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25/08 - ‘Dor deve ser tratada como doença, e não sintoma’, diz especialista
Pacientes não têm acesso a todos os tratamentos que poderiam garantir uma melhor qualidade de vida Charles Amaral de Oliveira, médico intervencionista de dor e ex-presidente da Sobramid (Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor), é um dos autores do “Tratado de dor oncológica”, uma obra de 1.240 páginas lançada este ano que, na sua opinião, “vem suprir uma lacuna na literatura científica nacional, democratizando a informação para todos os profissionais que lidam com a questão. Além de médicos, psicólogos e enfermeiros, por exemplo”. No livro, a dor é descrita como uma “entidade complexa, subjetiva e sujeita às particularidades de cada indivíduo”. Apesar dos avanços da tecnologia, mesmo nos países desenvolvidos os pacientes de câncer não têm acesso a todos os tratamentos que poderiam garantir uma melhor qualidade de vida. “A dor não é tratada como deveria. Depois de três meses, ela já não é mais sintoma, é a própria doença”, afirma. “No contexto da oncologia, o foco em combater a enfermidade coloca a dor num segundo plano, como se ela tivesse que fazer parte do tratamento, como se fosse algo aceitável e natural no curso da doença”, acrescenta. Charles Amaral de Oliveira, médico intervencionista de dor e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor Divulgação Ele ensina que cerca de 20% dos pacientes de câncer, depois de enfrentar o tratamento, sofrem com dores secundárias quando já estão em remissão. “Quimioterapia, radioterapia, cirurgias e exames diagnósticos podem deixar sequelas, como lesões nos nervos”, explica. Segundo o Inca, 1.2 milhão de brasileiros receberam ou receberão o diagnóstico de câncer no biênio 2018/2019. De acordo com a estimativa de países europeus, não chega a 3% o número de doentes que recebem o tratamento adequado para o controle da dor. No capítulo “Princípios e conceitos da intervenção em dor”, do qual o doutor Charles é coautor ao lado de André Marques Mansano e Fabrício Dias Assis, os dados disponíveis mostram que, desde que a eutanásia foi legalizada na Holanda, 78% das solicitações foram feitas por pessoas com câncer, a grande maioria com dores. No Canadá, estudo feito em um centro de cuidados paliativos constatou que a dor intensa aumenta em 37% a chance de o paciente ter vontade de morrer. “Entre 60% e 70% dos pacientes com câncer sentem algum tipo de dor. Desses, 44% têm dor severa. A estimativa sobe para 70% no último ano de vida nos casos de doença em fase avançada”, diz. Há ainda a polêmica que envolve a prescrição de medicamentos potentes. A epidemia de opioides, que vem custando 60 mil vidas por ano nos Estados Unidos, acabou criando uma “opiofobia” entre médicos brasileiros, que temem que seus pacientes se tornem dependentes. O doutor Charles Oliveira esclarece que temos uma situação completamente diferente: “lá os maiores prescritores de opioides são os profissionais de medicina primária. Como os laboratórios podem fazer anúncios desse tipo de droga, os pacientes já chegam na consulta pedindo uma receita, enquanto aqui a prescrição é controlada. O consumo médio norte-americano é de 700 miligramas per capita/ano, enquanto, no Brasil, é de 3,5mg a 5mg/ano”. Há um arsenal para os intervencionistas da dor, como o bloqueio neurolítico para o câncer de pelve; e a cimentoplastia para metástases ósseas. O paciente com câncer pode ter outras dores associadas e independentes. Um exemplo bastante comum na velhice é a osteoartrite de joelhos. “O controle da dor pode ser feito através do desligamento dos nervos geniculares, que inervam o joelho, por método minimamente invasivo, sem cortes. Com a dor sob controle, o paciente reduz o número de medicamentos, consegue evoluir na fisioterapia e sua qualidade de vida tem um ganho visível”, enfatiza. Infelizmente, a dor não está presente nas aulas dos alunos de medicina. “Em média, são dedicadas 13 horas à discussão do tema nas universidades, e somente agora há alguns cursos que dedicam 100 horas sobre o assunto como uma doença, e não um sintoma. Se o manejo da dor não fez parte da formação do médico, é natural que ele se sinta desconfortável e acabe não prescrevendo de forma adequada”, finaliza.
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23/08 - Nasa diz que 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia brasileira desde 2010
Agência dos EUA disse que suas estatísticas corroboram com as do Inpe e que no Pará e no Amazonas os principais focos estão localizados às margens das rodovias. Queimadas na Amazônia - Foto aérea mostra fumaça em trecho de 2 km de extensão de floresta, a 65 km de Porto Velho, em Rondônia, em 23 de agosto de 2019 Carl de Souza/AFP A agência espacial americana (Nasa) disse que 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia brasileira desde 2010. Segundo texto publicado na noite desta sexta-feira (23) e divulgado em sua conta no Twitter, é "perceptível o aumento de focos de queimadas grandes, intensas e persistentes ao longo das principais rodovias no centro da Amazônia do Brasil". Queimadas e desmatamento estão relacionados na Amazônia O que se sabe sobre a evolução das queimadas na Amazônia Queimadas aumentam 82% em relação ao mesmo período de 2018 Amazônia concentra metade das queimadas em 2019 Initial plugin text "Os satélites são frequentemente os primeiros a detectar os incêndios em regiões remotas da Amazônia", disse Douglas Morton, diretor do Laboratório de Ciências Biosféricas do Goddard Space Flight Center, da Nasa. Segundo os cientistas, a atividade das queimadas na floresta brasileira "varia consideravelmente de ano para ano e de mês para mês", influenciada pelas mudanças econômicas e climáticas. No entanto, a agência espacial explica em seu post no blog "Earth Observatory" que "apesar de a seca ter desempenhado um papel importante na intensificação dos incêndios em outras ocasiões, o momento e a localização das queimadas detectadas no início da estação mais seca de 2019 estão mais ligados ao desmatamento do que à seca regional". Gráfico produzido pela Nasa, com dados dos sensores do Modis, mostra a comparação de focos de queimada em 2019 com os anos de 2012 a 2018 Nasa Considerando a região da Amazônia brasileira, a Nasa diz que em 2019 as detecções de focos ativos de queimadas são as maiores em comparação com qualquer ano desde 2010. "O estado do Amazonas está caminhando para uma atividade recorde de queimadas em 2019". Morton ressaltou, ainda, que as estatísticas distribuídas pela Nasa estão condizentes com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "O Inpe também usa dados de focos ativos registrados pelos sensores Modis da Nasa para monitorar a atividade de queimadas na Amazônia brasileira", disse ele. "Como resultado, a Nasa e o Inpe têm as mesmas estimativas de mudanças nas atividades recentes de queimadas. As detecções do Modis são mais altas em 2019 do que no mesmo período de qualquer ano em todos os sete estados que compreendem a Amazônia brasileira." Focos de queimadas detectados pelos sensores Modis da Nasa entre 15 e 22 de agosto de 2019 Nasa O mapa divulgado nesta sexta (veja acima) mostra os focos de queimadas detectados pelos satélites Terra e Aqua, e apresentados em laranja. Os pontos em branco são cidades, os pontos cinzas representam o Cerrado, e as florestas são as áreas em preto. "Nota-se que as detecções de queimadas nos estados brasileiros do Pará e do Amazonas se concentram em faixas ao longo das rodovias BR-163 e BR-230", diz a Nasa. Imagem de satélite registrada na segunda-feira (19) e divulgada nesta sexta (23) pela Nasa mostra foco de queimada em Novo Progresso (PA) Nasa A Nasa também afirmou que foi possível localizar focos de incêndio próximos de rodovias brasileiras e perto de cidades. A agência divulgou uma imagem de satélite (imagem acima) que mostra o município de Novo Progresso, no Pará. "O município está localizado ao longo da BR-163, uma rodovia que corta o Norte ao Sul e conecta fazendeiros do sul da Amazônia com um porto com acesso ao oceano no Rio Santarém, na Amazônia", explicou a agência. "Pastos e terra cultivada estão aglomerados em torno da rodovia em pedaços de terra retangulares e ordenados", continuou o texto. "Ao oeste da rodovia, estradas sinuosas conectam uma série de minas de pequena escala que se estendem floresta adentro." Como a Nasa mede as queimadas? Desde 2002, a ferramenta principal de detecção da Nasa são os instrumentos do Modis, o Espectroradiômetro de Resolução Moderada de Imagens. Trata-se de um equipamento capaz de medir o comprimento e a onda de luz instalado nos satélites Terra e Aqua; Desde 2003, esses sensores fazem observações diárias ao redor do planeta de anomalias térmicas, que geralmente representam incêndios; Esses dados são processados e representados em um mapa de detecção pelo Firms, o Sistema de Informação sobre Incêndios para a Gestão de Recursos, criado por um programa de ciências aplicadas da Nasa em parceria com a Universidade de Maryland; Segundo a Nasa, o sistema Firms oferece informação quase em tempo real para pesquisadores e gestores de recursos naturais. Dados do Inpe O aumento no número de focos de queimada no Brasil provocou reações internacionais e protestos contra a política ambiental do governo federal. Na manhã desta sexta-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro disse que a "tendência" é que o governo federal envie as Forças Armadas para combater os incêndios na região amazônica. Veja abaixo os principais dados do Inpe: Initial plugin text
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23/08 - Arqueólogos recriam perfume dos tempos de Cleópatra no Egito Antigo
Perfumes mendesiano e metopiano, reconstituídos por pesquisadores, seriam como o 'Chanel n. 5 da época'. Perfumes com mirra eram celebrados no Egito Antigo Pexels Uma fragrância que deixou de ser desfrutada há mais de 2 mil anos voltou a dar o ar da graça no mundo com a reconstituição de um perfume egípcio por pesquisadores. O berço deste aroma do passado é a cidade de Tmuis, no delta do rio Nilo, onde pesquisadores das universidades do Havaí em Mānoa e de Tyumen (Rússia) fazem escavações e estudos há mais de uma década. Os coordenadores do projeto UH Tell Timai, Robert Littman e Jay Silverstein, encarregaram dois especialistas em perfumes do Egito antigo, Dora Goldsmith e Sean Coughlin, de reconstituir fragrâncias a partir de análises químicas de achados arqueológicos e fórmulas preservadas em textos da Grécia Antiga. Os resultados vieram na forma dos perfumes tipo mendesiano e metopiano, os mais desejados naquele período – como o "Chanel n. 5" do Egito Antigo, brincou Littman. Estas fragrâncias têm como material de base a mirra, uma resina extraída de várias espécies de árvores pequenas e espinhosas. "Que emoção, sentir um perfume que ninguém sente há dois mil anos e que Cleópatra poderia ter usado", comemorou Littman em um comunicado à imprensa, fazendo referência à última governante do Egito antes da ascendência dos romanos, que viveu de 69 a.C. a 30 a.C. Os perfumes reconstituídos pelos pesquisadores têm como material principal a mirra Pixabay Goldsmith e Coughlin, pesquisadores na Alemanha, foram mais cautelosos e, em entrevista à BBC Arabic (o serviço de notícias em árabe da BBC), disseram nunca ter reivindicado que o perfume tenha sido usado por Cleópatra. Segundo eles, não há provas disso. "O que dissemos é que nosso experimento é o mais próximo da fragrância original, segundo as práticas científicas atuais", disse Goldsmith, acrescentando que ela e sua equipe continuarão tentando alcançar uma versão mais próxima dos perfumes de Tmuis. Silverstein também falou com a BBC. "Sabemos com certeza que Cleópatra não viveu nesta região do Delta do Nilo, mas ela tinha interesse em perfumes e pode ter usado fragrâncias desta área", explicou. Se não é possível confirmar se Cleópatra usou ou não o perfume há mais de 2 mil anos, pelo menos no mundo de hoje, alguns felizardos – e reles mortais – puderam desfrutar do aroma reconstituído por Goldsmith e Coughlin na exposição da National Geographic Society Queens of Egypt em Washington, a capital americana. 'Fábricas' de perfume do Egito antigo Na primeira fase do projeto UH Tell Timai, escavações revelaram resquícios desta indústria de fragrâncias do Egito Antigo. 'Fábricas' de perfume foram encontradas no local ao longo da última década Reprodução/Facebook/Tell Timai Foi o caso de um vasto complexo de fornos do século 3 a.C. Análises químicas encontraram indícios de que eram usados para fabricar lécitos ou vasos de perfume com argila importada. A descoberta de uma ocupação romana posterior revelou um forno de fabricação de vidro, o que indica a transição do uso da cerâmica para o vidro em recipientes de perfumes. Em 2012, foram encontradas moedas de prata e jóias de ouro e prata perto de um área de trabalho, o que pode indicar que se tratava da casa de um comerciante de perfumes. Atualmente, estão sob análise ânforas antigas encontradas no local de escavação e que podem conter vestígios identificáveis ​​dos líquidos ali produzidos.
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22/08 - Candida auris: o mapa que mostra avanço no mundo de fungo resistente
Identificado pela primeira vez há uma década, este fungo se tornou um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. A maioria das infecções por Candida auris documentadas no mundo aconteceram em ambientes hospitalares Shawn Lockhart O Candida auris, fungo resistente a medicamentos, só foi descoberto há 10 anos, mas é hoje um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. Foram registrados surtos em várias partes do mundo, e pesquisas recentes sugerem que as temperaturas mais altas, provocadas pelo aquecimento global, podem ter levado a um aumento no número de casos. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), é necessária uma compreensão melhor de quem são os pacientes mais vulneráveis ao micro-organismo para reduzir o risco de contágio. Confira abaixo tudo o que você precisa saber sobre o "superfungo": 1.O que é Candida auris? O Candida auris (C. auris) é uma levedura, tipo de fungo, que pode causar infecções em seres humanos. Apesar de ser do mesmo gênero que o fungo Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase, são espécies bem diferentes. A candidíase por C. albicans é uma doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais, e é fácil de tratar. Já a infecção pelo C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. O fungo foi identificado pela primeira vez, em 2009, no canal auditivo de uma paciente japonesa no Hospital Geriátrico Metropolitano de Tóquio. Na maioria das vezes, as leveduras do gênero Candida residem em nossa pele, boca e genitais sem causar problemas, mas podem causar infecções quando estamos com a imunidade baixa ou quando se provocam infecções invasivas, como na corrente sanguínea ou nos pulmões. 2. Que tipo de doença pode causar? O C. auris costuma causar infecções na corrente sanguínea, mas também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele. Essas infecções são geralmente muito graves. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. Auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. É com frequência resistente aos medicamentos comuns, o que dificulta o tratamento das infecções. Além disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infecções, levando a tratamentos inadequados. Isso significa que o paciente pode ficar doente por mais tempo ou piorar. "Vários hospitais do Reino Unido já tiveram surtos que exigiram o apoio da agência de saúde pública do país (PHE, na sigla em inglês)", diz a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL). "O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil", acrescenta. "Os hospitais do NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) que tiveram surtos de C. auris não constataram que (o fungo) tenha sido a causa da morte de nenhum paciente", explicou Colin Brown, microbiologista da agência de saúde pública do país. "A PHE está trabalhando em parceria com o NHS para oferecer atendimento especializado e aconselhamento sobre medidas de controle de infecção para limitar a disseminação do C. auris." 3. Você deve se preocupar em pegar uma infecção? É improvável que você pegue uma infecção por C. auris. No entanto, o risco é maior se você estiver internado em um hospital por um longo período de tempo ou em uma casa de repouso. Além disso, pacientes de unidades de tratamento intensivo têm muito mais chance de contrair uma infecção por C. auris. O risco de ser infectado também é maior se você já tiver tomado muitos antibióticos, uma vez que este tipo de medicação também destrói as bactérias boas que podem impedir a entrada do C. auris. Conforme mostra o mapa, não foi confirmado nenhum caso de infecção no Brasil até agora. Mas como o fungo é difícil de identificar, isso não quer dizer que ele não tenha entrado no país. "Com a globalização e o fato de a doença sobreviver muito tempo em superfícies inanimadas, o risco de a doença chegar ao Brasil é grande", alertou à BBC News Brasil em abril, o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Unifesp e especialista em contaminação com fungos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, cada vez mais países estão relatando casos de infecções por C. auris. A maioria das nações europeias já reportou algum caso. No Reino Unido, cerca de 60 pacientes foram infectados desde 2013. 4. Por que o C. auris é resistente aos medicamentos usuais? A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes. Isso significa que essas drogas não funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medicações fungicidas menos comuns têm sido usadas para tratar essas infecções, mas o C. auris também desenvolveu resistência a elas. Análises de DNA mostram que os genes de resistência antifúngica presentes no C. auris são muito semelhantes aos encontrados no C. albicans. Isso sugere que esses genes passaram de uma espécie para outra. 5. Como as mudanças climáticas podem ser responsáveis ​​pelo alto número de infecções? Um estudo recente, publicado na revista científica mBio, da Sociedade Americana de Microbiologia, indica que as infecções por C. auris podem ter se tornado tão comuns porque essa espécie foi forçada a viver em temperaturas mais altas devido às mudanças climáticas. A maioria dos fungos prefere temperaturas mais baixas encontradas no solo. Mas, à medida que as temperaturas globais aumentaram, o C. auris foi forçado a se adaptar a temperaturas mais altas. Isso pode ter facilitado o desenvolvimento do fungo no corpo humano, que é quente, com temperatura em torno de 36°C e 37°C. 6. O que pode ser feito para reduzir o número de infecções? Uma compreensão melhor de quem corre mais risco de contrair uma infecção por C. auris é o primeiro passo para reduzir o número de casos. Profissionais de saúde precisam entender que pacientes que passam longas temporadas em hospitais, lares de idosos ou que têm o sistema imunológico debilitado apresentam um risco elevado. Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. Às vezes, o fungo é confundido com outras infecções fúngicas, como candidíase comum, o que leva a um tratamento inadequado. Melhorar o diagnóstico vai ajudar a identificar os pacientes com C. auris mais cedo, o que significa oferecer o tratamento correto – prevenindo a disseminação da infecção para outros pacientes. O C. auris é muito resistente e pode sobreviver em superfícies por um longo tempo. Também não é possível eliminá-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns. É importante, portanto, utilizar os produtos químicos de limpeza adequados para eliminá-lo dos hospitais, especialmente se houver um surto.
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22/08 - Como combater a epidemia de cesáreas no Brasil?
Enquanto especialistas defendem parto humanizado e acesso a informação para evitar riscos de cesáreas desnecessárias, projeto aprovado em SP garante a gestantes opção pelo parto cirúrgico no SUS sem recomendação médica. Brasil vive epidemia de cesáreas, segundo levantamentos Hospital Universitário de Jundiaí/Divulgação Na contramão de recomendações internacionais, o Brasil vive uma epidemia de cesáreas com uma taxa de mais de 55% de partos cirúrgicos. O país só perde para a República Dominicana neste ranking. Porém, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas entre 10% e 15% dos nascimentos há a necessidade de uma cesariana por motivos médicos. Em comparação com a Europa, os índices brasileiros também são bastante elevados, até mesmo entre países que lideram esse ranking na região, como a Alemanha, onde há uma taxa de 30,5% de cesarianas, ou o Reino Unido, com 27,8%. Já na França, a cesariana é realizada em 19,6% partos, na Noruega, em 16,1%, na Suécia, em 17,4%, e na Dinamarca, em 19,5%. Essa chamada epidemia de cesáreas é debatida há anos no Brasil. Na semana passada, no entanto, um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo trouxe à tona novamente a discussão sobre a cesariana no país, que, apesar de ter se tornado um procedimento cotidiano em nascimentos, pode trazer complicações tanto para mães quanto para os bebês. Proposto pela deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) e tramitando em regime de urgência, o projeto garante a gestantes a possibilidade de optar pelo parto cirúrgico no SUS, a partir da 39ª semana de gestação, mesmo sem recomendação médica. Aprovado por 58 votos a favor e 20 contra, o projeto ainda precisa ser sancionado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Apesar de na rede pública ainda predominar o parto natural, 40% dos partos ocorrem por meio de cirurgias, índice bem superior do que os até 15% recomendados pela OMS. Na rede privada, o índice de cesáreas chega a 84%. Caso entre em vigor, especialistas temem que a medida impulsione indiscriminadamente o procedimento no SUS no Estado. Para a especialista em saúde da mulher Silvana Granado, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o projeto de autoria da deputada Janaína Paschoal ignora evidências científicas sobre esse procedimento. "Políticas públicas deveriam ser feitas com base em informações técnicas e debates nos diferentes setores. A cesariana é uma cirurgia de grande porte, que, como qualquer outra cirurgia, acarreta riscos e precisa ter indicação clínica", afirma. Medo da dor, falta de informação sobre os riscos de uma cesariana e preferência do próprio médico por cesarianas devido à comodidade de planejar o nascimento e à rapidez do procedimento são alguns dos fatores que ajudam a explicar a banalização do parto cirúrgico e a epidemia de cesáreas no país. Segundo Granado, que também é coordenadora adjunta da pesquisa Nascer no Brasil, o papel do médico é fundamental para a decisão sobre o tipo do parto. "Precisamos desmistificar a ideia de que são as mulheres que escolhem as cesáreas", ressalta. A especialista destaca que a pesquisa Nascer no Brasil, realizada entre 2011 e 2012, mostrou que, na rede privada, apenas 36% das mulheres desejam a cesariana no início da gestação, porém, ao longo do pré-natal, elas foram mudando de ideia de acordo com a assistência que vinham recebendo e, ao final da gestação, a preferência pela cesárea chegava a 67%. 'Ditadura do parto normal' Ao defender o projeto, Janaína Paschoal afirmou haver uma "ditadura do parto normal" na rede pública e usou o argumento da dor e de supostos riscos do parto natural, contrariando estudos existentes. A comunidade científica ressalta que, quando necessária, a cesárea pode salvar vidas de mães e bebês, porém, se realizada sem recomendação médica, apresenta riscos desnecessários tanto para mãe quanto para o bebê. Diversos estudos já indicaram que as cesarianas aumentam o risco de hemorragia e infecções em mulheres, podendo levar à morte. Além disso, aumentam as chances de óbito fetal sem causa aparente em gravidezes futuras e de formação anormal da placenta. Em relação aos bebês, pesquisas recentes mostram que aqueles que nasceram por cesárea apresentam um risco maior de ter infecções, de desenvolver alergias e asma e de sofrer com excesso de peso. Ainda não se sabe como exatamente o nascimento cirúrgico está ligado a essas doenças, porém, pesquisadores têm certeza de que o tipo de parto é um dos fatores que influencia essas enfermidades. Janaína Paschoal também defendeu o projeto como medida para evitar a violência obstétrica sofrida pelas gestantes no SUS. Uma pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2010 revelou que um quarto das mães brasileiras sofreu violência física ou psicológica durante o parto. Parto humanizado Granado reconhece que, ao optar pela cesárea, a mulher fica menos exposta à violência obstétrica. A especialista, porém, destaca que a adoção generalizada do procedimento cirúrgico não é a solução para acabar com esse drama vivido por milhares de gestantes no país. "A solução é a redução das intervenções desnecessárias e a humanização do parto", afirma Granado. Medidas simples, como garantir o direto de ter um acompanhante de sua escolha durante todo o parto e posterior internação, preservar a privacidade da mulher ou utilizar métodos naturais para alívio da dor – incluindo banho quente, alongamento e massagens – já contribuem muito para proporcionar às mulheres melhores condições para o parto. Para reduzir o número de cesáreas, a OMS recomenda, entre outros, um trabalho educacional sobre os tipos de nascimentos, com cursos para mães e casais, treinamentos de relaxamento, e programas para gestantes que sofrem com ansiedade e que têm medo da dor. A organização recomenda ainda a adoção de diretrizes clínicas internacionais para o parto cirúrgico e a exigência de uma segunda opinião médica sobre a necessidade do procedimento. Melhorar as condições do parto natural também são fundamentais para evitar cesarianas, aponta a OMS.
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22/08 - Fumaça de queimadas é ameaça à saúde pública, alertam médicos
Queimadas provocaram aumento no número de pessoas buscando socorro médico, diz diretor de hospital em Rondônia. Fumaça de incêndios florestais ataca pulmões e coração. Pesquisadores brasileiros expuseram células pulmonares à fumaça: em casos extremos, isso levou ao câncer Greenpeace Há quatros dias, Maycon, de 4 anos, está internado no Hospital Infantil Cosme e Damião, em Porto Velho (RO). O motivo é uma crise de asma provocada pela fumaça das queimadas que cobre a cidade desde a semana passada. "No domingo, ele começou a passar mal, ficou com a respiração difícil e falta de ar. Viemos correndo para a emergência e já internaram. Agora ele está melhor, tomando antibióticos e fazendo inalação", conta a mãe do garoto, a dona de casa Maricelia Passos Damásio, de 31 anos. Preocupada com a saúde do filho, ela acrescenta que a médica só não deu alta ainda por conta da continuidade dos incêndios. "Como a névoa de fumaça se mantém muito forte por aqui, ela acha que vamos sair e voltar no dia seguinte." O pequeno Maycon não é o único atingido. As queimadas que destroem áreas verdes do Brasil há mais ou menos duas semanas, sobretudo nas regiões Norte e Centro-Oeste, têm levado muita gente para os centros médicos. No próprio Hospital Infantil Cosme e Damião, que atende a todo o estado de Rondônia, o diretor-adjunto Daniel Pires de Carvalho diz que foram realizados 120 atendimentos de crianças com problemas respiratórios de 1 a 10 de agosto, e 380, de 11 a 20. "Moro em Porto Velho há 20 anos, e esse, com certeza, é o pior período de incêndios. Em alguns dias, não conseguimos nem ver o sol. Isso, aliado ao tempo seco, tem causado muitos problemas de saúde na população", complementa o médico. Por que queimadas prejudicam a saúde? A saúde humana é afetada pelas queimadas porque a fumaça proveniente dela contém diversos elementos tóxicos. O mais perigoso é o material particulado, formado por uma mistura de compostos químicos. São partículas de vários tamanhos e as menores (finas ou ultrafinas), ao serem inaladas, percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente sanguínea. Outro composto prejudicial é monóxido de carbono (CO). Quando inalado, ele também atinge o sangue, onde se liga à hemoglobina, o que impede o transporte de oxigênio para células e tecidos do corpo. "Isso tudo desencadeia um processo inflamatório sistêmico, com efeitos deletérios sobre o coração e o pulmão. Em alguns casos, pode até causar a morte", explica o pneumologista Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara). Consequências da fumaça para o ser humano A lista de problemas provocados pela inalação da fumaça de queimadas florestais é grande. Os mais leves, segundo Carvalho, são dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dificuldade para respirar, dor de cabeça, rouquidão e lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. "Eles variam de pessoa para pessoa e dependem do tempo de contato com a fumaça", comenta. "No geral, ela afeta mais as vias respiratórias, agravando os quadros de doenças prévias, como rinite, asma, bronquite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Os extremos de idade, ou seja, crianças e idosos, são os que mais sofrem, por serem mais sensíveis", comenta. Arbex acrescenta que as queimadas não só pioram, como também desencadeiam essas mesmas enfermidades, assim como as cardiovasculares, insuficiência respiratória e pneumonia. "Além disso, provocam quadros de alergia e, quando a exposição é permanente, há o risco de desenvolvimento de câncer", indica o médico. Por falar em câncer, o estudo "Queima de biomassa na Amazônia causa danos no DNA e morte celular em células pulmonares humanas", de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e publicado em 2017 na revista científica Nature, constatou que a fumaça aumenta a inflamação, o estresse oxidativo e causa danos genéticos nas células do pulmão. A pesquisa concluiu que "o dano no DNA pode ser tão grave que a célula perde a capacidade de sobreviver e morre ou perde o controle celular e começa a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para câncer de pulmão". Para chegar a este resultado, células do pulmão humano foram expostas a partículas de fumaça coletadas em Porto Velho, uma das cidades mais afetadas pelos incêndios na Amazônia, e analisadas em laboratório. É importante destacar que não são apenas as pessoas que vivem próximas às áreas onde são comuns os incêndios florestais que sofrem com a fumaça. Em situação de queimadas mais intensas, como as que o país vive nas últimas semanas, a névoa provocada pelo fogo pode viajar milhares de quilômetros e atingir outras cidades, estados e até países. Inclusive, há indicações de que foi isso o que ocorreu em São Paulo na última segunda-feira (19). Nesse dia, a união de uma frente fria com resíduos oriundos das queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste do país e na Bolívia e no Paraguai fez com que o céu escurecesse no meio da tarde na capital e no litoral paulista. Durante a tarde, nebulosidade escureceu céu no Centro de Santos, SP João Amaro/G1 Para amenizar os efeitos das queimadas na saúde, alguns cuidados são necessários, como evitar, na medida do possível, a proximidade com incêndios, manter uma boa hidratação, principalmente em crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 65 anos, e manter os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas. Também é indicado usar máscaras ao sair na rua, evitar aglomerações em locais fechados, e optar por uma dieta leve, com a ingestão de verduras, frutas e legumes. Fora isso, em caso de urgência deve-se buscar ajuda médica imediatamente. Initial plugin text
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22/08 - 2020 pode ser o ano da tecnologia voltada para a longevidade
Congresso que será realizado em Londres focará nos avanços da ciência na área do envelhecimento Ano passado, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook tiveram 41% do seu faturamento nos Estados Unidos – algo em torno de 150 bilhões de dólares, o equivalente a 600 bi de reais – vinculados ao chamado “mercado da longevidade”. Traduzindo: o público acima dos 50 anos está cada vez mais ativo, presente e sedento de ferramentas e informações voltadas para um envelhecimento saudável. E quando se fala de bem-estar nessa fase da vida, estamos nos referindo a quatro pilares que merecem atenção: físico, mental, social e financeiro. Diante desse cenário, será realizado em Londres, em abril do ano que vem, a segunda edição do Longevity Leaders World Congress. O evento reunirá as maiores autoridades mundiais no campo da longevidade, de cientistas a investidores e CEOs de empresas de seguros. Seus organizadores apostam que 2020 será o ano em que a “age tech”, isto é, a tecnologia a serviço do envelhecimento, ganhará tanta visibilidade quanto as “fintechs”, as startups financeiras que são as queridinhas do mercado. O cientista inglês Aubrey de Grey, um dos participantes do Longevity Leaders World Congress Divulgação O congresso pretende se debruçar sobre um tripé: a ciência do envelhecimento (ageing science) e seu potencial de novos tratamentos que aumentem a expectativa de vida; bem-estar na velhice (ageing well), que inclui os produtos e serviços voltados para este segmento; e os riscos da longevidade (longevity risk), com as métricas do impacto econômico desse processo. Afinal, uma humanidade mais longeva exige saídas para viabilizar que as pessoas tenham a segurança financeira de que precisam. Um dos participantes é Aubrey de Grey, polêmico cientista inglês que trabalha com a proposta de uma medicina regenerativa, capaz de “derrotar” o processo de envelhecimento. Ele esteve na primeira edição, realizada em fevereiro deste ano, e prevê que, em menos de duas décadas, haverá tratamentos capazes de reparar os danos causados pelo passar dos anos antes que se transformem em patologias. Na sua opinião, isso derrubará o que chama de “fatalismo” de imaginar que a idade cronológica avançada de uma pessoa significa que sua vida está perto do fim. “Se não formos nesta direção estaremos condenando um monte de gente a uma morte prematura, e isso para mim é imoral”, diz. Por volta de 2050, haverá no planeta mais gente acima dos 60 do que crianças e jovens entre dez e 24 anos. O poder de consumo dos idosos estará na casa dos 17 trilhões de dólares (a astronômica cifra de quase 70 trilhões de reais), mas o envelhecimento da população mundial terá impacto em todos os setores: trabalho, lazer, finanças, serviços de saúde, educação. As políticas públicas e o mundo dos negócios ainda engatinham quando se trata do tema, mas essa já é uma realidade que demanda ações a serem postas em prática o quanto antes.
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22/08 - Microplásticos estão presentes na água potável, mas riscos para a saúde são desconhecidos, diz OMS
Em seu primeiro relatório sobre o tema, Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir poluição e ampliar pesquisa científica sobre microplásticos no corpo humano. Parte deles pode ser retida por meio do tratamento da água. A redução na poluição com plástico e o tratamento adequado da água podem minimizar o problema dos microplásticos Chesbayprogram/Visualhunt Cada vez mais estudos científicos identificam a presença de microplásticos na água potável, tanto na engarrafada quanto na água de torneira, mas pouco ainda se sabe sobre seus impactos à saúde humana. Em seu primeiro relatório sobre microplásticos na água potável, publicado nesta quarta-feira (21), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que somente a redução na poluição com plástico e o tratamento adequado da água podem minimizar o problema. Os microplásticos são pequenos resíduos que vêm dos mais diversos produtos de plástico. Eles podem ser de vários tamanhos. Às vezes são tão pequenos que podem ser invisíveis a olho nu, mas já se tornaram um dos principais poluentes da água nos rios e oceanos. Segundo a OMS, as partículas maiores, em geral, não são absorvidas pelo corpo humano e acabam sendo eliminadas naturalmente. Por esse motivo, a Organização ainda não vê razões para alarde em relação aos impactos dos microplásticos na saúde humana. Mas isso não significa ignorá-los. Eles podem trazer outros elementos estranhos ao corpo. E ainda não temos conhecimento científico suficiente para saber como o corpo reage a partículas menores, os chamados "nanoplásticos". A OMS recomenda uma ampliação das pesquisas sobre esses plásticos. "Os microplásticos são onipresentes no ambiente e foram detectados em água marinha, esgoto, água doce, na comida, no ar e na água potável, tanto na engarrafada quanto na água de torneira", constata o relatório. Eles caem no ciclo das águas tanto por meio do descarte direto de produtos de plástico em rios e áreas de enchentes quanto pela eliminação de resíduos industriais. Algumas partículas vêm, até mesmo, dos próprios sistemas de tratamento e distribuição de água. Cientistas encontram microplástico no Ártico Riscos à saúde Os estudos realizado até hoje são suficientes para identificar a presença dos microplásticos. Entretanto, a OMS alerta os governos e autoridades de saúde pública para o fato de que ainda faltam métodos adequados e padronizados para analisar essas partículas de plástico e seus impactos. Embora ainda não seja necessário fazer um monitoramento de rotina para a presença de microplásticos na água, de acordo com a OMS, há pelo menos três os potenciais riscos à saúde humana, pois essas partículas são: Um perigo físico para o corpo, pois representam um "corpo estranho" e não fazem parte da alimentação humana normal; Um perigo químico, pois os produtos de plástico contêm elementos químicos que podem ser tóxicos; Um perigo biológico, pois essas partículas podem reter e acumular micro-organismos que fazem mal ao ser humano, como bactérias e fungos, por exemplo. Além disso, a OMS observa que a poluição causada pelo plástico mal descartado tem impactos na qualidade de vida das pessoas, no turismo e pode agravar a poluição do ar. "Se as emissões de plástico no ambiente continuarem nos níveis atuais, em um século pode haver a disseminação dos riscos associados aos microplásticos em ecossistemas aquáticos", diz o texto. Uma forma possível de reduzir a poluição com plástico é "um maior comprometimento público e político", o que já vem ocorrendo em muitos lugares. "Mais de 60 países já taxam ou proíbem o uso de plásticos descartáveis, especialmente as sacolas plásticas", afirma a OMS. Tratamento de água e esgoto Além de reduzir a poluição, a forma mais eficiente de minimizar o problema é intensificar o tratamento de água e esgoto e levá-lo para os lugares que ainda não têm, segundo a OMS. "Onde existem, eles são considerados altamente eficientes em remover partículas com características parecidas àquelas dos microplásticos", afirma o documento. O tratamento de esgoto pode remover mais de 90% dos microplásticos, especialmente se forem utilizadas técnicas de filtragem da água. "Embora estejam disponíveis apenas dados limitados sobre a eficácia da remoção dos microplásticos no tratamento da água potável, esse tratamento se mostrou efetivo na remoção de muito mais partículas, de tamanho menor e em maiores concentrações do que os microplásticos", acresenta a OMS. Entretanto, aproximadamente 67% da população em países de renda baixa e média ainda não tem acesso ao saneamento básico. E 20% do esgoto doméstico não passa sequer por tratamento secundário (aquele que remove, pelo menos, os poluentes sólidos e a maior parte da matéria orgânica). Nesses lugares, mesmo que os microplásticos possam ser encontrados em concentrações maiores nas fontes de água doce e potável, os riscos associados a outras impurezas da água pode ser ainda maior. Embalagens plásticas descartadas de forma inadequada também podem gerar o microplástico ao serem fragmentadas pela ação do tempo Pixabay/Divulgação Ou seja, os micro-organismos ainda são a maior preocupação da OMS quando o assunto é a qualidade da água consumida pelas pessoas. De qualquer forma, "ao resolver o problema maior de exposição à água não tratada, as comunidades podem, simultaneamente, resolver a preocupação menor relacionada aos microplásticos na superfície da água e em outras fontes de água potável", afirma a Organização.
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21/08 - Pesquisa alerta para circulação de superbactérias fora do hospital e uso indiscriminado de antibióticos
Grupo de Ribeirão Preto (SP) encontrou microrganismos resistentes a medicamentos em pessoas que não estavam hospitalizadas. Pesquisadores de Ribeirão Preto encontram superbactérias fora de hospital Um estudo realizado por pesquisadores de Ribeirão Preto (SP) alerta para a circulação de superbactérias fora do ambiente hospitalar e para o uso indiscriminado de antibióticos. A pesquisa, disponível na edição de setembro da revista científica americana Journal of Global Antimicrobial Resistance, encontrou microrganismos da espécie Klebsiella pneumoniae resistentes a três ou mais antibióticos em pessoas com infecção urinária, mas que não estavam internadas. O caso é considerado incomum, segundo o professor de microbiologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), André Pitondo da Silva, que coordena o trabalho há quatro anos com outros seis pesquisadores. As amostras começaram a ser analisadas em 2015 em um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o estudo foi concluído este ano. "[No hospital] os pacientes estão tomando antibióticos, muitas vezes para tratar a infecção ou como profilático, porque às vezes é necessário. Isso acaba selecionando bactérias resistentes dentro do ambiente hospitalar, ou seja, em pacientes que estão internados é esperado que tenham mais bactérias resistentes, porque estão fazendo o tempo todo uso de antibióticos. Já nesses pacientes da comunidade, que é o que a gente publicou nesse artigo, não é esperado que se faça uso constante de antibióticos", diz. Segundo ele, embora não tenha sido possível ter acesso ao histórico médico dessas pessoas, o uso excessivo de medicamentos pode estar associado à ocorrência das superbactérias. "Precisamos realmente tomar cuidado, ter um controle mais rigoroso com o uso indiscriminado de antimicrobianos justamente para que isso não aumente ou pelo menos que não haja uma seleção de bactérias resistentes com o uso indiscriminado de antibióticos", afirma. Além disso, o estudo coloca a necessidade de se dar atenção às práticas adotadas pelos hospitais na liberação de pessoas atendidas com quadro de infecção. Segundo o pesquisador, a hipótese é de que as bactérias foram contraídas quando essas pessoas se encontravam hospitalizadas, mas permaneceram no organismo delas, em sua microbiota intestinal, mesmo após a alta. Colonizados, esses microrganismos podem ficar anos sem se manifestar até que o corpo tenha problemas como baixas imunológicas. As conclusões da pesquisa, no entanto, não apontam para riscos de epidemias em função da circulação das superbactérias, segundo Pitondo da Silva. “Essa bactéria é considerada um patógeno oportunista. É uma bactéria que normalmente não causa doença às pessoas. Ela pode, por exemplo, inclusive fazer parte da microbiota intestinal”, explica. Pesquisa em Ribeirão Preto analisou amostras de pessoas com infecção urinária e encontrou bactérias resistentes a antibióticos André Pitondo Silva/ Divulgação O microbiologista explica que o estudo integra um projeto mais amplo com diferentes universidades que compara bactérias de circulação hospitalar de diferentes regiões brasileiras e países do mundo. Um conjunto de 48 amostras, no entanto, chamou atenção do professor por justamente terem sido obtidas a partir de pessoas que não estavam hospitalizadas na data dos exames, realizados entre março e maio de 2013 em um grande laboratório de análises clínicas que atende pacientes da região de Ribeirão Preto. Isoladas, as bactérias da espécie Klebsiella pneumoniae foram submetidas ao contato com 38 antibióticos para verificar quais delas eram ou não inibidas pela ação dos medicamentos. Além disso, o grupo estudou o sequenciamento genético desses microrganismos. Do total de amostras, 29 - o equivalente a 60,4% delas - eram resistentes a três ou mais antibióticos. Além disso, ficou evidente em 30 delas 73 genes de virulência, que ajudam as bactérias a driblar o sistema imunológico humano. Pesquisadores de Ribeirão Preto isolaram bactérias resistentes a antibióticos André Pitondo Silva/ Arquivo pessoal De acordo com o pesquisador, essas bactérias se enquadram em um conjunto mais amplo de microganismos mundialmente conhecidos por serem resistentes, mutáveis e que se disseminam com frequência dentro dos hospitais. "A maioria das bactérias que estão nesse complexo clonal tem genes de resistência e se espalham facilmente dentro de hospitais. Por isso ficamos surpresos com esses resultados, a gente não esperava tanta resistência." A melhor maneira de evitar a disseminação, defende o professor, é evitando a automedicação e o excesso no uso de antibióticos. "O paciente consegue um antibiótico sem receita médica sem fazer o teste e toma o medicamento errado ou no tempo errado. Aí pode ser que a bactéria seja resistente e vai selecionar mais ainda bactérias resistentes. Isso afeta não apenas as bactérias que estão causando doenças. Afeta nossa microbiota, porque temos bactérias no nosso microrganismo que têm uma função importante principalmente no intestino", exemplifica. Os estudos, segundo Pitondo da Silva, estão sendo ampliados para avaliar a presença de superbactérias nas infecções odontológicas e no esgoto resultante dos hospitais. "A gente quer saber se essas bactérias estão sendo eliminadas do hospital pelo esgoto e se existe a possibilidade de elas caírem em águas que são tratadas e depois liberadas nos rios." Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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21/08 - Israel testa terapias com ecstasy contra estresse pós-traumático
Entre as substâncias ministradas a dezenas pacientes de um programa de recuperação está o MDMA, nome técnico da droga. Vítima de violência sexual, Nachum Pachenick viveu um inferno por 20 anos, preso nos sintomas do transtorno de estresse pós-traumático e incapaz de levar uma existência serena até que experimentou um tratamento com MDMA, a molécula do ecstasy. "Era uma vida cheia de estresse, pressão, nervosismo, ansiedade, fadiga", conta o israelense de 46 anos em sua casa em Sde Boaz, uma colônia não aprovada pelo governo israelense localizada na Cisjordânia ocupada, ao sul de Jerusalém. "É impossível viver assim". Em 2014, Pachenick viu uma saída: passou a participar de testes clínicos para tratar o transtorno de estresse pós-traumático. Entre as substâncias que foram ministradas a ele, bem como a dezenas de outros pacientes, o MDMA. Pachenick participou da segunda fase de uma série de três testes conduzidos em vários países pela Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS). Esta associação da Califórnia espera obter a aprovação da Agência Americana de Medicamentos (FDA) para sua terapia a partir de 2021. Nachum Pachenick no jardim de sua casa, em Sde Boaz Menahem Kahana/AFP Efeitos colaterais Os resultados das duas primeiras fases foram "extraordinários", diz a Dra. Keren Tzarfaty, psicóloga que forma médicos para a MAPS em Israel. "Um ano após o término do tratamento, vemos que 68% das pessoas que receberam uma terapia incluindo MDMA não têm mais transtorno de estresse pós-traumático, ou não são mais definidas como portadoras dessa patologia", afirma Tzarfaty. Essas taxas são ainda mais impressionantes, porque "as pessoas que vieram nos ver tinham tentado de tudo", em vão, observa ela, em sua espaçosa clínica em Hod Hasharon, no centro de Israel. Embora esses testes tenham levantado muitas esperanças no mundo da medicina, alguns advertem que será preciso mais para conhecer com precisão os efeitos dessas terapias, especialmente porque a amostra estudada em Israel - 14 pessoas - é relativamente baixa. Após a publicação em 2018 pela "The Lancet Psychiatry" de um estudo que sugeria ecstasy para soldados traumatizados, os pesquisadores expressaram suas reservas sobre uma generalização da molécula em tratamentos psiquiátricos. Este estudo também destacou a presença em alguns participantes de efeitos adversos conhecidos do MDMA: depressão, ansiedade, dor de cabeça, exaustão, tensão muscular e insônia, entre outros. Esses experimentos também apresentam uma questão ética importante, já que hoje é proibido administrar MDMA, uma substância que alimenta um importante tráfico de drogas. A terceira e última fase de testes para o MAPS começou em meados de 2019. Em Israel, porém, a demanda é muito maior do que os 14 lugares previstos. O sucesso do MAPS levou o Ministério da Saúde a autorizar seus próprios testes para o tratamento baseado em MDMA. Um programa piloto foi aberto para "50 pessoas que sofrem de estresse pós-traumático e resistentes a outras formas de tratamento", explica a dra. Bella Ben Gershon, responsável pelo estudo. Obrigação moral Tzarfaty treinou 30 médicos israelenses para trabalhar nessas terapias, incluindo o MDMA, uma substância criada em 1912 pelos laboratórios alemães Merck. Estes ensaios fazem parte do "renascimento", há uma década, das pesquisas sobre substâncias psicodélicas e seu uso na Psiquiatria. O MDMA reforça o sentimento de comunhão, "remove todas as defesas", observa Ben Gershon. Esta droga desencadeia nos pacientes alegria e empatia, duas emoções que eles precisam para começar a tratar o trauma em psicoterapia, de acordo com Tsarfaty. A maioria dos israelenses que participaram dos testes clínicos sofreu trauma relacionado à agressão sexual. Mas em um país que passou por vários conflitos armados e onde o serviço militar é obrigatório, as taxas de estresse pós-traumático são mais altas do que em outros lugares, observa Ben Gershon. O governo tem, portanto, a obrigação moral de tentar aliviar aqueles que sofrem, diz Tzarfaty. O tratamento experimental se divide em 12 a 15 sessões, sob a supervisão de dois profissionais de saúde, um homem e uma mulher. O MDMA é administrado na forma de pílula em um ambiente controlado e em duas ou três sessões para permitir que os pacientes se abram para si mesmos e para os outros. O ensaio clínico liberou Nachum de seus principais demônios. "O tratamento me colocou de volta nos trilhos, mas, mais profundamente, me levou para casa, para mim", explica. "Estou muito mais calmo hoje, tenho uma família que é muito querida para mim. Antes, tudo era muito instável", contou.
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21/08 - Pesquisadores brasileiros detectam hanseníase resistente ao tratamento padrão no Pará
Estudo identifica maior proporção de bactérias resistentes já encontrada em uma comunidade; especialistas apontam para falta de protocolo do Ministério da Saúde para tratamento de casos que não respondem à medicação convencional. Campanha de combate à Hanseníase é realizada em Resende Divulgação/PMR Uma doença considerada erradicada em grande parte do mundo ainda é um problema de saúde pública no Brasil: a hanseníase tem cerca de 28 mil novos casos registrados por ano no país, que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos pacientes diagnosticados, atrás apenas da Índia. Agora, um estudo recente publicado por pesquisadores brasileiros indica que o problema pode ser ainda mais sério: detectou-se uma existência de bactérias resistentes ao tratamento-padrão em maior proporção do que os números divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Por muitos anos, a OMS dizia que não existia resistência, que a hanseníase é 100% curável. Isso não é verdade", diz Marcelo Mira, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUC-PR e líder do estudo. "Mas, no passado, não tínhamos as ferramentas para detectar isso. A Mycobacterium leprae é a única bactéria que causa a doença em humanos e que não pode ser cultivada em laboratório, em meio de cultura. Só nos anos 90 começaram a surgir os primeiros testes moleculares, que permitem identificar a resistência diretamente no genoma do bacilo", explica. O tratamento-padrão para a hanseníase é a chamada poliquimioterapia (PQT), uma associação de drogas como a rifampicina e a dapsona, remédios para os quais o levantamento testou a resistência. No estudo, os pesquisadores detectaram a maior proporção de cepas resistentes da M. leprae já reportada em uma determinada comunidade: 43,2% dos casos apresentavam resistência a algum dos medicamentos, e 32,4% possuíam resistência dupla. Publicado na "Clinical Infectious Diseases", uma das principais revistas científicas na área de doenças infecciosas, o artigo também contou com pesquisadores do Instituto Lauro de Souza Lima, Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual do Pará (UEPA) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Vila do Prata Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram, ao longo de 12 anos, a população da Vila Santo Antônio do Prata, uma ex-colônia de hansenianos no interior do Pará, situada a 110 km de Belém. Hoje com uma população perto dos 3 mil habitantes, a maioria descendente de pacientes que tiveram hanseníase, a comunidade foi submetida a mais de 600 consultas pela equipe em suas expedições. A localidade, popularmente conhecida como Vila do Prata, foi um dos vários hospitais-colônias abertos no Brasil a partir de 1923, quando pacientes diagnosticados com lepra (o nome da doença na época) passaram a ser internados compulsoriamente. Os chamados "leprosários" contribuíram para aumentar o estigma social em relação à doença: eram locais de isolamento, onde os doentes acabavam apartados da sociedade e, com frequência, permaneciam até o fim da vida - mesmo já tratados e com o contágio encerrado. A Vila do Prata recebeu pacientes dos Estados do Norte e Nordeste do país. Embora o isolamento tenha deixado de ser obrigatório em 1962, a integração dessas comunidades permaneceu rara, tanto no que diz respeito à saída dos habitantes quanto à entrada de novas pessoas. Tratamentos interrompidos, desconhecimento e preconceito em relação à doença também fizeram com que muitas dessas áreas se mantivessem endêmicas. "Ainda hoje, a população local é discriminada pelo fato de ser uma ex-colônia de hansenianos", lamenta Mira, que destaca a importância de vencer o estigma. Para o estudo, o isolamento acabou se revelando importante para compreender como a resistência opera. A hanseníase é uma doença difícil de ser identificada TVCA/Reprodução "É uma população que permaneceu relativamente isolada desde o estabelecimento da colônia e foi submetida a praticamente todos os protocolos de tratamento aplicados nos últimos 100 anos", destaca Mira. "Claro que os resultados devem ser interpretados corretamente: é uma população muito particular, superexposta e supertratada por décadas. Mas os resultados são um importante sinal de alerta, de que ainda sabemos muito pouco sobre o fenômeno da emergência de resistência ao tratamento", ressalta o pesquisador. Por ser uma doença com um tempo de incubação alto, não há o risco de um surto: a proliferação dessas cepas viria gradualmente, como consequência de uma negligência continuada por parte das autoridades. "Em um cenário em que não se preste atenção a esse problema, é provável que daqui a 20 ou 30 anos haja uma hanseníase muito mais resistente disseminada nas populações endêmicas", pontua Mira. Sinal de alerta Para especialistas da área, o estudo se soma às evidências de que a resistência é um problema que ainda não recebeu a devida atenção do poder público. Como a própria OMS subestimava essa questão até os anos 90, as políticas nacionais se movem lentamente no que diz respeito aos tratamentos alternativos à PQT. "O Ministério da Saúde não tem um protocolo padronizado para agir em casos de resistência. Estamos em uma fase em que o ministério ainda faz levantamentos sobre a situação, enquanto a bactéria já está um passo à frente, como sempre", diz Claudio Salgado, pesquisador do Laboratório de Dermato-Imunologia da UFPA e presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), que analisou o estudo a pedido da BBC Brasil. Para Salgado, o combate à doença vive uma espécie de "marasmo" causado por uma percepção errônea de que o problema já foi devidamente controlado. "As pessoas acham que a hanseníase está controlada, e que vai acabar com a melhoria das condições socioeconômicas", aponta. "Mas o trabalho mostra claramente que a bactéria está se desenvolvendo, e temos um percentual cada vez maior de pessoas que respondem menos aos tratamentos convencionais", entende o especialista. "A bactéria não espera. Ela se multiplica e desenvolve resistência aos antibióticos", resume. "Já vimos isso na tuberculose algumas décadas atrás. Ela começou a apresentar os primeiros casos de multirresistência naquela época e hoje, quase metade dos casos são multirresistentes. Com a hanseníase, estamos vendo o início disso", argumenta Salgado. Por ser um campo relativamente recente, a compreensão da resistência ainda é parcial, segundo o presidente da SBH. "O que o estudo traz é uma parte da história, as partes do genoma que nós conhecemos, mas há outras áreas com resistência que ainda não são conhecidas, o que torna o processo mais grave", interpreta Salgado. "Não podemos alarmar a população com promessas de uma epidemia, mas também não se pode empurrar com a barriga achando que está tudo bem. Temos casos de resistência publicados em 2011, agora vemos esses resultados em 2019. O que vamos aguardar? Sair outro trabalho em 2029 para dizer que realmente tem resistência? Precisamos de um protocolo urgentemente". A visão é semelhante à de Marcelo Mira, que reforça a necessidade de uma política alternativa para casos em que o M. leprae já não responde ao tratamento convencional. "Alguns médicos realizam o tratamento com antibiótico específico para casos mais resistentes, mas fazem isso não por uma orientação definida pelo ministério, e sim por entenderem que o protocolo clássico já não funciona", aponta o líder do estudo. "O Ministério da Saúde precisa decidir logo a respeito disso". Procurada para comentar os resultados do estudo, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), órgão responsável pelo monitoramento e políticas relacionadas à hanseníase, não havia retornado os contatos até o fechamento desta reportagem.
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21/08 - Pesquisa da UFRN testa produto à base de casca de maracujá contra a pressão alta
Estudo acontece no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e precisa da participação de voluntários. Produto feito a base da casca de maracujá é testado contra hipertensão na UFRN Cedida Um estudo clínico do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) investiga a eficácia de um produto feito a partir da casca do maracujá no tratamento contra a pressão alta. Em uma das fases da pesquisa, ratos hipertensos tiveram diminuição da pressão arterial e até melhora na função vascular. Agora, os pesquisadores convocam pessoas interessadas em participar como voluntárias nos testes em humanos. Muito usada em dietas de emagrecimento e para diminuição dos níveis de colesterol, a farinha da casca de maracujá é facilmente encontrada em feiras livres e em lojas de produtos naturais, mas sua utilização não é amparada cientificamente. Segundo as pesquisadoras, a proposta do estudo é justamente buscar a comprovação da eficácia e segurança de um produto obtido a partir dela. “O diferencial desse estudo é que foi preparado um extrato da casca, não é apenas a planta seca e moída, vendida na forma de pó. Foram extraídos os metabólitos responsáveis pelo efeito terapêutico, é um extrato concentrado. Por isso, ao contrário do que o mercado oferece atualmente, a ideia é produzir um fitoterápico (medicamento) de fato”, explica a professora Silvana Zucolotto, coordenadora da pesquisa. Os estudos fazem parte do doutorado da aluna Bárbara Cabral, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas e acontecem no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), onde, sob orientação médica do cardiologista Dr. Fábio Mastrocola, os pacientes voluntários serão submetidos a uma série de exames, todos realizados gratuitamente. Para tanto, eles devem ter algumas características: hipertensão leve, não serem usuários de medicamento, além de estarem na faixa etária dos 18 aos 60 anos. Pesquisadoras da UFRN testam produto a base de casca de maracujá em tratamento contra a pressão alta Cedida De acordo com Bárbara Cabral, todos os procedimentos foram seguidos para que a sua pesquisa chegasse a atual etapa de desenvolvimento no Grupo de Produtos Naturais Bioativos, o PNBio. “Estudos realizados nas fases preliminares da pesquisa apresentaram diminuição da pressão arterial e melhora na função vascular em ratos hipertensos. Além da eficácia, também testamos a segurança e os resultados foram positivos. Não foram encontradas alterações em órgãos, nem nos padrões bioquímicos e hematológicos”, relata a pesquisadora. As pesquisadoras ressaltam ainda a importância dos voluntários não estarem usando medicamentos. Interessados em colaborar com a pesquisa como voluntários devem entrar em contato pelos telefones (84) 981160002 e (84) 999851187.
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20/08 - Comissão da Câmara aprova projeto que regulamenta a acupuntura
Texto segue para o Senado e define quem poderá exercer a atividade. Federação diz que decisão beneficia cerca de 160 mil profissionais. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (20) um projeto que regulamenta a acupuntura no Brasil. O projeto tem caráter conclusivo, ou seja, seguirá direto para análise do Senado se não houver recurso de parlamentares para que o plenário da Câmara discuta o tema. Pelo texto, poderão exercer a acupuntura os profissionais: com diploma de nível superior em acupuntura expedido por instituição reconhecida; com diploma de graduação expedido por instituições exteriores (o diploma deverá ser validado e registrado); com diploma de nível superior na área de saúde com título de especialista em acupuntura reconhecido por conselho federal; portadores de diploma de curso técnico em acupuntura expedido por instituição reconhecida; sem diploma que comprovarem exercer a profissão há pelo menos cinco anos sem interrupção. De acordo com a federação que representa a categoria, cerca de 160 mil profissionais que poderão se beneficiar da regulamentação. Como foi a sessão Durante a sessão da CCJ, 20 acupunturistas se manifestaram a favor da aprovação do projeto. Segundo o presidente da Federação dos Acupunturistas do Brasil (FENAB), Afonso Henrique Soares, a decisão representa avanço. Crítico ao texto, o deputado Hiran Gonçalves (PP-RR) argumentou que a acupuntura é uma especialidade médica e precisa de conhecimento adequado para a prática. "Nós estamos tratando aqui, presidente, de uma especialidade médica. [...]. Nós estamos, ao tentar regulamentar a profissão de acupunturista para quem não fez medicina, dando o direito de uma pessoa que não tem conhecimento de anatomia, de fisiologia, de neuroanatomia, de neurologia, enfim, de conhecimento, de pré-requisitos necessários para que se pratique uma atividade que envolve inclusive procedimentos invasivos", disse o deputado. Em resposta, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) defendeu o projeto e argumentou que o consumidor deve avaliar o profissional. "Tem duas óticas de fazer análise deste projeto. A ótica dos médicos e ótica dos pacientes e consumidores. Eu não tenho dúvida que, para os pacientes, é melhor nós aprovarmos esse projeto de lei. [...]. O que nós precisamos é abrir o mercado. Quem define qual é o bom trabalho, qual é o bom profissional, qual é o bom preço, quem tem mais atendimento, é o consumidor, é o cliente", afirmou.
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20/08 - As gêmeas siamesas que não param de surpreender os médicos
Aos 3 anos, as irmãs Marieme e Ndeye superaram previsões e aprenderam até a se movimentar. Médicos acreditavam que Marieme e Ndeye não sobreviveriam BBC Os prognósticos eram os piores. Os médicos não achavam que Marieme e Ndeye iriam conseguir viver por muito tempo. (Assista ao vídeo) Gêmeas siamesas, elas nasceram em maio de 2016, no Senegal, na África Ocidental. São muito poucos os bebês que nascem com essa condição, e a maioria é natimorto ou morre poucos dias depois do parto. Agora com três anos, elas continuam se desenvolvendo e vão entrar numa creche de tempo integral, no Reino Unido, onde vivem com o pai. Em janeiro, cirurgiões chegaram a considerar uma tentativa de separá-las. Mas descobriram que isso seria impossível. Na época, o pai delas, Ibrahima Ndiaye, chegou a ser consultado se tentaria salvar uma das filhas (Ndeye, com o coração mais forte) ou se deixaria as duas morrerem. "Tanto o coração quanto a circulação delas estão completamente interligados. Assim como Marieme tem dependido de Ndeye, Ndeye também depende de Marieme para sobreviver", explica agora a pediatra Gillian Body. A condição das meninas é tida como irreversível e deve limitar a vida delas. Atualmente, Marieme e Ndeye brincam algumas horas por semana com outras crianças e aprenderam a se movimentar. "Eu as coloquei no chão, esperando que se sentassem corretamente, e de repente percebi que estavam se movimentando. Eu disse: 'Oh, Deus, foi isso que pedi todos os dias para acontecer'", contou Ibrahim Ndiaye. Por enquanto, as duas seguem desafiando as previsões.
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20/08 - Amazônia concentra metade das queimadas em 2019
G1 mostra ainda a situação nos estados até 19 de agosto. A Amazônia concentra 52,5% dos focos de queimadas de 2019, segundo os dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Cerrado é responsável por 30,1%, seguido pela Mata Atlântica, com 10,9%. O G1 mostrou que o número de queimadas aumentou 82% em relação ao mesmo período de 2019 - de janeiro a 18 de agosto. Foram 71.497 focos neste ano, sendo que 13.641 ocorreram no Mato Grosso, 19% do total do país. Queimadas em 2019 Arte G1 Nesta segunda-feira (19), a cidade de São Paulo, parte do Mato Grosso do Sul e do norte do Paraná foram afetados pela fumaça que desceu das queimadas no Brasil, e também do Paraguai. A Bolívia, a Argentina e o Peru também têm focos de incêndio. No caso da capital paulista, uma nuvem mais baixa e carregada acabou aumentando a escuridão. O jornal "Abc Color", do Paraguai, noticiou um incêndio que começou durante o final de semana na reserva de mata nativa Três Gigantes, no Pantanal do país. Segundo a Secretária de Emergência Nacional, 70% do fogo, que se arrastou por 21 mil hectares, havia sido controlado até a manhã desta segunda-feira, mas a fumaça ainda era sentida em território brasileiro. Focos por país Dia do fogo No último dia 10 de agosto, grupos do sul do Pará organizaram o "Dia do Fogo". Durante o final de semana, fazendeiros passaram a anunciar as queimadas, revelação do jornal local "Folha do Progresso", da cidade de Novo Progresso. Imagem de satélite capturada pelo Inpe no dia 10 de agosto mostra fogo em Novo Progresso Programa Queimadas/G1 As medições do Inpe confirmaram o pico de queimadas (veja imagem acima). Novo Progresso, junto com o município de Altamira, liderou o número de focos durante aquele final de semana. As duas cidades também estão entre as mais atingidas neste mês. Mato Grosso O pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, diz que as queimadas na região do Mato Grosso são comuns, mas "neste ano queimam mais do que em anos anteriores". O calor e o clima seco contribuem para espalhar o fogo, que é causado, segundo ele, por ação humana não-intencional ou criminosa. "As medidas feitas por satélites são um excelente indicador do volume do fogo que está na vegetação. Temos consciência plena de que há um aumento no Mato Grosso" - Alberto Setzer, Inpe O Corpo de Bombeiros do estado está sobrecarregado. São 1,4 mil militares no Mato Grosso, sendo que 22 dos 141 municípios têm base dos bombeiros. Como o G1 mostrou acima, já são mais 13 mil focos de janeiro a agosto. "É humanamente impossível atender todas as ocorrências que chegam, se tivermos de 30 a 40 queimadas urbanas em um dia, por exemplo. Vamos atendendo até quando o efetivo der", afirmou o major Antônio Marco Guimarães ao G1 Mato Grosso. Mato Grosso enfrenta a pior temporada de queimadas em sete anos Amazônia e Cerrado O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que não é um órgão do governo, publicou uma nota técnica a respeito das queimadas na Amazônia. O Ipam afirma que o “fogo é um elemento comum na paisagem rural brasileira” e que “na Amazônia não é diferente”. O órgão também diz que as chamas costumam estar “diretamente relacionadas à ação humana”. De acordo com Setzer, tanto na Amazônia quanto no Cerrado o fogo é utilizado para a expansão da fronteira agrícola e também para a manutenção de áreas que já foram desmatadas. "No Cerrado, você tem um ponto que é muito importante ser mencionado e que muitas vezes causa confusão. O Cerrado é uma vegetação naturalmente adaptada ao fogo. Ela, na verdade, precisa do fogo para a sua manutenção. Se você não tiver fogo, as sementes não vão germinar, as espécies vão desaparecer". Segundo ele, o "fogo natural" do Cerrado ocorre com a ocorrência de raios, com uma frequência muito menor do que as queimadas causadas pelo homem.
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20/08 - Homem recusa cirurgia bariátrica e perde 89kg em dois anos
Britânico Jason Anderson tinha pressão alta, diabetes e apneia do sono grave. Homem recusa cirurgia bariátrica e perde 89kg em dois anos Reprodução/BBC O britânico Jason Anderson tinha pressão alta, diabetes e apneia do sono grave. A última opção do seu médico foi levá-lo a uma clínica para obesos. "Estava à beira da morte, muito doente. Já tinha desistido. Não sabia o que fazer", diz ele à BBC News. "Queriam colocar um anel gástrico, mas eu disse que não, queria fazer sozinho", acrescentou. A partir de uma mudança alimentar e uma rotina pesada de exercícios, que incluía até os fins de semana, ele perdeu 89 kg em dois anos e sua saúde melhorou. "É estranho me olhar no espelho. Tive que fazer terapia para isso. Não reconhecia aquela imagem", conta. "Tenho minha vida de volta, tenho um futuro. Não tinha isso antes, estou nas nuvens", completa. Assista ao vídeo.
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20/08 - Brasil registra casos de sarampo em 88 cidades de 11 estados
Nos últimos 90 dias, foram 1.680 casos e, no ano, 1.845. Ministério diz que a doença já afeta SP, RJ, PE, GO, PR, MA, RN, ES, BA, SE e PI. BEM ESTAR: Infectologista tira dúvidas sobre o sarampo O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (20) que o Brasil tem 1.845 casos de sarampo confirmados até 18 de agosto. Nos últimos 90 dias, período em que houve o aumento expressivo no contágio, foram 1.680 casos. A pasta divulgou uma nova recomendação: todos os bebês entre seis meses e menos de ano devem tomar uma "dose extra" da vacina (leia mais abaixo). No balanço anterior, havia 1.388 casos confirmados, o que aponta um crescimento de 32% no total de casos confirmados desde o dia 14. Ao todo, já há registros em 88 cidades de 11 estados. O Ministério da Saúde afirma que a doença já afeta São Paulo, Rio, Pernambuco, Goiás, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Piauí. Distribuição dos casos - últimos 90 dias O sarampo é uma doença extremamente contagiosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. A transmissão pode ocorrer por meio da fala, tosse e/ou espirro. O quadro de infecção pode ser grave, com complicações principalmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico debilitado. Nova recomendação A pasta divulgou uma nova recomendação: todas as crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias devem receber uma dose adicional, a chamada “dose zero”. A recomendação vale para todo o país, e deve alcançar 1,4 milhão de crianças. O ministério ressalta que essa dose não substitui ou elimina a necessidade de tomar as demais que integram o calendário nacional de vacinação. Antes, o reforço era indicado somente para aquelas que fossem viajar para municípios com surto da doença no país. De acordo com o ministério, o grupo formado pelas crianças menores de 1 ano é o mais afetado pela doença. Casos por faixa etária São Paulo e a disseminação O Ministério da Saúde apontou ainda que houve uma dinâmica de disseminação do sarampo a partir de São Paulo, estado com o maior número de casos. O período que teve a explosão da transmissão está compreendido entre 25 de maio (semana epidemiológica 21) até 10 de agosto (semana epidemiológica 32). O mapa abaixo, que considera esse intervalo, mostra o fluxo da disseminação a partir de São Paulo: Dinâmica da transmissão do sarampo a partir de SP; ministério diz que quadro se intensificou a partir da semana epidemiológica 21, no começo de junho.' Rodrigo Cunha/Arte G1 De acordo com o ministério, há um planejamento para compra da vacina. A estimativa da pasta é que seja necessário aplicar uma média de 2,5 milhões de doses por mês considerando as ações de rotina, ações de bloqueio, doses adicionais e doses para as pessoas que precisam ser vacinadas nesse momento. BEM ESTAR: Sarampo: quem pode tomar a vacina?
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20/08 - Nasa prepara fase final de missão para explorar oceano de Europa, lua gelada de Júpiter
Acredita-se que, sob uma espessa camada gelada, a lua Europa tenha um corpo d'água de 170 km de profundidade, que talvez possa conter condições adequadas para desenvolvimento biológico. Ilustração mostra como será a missão da Europa Clipper, que tentará determinar se a lua de Jupiter pode ter condições de abrigar vida Divulgação/Nasa Cientistas responsáveis por uma audaciosa missão ao oceano da lua Europa receberam o aval da Nasa, a agência espacial americana, para a fase final de design e construção da aeronave. O objetivo é chegar ao gelado satélite do planeta Júpiter, considerado um ponto importante de pesquisas sobre a possibilidade de vida extraterrestre. A missão Europa Clipper busca investigar "se ela (lua de Júpiter) tem condições adequadas para abrigar vida, aprimorando nossos conhecimentos sobre a astrobiologia", afirmou a Nasa. Acredita-se que, sob sua camada gelada, Europa tenha um corpo d'água de 170 km de profundidade, que talvez possa conter condições adequadas para desenvolvimento biológico. Prevista para ser lançada em 2025, a Europa Clipper agora ultrapassa o estágio chamado de Ponto-chave Decisório C, considerado crucial para alcançar o estágio de lançamento. "Estamos animados com a decisão, que coloca a missão Europa Clipper um passo mais perto de desvendar os mistérios desse mundo oceânico", afirmou Thomas Zurbuchen, administrador-associado do projeto na Nasa. Desafiando a radiação A missão pretende confirmar se as interações gravitacionais com Júpiter geram forças de ondas e calor - responsáveis por manter líquido o oceano lunar. Esse aquecimento, talvez, inclusive, cause uma vazão vulcânica no leito da lua. Na Terra, esse sistema de vazão é responsável por permitir uma ampla variedade de formas de vida. Mas foram necessárias décadas para que a missão Clipper chegasse ao estágio atual, por seus custos e os desafios da exploração espacial ao redor de Júpiter. O caminho orbital da Europa a leva por cinturões de radiação intensa que estão ao redor do planeta gigante. Essa radiação destrói componentes eletrônicos, fator que limita a duração de missões a meses ou mesmo a poucas semanas. Europa tem um vasto oceano debaixo de sua camada de gelo Divulgação/ Nasa/JPL-Caltech/Seti Institute Por isso, em vez de orbitar Europa, a missão Clipper vai fazer diversos voos próximos a essa lua, para reduzir sua exposição às partículas energéticas do campo magnético de Júpiter. A espaçonave da missão carregará nove instrumentos científicos, incluindo câmeras e medidores para produzir imagens de alta resolução da superfície lunar, um magnetômetro para medir a força e direção desse campo magnético (dando pistas sobre a profundidade e salinidade do oceano de Europa) e um radar de penetração no gelo. A camada de gelo pode ter dezenas de quilômetros de espessura. Mas os cientistas estimam haver diversas maneiras de a água do oceano subir até a superfície de Europa. Nos últimos anos, o telescópio espacial Hubble fez observações experimentais de formações de gelo em erupção abaixo de Europa, assim como na Enceladus, lua gelada de Saturno que também tem um oceano subterrâneo. Os primeiros esboços das missões para explorar Europa foram concebidos na década de 1990, na época em que dados da espaçonave Galileo ajudaram a reunir indícios de um oceano subterrâneo. Desde então, no entanto, as propostas de exploração acabaram frustradas. Mas a Europa Clipper teve uma peça-chave no Congresso americano: o legislador republicano John Culberson, que preside o comitê da Câmara dos Representantes dos EUA que financia a Nasa e canalizou dinheiro para a missão. Uma missão com pouso de robôs em Europa chegou a ser proposta, mas o pedido de orçamento federal mais recente não incluiu financiamento para essa alternativa.
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20/08 - 'Tive câncer de ovário aos 14 anos'
Médicos encontraram tumor com mais de 5 kg no ovário de adolescente de 14 anos, que chegou a desconfiar que estava grávida. Kelliyah fez exercícios físicos, virou vegana e chegou a pensar que estava grávida ao perceber o quanto sua barriga crescia BBC Quando Kelliyah, de 14 anos, começou a sentir fortes dores abdominais, ela inicialmente imaginou que a causa fosse um excesso de bebidas com gás e falta de exercício. Ela viveu com os sintomas persistentes durante semanas antes de ir para o hospital. Assim que chegou à unidade de saúde, os médicos encontraram um tumor do tamanho de uma abóbora e, em 24 horas, Kelliyah foi diagnosticada com câncer de ovário. O tumor encontrado pelos médicos pesava mais de 5 kg. O que é câncer de ovário? Um dos tipos mais comuns de câncer em mulheres - cerca de 7.500 novos casos são diagnosticados por ano no Reino Unido - o equivalente a 20 por dia. 80% dos casos afetam mulheres com mais de 50 anos. As taxas de sobrevivência são melhores para as mulheres mais jovens, mas elas dependem de quão avançado está o câncer quando ele é diagnosticado. Não há testes de triagem e rastreio confiáveis para detectar o câncer do ovário, em comparação com os do colo do útero, intestino e mama, porque os sintomas podem ser difíceis de interpretar. "Minha barriga ficou muito grande, mas eu pensei que estava engordando", diz Kelliyah, de Londres. "Comecei a fazer exercícios, subir ladeiras, fazer flexões, mas nada funcionava." "Então, virei vegana, mas minha barriga estava ficando cada vez maior", conta. "Minha mãe disse: 'Deixe-me tocar sua barriga', e, sem brincadeira, foi como se eu estivesse grávida." "Depois daquilo, comecei a sentir muita dor. Era como se algo estivesse me cutucando por dentro, e eu não conseguia comer nada." 'Eu queria ter contato com alguém' A médica oncologista ginecológica da University College London, Adeola Olaitan, diz que "a chance de uma mulher ter câncer de ovário é de cerca de uma em cada 50". "É mais comum em mulheres que não tiveram filhos, mulheres que fizeram tratamento para infertilidade, aquelas que não tomaram a pílula anticoncepcional combinada, que protege, e mulheres que não amamentaram." Médicos encontraram tumor com mais de 5 kg no ovário de adolescente de 14 anos BBC Kelliyah se esforçou para encontrar informações online sobre seu diagnóstico e como isso afeta mulheres e meninas mais jovens. "Comecei a ver muitas mulheres - de 40, 38 anos - eu pensava, tipo 'não sou velha, por que não há adolescentes?' Eu queria ter contato com alguém ", diz ela. "Alguns jovens têm vergonha de dizer que têm câncer e falar sobre isso. É um assunto muito sensível." Kelliyah está agora em remissão - fase da doença em que ela não apresenta atividade-, mas deve fazer check-ups a cada três meses pelos próximos cinco anos. Ela ainda pode ter filhos, mas enfrenta a possibilidade de uma menopausa prematura. "Isso me fez perceber que tudo pode acontecer e que você deve aproveitar cada pequena coisa na vida", diz ela. "Eu quero fazer tudo agora, agora, agora - o tempo não espera por ninguém." Julgamento A mãe de Kelliyah, Ashley Avorgah, também está preocupada com estigmas de saúde em algumas comunidades. "Eles veem isso como um constrangimento", diz ela. "Há uma falta de comunicação dentro da minha comunidade quando se trata de doença. Eles não querem que ninguém os julgue." A taxa de diagnóstico de câncer de ovário em mulheres com menos de 25 anos no Reino Unido aumentou em 85% entre 1993-95 e 2014-16, mas o número total ainda é baixo - há cerca de 140 casos por ano. "No câncer de ovário, a falta de diagnósticos pode ser agravada pelo fato de que é um câncer particularmente raro nessa faixa etária e pode ser difícil de detectar porque os sintomas são muitas vezes semelhantes a outras doenças durante um período", Ben Sundell, da Teenage Cancer Trust. Um medicamento para tratar casos avançados de câncer de ovário foi aprovado para uso em pacientes recém-diagnosticados na Inglaterra em julho de 2019. Um estudo com mostrou que ele poderia retardar a progressão da doença em três anos.
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20/08 - Poeira de explosão estelar é encontrada na neve da Antártica, diz estudo
Astrônomos da Alemanha e da Áustria analisaram 500 kg de gelo e identificaram resíduos que não são típicos da superfície terrestre. Provavelmente caíram sobre a Terra após uma 'supernova'. Animação da Nasa ilustrando uma explosão supernova. NASA/SOFIA/Symbolic Pictures/The Casadonte Group Um grupo de pesquisadores alemães e austríacos encontrou poeira no gelo da Antártica que, segundo eles, veio de uma explosão estelar. Esse tipo de explosão, chamado "supernova", ocorre no momento da morte de uma estrela. O astrofísico nuclear Dominik Koll afirmou à rede de TV americana CNN nesta terça-feira (20) que os detritos viajaram "bilhões de bilhões de quilômetros pelo espaço e têm milhões de anos". A descoberta foi divulgada em um artigo na revista "Physical Review Letters", em 12 de agosto. O que é uma supernova Segundo a definição da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), uma supernova ocorre quando uma estrela massiva perde combustível para continuar queimando. Ela esfria, e isso faz com que sua pressão interna caia. Também diminui a gravidade e a estrela entra em colapso. "Imagine algo que tem um milhão de vezes a massa da Terra colapsar em 15 segundos", explica a Nasa. Essa explosão emite uma enorme quantidade de poeira e de gás. Imagem da estrela Eta Carinae capturada pelo telescópio Hubble, da Nasa. NASA, ESA, N. Smith (Universidade do Arizona) e J. Morse (BoldlyGo Institute) Portanto, o que esse grupo de cientistas europeus encontrou foram resíduos de uma explosão desse tipo. Esses materiais ficam viajando pelo espaço até encontrar outro corpo contra o qual colidir -- neste caso, a Terra. Poeira extraterrestre "A Terra é constantemente bombardeada com poeira extraterrestre, contendo informação de valor imenso sobre os processos extraterrestres", diz o estudo. Os astrônomos analisaram 500 kg de neve da Antártica e encontraram tipos de resíduos que não são típicos da superfície da Terra. Eles perceberam isso por meio da análise no teor de ferro. Eles acreditam que essa poeira tenha caído sobre a Terra em algum momento nos últimos 20 milhões de anos. Conforme Koll explicou à CNN, a Antártica foi escolhida para a pesquisa justamente por ser uma região praticamente intocada do planeta, onde seria possível encontrar elementos ainda não estudados pela ciência.
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20/08 - Os chips que podem revolucionar a pesquisa médica e diminuir uso de animais de laboratório
A tecnologia substituirá os seres vivos, reduzindo a necessidade de animais de laboratório, inspirando curas para doenças raras e oferecendo até uma forma de ressuscitar espécies em extinção. Ken-Ichiro Kamei segura um dos seus 'corpos em um chip' Rachel Nuwer/BBC Quando Ken-Ichiro Kamei, engenheiro da Universidade de Kyoto, sai para beber com seus amigos, ele geralmente leva consigo um de seus "corpos em um chip". Quando o tema do trabalho inevitavelmente surge, ele pega o chip – que se parece a uma lâmina de laboratório, com minúsculos canais cobertos por uma camada de silicone – e declara: "Faço estes dispositivos para recriar humanos e animais". Reações de surpresa inevitavelmente surgem. "É como se eu fosse um mágico e meus amigos me pedissem para fazer truques", Kamei ri. Kamei está na vanguarda de um novo campo da biotecnologia que busca replicar órgãos, sistemas e corpos em formato de chips. Enquanto experimentos bioquímicos realizados em placas tradicionais são estáticos e isolados, os chips usados por Kamei têm um sistema de canais, válvulas e bombas que permitem interações mais complexas - a ponto de poderem imitar a fisiologia de um sistema vivo. Reconhecendo o potencial que tais chips têm de revolucionar a pesquisa médica, o Fórum Econômico Mundial apontou os "órgãos em chips" como uma das dez tecnologias emergentes mais importantes de 2016. Mas se chips especializados imitam determinados tecidos ou órgãos, Kamei e seus colegas pretendem imitar animais inteiros. "É bastante ambicioso", admite. 'Corpo em um chip' pode ajudar a salvar espécies. skeeze/Pixabay Kamei constrói seus próprios chips em laboratório, usando um cortador a laser e uma impressora 3D. Para operá-los, ele adiciona tecidos celulares em seis câmaras conectadas a microcanais. Em seguida, conecta microbombas pneumáticas a um controlador para criar um circuito. Isso permite a Kamei e a outros pesquisadores testar a eficácia e os efeitos colaterais de novos medicamentos, desenvolver a medicina personalizada com base nas células de indivíduos específicos e entender melhor a base de diversas doenças. Em um experimento, por exemplo, Kamei e seus colegas colocaram no chip células saudáveis do coração e células cancerosas do fígado. Eles então adicionaram doxorrubicina, uma droga de combate ao câncer conhecida por causar efeitos colaterais tóxicos no coração, mas cujo mecanismo de toxicidade era desconhecido. Os pesquisadores descobriram que a droga não causou diretamente o dano cardíaco; o subproduto metabolizado pelo fígado o fez. Abastecimento de células Tais experimentos requerem um amplo abastecimento de várias células. Isso não teria sido possível sem o trabalho de Shinya Yamanaka, pesquisador de células-tronco da Universidade de Kyoto que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina em 2012. A honraria foi concedida por sua criação das células-tronco pluripotentes induzidas (iPS, na sigla em inglês). "As células iPS podem se proliferar muitas e muitas vezes fora do corpo, enquanto outros tipos de células-tronco não podem", diz Kamei. "Além disso, as culturas celulares usadas anteriormente eram provenientes de apenas uma pessoa, o que não era útil para estudar doenças genéticas ou de outro indivíduo". Os 'corpos em um chip' não só têm o potencial de melhorar a medicina, como também podem ser ferramentas para a conservação animal Rachel Nuwer/BBC Como o próprio nome indica, as células iPS indiferenciadas podem ser induzidas a partir de praticamente qualquer tipo de célula no corpo. Os genes codificadores – ou "fatores Yamanaka" – reprogramam células em estado embrionário. Elas podem se tornar qualquer tipo de célula, incluindo espermatozoides e óvulos para tratamentos de fertilidade, ou quaisquer outras para testes farmacêuticos. Como a maioria das tecnologias biomédicas, as células iPS e os chips, como os usados por Kamei, foram criados tendo em mente os humanos, não os animais. Mas ambas as tecnologias têm potencial de contribuir para a conservação de espécies e do bem-estar animal. As células iPS poderiam ser usadas, por exemplo, para sintetizar carne em laboratório, aliviando o tratamento desumano dado ao gado e o impacto ao meio ambiente causado pela agricultura; ou para criar produtos a partir de espécies ameaçadas, satisfazendo a demanda do mercado sem matar animais selvagens. Como nos seres humanos, os chips também abrem uma porta para se estudar e entender melhor a vida selvagem - e, dessa forma, protegê-la. "Muitos cientistas estão entusiasmados com as possibilidades de essas tecnologias serem benéficas em um contexto mais amplo do que a aplicação médica em humanos", diz Oliver Ryder, diretor de conservação genética do Instituto de Pesquisa da Conservação de San Diego (EUA) e sócio de Kamei no projeto "corpo em um chip". "É muito bom que, dentro de um contexto de interesses compartilhados, essa pesquisa possa desempenhar um papel importante na conservação dos animais", acrescenta Ryder. Equipe checa a temperatura corporal de um coelho na preparação do animal para um teste de droga em um laboratório de Tianjin, na China. Os 'corpos em um chip', que imitam a fisiologia humana, podem testar os efeitos de novas drogas, substituindo animais de laboratório Reuters/Stringer Foi o bem-estar animal, e não a conservação, que originalmente levou Kamei a olhar para além da medicina humana. Enquanto estudava ratos de laboratório na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ele simpatizou com os roedores. "Eu me perguntava por que precisávamos usar camundongos para estudar os humanos?", lembra. "Ficava intrigado pensando como poderia ajudar esses animais". Ele não está sozinho. Testes em animais estão saindo de moda em indústrias e universidades em todo o mundo. Em 2009, a União Europeia proibiu a prática em sua indústria de cosméticos e, em 2013, os legisladores ampliaram a norma para incluir todos os cosméticos vendidos na UE, independentemente de onde fossem produzidos. Chips com tecidos humanos podem reduzir a necessidade de testes em animais - um ganho duplo, já que ratos, coelhos e macacos nem sempre reagem a um medicamento ou produto da mesma maneira que as pessoas. Por causa disso, os chips que imitam o corpo humano, diz Kamei, são considerados "um dos principais candidatos como alternativas a testes em animais". Os humanos, claro, não são as únicas espécies que sofrem de doenças, e as células iPS e as tecnologias de chip podem acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos médicos para os animais também. Um número significativamente menor de pessoas estuda doenças de animais em comparação com as humanas, e há menos recursos disponíveis para apoiar esses estudos. A versatilidade da vida selvagem dificulta ainda mais a criação de curas específicas para doenças. Além disso, as espécies ameaçadas tendem a ser escassas, e as leis muitas vezes proíbem capturá-las, mesmo que isso ajude cientistas a entender sua saúde e doenças. "Se pudermos criar órgãos de animais em extinção, poderemos entender como esses órgãos funcionam e como protegê-los de infecções", diz Miho Murayama, diretora do Centro de Pesquisa da Vida Selvagem da Universidade de Kyoto. "Isso seria muito útil, porque não podemos experimentar com eles como fazemos com ratos". Os cientistas que trabalham no Cazaquistão ainda têm dificuldade de entender por que 200 mil antílopes saiga - 60% da população mundial - repentinamente morreram de uma infecção bacteriana em 2015. Já pesquisadores da Tasmânia (Austrália) têm trabalhado há anos para tratar uma forma horrível e contagiosa de câncer do rosto que vem ameaçando a sobrevivência dos demônios da Tasmânia. Os gorilas são outro excelente exemplo: eles são notoriamente propensos a ataques cardíacos - mas ninguém sabe por quê, e ninguém foi capaz de dar uma solução para tal. "Se pudermos imitar os ataques cardíacos do gorila dentro do 'corpo em um chip', poderemos identificar que tipos de drogas e tratamentos poderão ajudá-los", diz Kamei. "Esse tipo de teste seria benéfico não apenas para animais em extinção, mas também para animais de estimação e gado". Possibilidades infinitas Oliver Ryder acrescenta que, além dos chips, as células iPS abrem um conjunto aparentemente infinito de possibilidades para a conservação de espécies. "Se a diversidade genética puder ser estocada e restaurada ao transformarmos as células em animais ou ao usarmos tecnologias celulares para restaurar a variação genética, haverá menos risco de extinção", diz ele. "É incrível poder investigar as possibilidades desse tipo de tecnologia". Ryder é um dos coordenadores no mais conhecido desses projetos: um esforço internacional para salvar o rinoceronte branco do norte - uma subespécie de rinoceronte branco reduzida a apenas dois indivíduos vivos no mundo. O plano é usar amostras congeladas de tecidos de indivíduos mortos para criar células iPS. Uma forma contagiosa e transmissível 'parasitária' de câncer pode extinguir diabo-da-tasmânia nas próximas décadas Getty Images As células iPS seriam, por sua vez, transformadas em óvulos e espermatozoides para gerar embriões viáveis e geneticamente diversificados que seriam implantados no rinocerontes brancos do sul. Embora seja um começo ambicioso, Ryder aponta que esta é a única esperança de salvar a subespécie da extinção. E, independentemente do sucesso do projeto, provavelmente ele abrirá caminho para esforços similares no futuro. Essa tecnologia, acrescenta Miho Murayama, também pode acelerar nossa compreensão da biologia e da evolução. Murayama e colegas estudam, por exemplo, como os hormônios e os neurotransmissores, como a serotonina, afetam o comportamento animal e como os genes estão por trás do comportamento. Hoje ela se debruça sobre a análise genômica de animais específicos para fazer isso. Mas comparações lado a lado, em tempo real, de células vivas seriam mais eficientes. Os chips de células iPS feitas a partir da informação genética de algumas das 600 espécies que ela coletou nos últimos anos permitiriam esse trabalho. "Não temos nem informações básicas sobre muitos animais silvestres", diz Murayama. "Nosso objetivo é conectar dados de campo e de laboratório para entender melhor as espécies". Os desafios para a realização de tais metas são muitos, no entanto. Entre eles, a fórmula para a criação de células iPS difere de espécie para espécie. O que funciona para um rinoceronte não necessariamente funcionará para um chimpanzé ou uma águia. Além disso, depois que as células iPS são produzidas, o processo de diferenciação para vários tipos de células pode variar por espécie, assim como as condições de cultura necessárias para as células se proliferarem e prosperarem. Hitomi Tabata e Tomoka Hirayama, estudantes da Escola Hiroo Gakuen, em Tóquio, descobriram isso na pele quando tentaram criar células iPS de elefantes. As jovens, que vislumbram uma carreira na pesquisa médica, escolheram esses animais porque eles dificilmente desenvolvem câncer e isso abriria possibilidades de tratamento. Mas, durante a pesquisa, as alunas se inteiraram sobre a caça ilegal de elefantes na África. Dezenas de milhares de animais foram abatidos na última década por criminosos atraídos por seus chifres de marfim. Elas então perceberam que seu projeto voltado para a saúde também poderia dar uma solução para a conservação: cultivar o marfim em laboratório a partir das células iPS. "Achávamos que se a diferenciação em marfim fosse bem-sucedida, ajudaria a aumentar a população de elefantes", afirmou Tabata. Presas de marfim apreendidas são exibidas antes de serem destruídas, em Port Dickson, na Malásia. Cientistas esperam produzir marfim cultivado em laboratório, apresentando uma fonte legal e alternativa dos produtos Mohd Rasfan/AFP Tabata e Hirayama conseguiram criar células-tronco pluripotentes de camundongos, mas quando chegou a hora de fazê-lo com elefantes, elas se depararam com um problema. As cópias do p53 de elefantes, o gene responsável pela resistência da espécie ao câncer, também tornaram as células dos elefantes resistentes à reprogramação. "Esse gene funciona resistindo ao ou reduzindo o ciclo celular, o que significa que é mais difícil criar células iPS", explicou a estudante Hirayama. Ainda assim, ela e Tabata planejam continuar tentando inativar o p53 e mudar a forma como introduzem o fator Yamanaka - pelo menos até a formatura, em março deste ano, quando elas esperam que alunos iniciantes assumam o projeto. Kamei concorda que o p53 é um grande obstáculo - mas que, como todos os desafios da ciência, vale a pena tentar superá-lo. "Não estou dizendo que é impossível, mas é quase impossível reprogramar as células do elefante por causa do p53", diz ele. "Se for possível, no entanto, quero fazê-lo". O projeto mostra, pelo menos, como os "corpos em um chip" podem ajudar a introduzir jovens cientistas na pesquisa genética. Por enquanto, Kamei criou um modelo de rato de "corpo em um chip" e está perto de criar zebras-de-grevy, cujas células chegaram ao laboratório graças às conexões de Murayama com o zoológico de Kyoto. Golfinhos e cavalos são os próximos da lista. "Cada espécie tem obstáculos, mas todas também trazem temas interessantes para se estudar", continua o pesquisador. "Se minha pesquisa for útil a pessoas que trabalham em zoológicos ou com animais, isso é ótimo". Ele acrescenta que seus objetivos vão ainda mais longe - literalmente além dos limites dos problemas terrestres, até o espaço. Nos EUA, o Centro Nacional para o Avanço da Ciência Translacional e o Laboratório Americano da Estação Espacial Internacional criaram o projeto "Chips de Tecido no Espaço" para testar os efeitos do espaço nas células e nos órgãos humanos. Kamei acredita que eles têm o mesmo valor em garantir que os animais possam fazer uma transição suave para um eventual futuro pós-Terra. "Os seres humanos não serão os únicos a ir para o espaço - animais de estimação e gado também", diz Kamei. "Eu não vou a Marte, mas meu sonho é ajudar aqueles que o farão".
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20/08 - Anvisa conclui consulta pública sobre plantio de maconha medicinal com 554 contribuições
A agência esclarece que não precisa do aval do governo ou Congresso para regulamentar o cultivo de 'Cannabis sativa' para fins medicinais e científicos. Liberação ainda depende de decisão final da diretoria colegiada. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol Kimzy Nanney/Unsplash A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 554 contribuições no processo de consulta pública sobre a possibilidade de liberar o plantio de Cannabis sativa para fins medicinais no Brasil. O prazo para enviar contribuições terminou na segunda-feira (19). A pedido do G1, a agência esclareceu que, ao final desse processo de análise, sua decisão não precisa ser confirmada pelo governo federal ou pelo Congresso. A próxima etapa é a análise dessas participações pelos diretores da Anvisa, que tomarão juntos uma decisão final sobre o tema. A agência aprovou, em junho, duas propostas para regulamentar o plantio de maconha no país, caso o processo seja concluído com a liberação. O canabidiol, substância extraída da cannabis, deixou de ser proibido no Brasil em 2015, para uso em tratamentos e pesquisa científica. Mas, até o momento, o plantio não é permitido. Entenda as propostas sobre o cultivo de maconha no Brasil 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa Contribuições da consulta pública Ao G1, a Anvisa informou que: "Após o encerramento das consultas a equipe técnica vai analisar todas as contribuições e consolidá-las em um relatório de acesso público." Sobre as contribuições recebidas pela Anvisa é possível afirmar que: 92% delas vêm de pessoas físicas, e o restante de pessoas jurídicas; 30% das contribuições foram emitidas no estado de São Paulo; 61% dos que colaboraram se apresentam como "cidadão ou consumidor" do canabidiol; 83% das contribuições é do tipo opinativa, ou seja, apresentam-se a favor ou contra a resolução que aprovaria o plantio da cannabis. Depois da elaboração de um relatório com as contribuições da consulta pública, a diretoria colegiada da agência marca uma sessão pública, com pauta e data que serão previamente divulgadas, para deliberar sobre o tema. Embora governo seja contra, Anvisa pode decidir sozinha Em diversas ocasiões, o governo federal sinalizou posição contrária à liberação do plantio de cannabis, mesmo que para fins medicinais. Em nota ao G1, a Anvisa esclareceu, no entanto, que faz parte de suas atribuições legais decidir sobre a fabricação e o controle de medicamentos. Por isso, a decisão da Anvisa, neste caso, não precisa ser reiterada pelo governo nem pelo Congresso Nacional. "O processo normativo se encerra na Anvisa, já que se trata de uma atribuição legal dada à Agência dentro das competências referentes à regulamentação da fabricação e controle de medicamentos. Isso porque a consulta trata da produção de cannabis para a fabricação de medicamentos industrializados e o fornecimento exclusivo para instituição de pesquisa ou fabricante de insumos farmacêuticos ou de medicamentos", afirma a agência. Em entrevista à rádio CBN na sexta-feira (16), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não é contrário à importação do canabidiol nem à sua formulação em medicamentos ou tratamentos de saúde no Brasil. Porém, segundo Lorenzoni, permitir o plantio da maconha no país pode "abrir as portas para a legalização das drogas". Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta? Em audiência que debatia a regulamentação da maconha para fins medicinais no Brasil, em 10 de julho, também o ministro da Cidadania, Osmar Terra, declarou que a liberação do plantio da cannabis estimula o "consumo generalizado" de drogas. "Se não se controla com a proibição, imagina controlar no detalhe? É o começo da legalização da maconha no Brasil", disse. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) também se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. Eles pediram a revogação e o cancelamento da abertura de consulta pública sobre o tema. Propostas têm restrições ao plantio As resoluções da Anvisa manteriam a proibição do plantio de maconha para fins recreativos. Além disso, a autorização para cultivo só seria para pessoas jurídicas – empresas e entidades do terceiro setor, por exemplo. A proposta prevê muitas restrições no cultivo, desde a segurança do local do plantio, manipulação, armazenamento, transporte, distribuição e descarte. O canabidiol vem sendo importado e já é bastante usado no tratamento de várias doenças. Porém, entre as dificuldades em sua utilização, estão a demora para o transporte do produto, que pode levar meses para chegar dos Estados Unidos ou da Europa, e seu custo elevado – em alguns casos uma caixa pode custar mais de R$ 3 mil. O que há de verdade e exagero sobre os benefícios do canabidiol Diretoria Colegiada da Anvisa avalia propostas de consulta pública para aprovação do plantio de maconha no Brasil Rafaella Vianna/TV Globo As duas propostas da Anvisa foram aprovadas em votação unânime pelos quatro diretores da área técnica da agência, após reunião colegiada. O passo seguinte foi a abertura de uma consulta pública sobre o tema, que acabou de terminar. A primeira proposta é de uma resolução que regulamenta os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da cannabis para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos.
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20/08 - Lições portuguesas sobre cuidados paliativos
Desde 2012 a população daquele país tem acesso a esse tipo de atendimento, que alivia a dor e melhora a qualidade de vida do paciente Na quinta-feira passada, acompanhei a abertura do I Congresso de Cuidados Paliativos do Rio de Janeiro. O médico Paulo Reis Pina, professor assistente da Universidade de Lisboa e diretor da unidade de cuidados paliativos Domus Fraternitas, em Braga, deu uma aula sobre a experiência portuguesa nesse campo. Naquele país, pela Lei 52/2012, todos têm acesso ao atendimento, mas ele afirma que a qualidade deste ainda não está totalmente disseminada: “não se pode achar que o cuidado paliativo se restringe à infusão de opioide ou morfina. Em doses erradas, pode ser o mesmo que uma eutanásia ativa”. Apaixonado pelo que faz e um evangelizador da relevância desse tipo de atendimento, o doutor Paulo Pina diz que faz questão de usar o termo no plural, “porque os cuidados paliativos são muitos, mas o que prefiro é a expressão medicina paliativa, porque não se trata de algo alternativo, e sim de ciência: selecionamos e validamos fármacos, ajustamos doses. Esta é uma especialidade tão relevante quanto as demais”. O médico Paulo Reis Pina, professor assistente da Universidade de Lisboa e diretor da unidade de cuidados paliativos Domus Fraternitas, em Braga Divulgação Portugal tem oito escolas de medicina e, apesar da legislação prever o acesso ao atendimento, o médico é crítico em relação à formação dos alunos: “74% nunca estiveram numa unidade de cuidados paliativos e a maioria ainda vê a especialidade como uma ferramenta a ser usada apenas no fim da vida, o que é um equívoco”. A associação é frequente, como se essa fosse uma abordagem terapêutica reservada ao paciente em seu leito de morte. No entanto, cuidados paliativos abrangem tudo o que pode ser oferecido à pessoa que tenha uma doença fora de possibilidade de cura, com o objetivo de melhorar a qualidade da sua existência – que pode se estender por muito tempo. Vai do controle de sintomas como dor, náusea e vômito até a ansiedade e o medo, passando pela comunicação com a família do doente. De acordo com o doutor Pina, outro objetivo a ser alcançado é capilarizar o serviço, que ainda está concentrado na rede hospitalar, estendendo-o às comunidades – boa parte dos pacientes poderia ser tratada em casa. Para a plateia que lotou o evento, deixou um recado: “vejo que há um encantamento com os cuidados paliativos, mas preparem-se, porque esse é um mundo de sofrimento e de dor. O que fazemos é validá-lo, lhe dar acolhimento”. Logo em seguida, o geriatra André Filipe Junqueira dos Santos, presidente nacional da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), traçou um panorama das políticas públicas existentes por aqui. O Brasil dispõe de uma resolução, de outubro de 2018, estabelecendo que os cuidados paliativos devem integrar a RAS (Rede de Atenção à Saúde). É apenas o primeiro passo. Há 177 serviços no país, de acordo com o último levantamento, realizado em 2018. No entanto, 103 estão na Região Sudeste e 74% em hospitais, reforçando a prática de este ser um atendimento voltado para o fim da vida. O geriatra André Filipe Junqueira dos Santos, presidente nacional da Academia Nacional de Cuidados Paliativos Divulgação “No Brasil, há 300 faculdades de medicina, mas no máximo umas 20 apresentam os cuidados paliativos em seu currículo. Todo profissional de saúde deveria saber acolher e dominar o manejo de cuidados paliativos, que deveriam estar integrados à atenção primária da população”, ressaltou, lembrando que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 40 milhões de pessoas demandam esses cuidados por ano, mas 86% delas não recebem o atendimento devido e 83% não são beneficiadas com o alívio da dor.
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20/08 - Queimadas aumentam 82% em relação ao mesmo período de 2018
Número de focos é o maior de janeiro a agosto em 7 anos. Nesta segunda-feira, junção de frente fria com fumaça amazônica fez o 'dia virar noite' em São Paulo, Mato Grosso do Sul e norte do Paraná. As queimadas no Brasil aumentaram 82% em relação ao ano de 2018, se compararmos o mesmo período de janeiro a agosto – foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 no ano passado. Esta é a maior alta e também o maior número de registros em 7 anos no país. Os dados são do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerados com com base em imagens de satélite. Nesta segunda-feira (19), o "dia virou noite" em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e no norte do Paraná. Por volta das 15h, uma forte névoa escura cobriu a capital paulista, deixando a cidade no breu. Especialistas ouvidos pelo G1 explicaram que uma frente fria com ventos marítimos originada do Sul do Brasil trouxe uma nuvem do tipo stratus, mais baixa e carregada. Junto a isso, a fumaça originada das queimadas da floresta amazônica nos estados do Norte foi potencializada com focos em outros países da América Latina. Dia vira noite durante a tarde desta segunda (19) em São Paulo Cinco estados tiveram um maior aumento no número de queimadas no Brasil desde o início do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado: Mato Grosso do Sul, com uma alta de 260% em relação a 2018; Rondônia, com 198%; Pará, com 188%; Acre, com 176%; e Rio de Janeiro, com 173%. Se tomarmos como base apenas o número, Mato Grosso é líder, com 13.641 focos, o que representa 19% do total nacional. Nas últimas 48h (contadas até 19 de agosto), o Brasil teve 5.253 focos de queimadas detectados pelo sistema do Inpe. Bolívia, Peru e Paraguai seguem com 1.618, 1.166 e 465, respectivamente. No sábado (17), o aeroporto internacional de Viru Viru, na Bolívia, chegou a ser fechado devido à baixa visibilidade. JORNAL NACIONAL: Mato Grosso enfrenta a pior temporada de queimadas em sete anos Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, disse que apesar da alta no número de incêndios, a chegada da fumaça da região Norte ao Sudeste não é um fenômeno raro. Ele fala que o pôr do sol um pouco mais avermelhado é um dos sinais, mas em menor intensidade do que foi visto nesta segunda-feira. O pesquisador também explica que o El Niño tem um efeito que aumenta a estiagem, mas não causa o aumento das queimadas. O fenômeno ajuda a aumentar a "espalhar o fogo". "Elas [queimadas] são todas de origem humana, umas propositais e outras acidentais, mas sempre pela ação humana. Para você ter queimada natural você precisa da existência de raios. Só que toda essa região do Brasil central, sul da Amazônia, está uma seca muito prolongada, tem lugares com quase três meses sem uma gota d’água" - Alberto Setzer Queimadas e fumaça no dia 19 de agosto de 2019 Rodrigo Cunha/G1 "Não é a toa que o aeroporto lá na Bolívia fechou, que os hospitais estão lotados de gente com problemas de respiração", disse Setzer. O pesquisador lembra um caso similar de descida da fumaça ocorreu em 9 de agosto deste ano, mas que não atingiu tanto a cidade de São Paulo. Os dados do Inpe também apontam o número de Unidades de Conservação e Terras Indígenas que sofrem com as queimadas: são 32 e 36, respectivamente. Os incêndios florestais também atingiram outras parte do mundo em julho: a agência espacial americana (Nasa) aponta mais de 2,7 milhões de hectares na Sibéria; na Espanha, o sistema de monitoramento Copernicus, apoiado pela agência espacial europeia (ESA), registrou a pior série de incêndios florestais em 20 anos. Fumaça sobre a Bolivia em 18 de agosto de 2019 Inpe/Reprodução
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19/08 - Mulher dá à luz trigêmeos nos EUA e relata que não sabia que estava grávida
Dannette Giltz deu entrada no hospital em 10 de agosto com suspeita de dores nos rins, mas apenas lá descobriu que estava, na verdade, em trabalho de parto. As bebês Blaze, Gypsy e Nikki. Reprodução/Facebook/Dannette Giltz Uma mulher de Dakota do Sul, nos EUA, deu à luz trigêmeos sem saber que estava grávida. Segundo a agência Associated Press, Dannette Giltz teria dado entrada no hospital em 10 de agosto com fortes dores abdominais. "Achei que as dores que sentia eram pedras nos rins, que eu já tive antes", disse Giltz à rede CNN. Giltz, que já era mãe de outras duas crianças, disse ao canal de televisão não fazer ideia de que poderia estar com 34 meses de gravidez. Ao todo, o parto das pequenas durou quatro minutos, e cada uma pesou quase 2 kg. Sem saber que estava grávida, jovem dá à luz sozinha dentro de casa em Pirenópolis Sem saber que estava grávida, auxiliar de limpeza dá à luz em shopping de São José, SP As recém nascidas foram batizadas Blaze, Gypsy e Nikki. "Você nunca vê casos de trigêmeos sendo concebidos de maneira natural e menos ainda sem dar nenhum sinal. Ninguém pôde acreditar. Nós ainda estamos em choque", disse Giltz.
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19/08 - Uma em cada sete crianças de 5 anos não está imune ao sarampo no Reino Unido
Agência de saúde pública alerta que a cobertura vacinal da segunda dose está em apenas 87,4%, quando deveria ser 95%. Vacina tríplice viral também protege contra caxumba e rubéola. Vacina contra o sarampo Marcelo Camargo/Agência Brasil Centenas de milhares de alunos devem voltar às aulas após as férias de verão no Reino Unido, mas uma em cada sete crianças de cinco anos de idade podem não estar imunizadas contra o sarampo. O alerta foi feito nesta segunda-feira (19), pela agência de saúde pública do país, a "Public Health England" (PHE). Sarampo: tire dúvidas sobre a vacina disponível no SUS Sarampo: você está em dia com a sua vacina? Na cidade de Londres, o problema é ainda maior: uma em cada quatro crianças deixaram de tomar a vacina tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola. Embora no país a cobertura da primeira dose da vacina esteja acima dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para a segunda dose, o índice do país está bem abaixo do ideal: 87,4%. No Reino Unido, a primeira dose da vacina geralmente é dada aos 12 meses de idade. A segunda dose é aplicada antes de as crianças irem para a escola, aos 3 anos e 4 meses de idade. Numa situação normal, duas doses da vacina são suficientes para que uma pessoa esteja protegida contra o sarampo. Em casos de surto, os governos podem recomendar uma terceira dose de reforço - como ocorreu no Brasil. O Reino Unido tem 680 mil crianças com 5 anos que devem começar as aulas em setembro, das quais 30 mil ainda não receberam nem a primeira dose da vacina. Outras 90 mil ainda precisam receber a segunda aplicação.
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19/08 - Vampirismo: a doença fatal que matou centenas de pessoas
Registros do início do século 18 mostram como o exército austríaco teve que lidar com 'vampiros' que ameaçavam moradores na Europa Oriental. O vampirismo se tornou uma questão grave de saúde no século 18 LoganArt/Visualhunt O que é vampirismo? Pela definição do dicionário, é "a conduta de alguém que age como um vampiro". No imaginário popular, pode significar ressuscitar dos mortos para vagar à noite com uma capa preta, usando os caninos longos e afiados para morder o pescoço de vítimas e sugar seu sangue. Atualmente, os vampiros são encontrados apenas em livros, filmes e séries de televisão. Mas, quando o termo apareceu pela primeira vez, o cenário era bem diferente. A origem do termo Os vampiros sugiram no início do século 18 na fronteira da Áustria com a Hungria. Embora desde os tempos mais remotos, divindades, bruxas, fantasmas e outras variedades de demônios que sugavam o sangue humano tenham feito parte do imaginário de quase todas as culturas, várias fontes afirmam que a palavra "vampiro" foi escrita pela primeira vez em 1725, no relatório de um médico do exército do Sacro Império Romano-Germânico. Após a vitória contra o Império Otomano em Petrovaradin (1716) e o Cerco de Belgrado (1717), que levaram à assinatura do Tratado de Passarowitz, a Áustria anexou grandes extensões da Sérvia ao seu território. E, ao chegar às terras dos povos eslavos, os austríacos se depararam com relatos sobre essas estranhas criaturas, das quais nunca tinham ouvido falar antes. O relatório Em um período de oito dias, nove pessoas morreram subitamente na cidade de Kisilova, após terem recebido supostamente a visita noturna de um homem chamado Petar Blagojević, que teria mordido as vítimas e chupado seu sangue. O problema é que Blagojević estava morto e havia sido enterrado 10 semanas antes. Os moradores pediram permissão então para exumar seu corpo e, no papel de nova autoridade local, o superintendente austríaco Frombold acompanhou o procedimento. No relatório que enviou para Viena – o mesmo em que escreveu a palavra "vampiro" –, ele descreveu o que viu: "O rosto, as mãos e os pés, e todo o corpo estavam tão bem constituídos, que não poderiam ter estado mais completos em sua vida. Com espanto, vi um pouco de sangue fresco em sua boca, que – de acordo com os relatos – havia sido sugado das pessoas mortas por ele... assim, ao ser perfurado, um monte de sangue, completamente fresco, também jorrou de seus ouvidos e boca, e aconteceram outras manifestações que não descrevo por respeito." Como era costume na região, eles cravaram uma estaca no coração do cadáver e cremaram o corpo. Uma 'epidemia' Um jornal em Viena publicou a notícia, e o fenômeno se espalhou pela região. Em poucos anos, o vampirismo parecia ter se tornado uma epidemia na Europa Oriental. O imperador enviou equipes de cirurgiões militares para realizar autópsias e investigar o que estava acontecendo. Esses especialistas constataram, por sua vez, que os casos eram notavelmente consistentes. Pesquisadores da área médica publicaram dezenas de artigos e livros sobre o assunto. O vampirismo se tornou então uma condição reconhecida, testemunhada por um grande número de pessoas, que apresentava sinais e sintomas característicos, como cadáveres com sangue fresco correndo em suas veias e vísceras; sangue ao redor da boca, "por ter se alimentado"; pele rosada; corpos volumosos, etc. Tema quente Ironicamente, o vampiro ocidental surgiu em plena Era da Razão. O século 18, conhecido como "Século das Luzes", foi palco do Iluminismo, movimento que pregava o uso da luz da razão contra as trevas da ignorância. Neste contexto, os vampiros eram um tema que despertava calorosos debates na Europa. Teólogos argumentavam que os vampiros eram seres físicos que demonstravam a existência de uma vida após a morte. Filósofos, por outro lado, se preocupavam com o fato de que as evidências disseminadas sustentando a existência de vampiros lançassem dúvidas sobre o valor do testemunho e de testemunhas oculares. Até mesmo o filósofo francês Voltaire se manifestou sobre o assunto, quando em 1764, questionou: "O quê?! Em pleno século 18 existem vampiros? "São cadáveres que deixam seus túmulos à noite para chupar o sangue dos vivos, seja em suas gargantas ou seus estômagos, e depois retornam aos seus cemitérios." "Enquanto as vítimas empalidecem e são consumidas, os cadáveres que sugam o sangue ganham peso, ficam rosados e desfrutam de um excelente apetite." "É na Polônia, na Hungria, na Silésia, na Morávia, na Áustria e na Lorena que os mortos se divertem tanto." "Nunca ouvimos uma palavra sobre vampiros em Londres, nem sequer em Paris." "Admito que nas duas cidades há corretores da bolsa e homens de negócios que sugam o sangue das pessoas em plena luz do dia; mas, embora corrompidas, não estão mortas. Esses verdadeiros vampiros não vivem em cemitérios, mas em palácios." O que estava acontecendo? Mas como explicar a epidemia de uma doença mortal que não existe? Alguns pesquisadores atribuem o fenômeno a grandes traumas e decepções, outros à alimentação, ao uso acidental de drogas que causam alucinações e a doenças altamente contagiosas. Outras teorias fazem referência à presença de substâncias químicas incomuns na terra que afetavam a decomposição dos corpos. De fato, a origem de algumas características descritas pelos médicos legistas da época poderia ser precisamente a decomposição. É importante lembrar que, no passado, não era comum observar o processo de putrefação dos corpos, uma vez que eram fonte de contaminação. Hoje sabemos que o rigor mortis (rigidez cadavérica) passa, por isso a flexibilidade de muitos "vampiros" surpreendia a quem os desenterrava. Em alguns cadáveres, o sangue coagula, mas se liquefaz novamente. Os gases no abdômen aumentam a pressão à medida que o estado de putrefação avança, forçando os pulmões para cima e, algumas vezes, expulsando o tecido em decomposição da boca e das narinas. O inchaço provocado pelos gases bacterianos após a morte explica por que os corpos parecem roliços e saudáveis, e também os "gemidos sonoros" que alguns mortos soltavam quando as estacas eram encravadas em seu coração ou estômago. O vampiro aristocrata Um século depois, um médico inglês chamado John Polidori escreveu o primeiro romance sobre vampiros em inglês. Ele transformou o vampiro em um aristocrata, abrindo caminho para o clássico de Bram Stoker, Drácula, publicado 78 anos depois. A imagem da criatura elegante que povoa hoje em dia o imaginário popular se deve a Polidori, Stoker e a dezenas de contos sobre vampiros vitorianos. Mas vale lembrar que o tema foi analisado pela primeira vez por médicos, políticos e filósofos.
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19/08 - Escova de dentes normal ou elétrica: qual é a melhor?
Muitas pessoas desconfiam das escovas elétricas porque, apesar de serem recomendadas por muitos profissionais, há muita publicidade das fabricantes e o preço é mais salgado, se comparadas às escovas manuais. Vale a pena a despesa? A única maneira de evitar cáries e periodontite – uma infecção das gengivas – é com boa higiene bucal Pixabay/Divulgação Quem nunca se perguntou que tipo de escova de dentes é melhor para a saúde bucal: manual ou elétrica? A questão é importante porque a cárie dentária e a periodontite – infecção das gengivas – são as doenças bucais mais comuns no mundo e podem até levar à perda de dentes. Em ambas as doenças, a causa é o acúmulo de placas bacterianas, camadas incolores de bactérias e açúcares que aderem aos dentes. E a melhor maneira de se prevenir é uma boa higiene bucal, principalmente pela escovação dos dentes. Então, voltando à pergunta original, o que é melhor para a higiene bucal, uma escova elétrica ou uma manual? Vinai Pitchika e sua equipe na unidade de periodontologia da Universidade Médica de Greifswald, na Alemanha, monitoraram mais de 3 mil pessoas por 11 anos para avaliar cáries, doenças nas gengivas e taxas de perda dentária, avaliando o impacto de longo prazo do uso de escovas de dente elétricas e manuais. Eles dizem que, para realmente evitar cáries e periodontite, é necessário ter um método adequado de escovar os dentes. "Muitas pessoas na idade adulta parecem não ter técnicas adequadas para escovar os dentes", diz o especialista. "As escovas elétricas podem ajudar as pessoas a escovar melhor e realmente remover placas e ter uma melhor saúde bucal." O problema é que muitas pessoas desconfiam das escovas elétricas porque, apesar de serem recomendadas por muitos profissionais, há muita propaganda das fabricantes em torno delas. E o preço podem ser bem mais alto que o das escovas manuais. Os preços vão de R$ 30 para os modelos mais básicos a mais de R$ 600 para os que têm todos os tipos de "recursos". Isso tem impacto na saúde bucal? "Quanto mais dinheiro você gasta em sua escova de dentes elétrica, mais recursos ela terá", diz o Dr. Pitchika. "Por exemplo, eles podem ter níveis de configurações de 'limpeza', 'vibração', 'pressão' ou informam quando parar de escovar. Mas tudo isso é realmente mais um luxo do que uma funcionalidade essencial." No estudo, os pesquisadores descobriram que os participantes que usam escovas elétricas têm menos cáries, menos periodontite e menos perda dentária. "O que descobrimos é que estas pessoas não precisavam ter uma técnica adequada para escovar os dentes, porque a escova faz isso por eles", diz Pitchika. "A melhor maneira de usar a escova elétrica, por mais básica que seja, é movê-la lentamente de um dente para outro. Mas você precisa se certificar de cobrir toda a superfície dos dentes." Os preços das escovas elétricas podem variar de US $ 10 para modelos mais básicos, até US $ 150 ou mais, para pincéis que tenham todos os tipos de recursos Pixabay Técnica adequada Mesmo assim, existem algumas circunstâncias específicas em que pode ser mais conveniente usar uma escova manual. Uma deles, por exemplo, é após uma cirurgia bucal, quando há pontos ou uma área dolorida. Nesse caso, uma escova manual com cerdas ultramacias permite uma escovação mais suave, na qual o usuário pode controlar a velocidade e o cuidado com o qual ele limpa a área sensível. E, para aqueles que continuam a desconfiar dos modelos elétricos e preferem continuar usando as escovas manuais, qual a melhor técnica? "A escova deve ser colocada em um ângulo de 45º em direção à interseção da gengiva e do dente e, então, você deve iniciar um movimento lento e curto, primeiro horizontalmente e, depois, verticalmente." O especialista enfatiza que, assim, toda a superfície dos dentes serão atingidas: interna, externa, superior e inferior, para limpar não só o dente, mas também as superfícies entre cada dente e a intersecção entre a gengiva e o dente, onde a maioria das bactérias geralmente fica. "Demora algum tempo de prática para aperfeiçoar a técnica", diz Pitchika.
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19/08 - ‘Quer receber conselhos que não pediu? Fique grávida’
Resposta sarcástica de Jaclene Paolucci a uma estranha, que questionou seu estilo de vida na gestação, repercutiu nas redes sociais. Gravidez Pixabay Aos seis meses de gestação, Jaclene Paolucci já está farta de ouvir conselhos que não pediu e de quem acha que pode tocar sua barriga sem permissão. A gota d'água foi a abordagem de uma desconhecida em uma cafeteria de Nova York – enquanto ela pedia um café com leite, a mulher a interrompeu para sugerir que trocasse o pedido por um descafeinado. Jaclene, de 36 anos, compartilhou com seus mais de 3.000 seguidores no Twitter o que havia acontecido e contou que sua resposta sarcástica – "não estou grávida" – levou a um pedido de desculpas constrangido. Ela ficou surpresa com a quantidade de pessoas que se identificaram com o relato. Até agora, seu tuíte recebeu aproximadamente 5.000 respostas, 78 mil retuítes e quase 700 mil "curtidas". "Descobri que, se você quer receber conselhos não solicitados, deve engravidar", afirmou Jaclene à BBC News. "Parece que no momento em que você engravida, perde a autonomia do seu corpo. As pessoas começam a tocar em você e todo mundo tem uma opinião sobre como você deve agir, o que você deve vestir – tudo." Para ela, as únicas pessoas autorizadas a fazerem isso são a própria mãe e o médico Jaclene conta que se limitava a tomar um café por dia, conforme orientação médica. "E se eu não estivesse grávida?", questiona. "Muitas mulheres têm dificuldade de se livrar da barriga depois do parto." "Comentários como esse podem ser ofensivos, então, a menos que alguém esteja tendo um bebê na sua frente, você não deve se intrometer", acrescenta. Para Jaclene, as pessoas se sentem autorizadas a tomar conta de um "corpo comunitário". "O mais interessante é que, depois de tuitar, muitos dos que discordaram da minha postura eram homens." Entre as milhares de mulheres que responderam, está a médica Tara Chettiar, de Kansas City, especialista em Obstetrícia e Ginecologia. "Eu estava no hospital examinando meus pacientes, há cerca de seis anos, grávida, de uniforme e jaleco branco", relembra. "Quando parei para tomar um café, um membro da equipe disse que eu não deveria estar tomando café. Fiquei surpresa que alguém pudesse dizer isso - muito menos para uma especialista na área." Initial plugin text "Tive que fazer uma pausa e dizer que foi comprovado que é seguro tomar uma pequena quantidade de cafeína após o primeiro trimestre." Tara afirma ouvir diversos relatos de pacientes sobre conselhos que elas recebem sem pedir. "Muitas grávidas ouvem dos outros o tempo todo o que devem fazer, mas vamos deixar uma coisa clara: gravidez não é uma deficiência." Os conselhos são em grande parte bem-intencionados, diz a média, já que todos sentem que podem se conectar. "Família, bebês estão no cerne da experiência humana. Muitas pessoas querem fazer parte da jornada. É a mesma razão pela qual as pessoas também sentem que podem perguntar: 'Quando você vai ter filhos?'" "Porque na cabeça deles, isso é algo que conecta todos nós. Mas, na realidade, essas questões e 'conselhos' fazem as mulheres se sentirem isoladas, diferentes, como se algo estivesse errado com elas." A usuária @ethereumgirl também respondeu ao tuíte, lembrando que tocavam sua barriga o tempo todo durante suas gestações. "As pessoas acham que não tem problema colocar as mãos em uma mulher grávida?!!" Perguntada por que decidiu compartilhar suas experiências no Twitter, ela disse à BBC News: "Acho que o que me atraiu foi essa expectativa indesejada de que quando você engravida pertence à 'sociedade coletiva', que alguns se sentem mais confortáveis ​​de interagir com você de maneiras que seriam socialmente inaceitáveis. " Initial plugin text E isso é algo que Jaclene entende perfeitamente. Em um de seus tuítes, ela escreveu sobre o toque constante na barriga: "É totalmente invasivo. Já é estranho o suficiente você ter um 'ser' dentro de você, usando você como saco de pancadas e parque de diversões, e para completar todo mundo está tocando você do lado de fora".
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18/08 - Pássaros que imitam flores, animais 'daninhos' e outras insólitas criaturas do futuro na Terra
Que seres poderiam se desenvolver em 100 milhões de anos, diante do que sabemos sobre a vida no planeta hoje e os princípios da evolução? Imitar flores seria uma nova forma de um pássaro atrair insetos para comê-los Emmanuel Lafont No início dos anos 1980, o escritor Dougal Dixon publicou "After Man: A Zoology of the Future" (Depois do homem: Uma zoologia do futuro, em tradução livre), em que imaginava como os animais seriam daqui a milhões de anos. Dixon escreveu sobre musaranhos que usam caudas como paraquedas, macacos voadores, cobras muito compridas que atacam pássaros em pleno voo, marsupiais planadores que empalam suas presas com longos espinhos no peito, pássaros com cara de flor e morcegos que enganam insetos polinizadores para pousar em suas bocas famintas. Décadas depois, Dixon diz que seu livro não foi uma tentativa de prever o futuro, mas sim uma exploração de todas as possibilidades do mundo natural: "Livros sobre evolução parecem sugerir que a evolução é algo do passado. Mas a evolução está ocorrendo hoje e continuará a ocorrer no futuro, muito depois de termos partido." Embora o livro de Dixon seja uma obra de ficção, a maioria dos biólogos concorda que, daqui a milhões de anos, a Terra será um lugar muito diferente. "Acho que vai parecer um planeta alienígena", diz Athena Aktipis, bióloga evolucionária da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos. Qualquer que seja essa evolução, seu resultado parecerá estranho e improvável para nós hoje - assim como o mundo atual, dominado por mamíferos, teria parecido improvável do ponto de vista dos dinossauros. Então, como será a vida no futuro? Que criaturas poderão se desenvolver em, digamos, 100 milhões de anos, dado o que sabemos sobre a vida na Terra e os princípios da evolução? Vamos começar retrocedendo milhões de anos, para uma era muito mais antiga de nosso planeta. Na explosão Cambriana, há cerca de 540 milhões de anos, a Terra passou a ser povoada por criaturas "esquisitas", de acordo com Jonathan Losos, um biólogo evolucionário da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. "O Folhelho Burgess [no Canadá] era habitado por um verdadeiro bestiário", escreve ele em "Improbable Destinies: Fate, Chance e Future of Evolution" (Destinos improváveis: Destino, acaso e futuro da evolução, em tradução livre). Animais do gênero Hallucigenia, com seu corpo fino, parecido com um tubo, coberto por fileiras de espinhos enormes e apêndices semelhantes a garras, eram "algo como um episódio de uma série de ficção científica". Não é impossível que criaturas evoluam para formas tão estranhas e incomuns quanto essa no futuro. "Qualquer coisa que consideramos hoje plausível evoluiu a partir de algum lugar em algum ponto de alguma espécie. Com tempo suficiente, até mesmo o improvável pode ocorrer", argumenta Losos. Segundo ele, as possibilidades biológicas são vastas, e talvez ainda não tenhamos visto tudo. "Não estou nem um pouco convencido de que a vida na Terra tenha descoberto todos os modos e formas imagináveis de existir", escreve Losos. Animais do futuro podem ter que se adaptar a um mundo mais poluído Emmanuel Lafont O homem como força evolucionária Ainda assim, é difícil prever quais dessas possibilidades podem ser alcançadas. O livro de Losos analisa os argumentos a favor e contra a previsibilidade da evolução - a questão de saber se o curso da história se repetiria se voltássemos no tempo. Há evidências conflitantes, e simplesmente não sabemos até que ponto a evolução é previsível e repetível durante longos períodos de tempo. Acrescente a isso um elemento de acaso - uma enorme erupção vulcânica ou um asteroide atingindo a Terra -, e previsões se tornam quase impossíveis. No entanto, podemos fazer suposições. Primeiro, no entanto, devemos abordar o impacto de uma grande força evolucionária que já está transformando a vida em todo o mundo: o Homo sapiens. Se humanos prosperarem por milhões de anos, terão um efeito marcante na evolução futura, e a seleção natural produzirá novas variedades de vida para lidar com os ambientes que criaremos. "Veja a evolução do bico de um pássaro que se especializou em se alimentar de latas, ou ratos que desenvolveram uma pele oleosa para se proteger de água tóxica", escreve Peter Ward, paleontólogo da Universidade de Washington, em Future Evolution (Evolução Futura, em tradução livre). Ward prevê oportunidades para novos tipos de criaturas resistentes e adaptáveis que não se importam em viver no entorno de humanos e são capazes de fazer uso de seu mundo, como gatos domésticos, ratos, guaxinins, coiotes, corvos, pombos, estorninhos, pardais, moscas, pulgas, carrapatos e parasitas intestinais. Em um planeta mais quente e seco por influência dos seres humanos, a falta de água doce também pode levar a adaptações. "Imagino animais que evoluam para capturar a umidade do ar", diz Patricia Brennan, bióloga evolucionária do Mount Holyoke College, em Massachusetts, nos Estados Unidos. "Animais maiores podem desenvolver abas de pele que podem ser estendidas no início da manhã para tentar capturar a umidade. As dobras do pescoço de alguns lagartos, por exemplo, podem se tornar muito grandes para coletar água dessa maneira." Em um mundo mais quente, Brennan também prevê o surgimento de mamíferos e pássaros pelados: "Mamíferos podem perder o pelo em algumas áreas e coletar água com bolsas de pele. Em um planeta em aquecimento, animais endotérmicos [aqueles que geram seu próprio calor] podem enfrentar dificuldades, então, as aves em climas mais quentes podem perder penas para evitar o superaquecimento, e os mamíferos podem perder a maior parte da pelagem." Humanos do futuro também podem decidir manipular diretamente a vida - na verdade, isso já está acontecendo. Como a pesquisadora Lauren Holt escreveu para a série Civilização Profunda, da BBC Future, no início deste ano, a trajetória da vida na Terra poderia ser "pós-natural". Nesse cenário, a engenharia genética, a biotecnologia e a influência da cultura humana poderiam redirecionar a evolução para caminhos radicalmente diferentes, como drones de polinização. A evolução da vida seria entrelaçada com os desejos e necessidades da humanidade. Com tempo suficiente, combinações estranhas e sem precedentes são possíveis Emmanuel Lafont O papel das extinções em massa No entanto, existem caminhos alternativos para a evolução: por exemplo, nossos descendentes podem decidir reordenar a natureza e deixar a evolução natural seguir seu curso, ou os humanos podem ser extintos (como é o cenário de "After Man"). A extinção, em particular, pode levar a inovações evolutivas radicais. Em essência, uma extinção em massa reconfigura o relógio evolucionário, argumenta Ward. Após as extinções em massa anteriores, diz ele, plantas e animais mudaram radicalmente. A extinção do período Permiano, cerca de 252 milhões de anos atrás, eliminou mais de 95% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres, incluindo répteis com barbatanas e outros seres enormes que dominavam a Terra na época. Isso abriu espaço para que os dinossauros evoluíssem e se tornassem os animais terrestres dominantes, um resultado tão improvável e inesperado quanto a invasão de mamíferos após a extinção em massa dos dinossauros. "Não foi apenas uma simples mudança, mas uma transformação profunda", escreve Ward. "As extinções em massa fizeram mais do que apenas mudar o número de espécies na Terra. Elas também mudaram a composição do planeta." Após uma extinção, alguns biólogos acreditam ser possível que surjam novas formas de vida tão diferentes que nem imaginamos como poderiam ser. Nos primeiros bilhões de anos de vida na Terra, por exemplo, animais que respiram oxigênio seriam inconcebíveis, porque esse gás era escasso, e as células não evoluíram para usá-lo como energia. Isso mudou para sempre há cerca de 2,4 bilhões, quando a chegada das bactérias fotossintetizadoras levou à primeira extinção em massa da Terra. "Os micróbios fizeram com que todo o planeta tivesse oxigênio, e isso criou uma enorme mudança", diz Leonora Bittelston, bióloga evolucionária do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. "Houve muitas inovações que poderiam ter sido difíceis de prever, mas, uma vez que começam a acontecer, elas mudaram nosso planeta." Imagine um sapo evoluindo para um novo tipo de animal flutuante que habita a atmosfera mais baixa Emmanuel Lafont Um mundo pós-humano Então, sem os humanos à vista, quão selvagens e sofisticados os outros seres vivos se tornariam daqui a 100 milhões de anos? Árvores começariam a andar ou a se alimentar de animais depois de matá-los com fumaça tóxica ou dardos venenosos? Aranhas se mudariam para a água e usariam teias para pescar sardinhas, enquanto peixes aprenderiam a voar para se alimentar de insetos e pássaros? Animais que habitam as profundezas do mar poderiam projetar hologramas brilhantes de si mesmos para enganar predadores, atrair presas ou impressionar possíveis parceiros? Talvez orcas e bagres recuperem a capacidade dos seus antepassados de andar sobre a terra para caçarem? Poderíamos também ver organismos se estabelecerem em habitats anteriormente pouco explorados: por exemplo, fungos venenosos gigantes que flutuam no ar, como uma água-viva no mar, consumindo tudo que encontram pela frente? Ou insetos e aranhas construiriam ninhos de seda nas nuvens para se alimentar de organismos fotossintetizantes no céu? E, se plantas ou micróbios desenvolvessem uma espécie de painel solar para concentrar a luz do sol, oásis de vida poderiam surgir nas geleiras glaciais? Nenhuma dessas criaturas fantásticas parece impossível, diz Aktipis. Muito disso se baseia no que já existe na natureza: há aranhas que navegam e planam, há vida microbiana nas nuvens, e o tamboril do fundo do mar usa esferas bioluminescentes para atrair presas. Algumas populações de orcas e bagres chegam bem próximos da praia para caçar animais, e pequenos oásis de já vida florescem no gelo, onde há resíduos de fuligem, pedras e micróbios. Jo Wolfe, uma bióloga evolucionária da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, observa que algumas árvores são capazes de "caminhar" muito lentamente em direção a fontes de água, e pensa ser possível que evoluam para caçar usando gases venenosos ou até ramos pontiagudos. Afinal, já temos plantas carnívoras que usam armadilhas venenosas. Ela também aponta para a existência de aranhas que comem peixes, e diz que os micróbios que habitam as nuvens podem evoluir da multidão de pequenos organismos conhecidos como Prochlorococcus que vivem nas partes mais elevadas do oceano. Na natureza, muitas vezes são necessárias adaptações para viver em ambientes extremos. A Terra já tem muitos destes, e isso não vai mudar. Por exemplo, o tamboril macho respondeu à terrível escassez de potenciais parceiros no oceano profundo. Quando encontra uma fêmea, ele se funde ao seu corpo. "É tão improvável que ele volte a se deparar com outra fêmea que simplesmente se torna um estoque de esperma para ela", diz Kristin Hook, ecologista comportamental da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. "Então, poderemos ver animais fazendo mais coisas assim, e, com o tempo, imagino que a seleção favorecerá animais que poderão se autofecundar quando achar parceiros for quase impossível." Com base no que sabemos sobre a natureza, também não devemos presumir que as futuras criaturas permanecerão confinadas aos seus habitats atuais. A bioquímica Lynn Caporale aponta que alguns peixes "voadores" já podem pegar insetos (e até pássaros), e alguns peixes conseguem andar sobre a terra e até escalar árvores. Mesmo lulas ocasionalmente voam acima da superfície do oceano, usando jatos de água como propulsão e barbatanas que funcionam como asas. Essa possível troca de habitat leva a algumas possibilidades bastante fantásticas. Pense num sapo cuja garganta incha como um grande saco de gás usado para fazer atrair fêmeas para acasalamento. Em seu livro, Ward imagina que ele se torna um novo tipo de animal flutuante que habita a atmosfera. O sapo poderia evoluir para produzir hidrogênio fora da água e armazená-lo em sua garganta, ajudando-o a pular e flutuar no ar. Suas pernas - não mais necessárias para andar - poderiam se tornar tentáculos usados para a alimentação e cresceriam para evitar serem comidos - talvez até maiores que uma baleia. Estes animais, diz Ward, ainda são "ficção", "mas existe um lampejo de realidade nesta fábula". Certa vez, houve um primeiro organismo voador e o primeiro organismo nadador, e sabemos que outras espécies evoluíram a partir deles, já que a inovação permitiu que eles fossem para um habitat ao qual nunca haviam tido acesso antes. Dado que nossa compreensão da evolução e da genética é incompleta e que isso provavelmente dependerá de eventos fortuitos, ninguém pode saber ao certo como será a vida futura. Escolher os vencedores evolutivos do futuro é como fazer apostas no mercado de ações ou prever o tempo, escreve Ward. Temos alguns dados para fazer suposições, mas também há um grande grau de incerteza: "As cores, os hábitos e as formas da fauna do futuro só podem ser imaginados." Losos concorda. "No fim do dia", diz ele, "o possiblidades são tão amplas e incertas que é realmente inútil especular sobre a vida futura, que pode seguir por muitos caminhos diferentes." Mas, se a estranheza da vida atual é um guia, não devemos descartar a possibilidade de que a evolução futura possa trilhar caminhos verdadeiramente espantosos. E mesmo a diversidade natural atual permanece inexplorada. De fato, Dixon observa que várias das criações "puramente especulativas" que ele descreveu em Afterman foram depois descobertas: por exemplo, morcegos que caminham e cobras que podem pegar morcegos do ar. Como ele refletiu em seu livro: "Muitas vezes, me deparei com um novo desenvolvimento ecológico ou evolucionário e pensei: 'Se eu tivesse colocado isso em After Man, todos teriam rido'".
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18/08 - E se eu morrer hoje?
Pense nas providências que poderão facilitar a vida dos que ficam O tema dessa coluna pode ser lúgubre, mas não tem nada de agourento ou assustador, uma vez que todos vamos morrer um dia. Se o tempo que nos resta é de semanas, meses, anos ou décadas, tanto faz: ninguém deveria se espantar com nossa finitude. A resistência em tratar de questões relacionadas à morte acaba tornando a vida dos entes queridos que nos rodeiam ainda mais difícil. No meio da dor da perda, com frequência eles têm que revirar papéis e tomar decisões num estado de grande fragilidade. Uma amiga querida precisou fazer uma cirurgia delicada. Quando fui visitá-la, já totalmente recuperada, ela me disse que, na véspera da operação, pensou em contar para o filho onde estavam guardados documentos, registros de senhas e contatos com gerentes de banco. Acabou não fazendo, com medo de assustar o rapaz, que poderia achar que a mãe mentia sobre a gravidade da situação. Histórias semelhantes se repetem todos os dias, nem todas com um final feliz. Para quem ama os animais, a guarda de um bicho de estimação também é um assunto que deveria merecer atenção. São tristes os relatos de cães e gatos abandonados depois da morte do dono porque não havia ninguém para assumir a tarefa. Tomar providências em relação ao fim da vida: resistência é grande em tratar de questões relacionadas à morte By © Roland Fischer, Zürich (Switzerland) – Mail notification to: roland_zh(at)hispeed(dot)ch / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19732663 Deixar as coisas organizadas é demonstração de carinho pelos que nos rodeiam. Para começar, mantenha os documentos importantes numa pasta. Se precisar de mais de uma, identifique o conteúdo de cada uma com uma etiqueta. Senhas, informações sobre investimentos e telefones de pessoas que devem ser acionadas podem ficar anotados num caderno ou arquivados no computador, mas é indispensável que você explique ao pelo menos um ou dois do seu círculo íntimo como acessar esses dados. Já tratei nesse espaço sobre a conveniência de fazer um testamento vital: o documento determina como diretivas antecipadas de vontade o conjunto de desejos, previamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber no momento em que estiver incapacitado de expressar sua vontade. Ter um testamento evita desentendimentos quando há bens, principalmente se a pessoa se casou de novo e há filhos da primeira união. Embora 90% digam que é importante conversar sobre os cuidados e providências no fim da vida, apenas 27% dizem tê-lo feito. Além disso, 60% não gostariam de sobrecarregar os mais próximos com decisões difíceis, mas 56% não comunicaram seus desejos. Eu proponho o exercício. Pensar no fim da existência nos dá a dimensão do enorme prazer que é estar vivo.
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17/08 - O mistério da histeria coletiva que afetou 39 estudantes na Malásia
Era uma manhã tranquila de sexta-feira quando o pânico se espalhou por uma escola em Kelatan, no nordeste da Malásia; BBC News conversou com Siti Nurannisaa, uma estudante de 17 anos, protagonista do que aconteceu. Era uma manhã tranquila de sexta-feira quando o pânico se espalhou em uma escola em Kelatan, no Nordeste da Malásia. Confira o relato da estudante Siti Nurannisaa, a primeira a sentir os "sintomas", à BBC News. Siti Nurannisaa, estudante de 17 anos, foi protagonista de ataque de histeria coletiva na Malásia Joshua Paul/BBC Os alarmes tocaram. Estava em minha mesa quase dormindo quando senti alguém batendo muito forte no meu ombro. Virei-me para ver quem era e a sala ficou escura de repente. O medo me invadiu. Senti uma dor aguda nas minhas costas e minha cabeça começou a girar. Caí no chão. Antes de que me desse conta, estava em "outro mundo". Cenas de pura violência. A coisa mais assustadora que vi foi um rosto maligno. Estava me assombrando, não consegui escapar. Abri minha boca e tentei gritar, mas nenhum som saiu. Desmaiei. Kelantan é o Estado mais religiosamente conservador da Malásia Joshua Paul/BBC O ataque de Siti desencadeou uma poderosa reação em cadeia que percorreu toda a escola. Em poucos minutos, alunos de outras salas de aula começaram a gritar, e seus gritos frenéticos podiam ser ouvidos pelos corredores. Uma menina desmaiou depois de afirmar ter visto a mesma "figura sombria". Sem saber o que acontecia, professores em pânico e estudantes montaram barricadas. De repente, a escola secundária parecia um cenário de guerra. Curandeiros espirituais islâmicos foram chamados para realizar sessões de oração em massa. Ao fim do dia, 39 pessoas foram consideradas afetadas por um surto de "histeria em massa". A histeria em massa, ou doença psicogênica em massa, como também é conhecida, é a rápida disseminação de sintomas físicos, como hiperventilação e espasmos, em um grupo considerável de pessoas – sem causa orgânica plausível. "Trata-se de uma reação coletiva ao estresse que leva a uma superestimulação do sistema nervoso", diz o sociólogo médico americano Robert Bartholomew. "Pense nisso como um problema de software." As razões por trás da histeria em massa são em geral pouco compreendidas e não estão listadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, usado por profissionais da área. Mas psiquiatras como Simon Wessely, do hospital King's College, em Londres, no Reino Unido, atribuem o fenômeno ao "comportamento coletivo". "Os sintomas apresentados são reais - desmaios, palpitações, dores de cabeça, náuseas, tremores e até convulsões", diz ele. "Muitas vezes o episódio é atribuído a uma condição médica, mas para o qual nenhuma explicação biomédica convencional pode ser encontrada." A transmissão, acrescenta, "é em grande parte devido a fatores psicológicos e sociais". Surtos assim foram registrados em diversas partes do mundo, com casos que datam da Idade Média. Incidentes na Malásia aconteceram principalmente entre trabalhadores de fábricas durante os anos 1960. Hoje, afetam principalmente crianças em escolas e internatos. Robert Bartholomew passou décadas pesquisando o fenômeno na Malásia. Ele chama o país de "capital mundial da histeria em massa". "É um país profundamente religioso e espiritual, onde muitas pessoas, especialmente as que vivem nos Estados rurais e conservadores, acreditam nos poderes do folclore tradicional e do sobrenatural", diz. Mas o assunto continua sendo delicado no país. Na Malásia, meninas adolescentes da maioria étnica muçulmana malaia são, normalmente, o grupo mais afetado. "Não há como negar que a histeria em massa é um fenômeno majoritariamente feminino", diz Bartholomew. "É a única constante na literatura (acadêmica)". Cercada por campos de arroz verdejantes, a pacata aldeia malaia de Padang Lembek se localiza nos arredores da capital de Kelantan, Kota Bharu. É uma comunidade pequena e coesa onde todos se conhecem, o tipo de lugar que faz muitos malaios relembrar como o país costumava ser. Há restaurantes comandados por famílias, salões de beleza, uma mesquita e boas escolas de bairro. Incidente em escola deixou Siti incapaz de dormir ou comer adequadamente Joshua Paul/BBC Siti e sua família moram em uma modesta casa térrea, facilmente identificável pelo telhado vermelho desgastado e pelo fachada verde. Do lado de fora está estacionada uma velha e robusta motocicleta que ela divide com sua melhor amiga Rusydiah Roslan, que mora nas proximidades. "Fomos com ela para a escola na manhã em que estava possuída por 'espíritos'", diz Siti. Como qualquer outro adolescente, ela também é afetada pelo estresse. Siti diz que se sentiu mais pressionada durante seu último ano letivo por causa das provas. "Estava me preparando há semanas, tentando memorizar minhas anotações, mas algo estava errado", diz ela. "Parecia que nada estava entrando na minha cabeça." O incidente na escola deixou Siti incapaz de dormir ou comer de modo adequado. Foi necessário um mês de descanso para ela pudesse voltar aos eixos. Um surto de histeria em massa geralmente começa com o que os especialistas chamam de "paciente zero", a primeira pessoa a ser afetada. Nesse caso, a paciente zero foi Siti. "Isso não acontece da noite para o dia", diz Robert Bartholomew. "Começa com uma criança e depois se espalha rapidamente para as outras por causa de uma exposição a um ambiente onde há muita pressão." Assim, basta um grande pico de ansiedade em um grupo, como ver um colega de classe desmaiar ou ter um ataque - para provocar uma reação em cadeia. Rusydiah Roslan nunca se esquecerá de ver sua melhor amiga naquele estado. "Siti estava gritando incontrolavelmente. Ninguém sabia o que fazer. Estávamos com medo de tocá-la." As garotas sempre foram muito próximas, mas os eventos do ano passado fortaleceram seu vínculo. "Isso nos ajuda a falar sobre o que aconteceu. Isso nos ajuda a seguir em frente", diz Rusydiah. Do lado de fora, o SMK Ketereh parece com qualquer outro colégio da Malásia. Árvores gigantescas fazem sombra sobre suas instalações e suas paredes têm camadas frescas de tinta amarela cinza e brilhante. Makcik (tia) Zan possui uma barraca do outro lado da rua onde vende pratos locais de arroz. Há um ano, naquela manhã úmida de julho, ela estava preparando comida, quando ouviu gritos. "Os gritos eram ensurdecedores", diz Zan, em meio a pratos de cavala grelhada, curry amarelo e arroz empapado fumegante. Ela viu pelo menos nove meninas sendo levadas para fora de suas salas de aula, chutando e gritando. Reconheceu algumas delas como suas clientes habituais. "Foi uma visão desoladora", diz ela. Mais tarde, Zen observou um feiticeiro entrar em uma pequena sala de oração com seus assistentes. "Ficaram lá por horas", lembra ela. "Tenho pena das crianças pelo que elas devem ter visto naquele dia." A segurança na SMK Ketereh foi reforçada desde o incidente de julho de 2018. "A fim de evitar que os surtos voltem a crescer, reestruturamos nosso programa de segurança e tivemos uma mudança na equipe", diz um membro da equipe à BBC, sob anonimato, por não estar autorizado a falar com a imprensa. Oração diária e sessões de psicologia também foram introduzidas no dia a dia dos alunos, acrescenta ele. "A segurança vem em primeiro lugar, mas também sabemos da importância do cuidado posterior para nossos alunos". Não está claro o que essas sessões envolvem ou se foram concebidas por profissionais de saúde mental. O funcionário não deu mais detalhes. Especialistas como Robert Bartholomew defendem fortemente que os estudantes malaios aprendam sobre o fenômeno, dada a sua prevalência no país. "Eles devem aprender sobre como a histeria em massa acontece e como ela se espalha", diz ele. "Também é importante que eles aprendam a lidar com o estresse e a ansiedade". Procurado pela BBC News, o Ministério da Educação da Malásia não respondeu aos pedidos de entrevista. A SMK Ketereh é uma das 68 escolas secundárias em Kelantan. Mas está longe de ser a única a ter testemunhado um surto. No início de 2016, a histeria em massa tomou conta de muitas escolas no Estado. "As autoridades não puderam lidar com os vários surtos e fechar todas as escolas", diz Firdaus Hassan, um repórter local. Ele e o cinegrafista de TV Chia Chee Lin se lembram de um abril tenso. "Era um período de histeria em massa e os casos estavam acontecendo sem parar, se espalhando de uma escola para outra", lembra Chia. Um episódio na cidade vizinha de Pengkalan Chepa atraiu uma atenção considerável da mídia. Alunos e professores foram descritos em relatórios como "possuídos" depois de verem uma "figura escura e sombria" espreitando ao redor do complexo. Cerca de cem pessoas foram afetadas. Siti Ain, que estudou no SMK Pengkalan Chepa 2, diz que se lembrará da escola como sendo "a mais assombrada de toda a Malásia". "O pânico durou horas, mas demorou meses para que a vida voltasse ao normal", diz ela, agora com 18 anos. Siti nos mostra um local isolado ao lado de uma quadra de basquete. "Aqui foi onde tudo começou", diz, apontando para uma fileira de troncos de árvores. "Meus colegas de escola disseram que viram uma mulher idosa de pé entre as árvores". "Não pude ver o que eles viram, mas suas reações foram reais." O fascínio da Malásia por fantasmas existe há séculos e está profundamente enraizado na tradição xamânica e na mitologia popular do Sudeste Asiático. As crianças crescem ouvindo histórias sobre bebês mortos chamados toyol - invocados por xamãs usando magia negra - e outros fantasmas vampíricos aterrorizantes como os pontianak e penanggalan, espíritos poderosos e vingativos que se alimentam dos vivos. Árvores e locais de enterro são cenários comuns para esses contos misteriosos. Esses ambientes fomentam medos que, por sua vez, alimentam essas crenças supersticiosas. É difícil determinar o que realmente aconteceu naquele dia em Pengkalan Chapa 2, mas as autoridades não perderam tempo em atacar o que acreditavam ser a fonte do problema. "Vimos de nossas salas de aula quando os trabalhadores chegaram com serras elétricas para cortar as árvores", diz Siti Ain. "As árvores antigas eram lindas e foi triste vê-las sendo cortadas, mas entendi o porquê." Como muitos estudantes aqui, ela encara o que aconteceu naquele dia não como um surto de histeria em massa, mas como um evento sobrenatural. Mas isso não é um fenômeno restrito às escolas islâmicas em áreas profundamente religiosas. Azly Rahman, um antropólogo malaio que vive nos Estados Unidos, descreveu um episódio de histeria em massa em 1976, ocorrido em um internato que frequentou na cidade vizinha de Kuantan. "Foi um pandemônio", lembra ele. Tudo começou durante uma competição de canto quando uma aluna alegou ter visto "um monge budista sorridente" em cima de um dormitório. "Ela soltou um grito horripilante", diz. Exorcistas foram trazidos para realizar sessões em 30 meninas afetadas. "O papel deles era fazer a mediação entre os vivos e os mortos. Mas é importante para a sociedade de hoje procurar explicações lógicas por trás de tais surtos", diz Rahman. Siti Nurannisaa e sua família foram instruídos sobre a histeria coletiva para entender os acontecimentos de um ano atrás. "Qualquer pai se sentiria mal ao ver um filho sofrer", diz Azam Yaacob, pai de Siti. Ele diz que a filha nunca teve nenhum "problema psicológico". Após o incidente, eles buscaram ajuda de Zaki Ya, um curador espiritual com 20 anos de experiência. Em seu centro em Ketereh, ele nos cumprimenta com um sorriso caloroso. "Apa khabar, como você está?" Ele segue os ensinamentos do Alcorão, o livro sagrado do Islã, e também acredita no poder dos Jinn - espíritos da cosmologia do Oriente Médio e do Islã que "aparecem em uma variedade de formas e formatos". "Compartilhamos nosso mundo com esses seres invisíveis", diz Zaki Ya. "Eles são bons ou maus e podem ser derrotados pela fé." Escrituras islâmicas adornam as paredes verdes do centro. Garrafas de água benta estão empilhadas perto da entrada. Em um canto, perto de uma janela, uma mesa está repleta de objetos misteriosos - facas enferrujadas, pentes, orbes e até mesmo um cavalo-marinho seco. "Esses são itens amaldiçoados", avisa Zaki Ya. "Por favor, não toque em nada." Zaki Ya conheceu Siti Nurannisaa e sua família após o surto de 2018 na SMK Ketereh. "Tenho guiado Siti e ela tem ficado melhor com a minha ajuda", diz ele, orgulhoso. O curandeiro me mostra um vídeo de outra garota que diz ter tratado. As imagens mostram a menina debatendo-se descontroladamente no chão e gritando antes de ser contida por dois homens. Minutos depois, Zaki Ya entra na sala e se aproxima de sua paciente, visivelmente angustiada. Ele segura a cabeça dela e entoa versos islâmicos, e ela parece se acalmar. "As mulheres são mais dóceis e fisicamente mais fracas", diz ele. "Isso as torna mais suscetíveis à possessão espiritual." Em sua opinião, a saúde mental desempenha um papel importante em muitos dos casos, mas ele destaca o poder dos Jinn. "A ciência é importante, mas não pode explicar totalmente o sobrenatural", diz ele. "Os não crentes não entenderão esses ataques, a menos que aconteçam com eles." Um tratamento mais controverso vem de uma equipe de acadêmicos islâmicos em Pahang, o maior Estado da península da Malásia. Por um preço fixo de 8.750 ringgits malaios (cerca de R$ 8.330), o "kit anti-histeria" que eles oferecem consiste em itens como ácido fórmico, inalantes de amônia, spray de pimenta e "pinças" de bambu. "De acordo com o Alcorão, os espíritos malignos são incapazes de tolerar tais itens", diz Mahyuddin Ismail, que desenvolveu o kit com o objetivo de "combinar ciência e sobrenatural". "Nossos kits foram usados por duas escolas e resolveram mais de cem casos", diz ele. Não há evidências científicas para sustentar essas afirmações. O kit atraiu uma onda de críticas quando foi lançado, em 2016. Khairy Jamaluddin, ex-ministro da Juventude e Esportes, o descreveu como "marca de uma sociedade atrasada". "É uma superstição absurda e sem noção. Não queremos que os malaios permaneçam entrincheirados em crenças sobrenaturais." Mas os psicólogos clínicos, como Irma Ismail, da Universiti Putra Malaysia, não descartam o poder dessas crenças quando se trata de casos de histeria em massa. "A cultura malaia tem sua própria visão sobre o fenômeno", diz ela. "Uma abordagem mais realista é a integração de crenças espirituais com tratamento adequado da saúde mental." Se a Malásia é a "capital mundial da histeria em massa", Kelantan, na costa Nordeste, é o marco zero. "Não é coincidência que Kelantan, o Estado mais religiosamente conservador de todos os Estados da Malásia, também seja o mais propenso a surtos", diz Robert Bartholomew. Conhecido como o coração islâmico do país de maioria muçulmana, Kelantan é um dos dois Estados governados pela oposição conservadora do Partido Islâmico da Malásia (PAS). Ao contrário do resto do país, Kelantan segue o calendário islâmico - a semana começa aos domingos e termina às quintas-feiras. As sextas-feiras são dedicas às orações. "Este é um lado diferente da Malásia", diz Ruhaidah Ramli, um vendedor de 82 anos que trabalha em um mercado local. "A vida aqui é simples. Não é estressante como na (capital) Kuala Lumpur." Mas religião e crenças sobrenaturais estão relacionadas? O professor Afiq Noor argumenta que a implementação mais rigorosa da lei islâmica na escola em Estados como Kelantan está ligada ao aumento dos surtos. "Meninas muçulmanas malaias frequentam a escola sob rígida disciplina religiosa", diz ele. "Elas obedecedem a códigos de vestimenta mais rigorosos e não podem ouvir música que não é islâmica". A teoria é que tal ambiente restritivo poderia estar gerando mais ansiedade entre os mais jovens. Surtos semelhantes também foram relatados em conventos e mosteiros católicos em todo o México, Itália e França, em escolas no Kosovo e até mesmo entre líderes de torcida em uma cidade rural da Carolina do Norte. Cada caso é único – o contexto cultural é diferente e, portanto, varia de acordo com a situação. Mas, em última análise, trata-se do mesmo fenômeno. Os pesquisadores argumentam que o impacto de culturas estritas e conservadoras sobre os afetados pela histeria em massa é claro. Para psicólogos clínicos como Steven Diamond, os "sintomas dolorosos, assustadores e constrangedores" frequentemente associados à histeria em massa podem ser "indicativos de uma necessidade frustrada de atenção". "Os sintomas podem estar revelando algo sobre como esses jovens estão realmente sentindo por dentro, mas são incapazes ou não estão dispostos a se permitir conscientemente reconhecer, sentir ou verbalizar?" escreveu ele em um artigo de 2002 da revista científica Psychology Today. 2019 foi um ano tranquilo para Siti Nurannisaa. "Tudo está correndo bem. Tem sido um ano calmo para mim", diz. "Não vejo coisas ruins há meses." Siti perdeu o contato com grande parte de seus ex-colegas de escola depois de se formar na SMK Ketereh, mas isso não a incomoda - ela me diz que sempre manteve um pequeno círculo de amigos. Agora, está fazendo uma pausa nos estudos antes de ir para a universidade. No dia em que nos encontramos, Siti me mostra um microfone preto brilhante. "O karaokê sempre foi um dos meus passatempos favoritos", diz ela. Canções pop da americana Katy Perry e da malaia Siti Nurhaliza são as suas favoritas. Cantar ajudou a jovem a controlar seu nível de estresse após o incidente traumático, melhorando sua autoestima. "O estresse deixa meu corpo fraco, mas aprendi a administrá-lo", diz ela. "Meu objetivo é ser normal e feliz." Pergunto a Siti o que ela quer ser no futuro. "Policial", responde. "Eles são corajosos e não têm medo de nada."
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17/08 - Dinossauros e companhia: a diversidade de animais do Brasil pré-histórico
Foi no território onde hoje está o Brasil que viveram os primeiros dinossauros; terras brasileiras tiveram papel importante no surgimento e evolução de várias espécies de animais. Purussaurus brasiliensis foi o maior jacaré que já existiu Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil É uma longa história a da vida sobre a Terra. Ela começou há cerca de 3,8 bilhões de anos – 800 milhões de anos depois do surgimento do planeta – e não parou mais de se diversificar em milhões de formas, que apareceram, evoluíram, deram origens a outras espécies e desapareceram para sempre. Estima-se que hoje existam cerca de 8,7 milhões de tipos de animais – sem contar os microorganismos –, dos quais não mais que 1 milhão foram descritos e catalogados, o que representa, calcula-se, menos de 1% de todos os que já viveram neste mundo. O território onde hoje está o Brasil teve um papel importante no surgimento e evolução de várias espécies de animais. Foi nele que viveram os primeiros dinossauros e, por isso, provavelmente foi onde surgiu este grupo de animais incônicos, que dominaram o planeta por 160 milhões de anos e foram extintos há 65 milhões de anos, mas ainda fascinam a humanidade. Foi também em terras atualmente brasileiras que viveram o maior e o menor crocodilo e o maior anfíbio de que se tem registro, preguiças terrestres e tatus do tamanho de um carro e um dos maiores felinos que já existiu. Tamanha diversidade de vida que existe e já existiu só surgiu porque a Terra também tem e teve uma variedade muito grande de ambientes, como oceanos, rios lagos, terra firme, savanas, florestas, desertos, montanhas, planícies, geleiras. Todos esses ecossistemas existem há milhões de anos, só que em locais diferentes de onde estão hoje, pois as conformações dos continentes e oceanos eram outras. "Nosso planeta é um sistema dinâmico e que passou por grandes transformações ao longo dos bilhões de anos de sua história", diz o paleontólogo Felipe Alves Elias, da Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). Machaeracanthus sp, um pequeno peixe, viveu há 400 milhões de anos Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil Pangea, toda a Terra num só supercontinente "Recentemente" – se comparado com a idade da Terra –, por exemplo, no ínicio da era Mesozoica (251 a 65,5 milhões de anos atrás), todos os continentes estavam unidos num só supercontinente, chamado Pangeia, desértico e quente em seu interior, com florestas somente próximas ao litoral e aos grandes rios. No final do Jurássico (199 a 145 milhões de anos atrás), essa massa de terra gigantesca começou a se fragmentar, dando origem a dois grandes continentes, um ao norte a Laurásia, que unia América do Norte, Europa e Ásia, e outro ao sul, Gondwana, formado por América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida. No Cretáceo Inferior (primeira metade do período), por volta de 110 milhões de anos atrás, surgiu o oceano Atlântico, separando a América do Sul da África e dando aos continentes uma conformação semelhante à de hoje. Essa fragmentação de Pangeia teve um grande impacto em todo o planeta e nos seres que viviam nele. Mares surgiram e a geografia e o clima tornaram-se completamente diferentes. Algumas plantas, como samambaias e coníferas, passaram a colonizar antigas regiões secas e desérticas. Foi nesse período que também surgiram as primeiras plantas com flores. Os animais, por sua vez, deslocaram-se para viver em regiões onde havia abundância de água e alimentos. Antes disso, o planeta foi dominado por cerca de 3 bilhões de anos apenas por micro-organismos. Os primeiros organismos invertebrados, que, segundo os pesquisadores, foram as esponjas, só surgiram há 650 milhões de anos. Os vertebrados apareceram ainda mais tarde, há 520 milhões de anos. Cloudina, o primeiro animal com esqueleto do Brasil No Brasil, um dos primeiros registros de vida animal é de Cloudina lucianoi, que viveu na região central do país, no período Ediacarano (630 a 542 milhões de anos atrás), último do Pré-Cambriano (de 4,6 bilhões a 542 milhões de anos atrás). "É dos animais mais antigos do Brasil e que ocorre em diversos locais do mundo, sendo utilizados para correlacionar idades de rochas", explica o paleontólogo Thiago da Silva Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Se não fosse pela idade, esse bicho não chamaria a atenção, no entanto. Era um pequeno animal marinho, com no máximo 3 centímetros, em forma de concha tubular. Mas é um dos mais antigos metazoários (animais multicelulares) constituído de carapaça externa biomineralizada. Ou seja, está entre os primeiros organismos de que se tem registro a desenvolver esqueletos. Entre os vertebrados que se locomoviam por conta própria, um dos mais antigos encontrados no Brasil é o Machaeracanthus sp. "Este pequeno peixe, que viveu há mais de 400 milhões de anos onde hoje é o Piauí, é uma das mais antigas evidências de animais vertebrados encontradas em território brasileiro", diz Elias. Prionosuchus, o maior anfíbio que já existiu Também na região do Piauí, o Prionosuchus plummeri, que viveu há 270 milhões de anos, não deixaria de se fazer notar. "Era um tipo de anfíbio gigante, com um tamanho estimado de seis metros ou talvez mais", conta o biólogo Marcos André Fontenele Sales, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). "Foi um dos maiores ou o maior animal desse grupo de todos os tempos. Com certeza, ele foi o predador alfa dos ecossistemas aquáticos daquela região na época em que viveu." Bem menor, do tamanho de um cão Labrador moderno, o Chiniquodon theotonicus era um feroz predador, no entanto, que viveu há 235 milhões de anos no interior do Rio Grande do Sul e no norte da Argentina. "Embora relativamente pequeno, sua importância para a ciência é enorme, pois a espécie compartilha de uma ancestralidade comum com os mamíferos - grupo do qual os seres humanos também fazem parte", explica Elias. "Para os paleontólogos, tais animais são essenciais para compreender melhor as origens da nossa linhagem evolutiva e de nossa própria espécie." Uma das espécies mais antigas de dinossauros no Brasil é o Staurikosaurus pricei Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil No Brasil, surgem os primeiros dinossauros Pouco depois dessa época, há cerca de 230 milhões de anos, chegou a era dos dinossauros. O Brasil é rico em fósseis deles, tendo sido registradas mais de 20 espécies. Entre elas, uma das mais antigas do mundo - se não a mais antiga – o Staurikosaurus pricei. Com dois metros de comprimento e cerca da metade da altura de um homem, ele viveu há 225 milhões de anos, em meados do Triássico (251 a 199 milhões de anos atrás). Além de ter sido um dos primeiros a viver no país, foi o primeiro fóssil a ser encontrado. Restos do seu esqueleto fossilizado foram descobertos em 1936, pelo paleontólogo brasileiro Llwelllyn Ivor Price, num afloramento rochoso numa fazenda no interior do município de Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul. Por isso, seu primeiro nome significa "lagarto do Cruzeiro do Sul" e o segundo é uma homenagem a seu descobridor. A ele, se juntam três outras espécies, que viveram na mesma época e também foram encontradas no Rio Grande do Sul: Guaibasaurus candelariai, Saturnalia tupiniquim e Unaysaurus tolentinoi. "Essas descobertas são importantes, porque mostram como eram os primeiros dinossauros" explica Marinho. "Além disso, junto com os argentinos, indicam que possivelmente o grupo todo desses animais teve origem na América do Sul." Em épocas mais recentes, também viveram no Brasil representantes gigantes do grupo dos dinossauros. Um exemplo é Oxalaia quilombensis, descoberto no Maranhão, que viveu há 95 milhões de anos, que podia chegar a 14 metros e pesar até sete toneladas. "Ele é parente bem próximo do popular Spinosaurus, estrela do filme Jurassic Park 3", revela Sales. "Foi o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil. Apesar disso, muito provavelmente, sua alimentação era principalmente baseada em peixes." O outro é o Uberabatitan ribeiroi, o titã de Uberaba, cujo fóssil foi descoberto neste município e viveu há cerca de 70 milhões - quase no fim da era dos dinossauros. Podendo chegar a 27 metros e pesar mais de 20 toneladas, foi o maior desses animais que viveu no Brasil. "Ele pertencia ao grupo dos saurópodes, aqueles dinossauros herbívoros com pescoço e cauda bastante compridos e cabeça pequena", diz Sales. Tetrapodophis, uma serpente com patas Conterrâneos desses colossos da natureza, perambularam pelo território brasileiro outros animais não menos impressionantes. Um deles foi a serpente Tetrapodophis amplectus, que viveu há 120 milhões de anos na Chapada do Araripe (CE). "Ela representa uma das mais importantes descobertas das últimas décadas, pois preserva a estrutura de quatro membros intactos, o que poderá ajudar os paleontólogos a compreender melhor a origem desse grupo de animais entre os vertebrados terrestres", explica Elias. Há ainda o grupo dos pterossauros, répteis voadores, parentes dos dinossauros, os primeiros animais vertebrados a desenvolverem a capacidade de voo ativo – batendo as asas e não planando. Há registros de mais de 200 espécies, com tamanhos que variavam de alguns centímetros até 12 metros de envergadura (da ponta de uma asa até a da outra). Eles viveram na Terra entre 225 e 66 milhões de anos atrás, na era Mesozoica, e desapareceram sem deixar descendentes entre os animais modernos. Pterossauros, os primeiros animais a voar Um dos que voaram pelos céus brasileiros no passado remoto foi o Tupandactylus imperator, com cinco metros de envergadura, que viveu há 115 milhões de anos, na Chapada do Araripe. Outro foi o Anhanguera santanae, 110 milhões de anos, na Formação de Santana – daí o seu nome – na mesma região. Ele podia medir até cinco metros de envergadura e ter 1,5 metro de altura e pesar 30 kg. Mais recentemente, há 80 milhões de anos, viveu no Paraná – o fóssil foi encontrado em Cruzeiro do Oeste – o Caiuajara dobruskii, uma espécie menor, que atingia cerca de 2,80 metros de envergadura. O que chamava a atenção em todos eles era uma enorme crista, cuja função ainda não é bem conhecida. Um pouco antes dessa época, há 120 milhões de anos viveu o menor crocodilo de que se tem registro na Terra. Com cerca de apenas 60 cm, o Susisuchus anatoceps, como foi batizado, viveu também na Chapada do Araripe e foi descoberto pela paleontóloga Juliana Manso Sayão, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Purussaurus, um jacaré de 15 metros Um parente seu gigante, o Purussaurus brasiliensis, o maior jacaré que já existiu, viveu entre 11 e 8,5 milhões de anos, em um megapantanal que cobria o território ocupado hoje pela Floresta Amazônica. "Com um crânio de mais de 1,2 metro de comprimento e mandíbulas capazes de esmagar um Fusca, ele alcançava facilmente os 15 metros de comprimento", informa Elias. "Suas presas incluíam roedores do tamanho de búfalos e tartarugas com cascos de mais de dois metros de comprimento, que coabitavam as águas daquelas antigas planícies alagadas." Entre essas duas épocas, existiu no sudeste, há 20 milhões de anos, a Paraphysornis brasiliensis. "Ela pertencia a um grupo chamado popularmente de 'aves do terror'", explica Sales. "Essa espécie devia atingir mais de dois metros de altura e possuía um crânio de cerca de 60 cm de comprimento com um bico próprio para matar. Devia estar entre os principais predadores de seu tempo. Imagina fazer um safari naquela época e testemunhar uma ave carnívora de mais de dois metros correndo atrás de várias presas. Certamente não é algo que se vê hoje." Preguiças e tatus do tamanho de um fusca Entre os animais pré-históricos que viveram mais recentemente no Brasil, que se extinguiram há meros 10 mil anos, estão os que pertenceram à chamada megafauna do Pleistoceno (1,8 milhão a 11 mil anos atrás). Entre os mais espetaculares estava o Megatherium americanum, uma preguiça gigante com 6 m de cumprimento e que chegava a três metros de altura, quando erguida nas patas traseiras. Havia várias espécies desses bichos, alguns menores que isso, que caminhavam vagarosamente pelos campos, se alimentando de folhas de arbustos e árvores baixas. Havia também o gliptodonte (Pampatherium paulacoutoi), uma espécie de tatu gigante das savanas, que podia atingir quase o tamanho de um carro, que escavava o solo e comia um pouco de tudo, desde frutos até vermes. Semelhante em tamanho, forma e hábitos aos atuais elefantes, o mastodonte Haplomastodon waringi, foi outro representante da megafauna brasileira, assim como a macrauquênia (Macrauchenia sp.), um herbívoro parecido com um camelo moderno e do mesmo tamanho, mas com uma tromba curta. Tigre-dente-de-sabre, um felino com presas de 30 cm Ainda viveram em terras brasileiras naquela época duas espécies de toxodontes, Toxodon platensis e Trigonodops lopesi, com um tamanho comparável ao de um rinoceronte ou hipopótamo modernos e que se alimentavam de folhas e capim. Entre os predadores chama a atenção o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator), um felino maior do que leões e tigres modernos, que chegava a pesar 400 kg. Sua característica mais impressionante eram as duas afiadas presas, armas mortíferas com até 30 centímetros de comprimento. Saber da existência desses animais pré-históricos e estudá-los não é mera curiosidade. "As espécies que aqui viveram compõe um grande capítulo da história da vida no planeta Terra", diz a bióloga e paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "Não investir em pesquisar esta história é como deixar de lado centenas de páginas de um livro, do qual talvez dependa a nossa existência e sobrevivência neste planeta. Este livro não só conta como as coisas foram no passado, mas contêm a sabedoria de muitas espécies que já se foram e têm muito a nos ensinar." De acordo com ela, os pesquisadores têm aprendido cada vez mais sobre o que aconteceu no território do Brasil no passado e descobriram que passos excitantes da história evolutiva da vida se desenrolaram nele, como possivelmente a origem dos próprios dinossauros. "É por isso que o nosso país tem atraído tanta atenção de estudiosos da vida extinta de todo o planeta", diz. "Os olhos do mundo estão voltados para nós. Apesar dos grandes avanços feitos nas últimas décadas, nós apenas arranhamos a superfície deste conhecimento. Temos muito para cavar e para descobrir. Muito para aprender com os mortos, com aqueles que já se foram."
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17/08 - Os vilões do estômago: seis hábitos que atrapalham a digestão
Mudar atitudes simples pode reduzir o desconforto após comer. Cólicas, gases e estufamento são alguns problemas que podem ocorrer quando a digestão não ocorre facilmente. Shutterstock Comer é um prazer, mas a sensação que chega logo depois nem sempre é tão agradável assim. Azia, desconforto, estufamento e gases são sintomas que podem aparecer quando a refeição não cai bem. Como evitar as cólicas e as dores abdominais “Não há nada que atrapalhe a digestão a ponto de ela não ocorrer, mas alguns hábitos e alimentos podem tornar esse processo um pouco mais desconfortável”, alerta Ana Cristina Amaral, professora do departamento de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ajudar você a ficar de bem com seu estômago, o G1 listou quais são os principais hábitos inimigos da boa digestão. Confira. 1. Não mastigar bem os alimentos A gente até aprendeu na escola que a digestão começa na boca com a mastigação, mas nem sempre lembra disso na pressa de comer. “É um passo fundamental. Além de quebrar os alimentos fisicamente, mastigar diversas vezes permite que as enzimas presentes na boca iniciem o processo de digestório”, afirma o gastroenterologista Décio Chinzon, secretário geral da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Quando você não mastiga com calma sua comida, a digestão se torna mais trabalhosa para o estômago e tende a demorar mais, o que pode causar desconfortos. 2. Comer muito rápido Esse é outro hábito comum de quem dedica pouco tempo para as refeições e que pode gerar consequências desagradáveis. Comer com muita pressa faz com que o estômago distenda rapidamente, provocando dor e prejudicando a digestão. “Normalmente, quem come rápido também costuma falar enquanto come e acaba deglutindo muito ar com o alimento. Isso também distende o estômago, o que pode deixar a pessoa inchada, com vontade de arrotar e aquela sensação de estar ‘cheia’”, complementa a professora da Unifesp Ana Cristina Amaral. 3. Ingerir muito líquido durante a refeição Beber enquanto come não faz mal, mas não dá para exagerar. “Quando se faz uma ingestão de muito volume, o estômago fica distendido e pode gerar desconforto”, diz a professora Ana Cristina. A quantidade limite de bebida varia de pessoa para pessoa - e também do quanto você comeu junto. As bebidas gaseificadas, inclusive a água, tendem a distender ainda mais o estômago. 4. Deitar logo depois de comer Não é lenda: é sempre bom permanecer de pé ou sentado após as refeições. O efeito da gravidade ajuda a conduzir os alimentos para o lugar certo. “Principalmente quem tem refluxo precisa esperar uma ou duas horas para deitar”, recomenda Ana Cristina. Ou seja: aquele cochilo depois do almoço só está liberado se for encostado, não deitado. 5. Usar roupas muito apertadas na barriga Não é à toa que abrir o botão da calça depois de comer dá uma sensação de alívio. “Roupas apertadas na altura do estômago comprimem a câmara gástrica, dificultando a sua expansão”, afirma Décio Chinzon, gastroenterologista da FBG. 6. Exagerar no consumo de alguns alimentos Eles não estão proibidos (pelo contrário, são nutricionalmente importantes para a saúde), mas é sempre bom não exagerar no consumo de alimentos como feijão, brócolis, repolho, couve-flor, lentilha e grão-de-bico. “Eles são ricos em um tipo de carboidrato chamado rafinose, e o nosso organismo não tem enzima suficiente para fazer a digestão desse carboidrato. Esses alimentos acabam sendo fermentados no intestino, o que gera a produção de gases”, diz a professora da Unifesp. Na hora de montar o prato, evite também os alimentos muito gordurosos e as frituras. E lembre-se de sempre fazer pequenas refeições ao longo do dia. “Chegar em casa esfomeado à noite, fazer um prato enorme e se deitar em seguida: essa é a fórmula do desastre”, comenta Chinzon.
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16/08 - Com consulta sobre canabidiol perto do fim, governo sinaliza posição contra plantio
Consulta pública sobre liberação do cultivo da maconha no Brasil já recebeu mais de 430 contribuições. Em entrevista à rádio CBN, ministro Onyx Lorenzoni disse que governo é favorável à importação do canabidiol, mas não à legalização do plantio. Anvisa está em processo de avaliação sobre o plantio da 'Cannabis sativa' no Brasil para fins medicinais e científicos Reuters Já são mais de 430 as contribuições enviadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a proposta de liberar o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil para fins medicinais e científicos. Embora a Anvisa tenha aprovado em junho duas propostas com indicações para regulamentar o plantio de maconha no país, o governo federal sinalizou posição contrária. Em entrevista à rádio CBN nesta sexta-feira (16), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não é contrário à importação do canabidiol nem à sua formulação em medicamentos ou tratamentos de saúde no Brasil. O canabidiol é uma das substâncias presentes na maconha, já bastante usada no tratamento de várias doenças. Ele deixou de ser proibido no Brasil em 2015. 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa Porém, segundo Lorenzoni, permitir o plantio da maconha no país pode "abrir as portas para a legalização das drogas". "O governo não tem nenhum problema com o medicamento. Nosso problema é abrir a porta para a liberação de drogas no Brasil. O plantio para uso medicinal abre essa porta. Isso não queremos permitir." - Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, em entrevista à CBN As duas propostas preliminares da Anvisa foram aprovadas em votação unânime pelos quatro diretores da área técnica da agência, após reunião colegiada. O passo seguinte foi a abertura de uma consulta pública sobre o tema, cujo prazo termina na segunda-feira (19). Depois da avaliação das respostas, os diretores devem voltar a se reunir e apresentar o seu parecer final. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni Marcos Corrêa/Presidência da República A primeira proposta é para uma resolução que regulamenta os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da cannabis para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos. Entenda as propostas para liberar o cultivo de maconha no Brasil Entretanto, a regulamentação do plantio para fins medicinais não dependeria de um aval do governo federal. Lorenzoni afirma que a administração Bolsonaro não é contrária à desburocratização e a uma redução da taxação sobre produtos de canabidiol. "Hoje, o governo está no caminho de facilitar que os laboratórios brasileiros tragam para cá o canabidiol sintetizado fora do Brasil", disse Lorenzoni. Segundo o ministro, o governo não pretende emitir uma Media Provisória (MP) sobre esse assunto e gostaria que a questão fosse resolvida "nos próximos 30 dias". Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta?
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16/08 - Redes sociais não fazem mal, desde que não substituam atividades mais saudáveis, diz estudo
Pesquisa entrevistou milhares de adolescentes em escolas inglesas e também revelou que meninas são mais vulneráveis a 'cyberbullying'. Especialistas recomendam que celulares sejam deixados longe dos quartos depois das 22h TV Globo As redes sociais fazem mal para os adolescentes? A pergunta que tira o sono de pais, educadores e cientistas em todo o mundo recebeu, por ora, uma nova resposta. E ela é: as redes não prejudicam diretamente os mais jovens, mas podem tirar o tempo que eles gastam em atividades vitais e saudáveis, como dormir e se exercitar. O alerta vem de pesquisadores do Reino Unido, que recomendam a proibição de celulares depois das 22h e incentivos a atividades físicas. Segundo o estudo, as meninas são especialmente vulneráveis ​​ao cyberbullying, o que pode levar a problemas psicológicos. No Reino Unido, nove em cada dez adolescentes usam redes sociais e há uma crescente preocupação com o seu impacto na saúde mental dos mais jovens. Até agora, as conclusões das pesquisas são contraditórias devido à falta de estudos de longo prazo. Neste estudo recente, publicado no na revista médica especializada "The Lancet Child & Adolescent Health", mais de 12 mil adolescentes em idade escolar na Inglaterra foram entrevistados durante três anos, dos 13 aos 16. Eles cursavam os anos 9, 10 e 11 (equivalentes ao 9º ano do ensino fundamental e 1º e 2º do ensino médio no Brasil) do sistema de ensino britânico. O que o estudo fez? Os adolescentes informaram com que frequência checavam redes como Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter diariamente, mas não quanto tempo gastavam usando-as. No ano 9, a maioria (51%) das meninas e 43% dos meninos entraram em redes sociais mais de três vezes por dia; no ano 11, a frequência subiu para 69% entre os meninos e 75% entre as meninas. Já no ano 10, os mesmos jovens preencheram um questionário sobre sua saúde mental e relataram experiências de cyberbullying, sono e atividade física. No ano 11, os adolescentes avaliaram seus níveis de felicidade e ansiedade. Na pesquisa, meninas disseram usar redes sociais com mais frequência que meninos AJ PHOTO/BSIP/AFP O que a pesquisa encontrou? Os meninos e meninas que verificavam suas redes mais de três vezes por dia tinham pior saúde mental e maior sofrimento psicológico. As meninas também parecem mais propensas a dizer que são menos felizes e mais ansiosas à medida que os anos avançaram, ao contrário dos meninos. Os pesquisadores dizem que há indícios de um vínculo forte entre o uso de redes sociais e saúde mental. Nas meninas, os efeitos negativos são revelados principalmente em perturbações do sono, ciberbullying e, em menor medida, falta de exercício. Nos meninos, os fatores também têm um impacto, mas muito menor. Os pais devem se preocupar? O coordenador do estudo, Russell Viner, professor de saúde do adolescente do University College London, diz: "Os pais andam em círculos quando o assunto é o tempo que seus filhos passam nas redes sociais todos os dias." "Mas eles deveriam se preocupar com a quantidade de atividade física e sono dos filhos, porque as mídias sociais estão substituindo outras coisas." As redes sociais também podem ter um efeito positivo nos adolescentes e "desempenham um papel central na vida de nossos filhos", acrescentou. Também envolvida no estudo, a professora de psiquiatria infantil, Dasha Nicholls, da universidade Imperial College London, completa: "Não é o tempo na rede social em si, a questão é quando ela desloca os contatos e atividades da vida real." "A questão é encontrar um equilíbrio." É diferente para meninos? A equipe de especialistas diz que, embora tenha observado diferenças no uso de redes sociais entre garotas e garotos, elas ainda não são bem compreendidas. Também são necessários outros estudos para descobrir de que forma o uso das redes sociaiso pode influenciar o sofrimento psicológico dos meninos. E quanto ao cyberbullying? Nicholls diz que os pais devem monitorar as atividades de seus filhos para ter certeza de que não estão acessando conteúdo prejudicial, principalmente à noite. "Com o cyberbullying, nem a nossa cama é um lugar seguro. Mas, se o seu celular estiver em outro cômodo da casa, você não pode ser intimidado em sua cama." Louise Theodosiou, do corpo docente sobre crianças e adolescentes do Royal College of Psychiatrists (organização profissional de psiquiatras do Reino Unido), diz: "Mais estudos são necessários para entender como podemos evitar os impactos mais negativos das redes sociais, particularmente em crianças e jovens vulneráveis." "É justo que as empresas de redes sociais contribuam para financiar esses estudos e façam mais para apoiar os jovens a usar a internet com segurança."
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16/08 - Por que há tantos casos? Quais são os sintomas? 16 dúvidas sobre o surto e a vacinação do sarampo
Campanha de vacinação contra a doença termina nesta sexta-feira, mas vacinas continuarão a ser dadas nos postos de saúde, e quem não tem certeza de estar imunizado deve tomá-las, diz Ministério da Saúde. Vacina continuará disponível em postos de saúde, mesmo com o fim da campanha nacional, diz Ministério da Saúde Marcelo Camargo/Agência Brasil O sarampo volta a preocupar no país: no estado de São Paulo, principal foco do surto atual, já tem 1.319 casos confirmados da doença, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. A maioria dos pacientes (997) se concentra na capital. O Ministério da Saúde, que deve atualizar seu boletim nesta sexta-feira (16), tem até o momento contabilizados casos também no Rio (4), um na Bahia e um no Paraná. O Brasil chegou a receber, em 2016, o certificado da Organização PanAmericana de Saúde de país livre do sarampo, mas o surto atual – bem como o ocorrido no ano passado, em Rondônia e Amazonas – trouxeram a doença de volta ao centro das discussões de saúde pública. É também na sexta-feira que acaba a campanha nacional de vacinação contra a doença, mas, segundo o Ministério da Saúde, a vacina continuará disponível nos postos de saúde e na rede particular. A seguir, veja respostas a 16 dúvidas comuns sobre a doença, o surto e como se proteger: 1. Por que São Paulo é o foco do surto atual? Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto Emilio Ribas (SP), explica que o vírus em circulação atualmente é geneticamente semelhante ao que tem circulado na Europa e em Israel. "E São Paulo é a porta de entrada do país (pela quantidade de voos), além de a capital ser uma cidade com alta densidade populacional. É muito fácil que seja transmitido no metrô, por exemplo. Uma pessoa infectada transmite para outras 18, com rapidez", diz à BBC News Brasil. 2. Quem ainda deve tomar a vacina? Todo mundo que nunca tomou a vacina e todos aqueles que não têm certeza se já tomaram ainda podem procurar os postos de saúde mesmo após o fim da campanha de vacinação, explica à BBC News Brasil o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira. O ideal, diz ele, é que todos entre 1 a 29 anos tenham tomado as duas doses da vacina, e que pessoas de 30 a 49 anos tenham a certeza de que tomaram ao menos uma dose. "Na dúvida, é melhor tomar a vacina", afirma Oliveira. Além disso, em áreas de surto ativo, como São Paulo, bebês entre seis e 11 meses continuarão a ser vacinados. E fica mantido o calendário de vacinação tradicional: mesmo os bebês que tiverem sido vacinados contra o sarampo na campanha atual devem tomar a vacina tríplice viral aos 12 meses de idade (1ª dose) e a tetra viral aos 15 meses (2ª dose). Ao mesmo tempo, crianças pequenas que já tenham tomado a tríplice e a tetra não precisam ser vacinadas novamente contra o sarampo. Por fim, também continuará o chamado "bloqueio vacinal", que é a vacinação de pessoas de qualquer idade que tenham tido contato com pessoas infectadas pelo sarampo. O ideal é que essas pessoas sejam vacinadas em até 72 horas depois desse contato. 3. Quem são os mais vulneráveis à doença? Uma das maiores incidências no surto atual é entre crianças menores de quatro anos, explica Oliveira, o que causa preocupação no Ministério da Saúde. "É o grupo mais vulnerável e também o em que a doença pode ter mais gravidade e até mesmo causar a morte", diz ele. 4. Quais os sintomas e riscos do sarampo? Os principais sintomas são febre (acima de 38,5º) e manchas avermelhadas na pele – começam no rosto e atrás das orelhas, e depois, se espalham pelo corpo. Podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação nos olhos, coriza e congestão nasal. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também são comuns dno estágio inicial da doença. Richtmann explica que um grande perigo do sarampo é o fato de ele baixar muito a imunidade do paciente, deixando-o suscetível a outras infecções. "Ele fica mais vulnerável a pneumonias e otite. Outros riscos são vírus do sarampo causar inflamação no pulmão ou encefalite (inflamação do cérebro)." A maior vulnerabilidade é em crianças de até dois anos de idade, sobretudo nas desnutridas, adultos jovens e indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade, e podem deixar sequelas, tais como diminuição da capacidade mental, cegueira, surdez e retardo do crescimento. O agravamento da doença ainda pode levar à morte. Por isso, a preocupação principal é com crianças pequenas e com pessoas cujo sistema imunológico já estava debilitado. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1 5. A vacina é segura? Tem riscos? A vacina, tanto na rede pública quanto na privada, é segura, diz Oliveira, agregando que uma dose protege em 93% dos casos e duas doses têm uma eficácia de 97%. Não adianta tomar doses adicionais, porque a proteção não chegará a 100%. A vacina é feita de vírus vivo atenuado (enfraquecido) e atua de forma a estimular o sistema imunológico a desenvolver anticorpos para combater os "invasores". Ela é administrada por injeção subcutânea. Algumas pessoas podem ter reações, mas, no geral, elas são leves, benignas, de curta duração e autolimitadas. As mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação e febre. 6. Há gente que se vacinou e mesmo assim ficou doente. Por quê? Segundo Oliveira, do Ministério da Saúde, isso se deve justamente a esse grupo de 7% a 3% que não fica totalmente protegido pela vacina. "Mas, nos vacinados que apresentarem sintomas, a doença será mais branda e menos transmissível", afirma. 7. Depois da vacina, quanto tempo leva para eu criar anticorpos? Segundo Richtmann, o tempo de incubação é de duas semanas. O que significa que podem passar duas semanas entre se vacinar e criar anticorpos. O mesmo tempo pode levar entre entre o contato com o sarampo e os primeiros sinais da doença. Antes de viajar para locais com incidência da doença, deve-se procurar um posto de saúde, com pelo menos, 15 dias de antecedência, se ainda não tiver sido imunizado. 8. Posso estar transmitindo o vírus mesmo sem ter sintomas? Sim, explica Oliveira. "O vírus, ao entrar no organismo, já se reproduz. Pode levar, em média, quatro a seis dias para que (uma pessoa infectada) tenha manchas na pele e febre, mas mesmo antes disso ela já está disseminando a doença. Por isso ela é altamente contagiosa." 9. O vírus em circulação atualmente é diferente do de outras épocas? Richtmann explica que eventuais mutações genéticas do vírus ainda estão sendo estudadas, mas agrega que isso não põe em xeque, até o momento, a eficácia da vacina disponível. Oliveira destaca que há diferentes subtipos da doença, mas "as características de todos são reconhecidas pelo nosso sistema imunológico". O que significa que a vacina protege contra todos os subtipos, e que quem já teve sarampo também está protegido contra todos. 10. Se eu acho que estou com sarampo, o que devo fazer? "A primeira coisa a fazer é não ir ao trabalho, à escola ou ao shopping", adverte Rosana Richtmann. Ou seja, evitar qualquer tipo de aglomeração, para não espalhar ainda mais o vírus. Pessoas que estejam se sentindo bem apesar dos sintomas podem ficar de repouso em casa até o ciclo da doença passar, lembrando de se hidratar, comer bem, descansar e tomar medicamentos para baixar a febre. Crianças pequenas, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que estejam inseguras a respeito da doença devem procurar atendimento médico, e exames de sangue podem confirmar se se trata mesmo de sarampo. 11. Como prevenir o sarampo? A vacina é a principal medida de prevenção. É bom também lavar sempre as mãos, proteger o espirro e evitar aglomerações. 12. Por que o sarampo voltou? A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização PanAmericana da Saúde (Opas) mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes, a maioria entre crianças menores de cinco anos. Neste ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo triplicaram nos sete primeiros meses em comparação com o mesmo período de 2018. Só nas Américas, entre 1º de janeiro e 18 de junho de 2019, a doença foi confirmada em 13 países: Argentina, Bahamas, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (adquiridos dentro do país) desde o ano 2000 – entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados. Em 2018, no entanto, a doença reapareceu na região Norte, nos Estados do Amazonas, Roraima e Pará, acompanhando venezuelanos que fugiam da crise no país. Já os vírus que atingiram São Paulo, neste ano, vieram com pessoas que foram infectadas na Noruega, em Malta e em Israel. O problema é que a cobertura vacinal da patologia no país está abaixo do patamar ideal, que é acima de 95%. Pelas informações do Ministério da Saúde, em 2018, esse índice, relacionado à vacina tríplice viral em crianças de um ano de idade, foi de 90,80%. Em 2015, chegou a 96,7%. E as razões para isso são várias, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem: medo de ter reação à imunização; desconhecimento de que existe um calendário de vacinação específico para adultos e idosos; falsa sensação de segurança por parte de pessoas que não vivenciaram surtos de doenças; dificuldade de acesso aos postos de saúde no horário comercial; notícias falsas relacionadas a vacinas; e grupos antivacina. 13. O que é o sarampo? O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, altamente contagiosa e que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. Sua transmissão se dá de forma direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, respirar e falar. 14. Por que os jovens de 15 a 29 anos foram o foco da campanha recente? Pessoas de todas as faixas etárias precisam ter as duas doses da vacina, mas os jovens dessa faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação. Assim, muitos não a tomaram e, por isso, não estão totalmente protegidos. 15. Para quem a vacina contra o sarampo não é indicada? Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas, quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade. 16. Quem já teve a doença precisa se vacinar? Não. Quem já foi infectado com o vírus desenvolveu anticorpos contra ele. Dessa forma, não precisa se vacinar, nem pegará a doença de novo.
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16/08 - Mancha vermelha em Júpiter é um furacão do tamanho da Terra que encolhe por razão ainda misteriosa
Planeta Júpiter Nasa Semana passada a NASA divulgou sua imagem mais recente do planeta Júpiter. Desde 2014 a agência espacial norte-americana vem fazendo imagens frequentes dos gigantes gasosos do Sistema Solar. O programa, chamado de legado dos planetas exteriores, tem por objetivo monitorar a dinâmica da alta atmosfera de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno com uma foto por ano, pelo menos. As espetaculares imagens de Saturno que mostram suas milhões de 'miniluas' Imagens desses planetas existem já há mais tempo do que isso, especialmente de Júpiter e sua Mancha Vermelha gigante. Na imagem divulgada na semana passada ela está em grande destaque, como você pode ver logo abaixo e, talvez por isso, a informação mais importante que a imagem nos mostra foi negligenciada: a Grande Mancha Vermelha continua encolhendo. Mancha vermelha em Júpiter na verdade é um furacão Nasa A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um poderoso furacão que já dura mais de 300 anos, mas ela deve ser ainda mais antiga. A primeira descrição de uma mancha vermelha em Júpiter foi feita por Robert Hooke em 1664, mas é bem provável que essa mancha não seja a mancha “atual”. Hooke a descreveu como estando no hemisfério norte, mas desde 1665 ela é vista no hemisfério sul. Quem descobriu a mancha “certa” foi o astrônomo italiano Giovanni Cassini. A mancha é um grande furacão que abre um vórtice na alta atmosfera e expõe camadas inferiores das nuvens de Júpiter. Essas camadas têm composição química e temperaturas diferentes, por isso sua cor característica de laranja tijolo. A base desse furacão está em algo como 1.200 km abaixo da superfície visível das nuvens. Isso dá mais ou menos 100 vezes mais profundo do que o mais profundo que se pode chegar em um oceano na Terra. Desde 1830 a mancha vem sendo monitorada ininterruptamente e a cada ano ela encolhe um pouco. Ou muito em se tratando de Júpiter. Eu me lembro que há uns 20 anos eu falava que caberiam entre 2 e 3 Terras na mancha. Essa última imagem do Hubble mostra que agora só caberia uma! Ninguém sabe o que se passa na atmosfera profunda que possa estar causando essa perda de energia na mancha de modo a fazer com que o furacão perca força. A sonda Juno, que recentemente ganhou uma extensão em sua missão de estudar Júpiter, tem instrumentos em micro-ondas que podem registrar o comportamento da atmosfera, medindo sua temperatura por exemplo, até mais ou menos 10 km de profundidade. Isso significa que não temos muitos elementos para fechar uma explicação plausível. Ao que parece esse encolhimento é um processo cíclico e, ao longo dos quase 200 anos de monitoramento contínuo, ela passou por momentos mais majestosos e outros mais humildes de tamanho reduzido. Antes de 1830, há períodos em que ela não é mencionada nas observações, indicando que ela pode ter desaparecido durante um tempo para retornar depois. Todavia, os registros dessa época não são muito precisos, é possível que ela estivesse e ninguém tenha mencionado justamente porque ela sempre esteve lá. De todo modo, se o atual nível de encolhimento se mantiver, é bem possível que em menos de 20 anos ela se torne uma mancha bem menor e circular, ao invés da forma ovalada atual. Isso se não acontecer antes, pois agora em 2019 começou-se a ver que a mancha está se “despedaçando” pelas beiradas. Ainda não houve tempo para avaliar se esse processo continuará ou se é apenas um evento esporádico, mas a persistir, pode ser que a Grande Mancha Vermelha encolha mais rapidamente, podendo até a desaparecer. Tomara que não, né? Consegue imaginar Júpiter sem a Grande Mancha Vermelha? Para mim é um golpe tão duro quanto Saturno perder os anéis.
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15/08 - O desenho secreto encontrado sob uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci 
A National Gallery diz que as descobertas dão "uma nova visão" sobre a mente criativa do artista. Desenho secreto encontrado sob o quadro Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci  National Gallery Uma análise em uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci revelou novas informações sobre uma composição escondida sob a pintura. Especialistas encontraram projetos iniciais para o anjo e o menino Jesus sob a superfície da pintura Virgem das Rochas. Os desenhos são significativamente diferentes da pintura final, que fica na National Gallery, em Londres. Os traços ocultos foram revelados usando um sistema de raio-X e imagens infravermelhas e hiperespectrais. Uma descoberta anterior, de 2005, revelou que a postura da Virgem havia sido alterada, mas havia apenas indícios das outras figuras. De acordo com o chefe de conservação da National Gallery, Larry Keith, as descobertas "dão uma nova visão de como Da Vinci estava pensando". A pesquisa revela que o anjo e o Cristo bebê foram originalmente posicionados mais acima no desenho, com o primeiro voltado para fora e olhando para baixo. Não se sabe por que Leonardo abandonou sua composição original. Desenho original descartado por Leonardo Da Vinci na produção da obra-prima Virgem das Rochas National Gallery Keith disse à BBC que a descoberta se encaixa "em uma narrativa mais ampla sobre ele como um artista que estava sempre mudando, ajustando e revisando suas pinturas". Marika Spring, chefe de ciência da National Gallery, disse: "Em 2005, a figura da Virgem ficou muito clara. Desta vez pudemos ver um anjo e um menino Jesus que não foi possível ver antes. Podíamos ver algumas linhas, mas não conseguíamos ver o que era". "Nós conseguimos ver parte da composição e agora temos muito mais compreensão de todo o arranjo do grupo", disse Keith. Leonardo da Vinci foi contratado para pintar a Virgem das Rochas para decorar um retábulo de capela em Milão em 1483. Seu título completo é "A Virgem com o Menino São João Batista, adorando o Menino Jesus, acompanhados por um Anjo". Uma versão diferente da pintura está no museu Louvre, em Paris. As duas versões foram reunidas para uma exposição em 2011. A Virgem das Rochas será o foco de uma exposição "imersiva" ainda este ano, que investigará a pintura "e a mente inventiva que a criou". A exposição vai de 9 de novembro a 12 de janeiro, na National Gallery, no centro de Londres. Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci National Gallery
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15/08 - Como a vida moderna aumentou o estresse – e como podemos evitá-lo
Com a mudança do trabalho físico para atividades que dependem mais da mente, o estresse crônico tem se tornado cada vez mais problemático - alguns estudos estão tentando desvendá-lo. Ficar conectado o tempo todo é um dos principais fatores de estresse Pixabay Em novembro de 2017, dois cirurgiões oftalmológicos de um hospital em Beirute, capital do Líbano, relataram um caso intrigante de um problema de visão sofrido por um colega. Especialista em retina, ele de repente desenvolveu uma mancha na vista. Depois de passar um dia estressante na sala de cirurgia, a visão do médico ficou embaçada em um dos olhos. E não foi a primeira vez que isso tinha acontecido. O cirurgião havia sofrido quatro episódios do tipo em apenas um ano, cada um precedido por um dia estressante. O diagnóstico dele foi de coriorretinopatia serosa central (CSR). Uma pequena quantidade de líquido se acumulou sob uma pequena região da retina do cirurgião, fazendo com que ela se soltasse temporariamente. Ele melhorou depois de algumas semanas, e um plano rígido de controle do estresse no hospital impediu que outro episódio voltasse a ocorrer. Descrita pela primeira vez em 1866, a CSR tem sido ligada a estresse desde a Segunda Guerra Mundial, quando vários casos foram relatados entre militares. Embora pesquisas subsequentes tenham associado a CSR ao estresse, muitas vezes ela é rotulada como "idiopático" (decorrente de uma causa desconhecida). Mas os cirurgiões de Beirute rotularam a condição "CSR da sala de cirurgia", identificando o estresse como causa. Ao refletir sobre o que tornara o colega vulnerável ao estresse, os médicos notaram que novas técnicas cirúrgicas, possibilitadas por uma tecnologia melhor, estenderam os limites físicos do que um cirurgião é capaz de fazer. Embora esse progresso tivesse ampliado o escopo da cirurgia, operar nesses limites colocava uma enorme tensão mental no cirurgião. Em 1959, o especialista em gestão Peter Drucker previu que uma transição dramática na natureza do trabalho ocorreria 50 anos depois. Ele cunhou um termo para este novo tipo de serviço, o "trabalho de conhecimento". Ele antecipou que esse novo modelo envolveria uma mudança do esforço físico para o mental. Mais tarde, Drucker escreveu que o centro de gravidade do trabalho mudaria para "o homem que põe para trabalhar o que tem entre as orelhas, em vez da habilidade de suas mãos". A evolução da cirurgia do olho validou algumas das previsões de Drucker. À medida que a tecnologia avança, ela troca de foco, da habilidade física das mãos do cirurgião para as habilidades mentais de análise e concentração. Uma sala de operações de cirurgia ocular é, até certo ponto, um microcosmo do local de trabalho no mundo de hoje, onde a natureza evolutiva exige menos do corpo e mais da mente. Consequentemente, a mente está se tornando uma grande vítima de riscos ocupacionais. De acordo com o Health and Safety Executive (HSE), agência de incentivo e regulação da saúde do Reino Unido, o estresse, a depressão ou a ansiedade responderam por 57% de todos as faltas no trabalho por doença nos anos de 2017 e 2018. A crescente importância da mente sobre a produtividade tem despertado interesse também sobre os malefícios desse fenômeno. O foco caiu no estresse. Pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos BBC/BBC János Hugo Bruno "Hans" Selye, um médico canadense-húngaro, cunhou a primeira definição de "estresse" na década de 1930. Ele pegou emprestada a palavra de Robert Hooke, físico inglês do século 17, que descreveu a relação entre estresse físico sobre um objeto e a consequente tensão. Selye teria se arrependido de ter usado a palavra "estresse" em vez de "tensão", o que deixou o primeiro termo com um legado de certa ambiguidade. Desde a época de Selye, pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos. Sabemos hoje que os bungee jumpers se tornam resistentes à insulina imediatamente após um salto. E que o estresse de dar aulas para 200 alunos gera marcadores de inflamações em professores universitários. Esses processos oferecem vantagens quando em situações de perigo. A resistência temporária à insulina, por exemplo, garante que o açúcar atinja um cérebro sob pressão, enquanto a inflamação ergue um escudo protetor contra visitantes indesejados que entram através de ferimentos. Os efeitos de uma reação de estresse aguda e saudável são, em sua maioria, temporários, cessando quando uma experiência estressante termina. E quaisquer efeitos duradouros podem às vezes nos deixar melhor do que antes. Estudos em ratos, por exemplo, descobriram que o estresse por algumas horas pode aumentar o número de células cerebrais "recém-nascidas" em uma parte do cérebro, o que pode corresponder a um melhor desempenho em certos tipos de testes de memória. Porém, o estresse muito frequente, muito intenso ou mesmo constante nos coloca sob tensão prolongada. Vários dos agentes envolvidos no estresse passam a reagir de forma não-linear - seus efeitos mudam de curso com a atividade prolongada. Como resultado, o estresse crônico induz uma mudança gradual e persistente nos parâmetros psicológicos e fisiológicos que tendem a caminhar por rumos incertos e desordenados. Os braços simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso autônomo - uma rede nervosa que controla processos involuntários, como pressão sanguínea, respiração e digestão - desempenham um papel crucial no desenvolvimento da resposta aguda ao estresse. Durante períodos de medo ou raiva, a atividade simpática (responsável pela resposta de "luta ou fuga") sobe temporariamente e a atividade parassimpática (das respostas "repousar e digerir") diminui. Se esse padrão de atividade persistir na ausência de estresse, no entanto, esse processo pode levar a hipertensão e outras doenças. Da mesma forma, enquanto a reatividade emocional temporária sob estresse agudo nos ajuda a prever o perigo, uma mudança sustentada na dinâmica da regulação emocional pode nos levar a transtornos de humor. Mudança estrutural Suspeita-se que o estresse crônico tenha um papel no crescente ônus global da hipertensão e do diabetes tipo 2. Pesquisas apontam que, com os ratos, ele também aumenta a depressão. Outros estudos em animais e mesmo em humanos sugerem que o estresse crônico pode até alterar a estrutura do cérebro. No primeiro estudo do gênero, a professora Ivanka Savic e seus colegas do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, ambos na Suécia, recentemente compararam os cérebros de pessoas que sofrem de estresse crônico relacionado ao trabalho com aquelas saudáveis e menos estressadas. Para isso, eles usaram técnicas de ressonância magnética estrutural. Os pesquisadores encontraram uma diferença nas regiões ativas na alocação de atenção, tomada de decisão, memória e processamento de emoções. Nas pessoas estressadas, o córtex pré-frontal parecia mais fino, a amígdala parecia mais espessa e o núcleo caudado era menor. O afinamento no córtex pré-frontal se correlacionou com a pior regulação emocional. Para estabelecer se o estresse crônico tinha criado essas mudanças ou se simplesmente havia correlação, os pesquisadores fizeram a varredura dos cérebros novamente após um programa de reabilitação de estresse de três meses baseado em terapia cognitiva e exercícios respiratórios. O afinamento no córtex pré-frontal foi revertido. Embora o estudo tivesse limitações (não havia um grupo de controle de pessoas estressadas que não tinham se submetido a tratamento, por exemplo), essa reversão indicava a possibilidade de que o estresse crônico pudesse ter causado o afinamento. Outros estudos descobriram que altos níveis circulantes do hormônio cortisol se correlacionam com a piora da memória e com a diminuição de partes do cérebro, mesmo em uma idade relativamente jovem. Essas mudanças podem ser, em parte, consequência da natureza plástica de nossos cérebros, uma manifestação de seu extraordinário talento para se adaptar ao que quer que seja exigido dele. No meio de um combate, por exemplo, a reatividade emocional aumentada é uma vantagem de sobrevivência, enquanto as funções cognitivas superiores se tornam redundantes. Recalibrar o estado basal do cérebro para aumentar a eficiência poderia salvar a vida de um soldado em combate, por exemplo. No cenário de um local de trabalho que depende do foco e da complexa tomada de decisões, no entanto, a regulação emocional comprometida e o declínio da memória podem limitar a produtividade. A mudança na estrutura do cérebro é mal-adaptativa. O estresse crônico geralmente ataca através de uma rota psicossocial e é influenciado pela percepção. Embora isso torne o estudo empírico do problema desafiador, ele também revela um caminho potencial para o gerenciamento do estresse crônico: a experiência perceptiva de uma pessoa. Um exemplo é o efeito da "ruminação" de pensamentos. Relembrar uma experiência estressante depois que ela termina pode ativar caminhos similares à experiência real. Isso pode manter a reação de estresse "ativada", mesmo que o motor do problema não esteja mais presente. Isso faz com que a experiência seja percebida como mais angustiante do que realmente era quando aconteceu. Assim, prevenir que pessoas "ruminem" momentos negativos reduz a pressão arterial mais rapidamente após o período de estresse agudo. O estresse crônico tem sido associado à hipertensão e, em um pequeno estudo randomizado, pesquisadores americanos, incluindo Lynn Clemow, da Columbia University Medical Center, usaram o treinamento para o controle do estresse (com base em uma oficina cognitivo-comportamental) para efetivamente baixar a pressão arterial sistólica em pacientes com hipertensão. O declínio na pressão se correlacionou com um declínio na ruminação depressiva. O cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade BBC/BBC O elemento perceptivo do estresse pode ser a razão pela qual algumas intervenções entre mente e corpo, como ioga, técnicas de respiração e meditação, podem beneficiar o controle do estresse através de efeitos na melhoria da regulação emocional, reduzindo a reatividade ao estresse e acelerando a recuperação após o problema. Também pode explicar por que algumas técnicas, como a meditação, mostraram resultados mistos em estudos controlados. É possível que a técnica da meditação para atenção plena possa ser suscetível a ruminação e pensamentos negativos repetitivos em algumas pessoas, mas não em outras. O estresse percebido pode variar com fatores genéticos e epigenéticos, traços individuais, padrões de pensamento e comportamento, além da jornada da vida até o momento. Status e controle De certa forma, o cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade. Uma percepção de incerteza, imprevisibilidade ou falta de controle pode sinalizar que há uma falha em seu modelo de realidade e promover o estresse. Uma demonstração prática dessa teoria reside na maneira como o estresse é moderado por status social. Ter um alto status social atenua sua reação ao estresse psicológico. Então, se você acha que esse status pode ser desafiado e diminuído, talvez seja melhor que ele esteja em um patamar mais baixo. Essa sensação de perda de controle pode desempenhar um papel primordial no processo em que a competição, a desigualdade e o sentimento de ser julgado pelos outros geram estresse. Em um mundo previsível sobre o qual você tem controle de tudo, uma causa deve levar a um efeito previsível. Uma incompatibilidade frequente entre o esforço e a recompensa por ele frustra essa sensação de controle percebido. Consequentemente, um "desequilíbrio entre esforço-recompensa" é uma fonte de estresse crônico no local de trabalho. Ou seja, se você acha que faz um ótimo trabalho e não recebe os benefícios por esse esforço, a tendência é que seu estresse aumente. Não é apenas a natureza de nossas interações sociais que podem exacerbar o estresse. O impacto de algumas facetas da vida urbana na reação ao estresse também pode ter sido subestimado. A exposição à natureza, por exemplo, pode acelerar a recuperação após o estresse e diminuir seus marcadores. A luz brilhante ou a exposição noturna a telas de LED podem atrasar a liberação da melatonina, um hormônio que reduz a ansiedade. Exercícios físicos de baixa intensidade, por exemplo, reduzem os níveis circulantes de cortisol. A urbanização está aumentando o consumo de alimentos processados - e uma dieta baseada nesses produtos tem sido associada à incidência de sintomas depressivos em pelo menos dois grandes grupos de pessoas. Os nossos hábitos alimentares modificam os microrganismos que vivem no sistema digestivo. Esses microrganismos, através do contato com células imunitárias e outras vias, podem influenciar a forma como a mente reage ao estresse. Há evidências de que modelar a microbiota intestinal com alimentos específicos ou tomar probióticos podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade. Os primeiros resultados sugerem que tomar uma única cepa ou uma combinação de probióticos pode reduzir a fadiga mental e melhorar o desempenho cognitivo durante o estresse. Em uma exposição de 2015 no Petit Palais em Paris, o artista belga Thomas Lerooy apresentou uma metáfora visual perceptiva do estresse mental em uma exibição chamada "Não há cérebro suficiente para sobreviver". A escultura de bronze mostrava um corpo classicamente belo, arqueado pelo peso de uma cabeça grotescamente ampliada e bastante triste. Ao contrário da peça de Lerooy, a cabeça humana não se expande e afunda no chão à medida que sua carga de estresse se torna mais pesada. Fadiga mental depois de um procedimento oftálmico complexo é invisível. O quadro pintado pela exaustão mental é abstrato em comparação com os sinais bem reconhecidos de esforço físico. A tensão mental é um fator limitante de desempenho em uma idade em que a carga física é cada vez mais convertida em carga mental. À medida que avançamos na era da informação, é hora de o enigma do estresse crônico finalmente sair das sombras. *Mithu Storoni, cirurgião do olho, estudou doenças que afetam o cérebro visual. Também escreveu o livro "Stress-Proof: o guia definitivo para viver uma vida livre de estresse".
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