifica a sua cura como um milagre. Evangélica, Aguiar faz uma cerimônia religiosa todos os anos, desde o fim do tratamento, para comemorar. "Tenho certeza de que a atenção dos médicos que acreditaram na minha cura e a minha fé foram fundamentais", diz. Em dezembro de 2013, ela se formou em medicina. "Foi uma emoção muito grande". Ao concluir o curso, ela fez dois anos de residência em clínica médica, na qual há estudos sobre diferentes áreas da profissão, e mais dois anos de residência em hematologia, para cuidar, principalmente, de pacientes que também lidam com a leucemia. A especialização em hematologia foi feita no HCG, onde ela tinha feito o tratamento contra a leucemia por dois anos. "Fui a primeira residente em hematologia no hospital. Foi muito importante para mim trabalhar ali. No começo, os médicos tinham receio e pensavam que poderia me prejudicar emocionalmente, por eu ter me tratado ali. Mas eu sempre disse que tinha certeza de que queria ficar ali", diz. "Trabalhei no HCG por dois anos, durante a minha residência. Deu tudo certo. Muitos funcionários, que me acompanharam como paciente, ficaram felizes em me ver como médica", relata. No início deste ano, ela concluiu a especialização em transplante. Aguiar planeja, até o começo de 2020, fazer o seu primeiro transplante de medula óssea, em um paciente que ela acompanha no hospital particular em que trabalha desde abril, em Brasília. A intenção de auxiliar os pacientes até onde puder, que ela tem desde que decidiu cursar medicina, é algo que a médica carrega consigo. "Sempre quero dar o meu máximo para poder ajudar. Sei que nem todas as vezes vai ser possível, mas sempre quero ter a certeza de que fiz tudo o que pude", afirma.
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12/10 - Aplicativo desenvolvido no RS ajuda pacientes no tratamento contra o câncer
Oncologistas de Porto Alegre se uniram a engenheiro e arquiteto de software para criar app que monitora e auxilia no controle da doença. Paciente relata sua experiência. Aplicativo é gratuito. Lilian Lima/G1 RS Um aplicativo que registra todo tratamento de um paciente com câncer, alerta sobre o uso de medicamentos e interage com o médico de forma rápida, está ajudando milhares de pessoas a enfrentar a doença. O Tummi foi desenvolvido por oncologistas gaúchos associados a um engenheiro e um arquiteto de software, e já auxilia no acompanhamento de pacientes em todo o Sul do Brasil e em São Paulo. A médica Alessandra Morelle começou a elaborar a ideia em 2016, em parceria com o também oncologista Carlos Barrios. Eles queriam criar uma plataforma que ajudasse os pacientes a conviver com uma rotina alterada drasticamente com o diagnóstico da doença. “Me dei conta o quanto é difícil o início, principalmente, e todo o processo da pessoa que não tinha contato [com a doença] e passa a conviver com o diagnóstico. O que precisa ser observado, o que pode ser grave ou não. É um mundo totalmente novo. Sentia a necessidade de usar a tecnologia a favor para ajudá-las a entender isso mesmo quando o médico não está perto”, afirma Alessandra. Tummi auxilia pacientes com câncer no Sul do Brasil e em São Paulo Reprodução O projeto ficou suspenso até que uma paciente dela, Márcia Azevedo — diagnosticada com câncer de mama durante a amamentação — confessou os medos para Alessandra ao lado do marido, o arquiteto de software Evandro Dalbosco. Eles uniram esforços e, associados ao engenheiro Ronaldo Aloise Jr., lançaram o Tummi. “O paciente tem como registrar o que está sentindo de forma organizada", descreve a oncologista. "Tem todos os parefeitos (efeitos colaterais). A plataforma identifica se é grave e tem que procurar o médico, ou, se não é, tranquiliza [o paciente].” Há, ainda, outras funcionalidades, como a seção de medicamentos, que avisa se há alguma combinação prejudicial à saúde do paciente, e outras em desenvolvimento. Conheça aplicativo de smartphone que ajuda no tratamento do câncer 'Aplicativo fantástico', diz paciente O aplicativo fez parte do tratamento da funcionária pública Maria Alice Paranhos Marra, de 55 anos, que teve câncer de mama do tipo HER2+, descoberto em um exame de rotina em agosto de 2017. Ela tinha um nódulo no seio direito que tendia a crescer e se disseminar mais rápido do que outros tipos. Precisou fazer uma mastectomia com esvaziamento da axila, além de oito sessões de quimioterapia. Depois, fez ainda 33 sessões de radioterapia e, desde então, toma um bloqueador hormonal. No final, descobriu, ao realizar uma investigação genética, que tinha uma mutação que facilitava o reaparecimento do câncer de mama, algo que uma prima também teve. Optou por retirar o outro seio também e colocar uma prótese de silicone. Maria Alice levou uma rotina extenuante dos últimos anos. A maneira de controlar sintomas, horário de tomar os remédios, agendamento de consultas (e até a ansiedade) foi “terceirizar” o serviço para o app. “Esse aplicativo é fantástico, porque diariamente colocava como me sentia e semanalmente mandava o relatório para a doutora. Quando chegava à consulta, ela já tinha lido tudo e otimizava o atendimento”, relata Maria Alice. “Eu me considero livre do câncer, mas a gente nunca sabe. Tem que seguir a vida e continuar se cuidando com os tratamentos que tem hoje em dia.” Maria Alice Paranhos Marra, 55 anos, teve câncer de mama em 2017 Arquivo Pessoal Veja o que os desenvolvedores pretendem acrescentar para as próximas versões: Dashboard: Instalar uma tela interativa nas salas de enfermaria ou de quimioterapia para acompanhar o paciente em tempo real. Quando ele clicar em algum evento grave, imediatamente é disparado um alerta para a equipe de retaguarda, que pode entrar em contato com ele e orientar sobre o que fazer. Já está em fase de aperfeiçoamento para ser implantado em três clínicas. Chatbot: Serviço de conversa com o paciente, como de bancos e empresas de telefonia. A ideia é que seja feita uma conversa de voz com o aplicativo, para ajudar idosos com dificuldade de ler ou clicar nos ícones, ou qualquer pessoa que não queira digitar. Ainda em desenvolvimento. Inteligência artificial: Uma ferramenta que compreenda automaticamente a avaliação de gravidade do paciente de forma mais rápida e eficiente. Em desenvolvimento a médio prazo. Wearables: Serviços para medir temperatura, frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Em desenvolvimento a médio e longo prazo. O Tummi já tem mais de 2 mil downloads de usuários. Ele está sendo usado por médicos e clínicas dos três estados do Sul do Brasil e também no interior do São Paulo.
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11/10 - Morre Alexei Leonov, primeiro humano a caminhar no espaço
O cosmonauta russo tinha 85 anos e morreu após enfrentar uma longa doença. A primeira caminhada espacial foi feita do lado de fora de uma espaçonave em 1965. Alexei Leonov, cosmonauta russo, morreu aos 85 anos nesta sexta-feira (11). Reprodução/Twitter/@nasa O cosmonauta russo Alexei Leonov, o primeiro humano a caminhar no espaço em 1965, morreu nesta sexta-feira (11) aos 85 anos de idade após enfrentar uma longa doença, informou a agência de notícias russa TASS. O enterro deverá ser em Moscou na terça-feira, informou o Centro de Preparação de Cosmonautas. Em 1965, Leonov foi o cosmonauta que caminhou do lado de fora da espaçonave. Ele fez um deslocamento de dois a três metros de distância ao longo 12 minutos e 9 segundos, de acordo com a agência de notícias Reuters. Leonov foi também o comandante da primeira missão espacial conjunta entre Rússia e Estados Unidos. Caminhada no espaço Em 2015, 50 anos após sua façanha, Alexei Leonov lembrou à agência de notícias AFP o momento em que flutuou "no escuro profundo", das estrelas "em toda parte" e do "Sol ofuscante". A missão era a Voskhod-2. "Filmei a Terra, perfeitamente redonda, o Cáucaso, a Crimeia, o Volga. Era lindo, como pinturas de Rockwell Kent", disse, referindo-se ao pintor americano conhecido por suas linhas limpas e cores suaves. Seu retorno à nave foi mais complicado do que o esperado: seu traje se expandiu e ele não conseguiu mais operar a câmera. Sem esperar, decidiu reduzir a pressão em seu traje e conseguiu entrar de cabeça, ao contrário do planejado. O cosmonauta perdeu 6 quilos. Na cabine, o sistema de descida automática não funcionava. Com seu companheiro de equipe, retornou à Terra em modo manual, pousando nos Urais, a 2 mil quilômetros do local planejado no Cazaquistão. "Esperamos três dias na floresta antes de sermos repatriados, e a rádio soviética garantia que estávamos de férias após o voo", lembrou em 2015, rindo, segundo a AFP. Missão Estados Unidos - Rússia O comandante da tripulação soviética da Soyuz, Alexei Leonov (esquerda) e o comandante da tripulação americana da Apollo, Thomas Stafford (esquerda), apertam as mãos após as manobras de atracação da Apollo-Soyuz, em 17 de julho de 1975 HO / NASA / AFP Leonov voou para o espaço novamente em 1975, comandando a metade soviética da missão Apollo-Soyuz, o primeiro vôo espacial dos Estados Unidos com a União Soviética. A missão marcou o início de uma cooperação que dura até hoje. A viagem ocorreu em um momento em que a Rússia e os EUA - que passaram parte da Guerra Fria em uma corrida espacial - estavam seguindo uma política de distensionamento. O presidente russo, Vladimir Putin, conhecia Leonov e tinha grande respeito por sua coragem, disse o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov nesta sexta-feira, segundo a TASS. A Nasa disse em comunicado no Twitter que ficou triste com a morte de Leonov. "Sua aventura no espaço deu início à história de atividades fora de veículos espaciais e faz hoje a manutenção da Estação Espacial possível", afirmou. Initial plugin text Morte de Gagarin O cosmonauta era amigo íntimo do primeiro homem a ir ao espaço, o cosmonauta russo Yuri Gagarin, que morreu em um acidente de avião, em 27 de março de 1968, perto de Moscou. Após a queda da União Soviética em 1991, Leonov ganhou as manchetes na Rússia questionando a versão oficial do governo, segundo a qual Gagarin morreu no comando de um avião tentando evitar um balão meteorológico. Segundo Leonov, membro da comissão de inquérito de 1968, um avião de caça Sukhoi cruzou a trajetória de Gagarin, a menos de 20 metros de sua aeronave, provocando o acidente. Ao atravessar a barreira do som, o caça provocou o giro e a queda do avião de Gagarin, segundo Leonov.
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11/10 - Mulher celebra terapia inédita que ajudou marido contra câncer terminal em SP: ‘Inacreditável’
Tratamento genético pioneiro na América Latina ajudou paciente de 64 anos com linfoma a deixar hospital em Ribeirão Preto livre de sintomas da doença. Pela 1ª vez na América Latina, homem com câncer terminal tem sucesso com terapia pioneira Foram dois anos de luta e pouquíssimas expectativas desde que o funcionário público Vamberto Castro, de 64 anos, descobriu que tinha um linfoma terminal e recorreu em vão a diferentes tratamentos. A batalha ganhou um capítulo feliz graças ao resultado de uma terapia genética inédita na América Latina, implantada pelo Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Castro, que é de Belo Horizonte (MG), mas estava em Ribeirão Preto desde 9 de setembro, não só respondeu bem ao tratamento, realizado em caráter experimental por pesquisadores do interior de São Paulo, como também teve alta após a constatação de que está "virtualmente" livre da doença - pelos próximos cinco anos ele continuará sendo acompanhado. Mulher do paciente, Rosemary Castro volta otimista com o marido para Minas Gerais após ver de perto todo o sofrimento dele, que tomava doses máximas de morfina diariamente como tratamento paliativo para as dores recorrentes, além da perda de peso e das dificuldades para andar. "Inacreditável, até porque são dois anos de luta e a gente não via nenhum resultado para nenhum tratamento, e agora nesses exatos 30 dias que nós estamos aqui a gente já vê uma mudança completa na saúde, na vida, em tudo dele", diz. Rosemary Castro, mulher de paciente de 64 anos que se recuperou de câncer terminal com tratamento inédito no Brasil Reprodução/EPTV Luta contra o câncer A descoberta do câncer pegou de surpresa toda a família de Vamberto, que sempre teve um estilo de vida saudável, conta Rosemary. "Sempre foi uma pessoa que gostava muito de praticar esporte, caminhada, uma saúde sempre muito impecável, não tinha vício nenhum. A gente não imagina nunca que de repente possa aparecer uma doença dessas que, de um minuto para outro, desestrutura tudo na vida da gente", relata. O primeiro sinal do linfoma, de acordo com ela, veio por meio de um caroço no pescoço do marido, que logo causou apreensão. Equipe médica que atendeu ao aposentado Vamberto Castro no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Divulgação/HCFMRP "A gente descobriu por um acaso. Ele olhando no espelho viu que tinha um caroço no pescoço e meu filho de imediato já ficou preocupado. Aí a gente já partiu pra procurar os médicos, pra fazer os exames, pra gente tentar descobrir o que estava acontecendo com ele." Quando o diagnóstico confirmou a má notícia, tudo que restou para a família foi correr atrás de alternativas. O prognóstico dado pelos médicos era de que Vamberto teria menos de um ano de vida. As esperanças pareciam esgotadas depois que ele recorreu a quimioterapia e radioterapia e não obteve resultado, até que foi incluído em um protocolo de pesquisa do Centro de Terapia Celular em Ribeirão Preto, onde os médicos testaram a terapia genética inédita no Brasil. Criada nos EUA, a técnica CART-Cell, que consiste na manipulação de células do sistema imunológico para combater as células causadoras do câncer, ainda é pouco acessível, com tratamentos comerciais que podem ultrapassar os US$ 475 mil. Vamberto, de 64 anos, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP "Meu filho foi buscando pra ver se tinha algum tratamento ainda que a gente pudesse usar pra salvar a vida dele, porque tudo que a gente já tinha feito até o momento não tinha surtido nenhum resultado para a cura dele", conta Rosemary. Segundo os médicos, após quatro dias de tratamento Vamberto deixou de sentir as fortes dores causadas pela doença e voltou a andar após uma semana. A recuperação deu uma nova perspectiva de vida para toda a família. "Quando você tem uma doença na família dessa forma que você busca tratamento, busca saída e você não tem, você acaba morrendo com a pessoa. A partir do momento que você descobre um caminho desse, uma luz, você vê: poxa, eu tenho uma chance para viver, é maravilhoso." Segundo Rosemary, desde que descobriu a doença, Vamberto nunca desistiu, mesmo quando tudo parecia desfavorável. "Ele nunca desiste fácil das coisas, então a todo momento até que esse momento ele só dizia: eu quero viver. E graças a Deus a gente conseguiu." Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Terapia inédita Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell, já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Segundo Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, o procedimento um dia poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas isso depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. De acordo com os envolvidos na pesquisa, antes de ser disponibilizado ao Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento precisa cumprir requisitos regulatórios da Anvisa. Um novo estudo clínico deverá incluir mais dez pacientes nos próximos seis meses. Pesquisadora do Centro de Terapia Celular do Hemocentro, em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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10/10 - Brasileiro com câncer terminal terá alta após terapia genética pioneira obter sucesso pela 1ª vez na América Latina
Homem de 64 anos tinha linfoma e tomava morfina todo dia. Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell, que pode custar mais de US$ 475 mil. Vamberto Luiz de Castro, 62, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP/Divulgação Um paciente de 64 anos que tinha linfoma em fase terminal e tomava morfina todo dia deve receber alta no sábado (12) após ser submetido a um tratamento inédito na América Latina. Ele deixará o hospital livre dos sintomas do câncer graças a um método 100% brasileiro baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. Nobel de Medicina 2018 premia americano e japonês por terapia contra o câncer Terapia genética contra o câncer: estudos mostram boas taxas de remissão, mas fortes efeitos colaterais Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está "virtualmente" livre da doença. Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a "remissão do câncer". Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. Essa técnica, ainda recente, foi criada nos EUA, está em fase de pesquisas e é pouco acessível. No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar mais de US$ 475 mil. O paciente submetido ao tratamento no Brasil é o mineiro Vamberto Luiz de Castro, funcionário público aposentado de 62 anos. Antes de chegar ao interior de São Paulo, ele tentou quimioterapia e radioterapia, mas seu corpo não respondeu bem a nenhuma das técnicas. Em um tratamento paliativo, com dose máxima de morfina, o paciente deu entrada em 9 de setembro no Hospital das Clínicas em Ribeirão com muitas dores, perda de peso e dificuldades para andar. O tumor havia se espalhado para os ossos. O prognóstico de Castro, de acordo com os médicos, era de menos de um ano de vida. Como uma última tentativa, os médicos incluíram o paciente em um "protocolo de pesquisa" e testaram a nova terapia, até então nunca aplicada no Brasil. A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer. Terapia genética A estratégia da CART-Cell consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Rápida melhora Segundo os médicos, Castro respondeu bem ao tratamento e logo após quatro dias deixou de sentir as fortes dores causadas pela doença. Após uma semana, ele voltou a andar. "Essa primeira fase do tratamento foi milagrosa", disse ao G1 o hematologista Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp) e do Instituto Nacional de Células Tronco e Terapia Celular, apoiado pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde. "Não tem mais manifestação da doença, ele era cheio de nódulos linfáticos pelo corpo. Sumiram todos. Ele tinha uma dor intratável, dependia de morfina todo dia. É uma história com final muito feliz." Vamberto Luiz de Castro, 62, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP/Divulgação 100% brasileiro Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer. "As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor", disse Cunha. "E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de R$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS." Cunha recebeu, em 2018, o prêmio da Associação Americana de Hematologia (ASH), nos EUA, para desenvolver este estudo no Brasil. Equipe médica que atendeu ao aposentado Vamberto Luiz de Castro no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Divulgação/HCFMRP/Divulgação “É um tratamento caro e que requer um desenvolvimento científico importante”, explica Cunha. No ano passado a agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA), aprovou nos EUA a primeira terapia gênica do mercado para leucemia linfoide aguda. Porém, o tratamento é caro e chega a custar US$ 475 mil dólares. O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que, para o paciente ser atendido no hospital universitário, o encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética. O hematologista Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC, afirma que “esse tratamento foi possível pelo investimento em pesquisa e formação de pessoas feito pela Fapesp e CNPQ ao longo dos anos e que agora se traduz em um tratamento melhor e mais eficaz em casos de linfomas refratários.” Perspectivas para o SUS Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. De acordo com os envolvidos na pesquisa, antes de o tratamento ser disponibilizado para o Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa cumprir os requisitos regulatórios da Anvisa. O chamada "estudo clínico compassivo" continua e deverá incluir mais 10 pacientes nos próximos 6 meses. Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, Covas avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma Covas.
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10/10 - Por que muitas crianças parecem estar eternamente com o nariz escorrendo
A BBC ouviu um bioquímico especialista em vias aéreas para entender por que as crianças ficam sempre resfriadas. Quando a época de frio começa, existe a sensação de que as crianças pegam um resfriado após o outro. Certamente você deve ter notado, especialmente nas crianças menores, um fiozinho amarelado que pende das narinas. Mas por que eles se transformam nessas "máquinas de catarro" que parecem funcionar 24 horas por dia? O problema, diz o bioquímico Cerry Harrop, especialista em vias aéreas, é que "uma criança entra em contato com muitas outras crianças". "E como os vírus estão mudando constantemente, acontece que, enquanto alguém recebe uma versão do vírus que causa o resfriado comum e fica com o nariz escorrendo por alguns dias até que ele passe, entra em contato com outra criança que tem uma versão um pouco diferente do vírus", diz Harrop à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Por serem mais jovens, as crianças também tiveram menos tempo para entrar em contato com uma variedade maior de vírus e fortalecer seu sistema imunológico. Isso significa que, apesar do esforço dos pais para impedir que as crianças adoeçam, "é inevitável que eles continuem pegando resfriado atrás de resfriado". Outra das possíveis respostas é que, nas estações mais frias, as pessoas costumam ficar mais tempo em ambientes fechados, sem ventilação — assim, os vírus também circulam com maior facilidade. No entanto, conforme elas crescem, as crianças adquirem mais imunidade e ficam mais resistentes a resfriados. Por que é importante assoar o nariz? Como Harrop explica, isso não é um problema enquanto o muco está circulando e limpando os germes do corpo. "Embora pareça nojento, o catarro faz seu trabalho." O problema, diz, é gerado quando o catarro não se move. "Se o muco não sair das vias aéreas, a criança pode sofrer inúmeras infecções secundárias." Isso ocorre porque o catarro "é composto de muitas proteínas revestidas de açúcar e esse açúcar é, como o açúcar que conhecemos, pegajoso". "É por isso que ele é infectado pelo vírus. Se não conseguimos tirar o muco do nariz e dos pulmões, podemos sofrer algumas infecções indesagradáveis." Daí a importância de ensinar as crianças a assoar o nariz. Contágio Embora existam muitos tipos de vírus que podem causar um resfriado comum, os rinovírus são os mais comuns. Os vírus podem ser transmitidos por meio de gotículas que permanecem flutuando no ar, quando uma pessoa doente tosse, fala ou espirra. Eles também podem ser transmitidos por contato direto com um paciente ou pelo compartilhamento de objetos contaminados. Eles geralmente duram entre cinco e sete dias, mas podem durar até duas semanas em crianças pequenas.
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