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10/12 - 'Por que o meu filho gosta de ver mil vezes o mesmo desenho?'
A repetição é uma parte importante do aprendizado de crianças, sobretudo as menores. É assim que elas dão sentido ao que aprenderam - e encontram conforto e segurança. As crianças aprendem e consolidam a informação por meio da repetição e precisam ver e rever até consolidar seu entendimento Getty Images/BBC Logo ao acordar, Bruno, de quase três anos, invariavelmente pede para assistir ao desenho de Os Três Porquinhos. Depois, ele reencena a história com seus brinquedos, várias vezes por dia. Pedro, da mesma idade, adora ver os mesmos livros infantis de sua coleção, repetidamente. Ana Gabriela, de sete anos, chegou a pedir para ver o filme dos Detetives do Prédio Azul três vezes no mesmo dia. Como manter uma alimentação saudável na infância Estados precisaram racionar vacina BCG, aplicada em recém-nascidos Pais, às vezes irritados de ter de ver os mesmos desenhos e repetir insistentemente as mesmas brincadeiras, muitas vezes se perguntam: por que as crianças ficam obcecadas por alguns objetos, personagens e histórias? Será que elas não cansam? "As crianças aprendem e consolidam a informação por meio da repetição. Elas precisam de diversas reproduções para realmente aprender - na primeira vez que veem um desenho, por exemplo, vão prestar atenção às cores; na quarta vez talvez foquem sua atenção na história, na linguagem ou no arco narrativo", explica à BBC News Brasil Rebecca Parlakian, diretora-sênior de programas da organização americana Zero to Three, que promove políticas voltadas a crianças de zero a três anos. "É assim que as crianças vão consolidando seu entendimento em uma coisa única." "Para nós, adultos, é uma repetição. Para elas, crianças, é uma reelaboração", diz Patricia Corsino, professora-associada da Faculdade de Educação da UFRJ e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Infância, Linguagem e Educação da universidade. "Isso se manifesta também nas brincadeiras de ir e voltar, nos pedidos de 'de novo' aos adultos quando eles fazem algo que agrada as crianças", explica a professora. "Nem sempre isso é feito pelos mesmos motivos por cada uma delas, mas o objetivo costuma ser o de se apropriar daquilo ou de buscar o afeto que sentiram (durante a brincadeira), para elas entenderem a si próprias dentro deste mundo tão complexo." Entrar na brincadeira é bom... As duas especialistas explicam que, quanto mais os adultos entrarem no jogo, mais criarão momentos para afeto, para a interação com as crianças e até para a ampliação do repertório delas. 'As crianças não precisam de muitas coisas. Precisam de poucas, mas com muita intensidade', diz professora Divulgação/Arquivo Parlakian começa lembrando que é bom limitar o uso de telas, mas ressalta que os pais podem, ao ver o mesmo desenho com as crianças, elaborar conversas e atividades a partir do que assistiram juntos. "'Vamos contar os números junto com o personagem?' ou então 'Como você acha que o personagem se sentiu naquele momento?'. Outra ideia é, depois de assistir, desligar a TV e fazer um jogo com base no desenho. Com isso, você transfere o que está na tela para a vida real, algo que normalmente não acontece com crianças pequenas se elas meramente assistirem ao desenho", diz a especialista. No caso de contos clássicos como Os Três Porquinhos, por exemplo, é possível ampliar o entendimento da criança contando a ela as diferentes versões existentes da história ou brincando de reencenar. "A exposição à mesma história com leves diferenças ajuda as crianças a consolidar o que aprenderam", diz Parlakian. "E reencenar as ajuda a entender como os personagens se sentem, o que as ajuda a desenvolver empatia." Mesmo sem mudar a história, mas escolhendo bons livros que possam ser lidos com prazer muitas vezes, os pais e cuidadores estarão dando grandes oportunidades para as crianças se desenvolverem, diz Patricia Corsino. "As crianças não precisam de muitas coisas. Precisam de poucas, mas com muita intensidade." ... mas se encher da repetição é compreensível Não tem nada de errado, no entanto, se os pais cansarem de assistir ao mesmo desenho pela milésima vez. "É natural os pais falarem que não querem mais e estabelecerem seus próprios limites", diz Corsino. Outra ideia é buscar a variedade dentro do mesmo tema, para expandir os horizontes da criança e dar a elas mais informações a respeito das coisas que elas tanto gostam. Parlakian conta que, aos três anos, sua filha adorava brincar de montar mesa de piquenique. "Certa vez, eu fiquei tão entediada de vê-la fazer isso pela milésima vez que sugeri: 'vamos fazer um piquenique de verdade no quintal?' Meu filho também teve uma fase em que ficou obcecado por caminhões. Então busquei mais livros sobre o tema e fiz com ele um passeio até um lava-rápido." E a repetição continua Repetição também traz sensação de conforto e segurança BBC Embora a repetição seja mais visível ao redor da faixa etária de dois a quatro anos, a vontade de ver/ouvir o mesmo filme, desenho ou história continua ao longo da infância e da adolescência, em graus diferentes. Isso porque a repetição, além de reforçar o aprendizado, traz uma sensação de conforto e segurança. "Muitos leem os livros do Harry Potter diversas vezes, e até mesmo adultos gostam de assistir várias vezes ao mesmo seriado. Essa previsibilidade e consistência nos faz sentir bem", prossegue Parlakian. "Mas, do ponto de vista das crianças, isso é ainda mais forte, porque o mundo tem tantas coisas novas acontecendo o tempo todo, e tantas estão fora do controle delas." Para crianças pequenas, ao redor dos dois a quatro anos, às vezes é o caso de simplesmente querer exercer sua autonomia - por exemplo, quando ela sempre insiste em usar um determinado par de sapatos e entra em crise se ele estiver sujo. "Para crianças dessa idade, o poder de fazer essa escolha (da peça de roupa) é algo muito forte, o que explica a crise de birra quando ela não consegue fazê-la", agrega Parlakian. "Nesses casos, minha sugestão é explicar por que aquele determinado sapato não pode ser usado naquele momento, validar o sentimento da criança (ou seja, dizer a ela que você entende sua frustração) e dar a ela a chance de escolher: 'você tem duas ótimas opções: pode usar o sapato x ou y'. Como elas são muito movidas pelo desejo pela autonomia, oferecer-lhes opções às vezes lhes dá a sensação de controle." Pode ser um sinal de que há algo errado? Na imensa maioria dos casos, diz Parlakian, a repetição é parte perfeitamente saudável do desenvolvimento infantil, e em geral as crianças são bastante flexíveis - têm suas preferências por livros e filmes, mas topam assistir ou brincar de coisas diferentes com frequência. Parlakian só adverte a prestar atenção caso a criança não esteja tendo prazer na brincadeira ou se mostre extremamente inflexível, ou seja, apresente sinais de estresse durante a brincadeira e repita tudo exatamente do mesmo jeito, sempre -, já que esse tipo de comportamento é comum em crianças do espectro autista. Vale lembrar, porém, que um diagnóstico do tipo só pode ser confirmado em consultas individualizadas com especialistas.
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10/12 - Mais da metade das pessoas que vivem com HIV já sofreram discriminação, aponta pesquisa
Levantamento da UNAIDS revela que, das pessoas que vivem com o vírus, metade também foi diagnosticada com algum tipo de problema de saúde mental. Mais da metade das pessoas que vivem com HIV relataram já ter sofrido algum tipo de discriminação no Brasil, segundo o "Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS" lançado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). De acordo com Cleiton Euzébio de Lima, diretor interino do UNAIDS no Brasil, os dados trazem um "retrato importante e preocupante das situações de discriminações cotidianas a que estão expostas as pessoas que vivem com HIV/AIDS no Brasil". A pesquisa aponta que 64,1% das pessoas entrevistadas já sofreram alguma forma discriminação por viverem com HIV ou com AIDS. Os comentários discriminatórios ou especulativos já afetaram 46,3% delas, enquanto 41% do grupo diz ter sido alvo de comentários feitos por membros da própria família. Muitas destas pessoas já passaram por outras situações de discriminação, incluindo assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e até mesmo agressões físicas (6,0%) por viverem com o vírus. O estudo já ouviu cerca de 100 mil pessoas em mais de 100 países. No Brasil, foi realizado em 7 capitais, escutando aproximadamente 1,8 mil pessoas. Cerca de 135 mil pessoas desconhecem que estão com HIV no país, diz Ministério da Saúde Por que o HIV ainda devasta regiões do país mais rico do mundo O pesquisador Angelo Brandeli, da PUC do Rio Grande do Sul, afirmou que, mesmo com todos os avanços tecnológicos e medicinais, para 81% das pessoas ainda é bastante difícil viver com o vírus. Segundo a pesquisa, essa dificuldade ocorre pelas diversas formas de estigma e discriminações, levando a consequências como assédio moral, exclusão social, agressão física e perda do emprego. Os entrevistados relatam ainda dificuldades em tornar público seus estados sorológicos positivo para o HIV, mesmo para pessoas próximas. "Ainda hoje, quase 20% das pessoas que vivem com HIV ou que vivem com AIDS não conseguem revelar a parceiros e parceiras fixas a sua condição por medo do estigma e da discriminação”, aponta o relatório. É importante lembrar que o Brasil conta com a pela lei 12.984/2014, que protege as pessoas que vivem com o vírus de sofrerem discriminações. A lei ainda garante que elas não podem ser demitidas por sua condição, nem de terem um emprego negado e, ainda, que a sua condição seja divulgada sem a sua permissão. Melhor maneira de evitar a contaminação pelo vírus HIV é adotar técnicas de prevenção, incluindo uso de preservativos e redução do risco de exposição Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Saúde mental O medo e a vergonha por estar vivendo com o vírus afeta uma em cada três pessoas que responderam a pesquisa. “Estes dados do estudo demonstram que viver com HIV produz percepções e sentimentos que não afetam apenas a relação com os outros, mas também consigo mesmo”, afirma o estudo, que indica ainda que, no último ano, 47,9% das pessoas que vivem com o vírus foram diagnosticadas com algum tipo de problema de saúde mental. Brasil está na contramão da tendência de queda da Aids no mundo Serviços de saúde A relação com os serviços de saúde também foi um dos focos do estudo que revelou que 15,3% das pessoas entrevistadas disseram já ter sofrido discriminação por parte de algum profissional de saúde. Esse atos foram identificados como esquivamento do contato físico, sentido por 6,8% das pessoas entrevistadas, e a quebra do sigilo sem consentimento, indicada por 5,8% das pessoas. "Apesar de os relatos terem vindo de uma minoria participante do estudo, é importante ressaltar que os protocolos e as leis garantem que ninguém deveria passar por este tipo de constrangimento ou agressão. Estes dados contrastam com qualquer diretiva de atendimento humanizado preconizada no Sistema Único de Saúde (SUS)", aponta o estudo. Outro problema apontado pelo levantamento é que 24% das pessoas afirmaram que não tiveram autonomia completa para escolherem realizar o teste do HIV. O relatório ainda diz que "a questão da autonomia também pesa na área de exercício dos direitos sexuais e reprodutivos de pessoas vivendo com HIV. O Índice de Estigma Brasil mostrou que houve clara violação destes direitos para 8,9% das pessoas por terem sido pressionadas a renunciar à maternidade ou à paternidade". População negra é desproporcionalmente mais afetada pelo HIV nos EUA Getty Images via BBC Desigualdade As desigualdades, sejam elas sociais, de gênero ou racial, também interferem nos índices da pesquisa. Os dados relacionados à orientação sexual, identidade de gênero, por ser profissional do sexo e por ser uma pessoa que usa drogas demonstram que todos esse recortes sociais sofrem elevados níveis de discriminação, sendo que as trans e travestis são as que mais são afetadas. "90,3% das pessoas trans e travestis relataram já ter sofrido pelo menos uma das situações de discriminação avaliadas no estudo", revela o levantamento. O estudo foi todo aplicado por pessoas que vivem com HIV/ AIDS e foi aplicada em sete capitais: Manaus(AM), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Recife (PE), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
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10/12 - Dinossauros com penas também tinham piolhos
Pesquisadores já sabiam que insetos se alimentavam do sangue dos dinossauros, mas agora afirmam ter achado parasitas que comiam as próprias penas dos animais. Âmbar com amostras de Mesophthirus engeli Divulgação/Nature Piolhos de 100 milhões de anos foram descobertos perto de penas de dinossauros, uma das quais mordiscada, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (10) na "Nature Communications". "Este novo inseto, chamado Mesophthirus engeli, apresenta uma série de caracteres morfológicos dos parasitas externos: um corpo minúsculo sem asas, uma cabeça com grandes peças bucais feitas para mastigar, antenas curtas e robustas", explicou à AFP Chungkun Shih, do Museu Nacional de História Natural de Washington. O especialista acrescentou que "o inseto não se alimentava de sangue, mas de penas de dinossauros". Os dez insetos e duas penas de dinossauros foram preservados em âmbar como resultado de secreções de plantas fossilizadas de cerca de 100 milhões de anos. Segundo o estudo, uma das penas foi danificada, aparentemente mastigada, como agora são as penas de pássaros infestados de piolhos. Âmbar com amostras de Mesophthirus engeli e detalhes do corpo do parasita. Divulgação/Nature Já era sabido que os insetos se alimentavam do sangue dos dinossauros, mas os pesquisadores jamais haviam encontrado parasitas que comem penas. E não foi fácil: "Verificamos cerca de mil penas pertencentes a colecionadores de âmbar", diz Chungkun Shih. A descoberta dos "insetos mais antigos que se alimentam de penas" permitirá que os especialistas saibam um pouco mais sobre a origem desses insetos. Mesmo que ainda não possam provar que esses piolhos sejam os ancestrais daqueles que infestam os pássaros de hoje. "Como não encontramos o Mesophthirus engeli associado a penas de pássaros, não podemos tirar conclusões formais sobre as relações evolutivas entre piolhos e dinossauros com penas", diz Chungkun Shih. VEJA VÍDEOS SOBRE DINOSSAUROS Mais antigo fóssil de dinossauro predador do mundo é encontrado no sul do Brasil Cientistas anunciam a descoberta de uma espécie única de dinossauro que viveu no Brasil
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10/12 - Vício em exercícios físicos: como o esporte pode se tornar uma obsessão nada saudável
O que fazer quando algo que faz bem ao corpo e à mente se torna um problema? E como os aparelhos e aplicativos que monitoram a atividade física podem contribuir para agravar essa situação? A corrida tornou-se uma obsessão na vida de Valeria e prejudicou seus relacionamentos BBC Correndo em um parque, Valerie Stephan parece estar em paz ao cumprir seu ritual matinal. "Quando corro, sinto que estou ficando mais rápida, mais forte. É como uma série de pequenas vitórias", diz a atleta amadora. Há dez anos, Valerie começou a correr para melhorar sua forma física. Ela se inscreveu em uma prova de 5 km. Depois, passou para as corridas de 10 km e conseguiu completar uma maratona. Precisamos realmente dar 10 mil passos por dia? 'Fui viciada em drogas, agora, sou viciada em corrida' Mas, então, ela começou a acordar cedo todas as manhãs para treinar e a priorizar o esporte acima de tudo. "O exercício me controlava, em vez de eu controlar o exercício. Isso rapidamente se tornou uma obsessão e prejudicou meu trabalho, minha família, todos os aspectos da minha vida", diz. À medida que o vício aumentava, ela se isolava cada vez mais, até mesmo de pessoas próximas. "Algumas pessoas simplesmente não entendiam por que eu tinha de me exercitar. Elas me achavam um pouco louca." Depois de anos forçando os limites do seu corpo e da sua mente, Valerie ficou deprimida e esgotada BBC Atrasar-se para os compromisso ou reagendá-los e cancelá-los tornou-se a regra. Valerie passou a combinar de se encontrar com os amigos com a condição de que fossem jogar squash ou nadar, relaxando apenas quando atingia seu objetivo no dia. "Eles pensavam que não queria vê-los. Eu queria, mas tinha de treinar muito antes para não me sentir culpada." Sua obsessão também afetou outros relacionamentos importantes. "Eu nunca conseguia descansar. Estava sempre correndo. Nunca queria passar um tempo em casa." Depois de anos forçando os limites do seu corpo e da sua mente, Valerie ficou deprimida e esgotada. Precisou parar com tudo para se recuperar e ficou quatro meses sem trabalhar. "Tudo o que eu queria era mostrar que era uma super-humana que tinha controle total. Não conseguia demonstrar o quanto aquilo era difícil emocionalmente para mim", afirma Valerie. O que é o vício em exercício? Psicólogos dizem que a dependência em exercício se enquadra em uma categoria de vício na qual um comportamento se torna compulsivo e causa problemas na vida de uma pessoa. Estima-se que isso afete cerca de 3% da população em geral, mas chegue a 10% entre os praticantes de corrida de alto desempenho. Normalmente, os mais propensos ao vício ​são os atletas amadores que, como Valerie, buscam na atividade física alívio para algum sofrimento interno, diz a psicóloga Chetna Kang, do Hospital The Priory, em Londres, no Reino Unido. Especialistas afirmam que o vício em exerícios não é comum, mas está se tornando mais frequente BBC "Muitas vezes, as pessoas chegam com problemas de relacionamento, ansiedade, depressão. Mas, quando você começa a analisar, percebe que o excesso de exercício é o motivo. Isso não é extremamente comum, mas está se tornando cada vez mais", diz Kang. Caz Nahman, psiquiatra de crianças e adolescentes especializada em distúrbios alimentares, diz que excesso de exercício é uma condição frequente entre seus pacientes. "O exercício geralmente é benéfico para a saúde mental. É uma ótima maneira de gerenciar a depressão leve ou a ansiedade severa. Mas o excesso pode ter um impacto negativo", afirma Nahman. Os sintomas incluem lesões como fraturas por estresse, tendinite e falhas do sistema imunológico. Em mulheres, pode levar à interrupção da menstruação, osteoporose e distúrbios alimentares. Nos homens, provoca redução da libido. Martin Turner, psicólogo de esportes da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, estuda atletas há dez anos e encontra regularmente pessoas que são dominadas por esse aspecto de suas vidas. Lidar com a falta da adrenalina e das endorfinas liberadas pelo esporte pode ser particularmente difícil BBC "Elas criam uma ideia de que o sucesso como atleta reflete seu valor como ser humano. 'Se falho como atleta, sou inútil'. Quando correr se torna um elemento central de quem a pessoa é, ela pensa: 'Se eu não correr, quem eu sou?'." Os estudos de Turner mostram que essas ideias estão geralmente associadas a um maior grau de dependência de exercícios, depressão, raiva, ansiedade e esgotamento. "Existem três razões principais pelas quais essas crenças não fazem sentido. Primeiro, impedem o bem-estar, em vez de contribuir para isso. Segundo, refletem uma motivação de curto prazo. As pessoas correm para evitar a culpa e não pela atividade em si. Terceiro, isso não condiz com a realidade: uma pessoa precisa respirar, comer, se hidratar e dormir, mas não precisa correr", diz o psicólogo. Sintomas de abstinência Enfrentar a abstinência da adrenalina e da endorfina liberadas pelo esporte pode ser particularmente difícil. Valerie tentou reduzir a carga de exercícios, mas isso teve um forte impacto sobre seu bem-estar, fazendo com que se sentisse mais inquieta. Ela diz que isso a manteve presa em um ciclo vicioso. "Fico ansiosa quando não consigo treinar. Não consigo dormir, tenho dores de cabeça. Se não sair para me exercitar, parece que estou em uma prisão." Especialistas apontam que aparelhos ou aplicativos que monitoram o volume de exercício praticado podem alimentar este vício, especialmente se a pessoa é motivada por conquistas e perfeccionismo. Usar esses dispositivos e compartilhar o desempenho pelas redes sociais faz com que essa prática se torne pública e competitiva, e torna ainda mais difícil reduzir a carga. Compartilhar o desempenho pelas redes sociais faz com que a prática de exercícios se torne pública e competitiva BBC Valerie diz que adora estes aplicativos e os usa todos os dias para monitorar seu ritmo de corrida, volume de treino e seu progresso. "Você recebe elogios e vê como melhorou e o que seus amigos estão fazendo. Mas, se tenho uma maratona chegando e meu amigo está treinando mais, me sinto pressionada." Turner diz que estas ferramentas podem aumentar a obsessão e prejudicar a recuperação. "Elas podem ser uma injeção de autoestima. O problema é se te dizem que você ficou aquém de alguma forma. Você não foi tão bom quanto da última vez, não foi tão bom quanto seu amigo. Você fica constantemente competindo com os outros", afirma o psicólogo. A situação pode piorar ainda mais se a autoestima de uma pessoa estiver diretamente atrelada às suas realizações na prática de exercícios, diz Turner. "Se o aplicativo te diz que você não foi tão bem e você pensa que isso te torna um fracasso completo, é algo pode ser ainda mais problemático." O caminho para a recuperação A treinadora de triatlo britânica Audrey Livingstone diz que estes aplicativos e aparelhos estimulam um comportamento doentio entre seus atletas. "Alguns deles ficam muito ocupados checando o que os outros estão fazendo. Digo a eles que só precisam fazer melhor do que fizeram da última vez. 'Concentre-se no seu próprio desempenho'", diz ela. Livingstone afirma que busca, nestes casos, reduzir a carga de exercícios dos seus atletas por uma semana. "Eles não gostam, questionam e lutam contra isso. Simplesmente, não entendem por que precisam descansar às vezes." A treinadora de triatlo Audrey Livingstone diz que aplicativos e aparelhos que monitoram exercícios estimulam um comportamento obsessivo BBC Como com qualquer outro tipo de vício, interromper o ciclo vicioso e dar os primeiros passos rumo à recuperação pode ser um processo demorado e complicado. Turner acredita que, antes, é preciso reconhecer que há um problema. "Uma das coisas que os atletas devem fazer é refletir sobre seus pensamentos, motivações e crenças. É importante ser realista e flexível e dizer 'se não treinar hoje, pode ser ruim, mas certamente não é a pior coisa do mundo' e reconhecer que só porque não treinou, isso não faz da pessoa uma perdedora." Para Valerie, buscar um equilíbrio entre exercícios e descanso é um desafio contínuo. Agora, com o apoio de parentes e amigos, acredita que está conseguindo se recuperar. "Entender que aquilo se tornou um vício levou muito tempo. Precisei aprender a abrir mão de me exercitar, não ficar obcecada com isso e que não posso controlar tudo, ao dizer para mim mesma: 'Você não precisa ser perfeita." Bem Estar dá dicas de exercícios e alerta para cuidados com a saúde Bem Estar dá dicas de exercícios e alerta para cuidados com a saúde
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10/12 - Vacina contra gastroenterite pode ser eficaz contra câncer, mostra pesquisa
O estudo, realizado por um grupo de cientistas franceses do Centro de Pesquisa em Cancerologia de Lyon, mostrou que a vacina usada para prevenir a gastroenterite em crianças pode provocar a morte de células cancerígenas e também ser associada à imunoterapia. Cientistas franceses descobriram que vacina contra rotavírus pode matar células cancerígenas Reprodução/Molecular Oncology/Arquivo O câncer é a segunda causa de morte no mundo e a busca por tratamentos mais eficazes, com menor custo e efeitos colaterais é objeto de pesquisas de cientistas em todo o mundo. Em 2018, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,6 milhões de pessoas morreram vítimas da doença, 70% delas em países de baixa renda. Nos últimos anos, a imunoterapia – técnica que consiste em ativar o sistema imunológico contra as células cancerígenas, surgiu como uma alternativa revolucionaria no tratamento de pacientes com metástases de cânceres do pulmão ou da bexiga, por exemplo. O problema é que a taxa de sucesso ainda é baixa: entre 10% e 25% dos doentes são resistentes à terapia. Vacina contra o câncer de pele desenvolvida no Brasil é testada com sucesso em cobaias Avanços em 5 pesquisas: de vacina contra câncer de pele a tratamento para câncer na próstata Uma equipe de pesquisadores franceses estuda maneiras de vencer essa resistência. Os cientistas realizaram testes em laboratório, in vitro, e descobriram que a vacina usada contra os rotavírus, que provocam a gastroenterite, pode matar as células cancerígenas. Em ratos, associada à imunoterapia, ela ajudou o sistema imunológico a vencer o tumor. Os resultados estarreceram a equipe, explica a pesquisadora Sandrine Valsesia-Wittmann, uma das responsáveis pelo estudo. Ao todo foram usadas na pesquisa 14 vacinas de vírus vivos. Divulgação No total, 14 vacinas fabricadas de vírus vivos, previamente diluídas, foram usadas na pesquisa. Os vírus foram separados dos excipientes. “Testamos todas as vacinas disponíveis em modelos de células e observamos a capacidade delas. Temos um sistema no laboratório que permite verificar se elas se ativam ou não”, explica. Na verdade, a ideia de ativar artificialmente o sistema imunológico, da mesma maneira quando pegamos um resfriado, por exemplo, já existe e foi colocada em prática em pesquisas similares nos Estados Unidos. As moléculas, entretanto, são obtidas através de um processo complexo de síntese genética em laboratório, longo e oneroso. A originalidade do estudo francês é o custo e a simplificação do processo. “Nossa originalidade foi se questionar se as vacinas poderiam atuar da mesma maneira. Um laboratório já havia tentado com a BCG, a vacina contra a tuberculose”, explica. Das vacinas testadas na pesquisa, três usadas contra a gastroenterite tiveram resultados satisfatórios em ratos. “Primeiramente testamos em um modelo pediátrico, e tivemos resultados espetaculares. Percebemos que as vacinas tinham uma função oncolítica, ou seja, matavam especificamente as células tumorais, ativando excessivamente o sistema imunológico. Os vírus foram injetados diretamente nos tumores. “É uma terapia intratumoral. A palavra de ordem é tratar localmente para ter um efeito sistêmico. Na execução do estudo, a equipe usou camundongos transgênicos. Em laboratório, os pesquisadores fizeram com que o animal desenvolvesse um tumor, a partir de dois modelos de neuroblastoma, um câncer infantil extracraniano que atinge as células do sistema nervoso simpático. Em termos fisiológicos e de imunidade, explica a cientista, o modelo utilizado é muito próximo do tumor humano, o que deixa a equipe ainda mais otimista. Tratamento curou camundongos com câncer Os mesmos testes, ressalta, com os mesmos efeitos, também foram observados em modelos de cânceres humanos em adultos, o que deverá facilitar a obtenção de fundos para os testes clínicos – o recrutamento de crianças é extremamente difícil. Cerca de 30 cânceres diferentes foram testados e todos reagiram ao tratamento. Entre eles, o do colón, linfomas e o do seio. Após três injeções, os camundongos estavam curados. Uma das barreiras para dar início aos testes clínicos, diz francesa, é o retorno do investimento, que deve compensar o custo da pesquisa. Uma dura realidade quando se trata da vida de pessoas que poderiam ser salvas e resistem à imunoterapia. “Recebi muitas ligações de pacientes, que tiveram recaídas. Para mim é difícil, lutamos para isso. Estamos ao lado do hospital, vemos as crianças...” Outra questão é que a vacina é autorizada no mercado para um tipo específico de prescrição para as crianças, que é a via oral. Na pesquisa, a equipe de Sandrine injetou a substância diretamente no tumor. “A autorização que existe, nesse caso, não é válida, e vamos ter que trabalhar nessa autorização. É o que estamos fazendo atualmente.” A boa notícia é que uma versão injetável da vacina está prestes a chegar ao mercado, o que vai facilitar o trabalho da equipe. “Isso fará com que diminua o prazo para obter a autorização para os testes.” VÍDEOS SOBRE CÂNCER Veja vídeos do Bem Estar sobre oncologia Perguntas sobre o câncer: o câncer é contagioso? Perguntas sobre o câncer: o que é o câncer? Perguntas sobre o câncer: o câncer é de família? Perguntas sobre o câncer: o câncer sempre volta?
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10/12 - Projeto brasileiro pretende mapear genoma de 15 mil pessoas para prever e tratar doenças
Liderada pela geneticista Lygia da Veiga Pereira, da USP, iniciativa 'DNA do Brasil' quer identificar o que diferencia o brasileiro de outros povos do mundo e chegar a novas respostas de diagnóstico e tratamento. Cientista brasileira Lygia da Veiga Pereira, da USP, fala durante lançamento do projeto DNA do Brasil Filipe Domingues/G1 Um projeto liderado por uma cientista brasileira vai identificar as principais características genéticas dos brasileiros para prever doenças e antecipar tratamentos. Lançada nesta terça-feira (10), em São Paulo, a iniciativa "DNA do Brasil" quer mapear o genoma de 15 mil pessoas de 35 a 74 anos de idade e se tornar o maior levantamento do tipo já realizado no país. A ideia é que em cinco anos já se tenham os primeiros resultados. "O desafio é entender quais variações genéticas estão associadas a quais características das pessoas", disse a pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), na abertura do projeto. "Nós somos o resultado do nosso genoma mais o nosso estilo de vida. O genoma é a receita do nosso corpo." Estudo pioneiro vai desvendar qual é o DNA dos brasileiros Além da geneticista, estão envolvidos na parceria o Ministério da Saúde, que oferecerá dados epidemiológicos da população brasileira por meio do projeto ELSA Brasil; e organizações privadas como a Dasa, empresa da área de saúde, que financiará e realizará o sequenciamento das primeiras 3 mil amostras; a Illumina, que vai fornecer os insumos; e a Google Cloud, que fará o armazenamento e proteção dos dados. Simulação de molécula de DNA Pixabay Inovação nos tratamentos As descobertas que os cientistas fizerem poderão ser traduzidas em inovações tanto na área de pesquisa genética quanto nos diagnósticos e tratamentos de doenças como o câncer, a hipertensão, o diabetes, depressão, esquizofrenia e algumas doenças raras. Por exemplo, ao descobrir que determinada proteína presente no corpo de uma pessoa permite manter o colesterol baixo, é possível "editar" o DNA do paciente para imitar o comportamento dessa proteína. Um caso bem conhecido, e citado no evento de lançamento, é o da atriz Angelina Jolie. Após descobrir que o câncer de mama de sua mãe poderia ter origem genética, resolveu remover as mamas e fazer implantes, para evitar a manifestação da doença no futuro. Angelina Jolie chega ao BAFTA, no Royal Albert Hall, em Londres Hannah McKay/Reuters/Arquivo O estudo dos genes permite descobrir quais são as variantes genéticas associadas a determinadas características ou doenças. Entretanto, segundo a professora Lygia, é preciso compreender os elementos e riscos genéticos de cada população. Por isso, ela defende que é preciso realizar o sequenciamento do povo brasileiro, que é fruto da grande mistura de povos indígenas, europeus e africanos. O diretor médico da Dasa, Gustavo Campana, lembrou que 80% das 8 mil doenças consideradas raras têm origem genética. Já os cânceres hereditários são de 5 a 12% dos casos. Portanto, além da previsão de tais doenças, o mapeamento dos genes e sua associação com as características da população brasileira pode permitir avanços em "terapêutica gênica", ou seja, métodos de tratamento que atuam diretamente nos genes – o mais famoso deles é o CRISPR, a técnica de edição do DNA. "O primeiro desafio é conhecer melhor a genética da população, um povo extremamente heterogêneo", disse Campana. "Esse projeto é um marco da genética populacional no Brasil." Parceria com o setor privado Após o sequenciamento, será possível cruzar os dados sobre o DNA das pessoas com os dados sobre sua saúde. É aí que entra a parceria com o ELSA Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto), consórcio de diferentes instituições públicas que levanta dados epidemiológicos de mais de 15 mil pessoas de todo o país. Num primeiro momento só serão estudados esses pacientes, pois para eles já existem informações detalhadas sobre seu histórico médico. "Quero sequenciar pessoas sobre a quais eu conheça a saúde. É a combinação dos dados clínicos com dados genômicos que é poderosa", disse Lygia da Veiga Pereira. "O ELSA é um banco de dados clínicos, morfológicos e sociais. Vamos agora somar a eles os dados genômicos." A empresa Dasa prevê investir US$ 2,5 milhões na primeira fase do projeto, que envolve a construção de uma plataforma para realizar o sequenciamento e a realização de 3 mil amostras. As outras 12 mil amostras também serão processadas pela Dasa, a um custo mais baixo que o de mercado, de US$ 650 por genoma. Ainda está em andamento a negociação com outro financiador para a segunda etapa do projeto. De acordo com a companhia, com o sequenciamento do genoma, os brasileiros "poderão usufruir dos avanços da pesquisa genética no dia a dia". Além disso, "será possível reconstruir a sua história evolutiva e entender melhor as origens dos componentes ameríndio e africano." Políticas públicas Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Danizar Vianna, as parcerias público-privadas prevalecem nos modelos de trabalho existentes pelo mundo na área de medicina preditória (aquela que busca prever as probabilidades das pessoas terem uma doença). "Temos que nos preparar para o desafio genômico. O primeiro passo é esse mapeamento. Depois, temos que pensar em estratégias de intervenção na população", afirmou o secretário no lançamento do projeto. Ele mencionou que as descobertas podem orientar novas políticas públicas de saúde. "No Nordeste, por exemplo, há uma incidência maior de doenças raras, por causa dos casamentos entre parentes de primeiro grau. Há várias lacunas em políticas públicas nessas áreas", declarou Vianna. Uso dos dados Assim como vários outros setores que se desenvolvem com o avanço da tecnologia, a genética também esbarra em alguns dilemas éticos. Questionados pelo G1 sobre como o projeto dialoga com as tendências atuais – como o uso e proteção dos dados pessoais daqueles que tiverem seu genoma sequenciado – participantes do lançamento disseram que tanto o consentimento quanto a segurança dos dados estarão garantidos. "Os participantes serão bem informados sobre o uso dos dados", declarou a Dra. Lygia. Ao firmar o termo de consentimento para que seu genoma possa ser sequenciado, o paciente também poderá escolher entre ser informado sobre os resultados do seu sequenciamento ou não. "Podemos descobrir coisas que a pessoa jamais irá imaginar. E alguns preferem não saber [que são predispostos a ter uma doença]", explica. De acordo com o pesquisador principal do ELSA Brasil, Dr. Paulo Andrade Lotufo, esse procedimento já ocorre entre os participantes do levantamento epidemiológico e simplesmente terá que ser complementado com o pedido para mapeamento genético. "As pessoas dão seu consentimento e podem sair a qualquer momento do projeto", disse. "A ética do genoma muda dia a dia e estamos seguindo os parâmetros aplicados no mundo todo." Quanto ao armazenamento dos dados, a Google Cloud afirma que os pacientes terão suas informações pessoais protegidas e somente os pesquisadores terão acesso aos dados genéticos. Nem mesmo os funcionários do Google terão os meios para visualizá-los, segundo a empresa. "Ainda assim, está garantida a anonimidade. Posso trabalhar com o DNA da pessoa e não saber quem é", explicou a líder do projeto. VÍDEOS SOBRE GENOMA Cientistas britânicos fazem descoberta para agilizar o diagnóstico da tuberculose Chinês afirma ter criado bebês geneticamente editados para torná-los imunes ao HIV Entenda o que é o Crispr
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10/12 - 23% dos alimentos analisados pela Anvisa têm resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido ou proibidos para cultura
Programa concluiu que 0,89% das amostras apresentaram potencial de risco à saúde para consumo esporádico e nenhuma representou risco crônico. Anvisa encontra agrotóxicos acima do limite ou proibidos em 23% dos alimentos no país A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontrou resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido ou proibidos para cultura em 23% dos alimentos avaliados entre 2017 e 2018. Os resultados fazem parte do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos (Para) e foram divulgados nesta terça-feira (10). Por que a produção de alimentos depende tanto de agrotóxicos? Como reduzir a chance de ingerir agrotóxicos Em 77% das análises foi constatada ausência de resíduos de agrotóxicos ou a presença de ingredientes ativos dentro do limite permitido pela agência, ou seja, seguras para consumo. Das 23% amostras onde foram vistas inconformidades: 17,3% tinham resíduos de ingredientes ativos não permitidos para aquela cultura; 2,3% tinham ingrediente ativo acima do limite permitido; 0,5% apresentaram ingrediente ativo proibido no país; 2,9% tiveram mais de um tipo de inconformidade (2,9%) Avaliação de resíduos de agrotóxicos em alimentos Rodrigo Sanches/G1 Na rodada anterior do programa, divulgada em 2016, de 12.051 amostras analisadas entre 2013 e 2015, o percentual das que foram consideradas insatisfatórias foi de 19,7%. A Anvisa diz que não é possível a comparação porque a metodologia mudou. Desta vez, a agência avaliou 4.616 amostras de 14 tipos de legumes, cereais e frutas encontrados em supermercados de 77 municípios em todo o Brasil — exceto no Paraná, que optou por não fazer parte do programa a partir de 2016. Foram pesquisados 270 agrotóxicos em abacaxi, alface, arroz, alho, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. Segundo a Anvisa, esses alimentos representam cerca de 30% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira. Avaliação de risco A Anvisa também verificou o risco à saúde de acordo com dois critérios: agudo (para consumo esporádico) e crônico (consumo prolongado). Entre as amostras, 0,89% apresentaram potencial de risco agudo, ou seja, podem causar, em um período de 24 horas, reações como dor de cabeça e náusea após o consumo de uma grande porção de um alimento com nível elevado de resíduo de agrotóxico. Os maiores percentuais apareceram em amostras de laranja, goiaba e uva. Neste caso, a Anvisa fez a comparação com a rodada anterior, informando que, em 2016, esse índice era de 1,11%. Nenhum agrotóxico apresentou potencial de risco crônico para o consumidor, relatou a Anvisa. Foi a primeira vez que o Para considerou esse tipo de dano. Neste caso, foram considerados os dados de mais de 15 mil amostras de 28 alimentos, coletadas no período de 2013 a 2018. Como reduzir ingestão "Não há nenhum alarde. Os alimentos estão seguros, dentro do que a gente esperava", diz Bruno Rios, diretor adjunto da Anvisa. "O nosso monitoramento acontece desde 2001, então a gente vem acompanhando e o principal foco da agência não está na dieta, no consumo dos alimentos, e sim no risco ocupacional daquelas pessoas que aplicam os agrotóxicos no campo." LISTA: os agrotóxicos mais vendidos no Brasil e como eles agem Rios sugere que o consumidor prefira alimentos cuja procedência é informada. "É importante que todos exijam a origem desse alimento, do produtor, para que a gente consiga rastrear até o fim e isso garanta a segurança de toda a cadeia", aconselha. "Também é importante que os alimentos sejam lavados e que seja usada uma bucha específica pra essa finalidade, para retirar qualquer resíduo que porventura estejam na casca desses alimentos." Avaliação de potencial de risco dos resíduos de agrotóxicos dos alimentos, segundo a Anvisa Luciana de Oliveira/G1 De acordo com a Anvisa, o agrotóxico carbofurano foi o principal responsável pelo risco agudo. O uso deste agrotóxico está proibido pela Anvisa desde abril de 2018. Segundo Rios, não há uma medida imediata a ser tomada com base nos novos resultados. "Esses dados são públicos e essas informações são repassadas para todas as vigilâncias sanitárias nos estados e municípios, no Ministério da Agricultura, e por serem dados de monitoramento, eles não implicam de imediato em ação ou numa medida", afirma. "Mas eles servem para que a gente saiba onde os problemas estão ocorrendo, para que a gente possa chegar até lá, e para que os próximos monitoramentos possam ter resultados ainda melhores do que agora." O Para existe desde 2003 e já monitorou mais de 35 mil alimentos, em ciclos. De 2013 a 2015 foram 25 tipos. No atual, que seguirá até 2020, serão 36%. Agrotóxicos mais encontrados nos alimentos avaliados pela Anvisa Luciana de Oliveira/G1 Initial plugin text
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10/12 - A história da única pessoa do mundo a ser atingida e ferida por um meteorito
O caso da americana Ann Hodges foi o único registrado oficialmente de alguém que tenha sido acertado por uma rocha do tipo, que tenha vindo do espaço. Ann Hodges levou um susto - e saiu com um enorme machucado - com a queda do meteorito que mudou sua vida. Divulgação/University Of Alabama Museums/BBC "Você tem mais chances de ser atingido por um tornado, um raio e um furacão, todos ao mesmo tempo, do que de ser atingido por um meteorito". Essa foi a fala do astrônomo Michael Reynolds, quando consultado pela revista National Geographic, sobre o quão possível era ser acertado por uma rocha vinda do espaço. O motivo não está na falta de meteoritos que cheguem à Terra. Na verdade, de acordo com um estudo uruguaio citado pela revista Cosmos, por volta de 17 meteoritos chegam à superfície terrestre todos os dias. Buraco negro inexplicável por ser 'grande demais para existir' intriga astrônomos A descoberta do novo planeta que pode dar pistas sobre a morte do Sol Entretanto, a maioria deles cai nos oceanos ou em regiões afastadas. Isso explica por que a probabilidade de morrer pelo impacto de um meteorito é de 1 em 1.600.000. Também está por trás da afirmação de Reynolds, autor do livro "Estrelas cadentes: um guia sobre meteoros e meteoritos" (Falling Stars: A Guide to Meteors and Meteorites, no original em inglês), de que é mais provável ser acertado por um raio, um furacão e um tornado ao mesmo tempo. Mas uma pessoa teve essa "sorte". O nome dela era Ann Hodges e entrou para a história por protagonizar o único caso registrado oficialmente de alguém atingido por um meteorito. Ann Hodges segurando o meteorito que atravessou o teto de sua casa e a atingiu em seguida Divulgação/University Of Alabama Museums/BBC O que aconteceu? Hodges tirava um cochilo em sua casa, em Sylacauga, uma região rural no Alabama, no sudeste dos Estados Unidos, na tarde de 30 de novembro de 1954, quando acordou de repente. Sentiu uma pancada forte no quadril e, quando abriu os olhos, viu que sua casa estava cheia de fumaça e de escombros. Depois do susto inicial, ela e sua mãe, que também estava na casa, descobriram que havia um grande buraco no teto. Seu aparelho de rádio também estava destroçado. Então descobriram o que havia causado todo o dano: uma rocha preta, do tamanho de um melão, que havia entrado pelo buraco, ricocheteado no rádio para depois atingir Ann, que tinha 31 anos à época. A Força Aérea analisou o objeto e confirmou que se tratava de um meteorito Getty Images/BBC As mulheres ligaram para a polícia e para os bombeiros, que chamaram um geólogo do governo, que trabalhava em uma escavação próxima. O especialista logo chegou ao lugar para identificar a rocha. Ele identificou que se tratava de um meteorito, o termo que define qualquer rocha que venha do espaço. As autoridades decidiram entregá-lo à Força Aérea para inspeção. Afinal, ainda estavam na Guerra Fria, e era necessário descartar qualquer possibilidade de um complô soviético. "Uma bola de fogo" Depois disso, a pequena cidade ficou em polvorosa. Muitos viram o objeto no céu antes que ele caísse na casa dos Hodges. Segundo os depoimentos preservados no Museu de História Natural do Alabama, alguns disseram ter visto "uma luz avermelhada brilhante, como uma vela romana soltando fumaça". Outros relataram ver "uma bola de fogo" e ouvir uma grande explosão, seguida de uma nuvem marrom. Com o tempo, soube-se que o meteorito tinha 3,8 quilos e era, na verdade, a metade maior de um meteorito que se partira pouco antes de se chocar contra a Terra. Um vizinho dos Hodges, que era agricultor, encontrou um pedaço menor enquanto lavrava a terra e o vendeu, ganhando uma pequena fortuna, de acordo com fontes locais. Entretanto, Ann não teve a mesma sorte. Enviado por Deus Transformar-se na única pessoa do mundo a ser oficialmente reconhecida como vítima da queda de um meteorito trouxe muita fama, mas não muita fortuna para Ann Hodges. A notoriedade foi súbita: quando seu marido, Eugene, chegou do trabalho naquele 30 de novembro, havia tanta gente na entrada da casa que demorou até que ele conseguisse alcançar a porta. "Hoje tivemos um dia bastante emocionante", disse Ann à agência de notícias Associated Press. "Não consegui dormir desde que fui atingida". Apesar do machucada, a mulher não foi levada a um hospital até o dia seguinte, cercada pela multidão. O médico confirmou que só se tratava de um hematoma. Mas o golpe mais forte sentido por Ann não foi físico, e sim emocional. Ela estava convencida de que o meteorito pertencia a ela. "Sinto que é meu. Creio que Deus tinha a intenção de que chegasse a mim. Afinal, foi a mim que ele acertou", afirmou, segundo os depoimentos mantidos no Museu de História Natural. A casa onde viviam os Hodges, em Sylacauga, no Alabama, atraiu muita atenção na época Divulgação/University Of Alabama Museums/BBC Entretanto, ela não era dona da casa onde vivia. Ela e o marido alugavam o imóvel de uma mulher chamada Birdie Guy, que era viúva. Quando a Força Aérea confirmou que se tratava de um meteorito e quis devolver o objeto ao seu dono, começou a batalha judicial para definir quem teria direito a mantê-lo. Ainda que Guy tenha ganhado o pleito, o público à época tomou partido dos Hodges, cujo sobrenome fora usado para batizar a pedra espacial. Guy acabou aceitando 500 dólares para entregar o meteorito. O Smithsonian, um museu americano de prestígio, ofereceu-se para comprar o famoso objeto extraterrestre dos Hodges, mas Eugene estava convencido de que poderia obter mais dinheiro e recusou a oferta. Sua aposta não deu certo. No fim das contas, ninguém demonstrou interesse em comprar o meteorito e os Hodges acabaram doando o objeto para o Museu de História Natural do Alabama, em 1956 - onde está até hoje. Anos mais tarde, Ann sofreu um colapso nervoso e, em 1964, separou-se do marido. Acabou internada em uma clínica e, com apenas 52 anos, faleceu de insuficiência renal em 1972. Segundo Eugene, ela "nunca se recuperou" de toda a loucura gerada pelo meteorito. "Os Hodges eram pessoas simples do campo", destacou o diretor do museu, Randy Mecredy. "E realmente acredito que toda a atenção levou à sua ruína". Outros casos Ainda que Ann Hodges seja o único caso confirmado, houve outras situações em que pessoas asseguraram ter sido acertadas por meteoritos. Um dos casos mais notórios ocorreu há quase uma década, em 2009, quando um adolescente alemão de 14 anos, chamado Gerrit Blank, disse ter sido ferido por uma pedra espacial. Ele teria machucado a mão com o objeto, que teria o tamanho de uma ervilha. Também há casos documentados de automóveis que teriam sofrido o impacto de objetos espaciais. Mas os astrônomos dizem que as principais vítimas parecem ser os animais, em especial o gado. VÍDEOS SOBRE METEORITOS Meteorito resiste ao incêndio no Museu Nacional Exposição de meteoritos esteve em cartaz no Ibirapuera Meteoritos do Museu Nacional estão em exposição no Museu de Astronomia Forte clarão no céu do Acre assusta e imagens se espalham em redes sociais Pesquisadores detectam abalo sísmico em Marte
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10/12 - Fibra óptica artesanal é produzida pela primeira vez na UFJF
Filamento obtido a partir do vidro é capaz de transportar informações a diferentes distâncias. Fibra óptica artesanal UFJF Diogo Rúbio Sant’Anna/Divulgação A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou na segunda-feira (9), que produziu pela primeira vez, de uma forma artesanal, uma fibra óptica. O filamento é flexível, transparente, com diâmetro pouco maior do que um fio de cabelo humano, obtido a partir do vidro, que é capaz de transportar informações a diferentes distâncias. Segundo o Centro de Pesquisa em Materiais (Cepem), estas características contribuem para a capacidade de transmissão e não interferência eletromagnética peculiar do vidro na expansão da tecnologia da fibra óptica. Ainda conforme a UFJF, atualmente são conhecidos dois tipos de fibras ópticas: as monomodo e as multimodos. “A monomodo apresenta um único caminho possível de propagação e é a mais utilizada em transmissão de longas distâncias – devido a baixas perdas de informações. Já a fibra multimodo, permite a propagação da luz em diversos modos e é a mais utilizada em redes locais (LAN), devido ao seu custo moderado”, explicou o doutorando em física que integra o projeto de produção da fibra óptica, Diogo Rúbio Sant’Anna. Fibra óptica do Cepem De acordo com a universidade, esta foi a primeira fibra óptica feita pelo Cepem. O estudo analisou o comportamento do material, como as variações a diferentes condições de temperatura, a resistência e o rendimento. “A fibra produzida apresentou um comportamento interessante no que diz respeito à dependência com a temperatura. Foi possível observar, através de uma medição preliminar, uma variação no sinal quando a temperatura dela aumenta, podendo ser utilizada como sensor de temperatura. Como a pesquisa ainda está no início, ainda fica difícil estipular um custo”, destaca Sant’Anna. Para a UFJF, a pesquisa abre caminhos com possibilidade de novas parcerias na universidade Sant’Anna, que já desenvolve em colaboração com o professor da Engenharia Elétrica, Alexandre Bessa, um sensor óptico de baixo custo para monitoramento de deformações mecânicas. “A ideia de você ter um material que apresente sempre melhor rendimento pelo menor custo é o que motiva a ciência, mais especificamente a área de materiais, a fim de tornar essas tecnologias mais acessíveis”, afirmou o pesquisador. Bessa acrescentou que o projeto tem boas perspectivas de continuidade, inclusive com parcerias dentro da instituição, como o apoio do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT) para solicitação de patente, por exemplo.
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10/12 - A importância de zelar pela saúde mental quando se tem uma doença crônica
Apoio psicológico ajuda a lidar com os momentos de ansiedade e desânimo que podem comprometer o tratamento Doenças crônicas são sinônimo de uma condição que nos acompanha por toda a vida, às vezes com limitações severas. Quem lida com enfermidades como doença cardiovascular, diabetes ou problemas respiratórios sabe que é preciso disciplina e força de vontade para seguir as recomendações médicas. Em muitos casos, quem enfrenta o desafio precisaria de um atendimento complementar, para lidar com os momentos de ansiedade e desânimo que podem comprometer o engajamento no tratamento, mas nem sempre é o que acontece – e não somente no Brasil. Na Austrália, 11 milhões de pessoas, o equivalente à metade da população, têm pelo menos uma doença crônica. Claire Adams, psicóloga e doutoranda da Edith Cowan University, realizou um estudo, que durou um ano e meio, com 107 pacientes com esse perfil e descobriu que, embora utilizassem com frequência o sistema de saúde, muitos não procuravam apoio psicológico. “É preocupante porque esses indivíduos têm mais chances de apresentar um quadro de ansiedade e depressão que outros adultos sem uma condição crônica”, afirmou. Claire Adams, psicóloga e doutoranda da Edith Cowan University Divulgação: Julia Turner Fazendo uma projeção a partir do estudo, mais de 40% dos idosos australianos com doença crônica não recorreriam a ajuda para problemas emocionais ou psíquicos mesmo que precisassem dela. Os mais relutantes em procurar auxílio tinham algumas características em comum: eram céticos em relação aos benefícios de qualquer suporte para garantir sua saúde mental; ressentiam-se da falta de apoio de amigos e familiares para buscar esse amparo; e achavam que não conseguiriam ter acesso a esse tipo de serviço. Na avaliação da pesquisadora, há ainda uma dificuldade extra para se detectar a necessidade de acompanhamento psíquico, dada a sobreposição de sintomas físicos e mentais quando se tem uma doença crônica, além dos efeitos colaterais dos medicamentos. “Pacientes com dificuldade respiratória podem achar que sua condição está pior quando, na verdade, podem estar enfrentando um quadro de ansiedade que interfere na respiração”, explicou a psicóloga. Aqueles que já tinham buscado assistência eram os mais propensos a usar novamente esse suporte, o que, segundo a psicóloga, mostra que o assunto precisa ganhar espaço nos consultórios dos especialistas, para derrubar preconceitos e desconfianças. “É preciso encorajar as pessoas a participar de grupos de apoio, compartilhar seus problemas e, assim, se sentir confiantes para seguir em frente com o tratamento e ter uma vida normal. Não há saúde sem saúde mental”, resumiu.
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10/12 - O que é o assoalho pélvico e por que é importante exercitá-lo
Cuidar dessa estrutura evita problemas como a incontinência urinária e aumenta o prazer sexual. Práticas como o pilates ajudam a fortalecer a estrutura pélvica Shutterstock Para manter a saúde em dia, muita gente procura a academia para tonificar bíceps, tríceps, quadríceps, glúteos e o que mais o preparador físico recomendar. Mas existe uma parte do corpo que precisa ser exercitada pelas mulheres desde a adolescência e que não está na ficha do treino: o assoalho pélvico. O que é o assoalho pélvico? O assoalho pélvico é um conjunto de estruturas formado por músculos, ligamentos e fáscias [tecidos que envolvem os músculos] que serve para segurar os órgãos da pelve como útero, bexiga, reto e próstata. Nos homens, o enfraquecimento desse conjunto não é comum, mas, nas mulheres, a presença do orifício do canal vaginal deixa o assoalho mais frágil. Assoalho pélvico é a musculatura responsável por segurar os órgãos abdominais Sem o devido cuidado, os órgãos que deveriam ser sustentados por essa estrutura podem se deslocar ou mesmo cair. A consequência são problemas que costumam ser muito desconfortáveis e até constrangedores, como incontinência urinária e fecal, bexiga hiperativa e dor na relação sexual. “São lesões que ocorrem no longo prazo e normalmente aparecem depois da menopausa, já que a queda dos níveis de estrogênio aceleram o enfraquecimento muscular e a perda de colágeno”, afirma o ginecologista Rodrigo de Aquino Castro, do Hospital Samaritano Higienópolis. “Quanto mais pressão você tem na barriga, mais risco. Isso inclui fatores como obesidade, tosse crônica, exercícios físicos muito intensos e várias gestações, independentemente do tipo de parto. Tudo isso aumenta a pressão na barriga e pode empurrar os órgãos para baixo se você não tem um fortalecimento adequado dessas estruturas”, explica a uroginecologista Lilian Fiorelli, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. O parto normal é uma das principais causas de lesão no assoalho pélvico, mas isso não significa que as mulheres precisam optar pela cesariana para evitar o problema. Um preparo adequado, com exercícios de fortalecimento, reduz os riscos de prejudicar as estruturas. Cuidar bem do assoalho pélvico não serve “apenas” para evitar a queda e o deslocamento dos órgãos. Essa prática contribui muito para a qualidade da vida sexual das mulheres – e, consequentemente, de seus parceiros. “Vejo um aumento muito grande na satisfação sexual das mulheres que passam a preparar bem o assoalho pélvico. A sensibilidade na região aumenta, pois há mais circulação sanguínea no local, a lubrificação fica melhor e a mulher consegue englobar mais o pênis, o que aumenta o prazer. Isso tudo faz muito bem para a libido e o desejo”, relata Lilian. Mulheres que querem engravidar devem fortalecer o assoalho pélvico Como malhar seu assoalho pélvico Falar com seu treinador e pedir para incluir o assoalho pélvico na lista de exercícios não é o caminho para cuidar da saúde dessa estrutura. O primeiro profissional que você deve procurar é o ginecologista, que poderá avaliar se você tem consciência corporal e consegue contrair o local certo. “Sair fazendo exercício sem a devida orientação pode até ser prejudicial, pois a mulher pensa que está contraindo o assoalho pélvico mas está exercitando outros músculos que pioram o prolapso vaginal e a incontinência”, alerta Lilian Fiorelli, do Albert Einstein. Depois dessa orientação inicial, a mulher pode procurar um fisioterapeuta pélvico, que é o profissional especializado nesse tipo de cuidado. Outra alternativa são práticas como ioga e pilates, que englobam exercícios para fortalecer o local. É possível até contar com a ajuda de aplicativos e jogos no celular: dispositivos conectados ao aparelho são colocados na vagina, e a mulher interage no game contraindo o assoalho pélvico. O pompoarismo, técnica que tem como objetivo fortalecer os músculos do assoalho pélvico, também é recomendado, mas costuma exigir um pouco mais de experiência e consciência corporal para ser aplicado. 'Pílula de Bem Estar': como fortalecer o assoalho pélvico
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10/12 - Morre Pete Frates, que se tornou símbolo do 'desafio do balde de gelo'
Ex-jogador de beisebol morreu em decorrências de complicação da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença para a qual o desafio do balde do gelo chamou a atenção de diversas celebridades. Pete Frates, ex-jogador de beisebol, em evento em Boston em 2017. Morto nesta segunda-feira (9), ele virou símbolo do 'desafio do balde de gelo' Charles Krupa/AP Photo O atleta norte-americano Pete Frates morreu nesta segunda-feira aos 34 anos em decorrência das complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Ele foi símbolo do "desafio do balde de gelo", criado para chamar a atenção sobre esse doença degenerativa. ENTENDA: O que é a ELA? Doença atingiu também o cientista Stephen Hawking Em 2012, Frates foi diagnosticado com a Esclerose Lateral Amiotrófica, que paralisa progressivamente os músculos. O amigo dele Corey Griffin — morto em 2014 em um acidente de mergulho — ajudou a popularizar o desafio. Morre Pete Frates criador do desafio do balde de gelo O desafio do balde fez muito sucesso nas redes sociais, com milhares de pessoas participando, incluindo muitas celebridades. De Oprah Winfrey a Jeff Bezos, passando por LeBron James, Bill Gates, Steven Spielberg e Mark Zuckerberg, todos publicaram vídeos do desafio. Ex-jogador de beisebol, casado e pai de uma menina, Frates faleceu em casa, segundo a família. Esclerose Lateral Amiotrófica A Associação americana da ELA, que apoia os portadores e a pesquisa desta doença, estima que as doações geradas por este desafio chegaram a 115 milhões de dólares. Não existe hoje em dia uma cura para esta doença que mata o portador em três a cinco anos após o diagnóstico, em média.
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09/12 - O que é o Círculo do Fogo do Pacífico, onde fica vulcão que matou turistas na Nova Zelândia
Nesta região de cerca de 40 mil km de extensão, estão localizadas as extremidades de uma das maiores placas tectônicas do planeta. Ali, ocorreram cerca de 90% dos terremotos e alguns dos piores desastres naturais já registrados no mundo. Imagem aérea mostra vulcão da Ilha Branca em erupção George Novak / New Zealand Herald / via AP Photo Um vulcão entrou em erupção na Nova Zelândia nesta segunda-feira (9), deixando ao menos cinco mortos. Estima-se que cerca de 50 turistas de Austrália, China, Estados Unidos, Malásia e Reino Unido estivessem visitando a Ilha Branca, onde fica o vulcão, das quais 31 pessoas foram resgatadas, algumas delas com queimaduras graves. Voos de reconhecimentos não identificaram sinais de mais sobreviventes, e autoridades afirmam ser difícil encontrar mais alguém com vida. Turistas foram vistos caminhando dentro da cratera do vulcão momentos antes da erupção, que ocorreu às 14h11 do horário local (22h11 de domingo, no horário de Brasília). Vulcão na Nova Zelândia entra em erupção; FOTOS Veja antes e depois da erupção do vulcão da Ilha Branca, na Nova Zelândia Brasileiros visitaram vulcão minutos antes de erupção O vulcão da Ilha Branca, também chamada de Whakaari, é o mais ativo do país e apresenta variados graus de atividade desde 2011. A mais recente erupção se deu há três anos, mas ninguém ficou ferido na ocasião. Apesar disso, trata-se de um destino turístico popular no país. Agências oferecem excursões diárias e voos panorâmicos para a Ilha Branca, que fica no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Vulcão entra em erupção na Nova Zelândia e deixa cinco mortos O que é o Círculo de Fogo? Esta região foi batizada assim porque há ali, no fundo do oceano, uma grande série de arcos vulcânicos e fossas oceânicas que coincidem com as extremidades de uma das maiores placas tectônicas do planeta. Cerca de 90% dos terremotos já registrados em todo o mundo aconteceram ali. A área de cerca de 40 mil km de extensão tem formato de ferradura e abrange toda a costa do continente americano no Pacífico, além de Japão, Filipinas, Indonésia, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico Sul. Mais de 450 vulcões, incluindo três dos quatro mais ativos do mundo — o Monte Santa Helena, nos Estados Unidos, o Monte Fuji, no Japão, e o Monte Pinatubo, nas Filipinas — estão no Círculo de Fogo. Esta é a área de maior atividade sísmica do mundo. Em média, os sismógrafos captam algum tipo de abalo no Círculo de Fogo a cada cinco minutos. Círculo de Fogo do Pacífico, onde fica vulcão que matou turistas na Nova Zelândia BBC Alguns dos piores desastres naturais já registrados aconteceram em países localizados na região. Um deles foi o tsunami de dezembro de 2004, que matou 230 mil pessoas em 14 países no Oceano Índico, após um tremor de magnitude 9,1. Outros dois desastres famosos na área ocorreram no Chile: o primeiro, em 1960, foi um terremoto de magnitude 9,5, o pior já registrado na história e que matou 2 mil pessoas. Outro tremor, em 2010, deixou 800 mortos e cerca de 20 mil desabrigados. Placas tectônicas Nos anos 1960, cientistas apontaram a existência das placas tectônicas para explicar as localizações dos vulcões e outros eventos geológicos de grande escala. A superfície da Terra é como uma "colcha de retalhos" de enormes placas rígidas, com espessura de 80 km, que flutuam por cima do núcleo quente e líquido do planeta. As placas mudam de tamanho e posição ao longo do tempo, movendo-se entre um e dez centímetros por ano, uma velocidade equivalente à do crescimento de unhas humanas. Assim, o fundo do oceano é constantemente alterado, com a criação de novas crostas feitas da lava expelida do centro da Terra e que se solidifica no contato com a água fria. Placas tectônicas BBC Quando as placas tectônicas se movem, geram intensa atividade geológica em suas extremidades. Elas podem se afastar umas das outras, abrindo um espaço e criando uma superfície maior no fundo do mar. Ou se aproximar, encobrindo uma à outra. Também podem "roçar" umas nas outras, gerando tremores de menor intensidade, como ocorre geralmente na Falha de San Andreas, na região de San Francisco, nos Estados Unidos. No entanto, quando uma placa se move e é forçada para dentro da Terra, ela encontra altas temperaturas e pressões que são capazes de parcialmente derreter a rocha sólida, formando o magma que é expelido pelos vulcões. As atividades nestas zonas de divisa entre placas tectônicas são as mesmas que dão origem aos terremotos de grande magnitude. Monitoramento de risco Na região do vulcão da Ilha Branca, a empresa de monitoramento GeoNet transmite regularmente informações sobre a atividade do vulcão às agências turísticas e à polícia, mas cabe aos turistas tomar suas próprias decisões sobre se irão ao local. Os visitantes recebem capacetes e máscaras de gás para se proteger contra o vapor sulfuroso e devem usar calçados adequados para fazer o passeio. Os proprietários da empresa White Island Tours, com sede em Whakatane, são os guardiões oficiais da ilha, que foi declarada uma reserva privada em 1952. Combinação de imagens mostra o vulcão da Ilha Branca, na Nova Zelândia, antes da erupção, em imagem de satélites, e depois, em foto desta segunda (9) Google Earth/Maxar Technologies; George Novak/New Zealand Harald via AP De acordo com o jornal New Zealand Herald, a White Island Tours alerta em seu site que os visitantes "devem estar cientes de que sempre há um risco de erupção, independentemente do nível de alerta", ao mesmo tempo em que afirma seguir um "plano de segurança abrangente que orienta" suas atividades na ilha. Na terça-feira (3), a GeoNet alertou para um nível elevado de atividade no site, mas também disse que "o nível de atividade não representa um risco direto para os visitantes". O presidente da empresa, Paul Quinn, disse que o evento desta segunda-feira foi uma "terrível tragédia" e que os "pensamentos e orações da empresa estão com todos que foram afetados".
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09/12 - França retira permissão de venda de 36 herbicidas com glifosato
Atualmente, são comercializados 69 produtos à base do agrotóxico no país. O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo Benoit Tessier/File Photo/Reuters A Agência Francesa de Segurança Sanitária (Anses) anunciou nesta segunda-feira (9) que vai retirar do mercado 36 produtos à base de glifosato, agrotóxico mais vendido no mundo e suspeito de efeitos cancerígenos e problemas genéticos. Glifosato é o agrotóxico mais vendido do mundo Nos EUA, Justiça de São Francisco associou glifosato a câncer Há 11 anos, Anvisa está reavaliando o produto "Por decisão da Anses, 36 produtos serão retirados do mercado e não poderão ser utilizados a partir do final de 2020 devido à insuficiência ou falta de dados científicos para descartar qualquer risco genotóxico" (suscetível de danificar o DNA ou causar mutações), informou a agência em comunicado. Atualmente, na França, 69 produtos à base de glifosato são comercializados e os 36 retirados do mercado responderam por três quartos da tonelagem desse tipo de herbicida distribuído em 2018. Em 2017, a União Europeia estendeu por cinco anos a permissão para essa substância, e a Anses "começou a revisar as autorizações de introdução no mercado na França e lançou uma avaliação comparativa das alternativas disponíveis". Mas, sem esperar o final do processo atualmente em andamento, "a Anses notificou a retirada das autorizações para 36 produtos à base de glifosato", acrescentou. Ao mesmo tempo, a agência rejeitou pedidos de autorização para quatro dos onze novos produtos com essa substância. A agência especifica que "apenas produtos à base de glifosato que atendem aos critérios de eficiência e segurança definidos a nível europeu (...) e que não podem ser substituídos satisfatoriamente" podem entrar no mercado francês. O glifosato tem sido central na revolução agrícola que aumentou exponencialmente as culturas de cereais e oleaginosas geneticamente modificadas nos Estados Unidos, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Initial plugin text
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09/12 - Lei de Parkinson, a curiosa norma social que explica por que não temos tempo para nada 
Um historiador britânico escreveu que o trabalho se expande para preencher o tempo disponível. O conceito da Lei de Parkinson, acerca da burocratização das empresas e do serviço público, foi criado em 1955 Getty Images/BBC "O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização". O historiador Cyril Northcote Parkinson, especialista na Marinha Britânica, cunhou essa frase para a abertura de um ensaio para a revista The Economist, em 1955. O conceito, conhecido como 'Lei de Parkinson', ainda vale hoje em dia. Aparentemente, não sou o único para quem essa sentença soa verdadeira. A "Lei de Parkinson" ganhou vida própria, formando a base de vários outros ensaios e até um livro do historiador. Depois, ele viajou o mundo dando palestras públicas sobre o assunto. Mas o que pessoas não sabem é que a intenção original de Parkinson não era mirar escritores ou jornalistas como eu, mas um tipo diferente de ineficiência: a burocratização do Estado britânico. Em seu ensaio original, ele apontou que, embora o número de navios da Marinha tenha diminuído em dois terços e o pessoal em um terço, entre 1914 e 1928, a quantidade de burocratas no serviço havia aumentado quase 6% ao ano. Havia menos pessoas e menos trabalho para gerenciar, mas o gerenciamento em si ainda estava em expansão. Parkinson argumentou que isso se devia a fatores independentes das necessidades operacionais da Marinha. Obtenha mais subordinados, crie mais trabalho Stefan Thurner, professor de Ciência de Sistemas Complexos da Universidade Médica de Viena, é um estudioso que analisou a lei de Parkinson com seriedade. Thurner se interessou pelo conceito quando a faculdade de medicina da Universidade de Viena se tornou independente, em 2004. Pesquisadores canadenses dizem que stress pode ser contagioso Dentro de alguns anos, ele diz, a Universidade Médica de Viena passou de 15 para 100 funcionários, enquanto o número de cientistas permaneceu o mesmo. "Eu queria entender o que estava acontecendo lá e por que minha carga burocrática não diminuiu. Pelo contrário, aumentou", diz ele. Por acaso, ele leu o livro de Parkinson na mesma época. Então, decidiu transformá-lo em um modelo matemático que poderia ser manipulado e testado, juntamente com os co-autores Peter Klimek e Rudolf Hanel. "Parkinson argumentou que, se você tem numa empresa a taxa de crescimento de 6% do departamento administrativo, mais cedo ou mais tarde a empresa morrerá. Eles terão toda a sua força de trabalho concentrada na burocracia e nenhuma na produção." Parkinson apontou dois elementos críticos que levam à burocratização: 1) o que ele chamou de lei da multiplicação de subordinados, ou seja, a tendência de gerentes de contratar dois ou mais subordinados para se reportarem a ele — e que nenhum deles esteja em concorrência direta com esse chefe; e 2) o fato de os burocratas criarem trabalho para outros burocratas. Thurner diz que as empresas geralmente começam com uma hierarquia plana, com dois engenheiros, por exemplo. À medida que ela cresce, eles contratam assistentes, que são promovidos e contratam seus próprios subordinados. "Uma pirâmide começa a crescer. Pode-se adicionar camadas artificiais que não têm outra finalidade senão a introdução de hierarquia, que ajudam a promover as pessoas para agradá-las e mantê-las motivadas. Quando a pirâmide fica muito grande e cara, pode consumir todos os lucros da empresa. Se o órgão burocrático não for drasticamente reduzido nessa fase, a empresa vai morrer." Gabinete gigante, governo ineficiente Thurner também analisou as ineficiências no contexto original de Parkinson: os governos. Em outro estudo, ele e seus colegas examinaram o tamanho de gabinetes estatais de quase 200 países. Eles descobriram que o tamanho do gabinete estava negativamente correlacionado com a eficácia do governo, estabilidade política, responsabilidade fiscal, além conhecimento, expectativa e padrão de vida. Esses dados são medidos pelas Nações Unidas. Para testar como o tamanho de um grupo afeta sua capacidade de tomar decisões, eles criaram um modelo baseado em redes de fluxo de informações e descobriram que ocorreu uma mudança significativa quando os grupos atingiram 20 pessoas. "Encontramos um padrão realista de vinculação de pessoas e demos aleatoriamente a comitês artificiais algumas opiniões sobre os assuntos", diz ele. "Com 20 pessoas, você vê uma forte diferença na construção de coalizões. Grupos menores se formam e se bloqueiam, o que explica por que é extremamente difícil tomar decisões unânimes." Produtividade x tempo Hoje, embora alguns pesquisadores possam rir da menção à "lei" que passou a significar muito mais do que a intenção original do autor, também não há dúvida de que eles sabem a que ela se refere. Existe alguma verdade na noção de que, sem tempo estipulado, perdemos tempo e nosso trabalho demora mais para ser concluído? De fato, estudos realizados nas décadas seguintes ao ensaio de Parkinson mostraram que ele tem algum mérito. Na década de 1960, os pesquisadores mostraram que, quando os indivíduos recebiam "acidentalmente" tempo extra para concluir uma tarefa, o trabalho levava mais tempo para ser concluído. Em outros estudos de 1999, indivíduos foram convidados a avaliar quatro conjuntos de fotos. Quando eles disseram que o quarto grupo foi cancelado, passaram mais tempo "brincando" no terceiro, em vez de apenas concluir a tarefa mais rapidamente. Em um teste surpresa, pesquisadores também descobriram que o tempo extra gasto em uma tarefa — nesse caso, contando o número de letras em uma frase — não levou a uma maior precisão. Então, isso significa que, como escritor, devo definir meus prazos mais cedo ou limitar o trabalho que faço em cada história? Em geral, deveríamos impor restrições de tempo mais rigorosas para melhorar nossa produtividade? Os seres humanos têm uma capacidade limitada de memória, atenção e fadiga — ou largura de banda mental, de acordo com Eldar Shafir, professor de Princeton e coautor de Escassez, um livro que mostra como as pessoas e as organizações ao redor do mundo podem lidar com a falta de recursos. "Como nossa capacidade de atenção é limitada, nós a dividimos esporadicamente da melhor maneira possível ao longo da vida cotidiana", diz ele. Mas, às vezes, por necessidade, precisamos nos unir. Em seu livro, ele e o co-autor, Sendhil Mullainathan, falam sobre a concentração em um projeto às custas de outras tarefas. "Quando você tem um prazo, é como uma tempestade à sua frente ou um caminhão na esquina. É ameaçador e está se aproximando, então você se concentra bastante na tarefa", diz. E você pode conseguir um ótimo trabalho, mas o problema é que todo o resto é transferido para a periferia. "Se você está se concentrando tanto em um grande projeto, pode ao mesmo tempo esquecer de coisas como pegar o seu filho na escola, o aniversário da sua mãe, alimentar o cachorro etc. Esse pode ser o preço que você paga pelo sucesso que deseja alcançar." E sempre há a chance de que correr para realizar uma tarefa em poucas horas também pode ter desvantagens, principalmente se o prazo for definido por outra pessoa. "Se o seu prazo for muito curto e você entrar em pânico, terá sacrificado outras coisas e poderá trabalhar de maneira ineficiente, e as coisas poderão dar errado de qualquer maneira", diz ele. "As pessoas gostam de dizer que, se não fosse no último minuto, nada teria sido feito. Mas pesquisas mostram que a produtividade das pessoas não é linear ", diz Elizabeth Tenney, professora-assistente da Escola de Negócios Eccles da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Tenney é pesquisadora e autora de diversos ensaios sobre a relação entre a pressão imposta por prazos definidos e produtividade. "Quando as pessoas se sentam para realizar uma tarefa, elas se esforçam muito inicialmente. Em algum momento, passará a obter retornos decrescentes ao esforço extra. Para otimizar a produtividade, você precisa maximizar os benefícios, minimizar os custos e encontrar esse ponto de inflexão entre eles." Isso pode não significar ocupar o tempo todo designado para tarefa ou trabalhar até o prazo final, diz ela. E quanto à hipotética velhinha de Parkinson escrevendo cartas? Se ela tivesse se dado um prazo mais apertado, provavelmente terminaria mais rapidamente. Mas sem mais nada para fazer o dia todo, ela terminou bem em cima do prazo.
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08/12 - Como a temperatura de suas mãos pode indicar se você sofre de artrite reumatoide
Estudo da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, utilizou termografia infravermelha para detectar artrite reumatoide - e os resultados mostraram relação entre a temperatura das mãos e a incidência da doença. Um estudo recente identificou uma ligação entre a temperatura da palma das mãos e o aparecimento de artrite reumatoide Getty Images/BBC Não existe uma causa específica para a artrite reumatoide, nem um sinal claro de que a doença se aproxima. Pela similaridade de seus sintomas com os de outras enfermidades, é difícil diagnosticá-la em estágios iniciais. Isso faz com que, quando as dores nas articulações, o inchaço e a vermelhidão aparecem - sinais mais claros da doença -, fique mais complicado controlá-la, e os tratamentos necessários precisam ser mais invasivos. Saiba qual a diferença e como aliviar a artrite e a artrose Alimentos podem auxiliar no tratamento e prevenção de artrite e artrose Um exame de sangue que detecte uma velocidade elevada da chamada proteína C reativa pode servir de indício de um processo inflamatório no corpo. Entretanto, o teste não possui um marcador específico para a artrite reumatoide. Mas um método relativamente novo pode melhorar o diagnóstico do problema. É isso que afirmam os pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, em um estudo publicado na revista Nature. Eles afirmam que encontraram uma ligação entre a temperatura da palma das mãos de pacientes com artrite reumatoide. Termografia "A termografia é uma técnica emergente com o potencial de ser uma importante ferramenta clínica em vários campos da medicina, já que as doenças variam em magnitude e em padrão de emissão de calor das pessoas afetadas", diz a pesquisa. Os pesquisadores asseguram que a termografia identificaria melhor os sinais da artrite em comparação a outros métodos, como o ultrassom Getty Images/BBC A termografia infravermelha é um procedimento que obtém imagens e "produz um termograma da pele do paciente", segundo o Instituto de Termografia Médica Aplicada na Espanha. O relatório da Universidade Cornell explica que o procedimento é usado para detectar enfermidades como a diabetes e o câncer de mama, mas destaca que faltam pesquisas voltadas à análise de inflamações nas articulações, em função da artrite reumatoide. A investigação foi realizada com 82 pacientes, entre os quais 51 não apresentavam nenhum sintoma e 31 tinham artrite reumatoide. A partir daí, o estudo excluiu os pacientes com outras condições, como diabetes, doenças arteriais periféricas e neuropatias, pela probabilidade de que emitissem uma temperatura que alterasse o experimento. "O objetivo do estudo era determinar se os pacientes enfermos, mas sem sintomas de inflamação ou dor, teriam padrões termográficos diferentes em comparação aos que estavam saudáveis", diz o artigo. Resultados Os autores afirmam que essa é a primeira pesquisa a realizar tal comparação e que os resultados mostraram claramente que, neste caso, as mãos de pacientes com sintomas tinham temperaturas superiores às de indivíduos saudáveis. Em contraponto, um artigo de 2018 põe em dúvida a confiabilidade de provas termográficas para articulações pequenas, ainda que deixe em aberto sua efetividade para articulações maiores Getty Images/BBC "No caso da temperatura da palma das mãos, as duas curvas de probabilidade (de pessoas saudáveis e que já apresentavam a condição) se cruzavam nos 31,5°C, o que implica que aqueles com temperaturas inferiores a essa eram mais propensos a estar saudáveis. Por outro lado, as pessoas cuja temperatura da palma da mão excedia os 31,5°C eram mais suscetíveis a sofrer com a artrite reumatoide", conclui o artigo. De forma similar, também se mediu a temperatura dos dedos, e nesse caso o ponto de encontro entre as curvas foi de 30,3°C - determinando assim a divisão entre a possibilidade de se ter ou não artrite. Os autores destacam como a termografia pode detectar sinais da enfermidade com maior rapidez do que modalidades similares. Por exemplo, eles compararam os resultados com testes de ultrassom, que não percebiam os sinais de artrite na mesma amostra experimental de pacientes. "Com essa descoberta é possível definir as bases para estudos posteriores nessa área emergente e nessa prática clínica", sugere o informe. Apesar dos resultados do experimento da Universidade Cornell, a efetividade da termografia para detectar artrite não está completamente esclarecida. A revista Reumatologia Clínica publicou um artigo em abril de 2018 que levantava a possibilidade de que a termografia identificaria a artrite em articulações maiores. Entretanto, isso não parecia funcionar com as menores, como é o caso das mãos. Bem Estar fala sobre doenças que provocam dores nas articulações Desgaste, imunidade ou inflamação são causas de dores nas articulações. E elas podem ser sintomas de uma série de doenças. As mais frequentes são artrose, gota e artrite reumatoide. Bem Estar fala sobre doenças que provocam dores nas articulações
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08/12 - 5 experimentos de Darwin que você pode fazer em casa
Depois de cinco anos a bordo do navio Beagle, quando deu a volta ao mundo, o naturalista retornou em 1836 ao Reino Unido e passou décadas conduzindo experiências em sua casa em busca de evidências para sua teoria da evolução por seleção natural. A curiosidade e a dedicação de Darwin culminaram em algumas previsões famosas - como, por exemplo, a da existência de uma espécie mariposa descoberta apenas décadas depois BBC Desde orquídeas até crustáceos e sementes. A curiosidade de Darwin pelo mundo natural era tamanha que, quando focava em algo, seu interesse não só se convertia em paixão, como também levava a meses ou anos de experimentos meticulosos. O naturalista era capaz de enxergar questões profundas em acontecimentos em que a maioria das pessoas sequer prestaria atenção. Encantado com a natureza e indignado com a corrupção: o que Charles Darwin achou do Brasil do século 19 Por que Charles Darwin pode ter sido um dos maiores economistas da história Depois de passar cinco anos a bordo do navio Beagle, quando deu a volta ao mundo observando espécies da América do Sul à Oceania, Darwin retornou em 1836 ao Reino Unido, seu país de origem. O biólogo passou, então, décadas fazendo experimentos em sua casa em Kent, a cerca de uma hora de Londres, em busca de evidências para sua teoria da evolução por seleção natural. Apesar de ter sofrido com problemas estomacais, tonturas, fadiga extrema e outros sintomas debilitantes ao longo da vida, não desistiu de seus experimentos. Darwin sofreu com problemas de saúde ao longo de grande parte da vida adulta, mas nunca desistiu de seus experimentos Science Photo Library/BBC "Darwin tinha problemas de saúde, e só alguém que realmente amasse estudar a natureza teria perseverado como ele fez, ao longo de décadas de experimentos e observações cuidadosas", disse à BBC News Mundo o professor de biologia Ken Thompson, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, autor do livro As plantas mais maravilhosas de Darwin. "A teoria da seleção natural, com toda a sua importância, pode ser vista como uma consequência do grande amor e curiosidade de Darwin pelo mundo natural." Conheça cinco experimentos realizados por Darwin que podem ser replicados em casa e entenda o que o naturalista britânico buscava comprovar por meio deles. 1. Em direção à luz Com seus experimentos sobre como brotos respondiam ao estímulo da luz, Darwin descobriu os hormônios das plantas Science Photo Library/BBC Em "O Poder do Movimento nas Plantas", que escreveu com um dos dez filhos, Francis, Darwin descreve como constatou que o broto de uma espécie de planta, a Phalaris canariensis, crescia "torto" quando submetido ao estímulo da luz. "Nos surpreendeu ver como a parte superior determinava a direção da curvatura da parte inferior" – Charles Darwin Para averiguar se a parte superior do broto era a parte sensível à luz, o biólogo cobriu a recobriu com uma "capa" de material opaco. E verificou que, desta vez, a planta não se dobrou em direção à luz. É possível replicar esse mesmo experimento: plantar uma semente e ver como seu primeiro broto curva-se em direção a uma vela acesa, por exemplo, para então cobrir a ponta com uma "capa" de papel alumínio e notar a diferença. Darwin era cuidadoso e paciente quando se tratava de suas experiências mas, segundo Ken Thompson, "sua verdadeira genialidade estava em sua habilidade de formular as perguntas corretas". Darwin esteve no Brasil por 5 meses em 1832 Arte / TG Neste experimento, "a ideia-chave para Darwin era de que a parte de uma planta que responde a um estímulo - neste caso, à luz - não necessariamente é a mesma que percebe esse estímulo". "E essa constatação leva a uma conclusão inevitável, de que algo transporta esses sinais de uma parte a outra da planta." "Darwin descobriu, na prática, o efeito dos hormônios das plantas, que seguem sendo uma das áreas mais ativas de pesquisa em fisiologia vegetal." 2. A 'luta pela existência' Em seus experimentos com ervas daninhas, Darwin queria demonstrar que mais organismos individuais nascem do que organismos que sobrevivem Science Photo Library/BBC Em 1857, Darwin analisou as ervas daninhas em seu jardim e demonstrou que a vasta maioria das sementes que germinam não sobrevive. A mesma experiência pode ser replicada, delineando com uma corda um pequeno lote de terreno em que a terra fique exposta e marcando o lugar em que cada semente nasce. "A cada dia, eu marcava as mudas de ervas daninhas que nasceram durante os meses de março, abril e maio. De 357 que apareceram, 277 pereceram, principalmente devido às lesmas", escreveu Darwin. Mas por que o naturalista estava tão interessado em observar a morte precoce dos brotos? Darwin (à dir.) em sua casa, junto ao geólogo Charles Lyell (de pé) e o botânico Joseph Hooker na pintura de Victor Eustaphieff: Hooker era diretor do Jardim Botânico de Londres, Kew Gardens, e Darwin manteve uma longa correspondência com ele sobre seus experimentos Science Photo Library/BBC Em "A Origem das Espécies", Darwin escreveu: "já que mais indivíduos são produzidos do que os que podem sobreviver, deve haver uma luta pela existência". Thompson destaca que a teoria da seleção natural estava baseada na ideia - então descrita como a sobrevivência do mais apto, por Herbert Spencer - de que mais organismos individuais nascem do que os que podem sobreviver. Somente os mais aptos se reproduzem e passam seus genes à nova geração. "Darwin estava interessado em qualquer exemplo desse processo em ação - neste caso, a morte da maioria dos brotos em um lote de terra". 3. Sementes na água Provar que sementes poderiam sobreviver por longos períodos na água do mar e então germinar era importante para explicar a presença de uma mesma espécie em lugares distantes entre si Science Photo Library/BBC Darwin passou mais de um ano verificando a capacidade das sementes de sobreviver na água do mar. O experimento era crucial para responder aos críticos da teoria da evolução das espécies. "A crença dominante na época de Darwin era de que os animais e plantas eram encontrados nos lugares em que Deus os havia colocado", explica Thompson. Encontrar uma mesma espécie em lugares muito distantes entre si, às vezes mesmo em continentes diferentes, era considerado uma prova desse desígnio divino. O estúdio de Darwin em sua casa, a Down House, agora é preservado como museu Getty Images/BBC "Darwin queria mostrar que as espécies podem se dispersar por distâncias maiores do que as pessoas acreditavam." "Por isso, provar que as sementes conseguiam sobreviver durante longos períodos de tempo na água do mar, para então germinar, era importante, já que implicava ser possível a dispersão por grandes distâncias por meio das correntes oceânicas", acrescenta. 4. Plantas carnívoras As cartas de Darwin revelam que, por volta de 1860, sua paixão eram plantas carnívoras, como descreve Thompson em seu livro. O cientista chegou inclusive a se referir a uma delas, a Drosera rotundifolia, ou orvalho-do-sol, como sua "amada drosera". 'Para Darwin, era óbvio que a drosera havia evoluído a partir das muitas plantas que tinham tricomas glandulares por outras razões, como a defesa contra insetos' Science Photo Library/BBC Darwin queria descobrir a dieta favorita dessa planta e, assim, submeteu-a a uma dieta variada, à base de itens como açúcar, leite, azeite e gelatina. "As insetívoras eram um exemplo maravilhoso de plantas que gradualmente evoluíram e desenvolveram uma habilidade de fazer algo que a maioria das plantas não pode fazer", explicou Thompson à BBC News Mundo. "Para Darwin, era óbvio que a drosera havia evoluído a partir das muitas plantas que tinham tricomas glandulares (apêndices que produzem secreção) por outras razões, como a defesa contra insetos. E podia, por sua vez, evoluir e se converter em algo diferente, como a chamada apanha-moscas." O naturalista também deduziu corretamente que as plantas carnívoras evoluíram em solos pobres, em que precisavam atrair insetos para obter nutrientes. "Considerando o solo em que elas crescem, o nitrogênio disponível é geralmente muito limitado - o que faz com que muitas delas absorvam o elemento dos insetos que capturam", escreveu Darwin. 5. Coevolução Darwin fez experimentos com o trevo vermelho para estudar a dependência dessas plantas de seus insetos polinizadores Science Photo Library/BBC Darwin estudou a relação entre as plantas e os insetos que as polinizam, uma dependência fruto da coevolução de duas espécies diferentes. O cientista fez experiências com plantas de trevo vermelho - processo que pode ser replicado por um leigo. Antes que o trevo floresça, cubra algumas partes da planta com uma malha "à prova de insetos". Então compare o número de sementes produzidas pelas flores cobertas e pelas expostas. Um dos casos mais famosos de coevolução é o de uma célebre previsão de Darwin. O naturalista recebeu de um famoso horticultor inglês, James Bateman, vários exemplares de uma chamativa orquídea de Madagascar, a estrela-de-Belém, cujo nome científico é Angraecum sesquipedale - e que ficaria conhecida como a "orquídea de Darwin". A 'orquídea de Darwin', Angraecum sesquipedale, tem um nectário de 30 centímetros de comprimento. Que inseto poderia alcançar o néctar e polinizá-la? Science Photo Library/BBC O que chamou a atenção do cientista foi o comprimento do nectário ou canal (de cerca de 30 centímetros), cuja parte inferior armazena o néctar. "Para Darwin, estava claro que, se uma orquídea tinha um nectário de cerca de 30 centímetros, esse nectário havia evoluído assim por uma razão", explica Thompson. "Ele cultivou Angraecum em sua própria estufa e antecipou que ela deveria ser polinizada por uma mariposa com uma probóscide (língua) suficientemente comprida para alcançar o néctar". Darwin previu a existência de uma mariposa com uma probóscide (língua) suficientemente longa para polinizar a orquídea de Madagascar Science Photo Library/BBC Foram necessários cerca de 40 anos para que se descobrisse uma mariposa com tais características em Madagascar. "E demonstrar que a mariposa efetivamente polinizava a orquídea levou mais de um século." A mariposa foi descrita com o nome de Xanthopan morganii praedicta, e a última parte de seu nome faz referência à previsão realizada por Darwin sobre sua existência. Uma mensagem de Darwin para todos 'O mundo está cheio de perguntas para aqueles que têm olhos para vê-las', destaca Thompson Getty Images/BBC Os experimentos de Darwin têm uma grande mensagem para todos nós, segundo Thompson. "Darwin nunca encarou nada como fixo", afirmou à BBC News Mundo o professor da Universidade de Sheffield. "Ele via as mesmas coisas cotidianas que todos nós vemos, mas sempre buscava nelas um significado profundo." "O mundo está cheio de perguntas para aqueles que têm olhos para vê-las." VÍDEO: Darwin desistiu da medicina viajou pelo mundo Teorias da evolução e seleção natural repercutem em várias disciplinas
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08/12 - Sobrevivente de ebola fica doente novamente, dizem autoridades do Congo
Especialistas ainda não têm certeza se trata-se de recaída ou reinfecção. Se confirmado, caso pode derrubar hipótese de que sobreviventes adquirem imunidade à doença. Agentes de saúde trabalham para o controle do ebola no Congo Media Coulibaly/Reuters Um sobrevivente de ebola manifestou a doença uma segunda vez no leste do Congo, afirmaram as autoridades de saúde congolesas neste domingo (8). Elas ainda não têm certeza se o caso é uma recaída ou uma reinfecção. A epidemia de ebola na República Democrática do Congo infectou mais de 3,3 mil pessoas e matou mais de 2,2 mil desde meados do último ano, o segundo pior do qual se tem registro. Especialistas afirmam que se trabalhava com a hipótese de que sobreviventes do ebola geralmente adquiriam imunidade à doença. Não houve casos documentados de reinfecção, mas alguns pesquisadores consideram a possibilidade na teoria. Em um relatório diário sobre a epidemia, as autoridades de saúde congolesas informaram que um sobrevivente em Mabalako, província de North Kivu, ficou novamente doente devido ao vírus, mas não forneceu detalhes. Representantes da Organização Mundial de Saúde e do Instituto Nacional do Congo de Pesquisas Biomédicas (INRB) disseram que testes estão sendo conduzidos para determinar o que ocorreu. VÍDEOS SOBRE EBOLA Veja abaixo vídeos do arquivo do Bem Estar sobre o Ebola. Veja quais são os sintomas do ebola Ebola é transmitido pelas secreções da pessoa contaminada Entenda o período de incubação do ebola Especialistas tiram dúvidas sobre a epidemia do ebola Infectologista fala sobre a vacina contra o ebola
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08/12 - Como uma dieta equilibrada pode alterar seu humor e evitar até a depressão
Cientistas têm investigado com mais atenção nos últimos dez anos o quanto os hábitos alimentares contribuem para nosso estado mental. Esforço fez surgir, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional. Dieta equilibrada pode alterar seu humor Getty via BBC Dias ruins mexem com nossa cabeça e apetite. Períodos de estresse fazem não apenas o humor oscilar, mas também a fome. Alguns ficam mais famintos. Outros param de comer. É comum associar ansiedade e depressão a transtornos alimentares. O que médicos, nutricionistas e psiquiatras têm investigado com atenção nos últimos dez anos é o quanto nossos hábitos alimentares contribuem para nossos estados mentais de euforia e tristeza. Surgiu, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional. Experimentos em laboratório com camundongos têm ajudado a desvendar como a alimentação nos deixa mais felizes ou tristes. A origem disso não está só em nossa cabeça: para entender como a comida altera nosso humor, é preciso olhar também para o intestino. O que a ciência já sabe Somos o que comemos. A influência da dieta em nosso estado mental é imensa. Há uma farta literatura médica sobre esse assunto. De modo geral, os especialistas observam o equilíbrio entre dois grupos alimentares: açúcares e gorduras. É com eles que obtemos a maior parte da nossa energia, mas também são eles que, em excesso, causam desequilíbrios importantes. Comer mal danifica o cérebro, por um processo conhecido como estresse oxidativo — a liberação de radicais livres de oxigênio no corpo acontece naturalmente e se avoluma com a idade, mas a dieta pode acelerar esse acúmulo. A obesidade induzida por dietas ricas em açúcar e gorduras saturadas promove resistência do nosso organismo à ação da insulina, hormônio responsável por "colocar" a glicose dentro das células. Isso aumenta a glicemia, que é a quantidade de açúcar presente no sangue. Persistindo nesses hábitos alimentares, pode ocorrer o desenvolvimento de diabetes. Além disso, gorduras saturadas comprometem o fluxo sanguíneo e causam inflamação nos órgãos. Mas o que faz bem ao cérebro? Alimentos anti-inflamatórios, gorduras simples (monossaturadas ou poli-insaturadas) e antioxidantes, como frutas, legumes, nozes e vinho, parecem ter um efeito restaurador sobre o órgão, protegendo-o do estresse oxidativo e da inflamação, que afeta o equilíbrio entre os neurotransmissores, responsáveis por regular nossas emoções. "Já sabemos que dietas ricas em gorduras saturadas e/ou açúcares são capazes de alterar o estado de humor tanto em animais de laboratório como em seres humanos. O consumo de alimentos gordurosos, como as típicas 'junk foods', está associado ao aumento de depressão e ansiedade", afirma Cristiano Mendes da Silva, do Laboratório de Neurociência e Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A nutricionista Catherine Ássuka Giriko constatou uma correlação entre dietas ricas em gordura e estados de depressão e agressividade numa prole de ratos adultos cujas mães ingeriram alimentos gordurosos enquanto os amamentavam. "Usando modelos animais, constatamos que uma gestante cuja dieta é rica em gorduras pode gerar uma prole com atraso neurodesenvolvimental e que tem alterações moleculares importantes na região do cérebro envolvida com processos de memória e aprendizado", explica Mendes da Silva. Dieta mediterrânea Bem Estar (arquivo) Mariana Garcia/G1 A epidemiologista Camille Lassale, pesquisadora do University College, no Reino Unido, diz que determinados hábitos alimentares podem levar à depressão. "O vínculo é claro. Não quero dizer que uma dieta ruim nos deixa tristes porque engordamos e nos sentimos mal com o ganho de peso. Nossos hábitos alimentares nos fazem realmente adoecer, mexem com o sistema imunológico, além de afetar a saúde mental." Lassale fez uma análise, publicada em 2018 no periódico "Nature Molecular Psychiatry", em que comparou dados de 41 artigos científicos sobre o tema. Ela concluiu que incluir alimentos anti-inflamatórios na dieta é mais saudável e pode ajudar a prevenir a depressão. "Indivíduos que adotam dieta mediterrânea (com mais fibras, azeite, verduras, frutas e legumes in natura e poucos produtos processados) tiveram um risco 33% menor de desenvolver depressão do que aqueles cuja dieta menos se assemelhava à mediterrânea", afirma a cientista. "De todo modo, creio que a dieta ajuda, sim, a algumas pessoas, e temos agora explicações biológicas de como isso acontece. Dieta e exercícios físicos evitam e combatem a depressão, mas só podem ser vistos como peças de um complexo quebra-cabeças da mente humana." Deprimir é inflamar É difícil dizer não a uma colher de brigadeiro quando alguma coisa vai mal em nossas vidas. Em situações de cansaço, fadiga ou preocupação, o organismo parece pedir uma recompensa química, na forma de uma descarga de serotonina, um neurotransmissor responsável por nossa sensação de bem-estar, produzida a partir da ingestão de açúcares e gorduras. Quanto mais simples estes alimentos, em termos químicos, mais fáceis de digerir, e maiores os "picos" de euforia. O açúcar refinado das sobremesas chega mais rápido e de forma mais forte ao cérebro do que quando comemos alimentos mais complexos, verduras e grãos integrais. Mas o prazer é passageiro, e a glicose em excesso pode prejudicar o funcionamento do nosso corpo. Há evidências neurobiológicas que apoiam a "hipótese neuroinflamatória" da depressão, a qual estabelece que comportamentos de ansiedade e depressão podem ser induzidos por dietas ricas em gordura. Mendes da Silva explica que uma dieta gordurosa e açucarada compromete o fluxo sanguíneo. O colesterol ruim (LDL-colesterol) se oxida e promove um estado pró-inflamatório no interior de vasos sanguíneos, o que pode gerar uma resposta das células de defesa do organismo (monócitos), que irão fagocitar ("comer") essas moléculas até "estourarem". Isso forma uma camada de gordura de dentro para fora do vaso sanguíneo, conhecida como placa de ateroma, que provocam infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O mesmo pode ocorrer em nível cerebral: se moléculas desse tipo atravessam a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central, chegam aos neurônios e ativam receptores que disparam uma cascata de reações, entre elas a produção e liberação de moléculas que estimulam a formação de uma inflamação. "A inflamação reduz os níveis de serotonina, o 'neurotransmissor da felicidade', e aumentam o risco de depressão", diz Mendes da Silva. Ou seja, o mesmo agente da alegria é capaz de perturbar o organismo e causar tristeza depois. A epidemiologista Débora Estadella, do Instituto de Saúde e Sociedade da Unifesp, afirma que o vilão não são alimentos ou nutrientes isolados, mas sim um padrão alimentar. Boas refeições equilibram os possíveis efeitos nocivos de uma barrinha de chocolate, por exemplo. "A maior parte dos estudos de nutrição e epidemiologia relata isso, e o que se investiga são padrões macroalimentares, como a análise comparativa entre vegetarianos ou não vegetarianos, os que comem alimentos processados ou não, as dietas regionais, como a mediterrânea, asiática e as ocidentais", afirma Estadella. Alcaparra, vinho dos vulcões, azeite de oliva: sabores da dieta mediterrânea A influência dos micro-organismos A relação entre o que acontece no intestino e saúde mental é um dos tópicos mais intrigantes e controversos da pesquisa sobre nossa metagenômica, termo científico para o conjunto de bactérias, vírus e fungos que fazem parte de nosso organismo. Essa abordagem é bastante recente dentro da Medicina e tem se popularizado nos últimos anos. Os microorganismos que habitam o corpo humano - calcula-se que sejam mais de 100 trilhões - são fundamentais para a absorção de nutrientes, vitaminas e o equilíbrio químico de neurotransmissores. Isso porque eles "quebram" os nutrientes que ingerimos e criam as moléculas que estimulam atividade neural. A maior parte desse exército está em nossos intestinos, cujas paredes estão repletas de terminações nervosas, no chamado sistema nervoso entérico. É no intestino, inclusive, que estão 90% dos receptores de serotonina, que além de interferir no humor e inibir a dor, regulam o sono e o apetite. Embora haja consenso entre pesquisadores de que a metagenômica seja formada nos primeiros anos de vida de um indivíduo, é possível alterar o ambiente intestinal ao longo da vida. Nossas dietas fazem isso constantemente. "A complexa comunicação entre intestino e cérebro é orquestrada por diferentes sistemas, incluindo os sistemas nervosos endócrino, imune, autonômico e entérico. As bactérias que vivem em nós têm função essencial para que a conexão aconteça", afirma Estadella. O trato gastrointestinal secreta dezenas de moléculas diferentes. Essas substâncias podem "ativar" receptores em células do sistema imunológico, permitindo, assim, uma espécie de conversa indireta entre cérebro e intestino. A relação entre metagenômica, intestino e cérebro tem sido explorada sobretudo em estudos com animais. Mas essas pesquisas dão pistas importantes do que pode ocorrer em nossos organismos. Um estudo publicado por biólogos belgas no início de 2019, na revista "Nature Microbiology", concluiu que bactérias Faecalibacterium e Coprococcus podem sintetizar no intestino uma substância derivada da dopamina, o "neurotransmissor do prazer". Outro trabalho, de autoria de Julieta Schachter, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com imunologistas de Taiwan, correlacionou a obesidade, o microbioma intestinal — o conjunto de bactérias que habitam este sistema — e a depressão. "A diversidade de microbiomas intestinais tem sido fortemente associada a distúrbios do humor, incluindo transtorno depressivo maior. Pesquisas em roedores mostraram um início de comportamento depressivo após transplantes fecais de pacientes com este transtorno. Por outro lado, a indução de estresse e comportamento depressivo em roedores resultou na redução da riqueza e diversidade do microbioma intestinal", explica Mendes da Silva. Terapia combinada A depressão é uma doença de múltiplas causas e prejuízos visíveis. Calcula-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo convivam com o transtorno. A doença atinge mais mulheres que homens. São pessoas que dormem e comem mal, perdem a vontade e a alegria de viver e também a saúde — a Organização Mundial da Saúde afirma que o custo econômico da depressão, em perda de produtividade, é de US$ 1 trilhão ao ano. Ao longo das últimas décadas, psiquiatras tratam esses pacientes com medicamentos que agem sobre os neurotransmissores. O intuito é reequilibrar a química do cérebro. Apesar do avanço significativo, o tratamento não é eficaz em todos os casos. Além disso, trata-se de uma condição que é frequentemente recorrente. Alguém que tenha tido depressão em alguma fase da vida tem 50% de voltar a tê-la. Há pouco mais de dez anos, estudos realizados por neurocientistas, nutricionistas e biólogos têm proposto uma abordagem multidisciplinar em relação à doença. A psiquiatria nutricional é um campo emergente que combina descobertas do campo da epidemiologia e dos efeitos das dietas regionais sobre o microbioma no tratamento da depressão. "Quando alguém recebe uma receita de antidepressivo, os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados ao intestino. Muitas pessoas têm náusea, diarreia ou problemas intestinais", diz Lassale. Para ela, a abordagem nutricional é crucial no tratamento da doença. O pesquisador Wolfgang Max trabalha no Food & Mood, centro de pesquisa multidisciplinar da Universidade Deakin, na Austrália. O instituto reúne diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, dietética, biomedicina e psiquiatria, para entender as formas complexas pelas quais os hábitos alimentares influenciam cérebro, humor e saúde mental. Max afirma que o Food & Mood conduz atualmente 20 estudos sobre a relação entre comida e humor em vários níveis, da microbiologia a ensaios clínicos e saúde pública. O grupo, do qual faz parte a cientista Felice Jacka, pioneira nos estudos que associaram a qualidade da dieta e a saúde mental de crianças e adolescentes, recomendou recentemente que a psiquiatria nutricional "se torne parte rotineira da prática clínica em saúde mental". Max investiga como os polifenóis, compostos encontrados em pimentas, frutas e verduras, agem sobre o microbioma e a saúde mental. "Há nutrientes complexos em alimentos crus ou pouco processados. Carnes magras e outras fontes de zinco, ferro e ômega-3 garantem a ação antioxidante benéfica ao cérebro." Estadella, da Unifesp, diz haver evidências fortes de que o consumo de certos peixes e frutos do mar está ligado a uma menor probabilidade de o indivíduo ter depressão, por serem alimentos que contêm o ácido graxo ômega-3. "Ele melhora a fluidez das membranas neuronais. Alguns estudos utilizaram ômega-3 junto com antidepressivos e tiveram resultados positivos", afirma a pesquisadora. Mas ela afirma que, antes de mexer com os intestinos e adotar o consumo frequente de alimentos prebióticos, que servem de comida para nossos micro-organismos, e probióticos, que contêm estes micro-organismos, é importante corrigir a dieta e evitar alimentos ultraprocessados e refinados e preferir os integrais.
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08/12 - Converse com seu médico sobre essa lista
Critérios de Beers relaciona medicamentos inapropriados para pacientes idosos Conforme envelhecemos, ou assistimos ao envelhecimento de parentes e amigos próximos, aprendemos a conviver com uma lista de remédios para controlar doenças crônicas e outras mazelas sorrateiras que surgem pelo caminho. No entanto, nunca conversamos com os médicos sobre outra lista, conhecida no Brasil como Critérios de Beers, que relaciona os medicamentos inapropriados ou pouco seguros para serem administrados a pacientes idosos. Criada em 1991 pela Sociedade Americana de Geriatria, a lista passa por atualizações periódicas, e a última foi divulgada no começo deste ano. Um grupo de especialistas revisou mais de 1.400 artigos e fez alterações nas orientações que estavam vigentes desde 2015. Por exemplo, atualmente deve se evitar o uso de AAS para prevenção primária de doença cardiovascular acima de 70 anos, por causa do risco de sangramento, assim como não fazer uso de opioides com benzodiazepínicos. A Lista de Beers relaciona os medicamentos inapropriados ou pouco seguros para serem administrados a pacientes idosos https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48794651 Há os medicamentos potencialmente inapropriados; aqueles que devem ser utilizados com precaução; os que podem provocar interação medicamentosa; e os a serem evitados em determinadas condições, ou seja, é preciso ter uma visão do paciente como um todo. No X Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro, a médica Roberta Barros da Costa Parreira, mestre em epidemiologia e geriatra da Policlínica Piquet Carneiro, da Uerj, citou o caso de uma paciente de 80 anos que levou quatro receitas diferentes para a consulta com o geriatra com um pedido singelo: gostaria de tomar menos remédios. “O desafio da geriatria é justamente evitar o risco da polifarmácia e a desprescrição pode ser o caminho”, afirmou durante o evento. Quando o idoso vai a diferentes especialistas e não há comunicação entre eles, o perigo de uma interação medicamentosa aumenta. Além disso, há uma lista extensa de drogas cuja utilização está associada ao risco de quedas, uma das principais causas de perda de mobilidade e independência. Entre eles estão os benzodiazepínicos, receitados para quem tem problemas de ansiedade e insônia; antipsicóticos, para dificuldades de comportamento que ocorrem no Alzheimer e outras demências; antidepressivos; opioides; anti-hipertensivos; e medicamentos para baixar as taxas de açúcar no sangue, que podem levar a um quadro de hipoglicemia. De acordo com estudo da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, os anticolinérgicos são drogas prescritas com frequência que aumentam o risco de demência. São medicamentos da classe dos anti-histamínicos, ou antialérgicos, relaxantes musculares ou para o controle de bexiga hiperativa. Segundo a pesquisa, há um aumento de 50% para o risco de demência em pacientes acima dos 55 anos que utilizem altas doses desse tipo de medicação por mais de três anos.
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07/12 - Aumento das temperaturas tem acelerado redução do oxigênio nos oceanos, alertam cientistas
Estudo divulgado pela União Internacional para Conservação da Natureza durante a COP 25 afirma que cenário põe em risco espécies como atum e marlim-azul. Algumas espécies de tubarão e outros peixes com gasto energético elevado serão prejudicados pela menor disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, aponta estudo Divulgação/IUCN/BBC As mudanças climáticas e a chamada "poluição por nutrientes" estão reduzindo a concentração de oxigênio nos oceanos e colocando a risco a existência de várias espécies marinhas. Essa é a conclusão de um dos maiores estudos já realizados sobre esse tema, conduzido pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e divulgado neste sábado (7) na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 25, que está sendo realizada em Madri, na Espanha. O que são as zonas mortas dos oceanos - e por que elas estão cada vez maiores A 'Ilha Inacessível' no meio do oceano que virou um depósito de plástico A poluição por nutrientes é conhecida há décadas e é apontada como um dos principais responsáveis pelo surgimento de "zonas mortas" nos oceanos - locais com concentrações tão baixas de oxigênio que praticamente inviabilizam a existência de vida. Ela ocorre quando substâncias contendo elementos como fósforo e nitrogênio - usados em fertilizantes agrícolas, por exemplo - são arrastados da terra pela chuva para os rios e chegam ao mar. Ali, provocam o crescimento excessivo da população de algas, fenômeno batizado de eutrofização. Quando esses organismos morrem, seu processo de decomposição consome oxigênio, diminuindo sua disponibilidade na água. Oceanos estão perdendo oxigênio devido às mudanças climáticas, alerta pesquisa A mudança climática, por sua vez, tem agravado o problema: o aumento da temperatura da água é outro fator que contribui para a redução dos níveis de oxigênio. De acordo com o estudo, cerca de 700 pontos nos oceanos vêm sofrendo com a redução da concentração de oxigênio. Na década de 1960, esse número não passava de 45. O aumento das concentrações de gás carbônico na atmosfera intensifica o efeito estufa - os gases absorvem uma parcela da radiação que deveria ser dissipada para o espaço e a mantém dentro do planeta. Os oceanos, por sua vez, absorvem parte do calor. E a concentração de oxigênio na água é sensível à temperatura: quanto mais quente, menor a concentração desse gás, que é fundamental para a manutenção de boa parte da vida marinha. Mares com menos oxigênio favorecem a proliferação de águas vivas, mas são um habitat hostil para espécie maiores e que se movimentam rápido, como o atum. Cientistas estimam que, entre 1960 e 2010, o volume de oxigênio dissolvido na água recuou em 2%. O percentual pode não parecer significativo, já que é uma média - em algumas regiões tropicais, entretanto, a queda chegou a 40%. Peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver Divulgação/IUCN/BBC "Já conhecíamos o problema da redução da concentração de oxigênio, mas não sabíamos da ligação que ele tem com a mudança climática - o que é bastante preocupante", afirma Minna Epps, coordenadora da IUCN. "E, mesmo no melhor cenário de redução de emissões (de gases de efeito estufa), o oxigênio nos oceanos vai continuar a diminuir." Além do atum, algumas espécies de tubarão e o marlim-azul entram em risco nesse cenário. Isso porque peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver. De acordo com os autores do estudo, a situação atual tem feito com que esses animais se movimentem mais próximos da superfície do que de costume - onde há mais oxigênio dissolvido na água -, o que também os deixa mais vulneráveis para a pesca. A estimativa é que, no ritmo atual de emissões, os oceanos terão perdido em média entre 3% e 4% do oxigênio por volta de 2100. A maior parte da perda esperada se concentra a até mil metros de profundidade - faixa que concentra maior biodiversidade. A tendência é que o quadro seja pior nas regiões tropicais, onde as águas são mais quentes. O atum está entre as espécies que sofrem com a redução da concentração de oxigênio nos oceanos, conforme a IUCN Divulgação/IUCN/BBC "A redução do oxigênio significa perda de habitat e de biodiversidade - e uma ladeira perigosa rumo a um oceano com mais lodo e mais águas vivas", destaca Minna Epps. "Ela também pode alterar o ciclo energético e bioquímico nos oceanos - e não sabemos exatamente o que uma mudança como essa pode provocar." "A depleção de oxigênio [termo técnico usado para descrever o processo] está ameaçando ecossistemas marinhos que já estão sob pressão com a acidificação e o aquecimento dos oceanos", acrescentou Dan Laffoley, coeditor do estudo e também membro da IUCN. "Para barrar a expansão dessas zonas com baixa concentração de oxigênio [nos mares], precisamos de uma vez por todas frear as emissões de gases de efeito estufa, assim como a poluição por nutrientes, causada pela agricultra e outras atividades."
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07/12 - Pesquisa aponta alto risco de contaminação cruzada em 7 itens de pias de cozinhas; veja ranking
Estudo feito em Campinas encontrou milhões de bactérias e fungos em panos de pia, panos de prato, rodinhos, ralos, lixeiras de pia e outros produtos. Micro-organismos podem causar de diarreia a infecção urinária. Pesquisa de Campinas analisa contaminação de 7 itens de pias de cozinhas; ranking Se você é daqueles que acham que só trocar o saco da lixeirinha da pia, dar uma lavada rápida no paninho, na esponja e na tábua de carne são suficientes, fique atento aos riscos de contaminação cruzada na sua cozinha. Uma pesquisa feita em Campinas (SP) analisou esses e outros produtos e encontrou milhões de fungos e bactérias prejudiciais à saúde, que podem causar desde diarreia a infecção urinária. O estudo durou três meses e foi conduzido pelo curso de biomedicina do Centro Universitário UniMetrocamp Wyden. Nove cozinhas de casas escolhidas aleatoriamente receberam as pesquisadoras para coleta de amostras de sete itens que ficam na bancada da pia. Ranking da contaminação Lixeira - 1,744 milhão de bactérias e 1.180 fungos Esponja de lavar louça - 1,322 milhão de bactérias e 440 fungos Ralo - 1,302 milhão de bactérias e 801 mil fungos Pano de pia - 1,200 milhão de bactérias e 4 mil fungos Pano de prato - 975 mil bactérias Rodo de pia - 242,7 mil bactérias e 15.750 fungos Tábua de carne - 16,4 mil bactérias e 8.170 fungos Milhões de fungos e bactérias encontrados em itens que ficam sobre a pia de cozinhas domésticas. Pesquisa foi feita em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Alguns dos micro-organismos identificados pela pesquisa foram E.Coli, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter aerogenes, Candida e Rhodotorula. "Se você esquece de lavar as mãos, isso acaba passando para o alimento. Se muitas vezes você vai consumir aquele alimento cru, que é uma verdura, um legume, que não vai sofrer cozimento, essas bactérias vão ser ingeridas por você durante a alimentação, e pode causar problemas desagradáveis", afirma a orientadora da pesquisa e doutora em ciências de alimentos Rosana Siqueira. Pessoas com imunidade baixa, crianças e idosos estão mais sujeitos a problemas de saúde por conta da exposição aos micro-organismos, segundo o estudo. Lixeira de pia de cozinha e rodo podem conter bactérias e fungos, aponta estudo de Campinas. Arquivo pessoal Os sintomas de contaminação pelos agentes identificados são: diarreia febre vômitos dores abdominais intoxicação alimentar dor de garganta infecção urinária Tábua de alimentos e ralo de pia merecem atenção quando o assunto é contaminação na cozinha. Pesquisa de Campinas encontrou bactérias e fungos. Patrícia Teixeira/G1 Ideal é lixeira no chão A lixeirinha chamou a atenção pela falta de higiene. Foram analisadas as partes externa, interna e a tampa. "Às vezes a gente passa a semana, meses, sem limpar o lixinho com água sanitária ou álcool, por falta de tempo e por não saber que tem tanto micro-organismo. Às vezes fica úmido e favorece bastante o crescimento. A maioria das pessoas acaba só trocando o saquinho", afirma a graduanda Fernanda Baptista. Fernanda também explica que o ideal é que as cozinhas domiciliares tenham a lixeira no chão, com pedal, para evitar o uso das mãos. Se for na pia, precisa ser bem limpa. "O lixinho fica no local onde é feita a manipulação do alimento, então a gente pode contaminar a mão e, assim, contaminar o alimento", explica a aluna Sarah Stocco, que também realizou as coletas e análises. A terceira integrante do estudo é a graduanda Julie Aki Mashima. Análise de amostra retirada de um dos itens contaminados na cozinha durante pesquisa feita em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Hora certa de descartar Cada item deve ser observado para verificar o momento de fazer o descarte. O ralo precisa ser lavado com água quente e, em caso de ficar muito desgastado, precisa trocar, segundo orientação da professora Rosana. "A tábua, quando você vê a presença de ranhuras, manchas, está na hora de trocar. As bactérias podem ficar acumuladas nessas ranhuras. E você usa para carne, para legumes". "As bactérias não resistem muito à água quente", explica. Aquele paninho "limpa tudo" deve ser descartado após o uso. Rosana orienta que, se for usado, ele seja recortado em tamanhos pequenos. "A gente acaba deixando úmido, isso favorece o desenvolvimento de micro-organismos. A gente não usa só na pia, mas para limpar o fogão e outros objetos. A gente fica trocando de lugar, da pia vai para a mesa, da mesa para o fogão". O pano de prato usado para secar a louça não deve ser o mesmo que enxuga as mãos. "Ficou úmido, já troque seu pano de prato para não ter o problema de contaminação". Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados, segundo pesquisa de Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Tanto o rodo quanto a esponja devem ser limpos e guardados secos. Rosana também alerta para que a louça não fique muito tempo acumulada na pia, principalmente em dias de calor. A alta temperatura aumenta a proliferação de fungos e bactérias. "Esses micro-organismos estão presentes no nosso dia a dia, na água, no solo, nos alimentos que a gente traz para a nossa casa. O importante é controlar esse crescimento", ressalta a pesquisadora. Como evitar a contaminação cruzada Higienização dos objetos precisa ser regular para reduzir a proliferação de bactérias e fungos na cozinha. Lixo deve ser retirado todos os dias da lixeira, principalmente à noite, para evitar ficar muito tempo armazenado. Sempre que possível, lavar a lixeira e a tampa (com água quente ou água sanitária) e deixar secar antes de colocar o saquinho. Ferver a esponja de lavar louça, ou colocar por 1 minuto em um pote de vidro com água no micro-ondas. Lavar tábua de carne, pia e ralo com água quente. Trocar os produtos de limpeza eventualmente. O uso excessivo do mesmo produto pode gerar maior resistência dos micro-organismos, que ficam imunes com o tempo. Da esq. para dir., a graduanda Fernanda Baptista, a orientadora Rosana Siqueira e a graduanda Sarah Stocco, da UniMetrocamp, em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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06/12 - Bayer consegue adiar 2 processos ligados ao glifosato nos EUA
Companhia enfrenta 42.700 ações naquele país que relacionam o pesticida a câncer. É o agrotóxico mais vendido no mundo. Glifosato é usado em agrotóxicos nas plantações de soja, milho e algodão Pixabay A alemã Bayer chegou a um acordo com reclamantes para adiar seus próximos dois processos nos Estados Unidos relacionados a alegações de que pesticidas baseados em glifosato tenham efeito causador de câncer. Isso garante à companhia mais tempo para negociar possíveis acordos. Glifosato é o agrotóxico mais vendido do mundo Em São Francisco, Justiça associou glifosato a câncer Há 11 anos, Anvisa está reavaliando o produto Espera-se que a empresa, que enfrenta 42.700 processos nos EUA, eventualmente pague para deixar os litígios. Analistas estimam um futuro acordo em torno de US$ 8 bilhões a US$ 12 bilhões. A Bayer acertou com um dos reclamantes um adiamento de cerca de seis meses em um caso no Tribunal Superior da Califórnia do condado de Lake, que estava marcado para 15 de janeiro, disse um porta-voz da empresa. Um segundo caso, que teria início em 21 de janeiro, também na Califórnia, foi adiado para uma data ainda a ser determinada. A Bayer afirmou que os adiamentos geram mais tempo para que a empresa e os representantes dos reclamantes "se engajem construtivamente no processo de mediação". Outros processos com início marcado para este ano já haviam sido postergados. Initial plugin text
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06/12 - O que é melhor para a saúde, leite de vaca ou 'alternativos'?
Organizações como o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomendam que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia - pouco mais de meio litro de leite. Quando se trata de adultos, entretanto, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes. Intolerância à lactose e alergia ao leite, restrições que ainda causam confusão. Shutterstock Os humanos são os únicos seres vivos que bebem o leite de outra espécie. A maioria dos animais para de tomar leite ainda filhotes, quando começam a precisar de alimentos mais complexos. Por que com os humanos é diferente? As pessoas que vivem em partes do mundo onde as vacas foram domesticadas - começando no sudoeste da Ásia e se espalhando pela Europa - só passaram a serem capazes de digerir a lactose cerca de 10 mil anos atrás. O resultado é que apenas cerca de 30% da população mundial continua produzindo lactase, a enzima necessária para ser capaz de digerir lactose até a idade adulta. O restante reduz sua produção após a fase de desmame da infância. Cápsulas imitam o funcionamento da lactase; enzima que já temos no corpo A maioria das pessoas torna-se intolerante à lactose, tornando os europeus que bebem leite, junto com algumas populações africanas, do Oriente Médio e do sul da Ásia, a exceção - e não a regra. Mesmo aqueles que conseguem digeri-la podem querer reduzir a ingestão de leite por causa de outras preocupações, como saúde e os custos ambientais da pecuária, que têm impulsionado o crescimento do consumo de alternativas ao leite de vaca. Mas existem benefícios para a saúde de trocar o leite de vaca por outra bebida, ou o leite de vaca fornece nutrientes vitais que não podemos obter de outras fontes? E o leite realmente agrava a intolerância à lactose da maioria das pessoas? O leite de vaca é uma boa fonte de proteína e cálcio, além de nutrientes, incluindo vitamina B12 e iodo. Ele também contém magnésio, que é importante para o desenvolvimento ósseo e para a função muscular, e soro e caseína, que desempenham um papel importante na redução da pressão arterial. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia, o que significa pouco mais de meio litro de leite. Mas quando se trata de adultos, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes. Embora o cálcio seja necessário para manter os ossos saudáveis, não está claro se uma dieta rica em cálcio aumenta a resistência a fraturas, por exemplo. Vários estudos não encontraram redução significativa no risco de fratura por beber leite, enquanto alguns indicam que o leite pode, na verdade, aumentar a probabilidade. Uma pesquisa realizada na Suécia descobriu que mulheres que bebiam mais de 200 mililitros de leite por dia - menos de um copo - apresentavam maior risco de fraturas. Nesse caso, entretanto, os autores ponderaram que as descobertas não necessariamente indicavam uma relação de causalidade. Pode ser que pessoas mais propensas a fraturas tendam a beber mais leite, alertam. Mas o cálcio é crucial durante a adolescência para o desenvolvimento da força óssea, diz Ian Givens, especialista em nutrição da Universidade de Reading, na Inglaterra. "Se você não tem o desenvolvimento ósseo correto na adolescência, corre um risco maior de ter fraqueza óssea mais adiante na vida, principalmente mulheres após a menopausa, quando perdem os benefícios do estrogênio", diz Givens. Preocupações com a saúde Outra preocupação com o leite nas últimas décadas são os hormônios que ele tem. As vacas são ordenhadas durante a gravidez, quando seus níveis de estrogênio aumentam 20 vezes. Embora um estudo tenha vinculado esses níveis de estrogênio ao câncer de mama, de ovário e uterino, Laura Hernandez, que estuda biologia da lactação na Universidade de Wisconsin, nos EUA, diz que a ingestão de hormônios através do leite de vaca não é motivo de preocupação. Afinal, "o leite humano também contém hormônios - faz parte de ser um mamífero", diz ela. Uma revisão mais recente de estudos que investigam se a quantidade de estrogênio consumida via leite é prejudicial não encontrou motivo para preocupação. Os pesquisadores descobriram que os níveis de estrogênio só começam a afetar os sistemas reprodutivos dos ratos quando estão presentes em 100 vezes os níveis encontrados no leite de vaca. Os pesquisadores só detectaram um aumento nos níveis de estrogênio em camundongos fêmeas e uma diminuição dos níveis de testosterona em camundongos machos após a dosagem atingir mil vezes os níveis normais. É muito improvável que os humanos sejam mil vezes mais sensíveis aos níveis de estrogênio no leite do que os ratos, diz o autor do estudo, Gregor Majdic, pesquisador do Centro de Genômica Animal da Universidade de Liubliana, na Eslovênia. Estudos também descobriram uma ligação entre a ingestão de leite e doenças cardíacas, devido ao conteúdo de gordura saturada. Mas o leite integral contém apenas cerca de 3,5% de gordura, o semidesnatado, em torno de 1,5% e o leite desnatado, 0,3%. As bebidas sem açúcar feitas de soja, amêndoa, cânhamo, coco, aveia e arroz têm níveis mais baixos de gordura que o leite integral. Em um estudo, os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos com base na quantidade de leite que consumiam e descobriram que apenas aqueles que bebiam mais - quase um litro por dia - tinham um risco aumentado de doença cardíaca. A associação pode ser porque aqueles que bebem tanto leite não têm uma dieta saudável, diz Jyrkia Virtanen, epidemiologista nutricional da Universidade do Leste da Finlândia. "Apenas uma ingestão muito alta de leite pode ser ruim, não há pesquisas sugerindo que a ingestão moderada seja prejudicial", diz ele. Também é possível que aqueles com intolerância à lactose possam beber pequenas quantidades de leite de vaca. Alguns especialistas argumentam que sintomas adversos - como inchaço e cólicas estomacais - são uma resposta ao acúmulo de lactose no corpo, e cada indivíduo tem um limiar diferente antes de sentir os sintomas. Christopher Gardner, cientista de nutrição do Stanford Prevention Research Center, na Califórnia, realizou um estudo comparando os sintomas de pessoas com intolerância à lactose quando bebiam duas xícaras de leite de soja, leite cru ou leite comum todos os dias. Ele descobriu que muitos deles não apresentavam sintomas graves. "Descobrimos que a intolerância à lactose é menos uma dicotomia do que uma coisa gradual, e que muitas pessoas podem tolerar quantidades modestas de laticínios", diz ele. A crescente demanda por alternativas Embora existam muitas pesquisas analisando os efeitos do leite de vaca em nossa saúde, há menos pesquisas sobre alternativas ao leite. Uma olhada no corredor de leite de qualquer supermercado sugere uma demanda crescente por essas alternativas, feitas com soja, amêndoas, castanha de caju, avelã, coco, macadâmia, arroz, aveia ou cânhamo. O ingrediente principal é processado e diluído com água e outros ingredientes, incluindo estabilizadores, como goma de gelana e goma de alfarroba. O leite de soja é o melhor substituto para o leite de vaca em termos de proteína, pois é o único com conteúdo de proteína comparável. Mas as proteínas em bebidas alternativas podem não ser proteínas "verdadeiras", diz Givens. "Pode ser uma proteína de qualidade substancialmente mais baixa que o leite, que é um ponto crítico para crianças e idosos em particular, que têm uma necessidade absoluta de proteína de alta qualidade para o desenvolvimento ósseo", diz ele. Não há pesquisas que sugiram que possamos obter muita nutrição dos principais ingredientes dessas bebidas, diz Sina Gallo, cientista em nutrição do departamento de estudos nutricionais e alimentares da George Mason University, na Virgínia, EUA. Eles podem conter outros micronutrientes, ela acrescenta, mas você não obtém os mesmos benefícios de uma bebida de amêndoa que obteria se comesse amêndoas. As alternativas ao leite geralmente são enriquecidas com os nutrientes que ocorrem naturalmente no leite de vaca, como o cálcio. Mas os cientistas não sabem se vitaminas e minerais enriquecidos nos dão os mesmos benefícios à saúde que os que ocorrem naturalmente no leite de vaca e afirmam que são necessárias mais pesquisas para estabelecer as consequências da adição de cálcio. Nos EUA, no entanto, o leite de vaca é enriquecido com vitamina D, e as pesquisas sugerem que isso pode ter efeitos benéficos semelhantes ao obter a vitamina naturalmente da exposição ao sol. No entanto, especialistas recomendam que não acreditemos que essas alternativas sejam iguais para crianças, diz a nutricionista Charlotte Stirling-Reed - mesmo quando fortificadas. "O leite de vaca é um alimento muito denso em nutrientes, e o leite vegetal enriquecido nem sempre cobre todos os nutrientes", diz ela. Stirling-Reed argumenta que precisamos de orientações de saúde pública sobre se bebidas alternativas podem ser usadas como substituto do leite de vaca para crianças e idosos. "Mudar as crianças do leite de vaca para outras bebidas pode gerar um problema de saúde pública, mas ainda não temos muita pesquisa sobre isso." Também há preocupações sobre o que as alternativas ao leite contêm e o que elas não têm. Embora o leite de vaca contenha lactose, um açúcar que ocorre naturalmente, as alternativas ao leite geralmente contêm açúcar adicionado, o que é mais prejudicial à nossa saúde. Decidir beber leite de vaca ou uma das muitas alternativas pode nos deixar confusos - em parte porque existem muitas opções. Escolher sua alternativa ao leite deve envolver analisar as informações nutricionais de cada uma e decidir qual bebida é melhor para você individualmente. Alguém que não é intolerante à lactose, com alto risco de desenvolver osteoporose ou doença cardíaca, por exemplo, pode escolher o leite de vaca com baixo teor de gordura, enquanto alguém que se preocupa com o meio ambiente pode escolher aquele com o menor custo ambiental. "Você pode decidir qual bebida combina com você e continuar a refinar sua dieta e tomar as decisões certas para o seu contexto", diz Gardner. Qualquer que seja sua decisão, você não estará perdendo nutrientes vitais se seguir uma dieta equilibrada. Na maioria dos casos, um substituto pode ser usado no lugar do leite. "Embora não seja necessário evitar o leite, também não é necessário que bebamos leite", diz Virtanen. "Ele pode ser substituído por outros produtos - não há um componente alimentar ou alimento absolutamente necessário para a nossa saúde." VÍDEOS: SAIBA MAIS SOBRE LEITE E LACTOSE Quem tem alergia a leite não pode consumir produtos zero lactose Leite de ovelha tem mais proteína e cálcio
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06/12 - 3 números que revelam o assustador avanço do sarampo no mundo
Em 2018, 140 mil pessoas morreram em decorrência da doença, que estava prestes a ser erradicada. A causa do aumento em casos de sarampo é a redução das taxas de vacinação a nível mundial. Mais de 140 mil pessoas morreram por complicações do sarampo no mundo em 2018 Os especialistas chamam o quadro de "atrocidade" e de "um fracasso coletivo": crianças continuam morrendo em decorrência do sarampo, uma doença que pode ser prevenida por meio de vacina. O mundo esteve perto de erradicar a enfermidade, mas, diante da queda nas taxas de vacinação nos últimos anos, ela voltou a aparecer. Segundo novas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, 140 mil pessoas morreram em decorrência do sarampo em 2018, como resultado de "surtos devastadores" em todas as regiões do mundo. "O fato de um menino morrer por uma enfermidade como o sarampo, que pode ser prevenida com uma vacina, é realmente uma atrocidade e um fracasso coletivo em proteger as crianças mais vulneráveis do mundo", declarou o médico Tedros Adhanom Ghebreysus, diretor-geral da OMS. O número de pessoas acometidas pelo sarampo também cresceu no Brasil. Em 2018, o país perdeu o certificado de eliminação da doença, concedido em 2016 pela OMS, e registrou mais de 10 mil casos, com quatro mortes confirmadas. Conheça três estatísticas que mostram as dimensões gigantescas do sarampo no mundo. 1) 9.769.400 casos de sarampo em 2018 No ano passado, 142.300 mortes causadas pelo sarampo foram registradas. Ao todo, houve 9,7 milhões de casos no mundo. Em 2017, de acordo com o relatório, houve 7.585.900 casos e 124.000 mortes, o que demonstra o avanço da doença nos últimos anos. Número de casos e mortes por região (2018) 2) Apenas 70% das crianças no mundo receberam a segunda dose da vacina (é necessária uma cobertura de 95% para proteger a população) Os bebês e as crianças pequenas são os que estão em maior risco de infecção, com complicações em potencial como pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro), além de sequelas a longo prazo, como dano cerebral permanente, cegueira e surdez. Como destaca o informe da OMS e do CDC, "evidências recém-publicadas mostram que contrair o vírus do sarampo pode ter um impacto mais extenso na saúde a longo prazo, já que depois de uma infecção o vírus danifica a memória do sistema imune durante meses ou mesmo anos". É isso que os médicos chamam de "amnésia imunológica", que deixa os sobreviventes vulneráveis a outras doenças potencialmente mortais, como o vírus influenza (causador da gripe) e diarreia severa, uma vez que a infecção compromete as defesas do paciente. Os especialistas calculam que, durante os últimos 18 anos, mais de 23 milhões de vidas foram salvas graças aos programas de imunização contra o sarampo. O problema está justamente nas taxas de vacinação em todo o mundo, que estagnaram na última década. São necessárias duas doses da vacina para que uma pessoa fique protegida. A OMS calcula que, em 2018, 86% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, como parte dos serviços de saúde de seus países. Entretanto, menos de 70% delas receberam a segunda dose recomendada. Segundo a OMS, é necessário que haja uma cobertura de 95% em cada país, com duas doses em todas as comunidades, para que toda a população esteja protegida da infecção. Entretanto, quando um número significativo de crianças fica sem a imunização, toda a comunidade ao redor acaba em risco de infecção — principalmente bebês pequenos, que não podem ser imunizados. As cifras do relatório mostram que os maiores surtos de sarampo dos últimos anos ocorreram em países e comunidades com programas de imunização deficientes. "Tivemos uma vacinação contra o sarampo efetiva e segura durante mais de 50 anos", afirma o médico Robert Linkins, presidente da Iniciativa contra Sarampo e Rubéola do CDC. "Esses cálculos nos mostram que toda criança, em qualquer lugar do mundo, necessita e merece essa vacina que salva vidas. É necessário mudar essa tendência e deter as mortes preveníveis, melhorando o acesso e a cobertura da vacinação contra o sarampo." 3) 5 países concentram quase 50% dos casos Ainda que os países mais pobres sejam os mais afetados por surtos de sarampo, o problema é global, como destacam especialistas. O informe da OMS e do CDC constatou que o sarampo está tendo um impacto mais grave nos países da África Subsaariana, onde muitas crianças não têm acesso à imunização. Mas, em 2018, a metade de todos os casos de sarampo no mundo ocorreram em cinco países: República Democrática do Congo, Libéria, Madagascar, Somália e Ucrânia. O problema, entretanto, também impactou gravemente países ricos. Nos Estados Unidos, o sarampo fora declarado eliminado em 2000. Mas a enfermidade ressurgiu e se transformou em um problema preocupante de saúde pública, chegando aos números mais altos de casos de sarampo em 25 anos. Quatro países da Europa — Albânia, República Tcheca, Grécia e Reino Unido — também perderam o certificado que dizia estarem livres do sarampo, depois de terem surtos da doença em 2018.
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06/12 - 'Espero voltar a escalar logo', diz mulher que foi ressuscitada após parada cardíaca de 6 horas
Audrey Marsh, de 34 anos, sofreu hipotermia quando subia os Pirineus na Catalunha. Equipe médica usou, pela primeira vez, um dispositivo de ressuscitação chamado ECMO, que aquece e oxigena o sangue. Audrey Mash e seu marido Rohan Schoeman em coletiva de imprensa no hospital Vall d'Hebron, em Barcelona, em 5 de dezembro de 2019. Stringer/Reuters A mulher britânica de 34 anos que sofreu uma parada cardíaca de seis horas e foi ressuscitada por médicos de um hospital de Barcelona disse que pretende voltar a escalar já na próxima primavera europeia. "Não quero que essa situação tire esse hobby de mim", afirmou, em entrevista à rede de televisão TV3, na quinta-feira (5). "Provavelmente neste inverno não vou mais às montanhas, mas espero que na primavera eu já possa voltar a escalar novamente", declarou. Audrey Mash teve uma grave hipotermia (queda da temperatura do corpo) enquanto fazia uma trilha nos montes Pirineus da Catalunha, na Espanha. As baixas temperaturas do local, por causa de uma tempestade, fizeram com que ela se sentisse mal. Mash começou a ter dificuldades para falar e se mover, conforme informações da agência Reuters. Britânica de 34 anos é ressuscitada após 6 horas de parada cardíaca A temperatura de seu corpo caiu para apenas 18ºC, enquanto a temperatura normal é em torno de 36ºC. Os médicos do hospital Vall d’Hebron, de Barcelona, explicaram em coletiva de imprensa que Audrey Mash sofreu a maior parada cardíaca já registrada na Espanha. Saiba como fazer a manobra de ressuscitação cardíaca Sem hipotermia, ela estaria morta "É um caso excepcional em todo o mundo", declarou o médico Eduard Argudo. "Ela parecia estar morta. Mas nós sabíamos que, num contexto de hipotermia, Audrey tinha chance de sobreviver." Embora a hipotermia quase a tenha matado, foi também isso que protegeu o corpo de Audrey da deterioração por causa do frio. "Se ela tivesse tido uma parada cardíaca tão longa assim com a temperatura normal do corpo, ela estaria morta", comentou o médico. Médicos espanhóis reanimam mulher após mais de seis horas de parada cardíaca "Incrível. É como um milagre, mas tenho que pensar que foi tudo por causa dos médicos", disse ela. "Eu realmente não sabia o que estava acontecendo nos primeiros dias em que acordei na UTI." O marido de Mash, Rohan Schoeman, pensou que a esposa já tinha morrido. "Eu tentava sentir o seu pulso, mas meus dedos também estavam dormentes. Por isso, eu não tinha certeza se eram meus dedos, mas eu não conseguia sentir sua respiração e conseguia sentir seus batimentos", disse ele. As primeiras manobras de ressuscitação realizadas pelos médicos não tiveram efeito e Mash foi levada de helicóptero para o hospital de Barcelona, que possui um dispositivo inovador chamado ECMO. Usada pela primeira vez na Espanha para ressuscitação, a máquina se conecta ao sistema cardíaco do paciente para substituir a função pulmonar e cardíaca. "Estávamos preocupados com possíveis danos neurológicos", disse o médico Argudo, que comemorou a superação de Audrey Mash.
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06/12 - Estudo liga tintura e alisamento para cabelos com incidência de câncer de mama em comunidade negra dos EUA
Procedimentos estéticos feitos em salões de beleza fazem uso de produtos cancerígenos e aumentam a probabilidade de que as mulheres desenvolvam a doença. Tingir e alisar os cabelos com frequência pode ser perigoso. É o que sugere um estudo publicado na terça-feira (3) pela revista "International Journal of Cancer", que investigou a relação destes procedimentos com o aumento de casos de câncer de mama; cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos EUA disseram que mulheres afro-americanas estão em grupo de risco. "Observamos um risco aumentado de câncer de mama associado ao uso de químicos para alisamento e tintura, especialmente entre mulheres negras. Estes resultados sugerem que o uso destes produtos podem ter um papel importante no desenvolvimento da doença", disseram os pesquisadores em um comunicado. Alisamento ético é opção segura para o cabelo e não prejudica os fios O estudo avaliou a relação entre o risco da doença com o uso de produtos colorantes e responsáveis por fazer alisamentos ou permanentes nos cabelos em mais de 50 mil mulheres norte-americanas com idades entre 35 e 74 anos. Alisamento químico pode estar relacionado ao aumento de casos de câncer nos EUA Pixabay Frequência no uso Mais da metade das participantes da pesquisa disse ter passado por algum destes procedimentos estéticos no último ano. Entre as mulheres negras, a concentração é maior: ao menos três quartos disseram ter alisado os cabelos com química no mesmo período. Durante o período da pesquisa, que durou 6 anos, 2.794 participantes foram diagnosticadas com câncer de mama e destas, ao menos 55% disseram aos pesquisadores que usavam produtos para estética capilar com frequência. A frequência com que os procedimentos eram feitos foi apontado como chave pelos cientistas: mulheres que tingiram o cabelo uma vez a cada um ou dois meses apresentaram um risco de 60% de ter câncer de mama. 18% dos casos investigados foram relacionados com o uso de produtos para alisamento, que segundo o estudo, são mais usados por mulheres negras, ao menos 74% delas disseram usar o produto enquanto apenas 3% das mulheres brancas reconheceram alisar os cabelos com química. Tipo mais comum O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostraram que no ano passado, foram quase 60 mil novos casos. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos. Acima desta idade, sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores. Alimentação, controle do peso e atividade física podem reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver o câncer de mama. Diagnóstico O diagnóstico precoce é fundamental. Isso porque o câncer de mama metastático pode ocorrer em decorrência da evolução de um câncer de mama detectado e tratado em estágio anterior ou em função do diagnóstico tardio da doença. A realização anual da mamografia para mulheres a partir de 40 anos é importante para que o câncer seja diagnosticado precocemente. Médicos indicam que as mulheres façam exames de toque para evitar o câncer de mama Unsplash O autoexame é muito importante para que a mulher conheça bem o seu corpo e perceba com facilidade qualquer alteração nas mamas e assim procure rapidamente um médico. Vale lembrar que o autoexame não substitui exames como mamografia, ultrassom, ressonância magnética e biopsia, que podem definir o tipo de câncer e a localização dele. Tratamento O câncer de mama tem pelo menos quatro tipos mais comuns e alguns outros mais raros. Por isso, o tratamento não deve ser padrão. Cada tipo de tumor tem um tratamento específico, prescrito pelo médico oncologista. Entre os tratamentos estão a quimioterapia e radioterapia, a terapia alvo e a imunoterapia. VÍDEOS SOBRE CÂNCER DE MAMA Veja abaixo vídeos do Bem Estar sobre a doença Câncer de mama tem 95% de chance de cura se for detectado precocemente Paciente com câncer doa lenços a outras mulheres que enfrentam a doença Menos de 10% dos casos de câncer de mama são de origem hereditária
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06/12 - A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 
Em outubro, a menina foi encontrada viva em uma panela de barro que estava enterrada em um terreno na Índia; seu estado era crítico, mas ela sobreviveu. A bebê foi levada ao hospital em estado crítico em outubro, mas agora está saudável Dr. Ravi Khanna/BBC Uma recém-nascida, que havia sido enterrada viva em uma panela de barro no norte da Índia, se recuperou totalmente, segundo o médico que a atendeu. Em meados de outubro, a garota foi levada ao hospital em estado crítico, sofrendo de uma infecção grave. Além disso, ela tinha uma quantidade baixa de plaquetas no sangue. "A criança ganhou peso e melhorou a respiração – a contagem de plaquetas também está normal", disse o pediatra Ravi Khanna à BBC. Seus pais não foram localizados e ela será adotada após um período de espera obrigatório. Por enquanto, a garota está sob custódia das autoridades de bem-estar infantil no distrito de Bareilly, no Estado indiano de Uttar Pradesh. Ela foi encontrada por acaso por um morador que estava enterrando sua própria filha, que tinha nascido morta. Os hindus geralmente cremam seus mortos, mas bebês e crianças pequenas são frequentemente enterrados. O morador disse que havia cavado cerca de 90 centímetros abaixo da superfície quando sua pá bateu em um pote de barro, que se quebrou. Foi então que ele ouviu um choro de bebê. Quando ele puxou a panela, encontrou a criança ainda viva. Inicialmente, ela foi levada ao pronto-socorro do governo local, mas, dois dias depois, foi transferida para o hospital pediátrico de Ravi Khanna, que possui melhores instalações. Os médicos disseram que ela era um bebê prematuro, possivelmente nascido com 30 semanas de gestação. A garota pesava apenas 1,1 quilo. Encolhida, ela estava em estado de hipotermia e apresentava hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue). "Quando a entregamos às autoridades do hospital distrital, ela pesava 2,57 quilos. Ela está aceitando mamadeira e agora está totalmente saudável", disse Khanna, nesta semana. Não se sabe quanto tempo o bebê ficou enterrado. Os médicos dizem que não sabem exatamente como ela conseguiu sobreviveu. Khanna disse que o bebê pode ter sido enterrado "de três a quatro dias antes de ser encontrada, sobrevivendo com sua gordura marrom". Os bebês nascem com gordura no abdômen, na coxa e na bochecha e podem sobreviver em caso de emergência por algum tempo. Mas outros especialistas dão uma estimativa mais conservadora: dizem que ela só se manteve viva porque ficou embaixo da terra por "duas a três horas". Segundo eles, a garota poderia ter sobrevivido por "mais uma ou duas horas" se não tivesse sido resgatada. O pediatra Ravi Khanna diz que a garota já aceita mamadeira e agora está totalmente saudável Dr. Ravi Khanna/BBC Uma bolsa de ar dentro da panela deve ter fornecido oxigênio para ela. Ou o ar poderia ter entrado no solo através de uma rachadura, segundo especialistas. Em outubro, a polícia iniciou um processo criminal para procurar os pais da recém-nascida ou alguma outra pessoa que possa ter enterrado o bebê. A polícia afirmou acreditar que os pais da criança eram cúmplices do crime, porque, mesmo depois do caso ser amplamente divulgado na Índia, ninguém se apresentou para reencontrar o bebê. As autoridades não especularam sobre possíveis motivos para o crime, mas a discriminação de gênero da Índia é uma das piores do mundo. As mulheres são frequentemente discriminadas socialmente e as meninas são vistas como um fardo financeiro, especialmente nas comunidades mais pobres. OUTRO CASO: BEBÊ RUSSO SOBREVIVE APÓS 35 HORAS SOB ESCOMBROS Bebê russo sobrevive após 35 horas debaixo de escombros
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06/12 - Missão espacial tenta descobrir por que o plasma ao redor do Sol é 300 vezes mais quente do que a superfície dele
Entre 26 de dezembro e 2024, Missão Parker vai fazer diversas manobras de aproximação do Sol para estudar como a 'coroa solar' ao redor da estrela pode ser tão quente quanto o interior dela. Coroa solar registrada durante eclipse de 2019. Arquivo pessoal/Marcelo Domingues O Sol, a nossa estrela particular, guarda muitos segredos. Mesmo estando a uma distância de "apenas" 150 milhões de quilômetros, ainda temos muitas perguntas sem respostas. E não preciso mencionar que, sendo a fonte vital de energia que faz o ciclo de vida na Terra se manter, essa é uma situação incômoda. Com a dependência cada vez maior de tecnologias ligadas às redes de satélites, como comunicação e geoposicionamento, ou mesmo a extensa malha de distribuição de energia elétrica, entender os humores do Sol é fundamental. Vale lembrar que, nas épocas em que a atividade magnética do Sol é intensa, tempestades solares podem arruinar satélites em órbita da Terra, ou mesmo estações de geração de energia em sua superfície. Por causa disso, as agências espaciais e os institutos de pesquisa mantêm um programa contínuo de estudos do Sol. Seja na Terra, seja no espaço. Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol Por exemplo, a Nasa, a agência espacial americana, mantém pelo menos quatro satélites monitorando o Sol o tempo todo. O intuito dessa flotilha é registrar o comportamento do Sol, como o aparecimento de novas manchas solares e o surgimento de protuberâncias, por exemplo. Com o tempo e com o registro contínuo, os modelos que descrevem o comportamento do Sol e que ajudam a prever a ocorrência de tempestades violentas vão se aprimorando e vamos aprendendo a evitar situações catastróficas. Mas, mesmo com tanto monitoramento, uma das perguntas mais antigas e intrigantes sobre o Sol permanece sem resposta. Os modelos físicos e dados indiretos permitem deduzir que o Sol é mais quente no seu núcleo. Claro, é lá que ocorre a fusão nuclear que gera sua energia. Conforme nos distanciamos do seu núcleo, ou seja, indo em direção a sua superfície, a temperatura diminui. Partindo do núcleo com uns 15 milhões de graus Celsius, chegamos à superfície do Sol (a parte que de fato enxergamos) a uma temperatura um pouco menor que 6 mil graus. A partir deste ponto, a temperatura cai abruptamente, pois, afinal, saímos do Sol e estamos no espaço sideral. Mas a história não é exatamente assim. A partir da fotosfera do Sol (o termo correto para “superfície” que eu mencionei antes) existe uma estrutura muito extensa, composta por um “vento” de plasma e chamada de coroa solar. Essa coroa se espalha por milhões de quilômetros ao redor do Sol, muitas vezes mais concentrada em alguns pontos do que em outros. Essa parte se revela sempre nos eclipses solares. Até aí, beleza, mas sabe qual é a temperatura ao longo dessa estrutura? Entre 1 e 5 milhões de graus Celsius! Pois é, o Sol tem uma parte estendida no espaço que é mais quente que seu ponto de partida: a coroa surge em um ponto da fotosfera onde a temperatura é de 6 mil graus, para se projetar no espaço e misteriosamente esquentar a mais de 1 milhão de graus. Coroa solar capturada durante eclipse de 2017 Arquivo pessoal/Marcelo Domingues Como pode? Um dos objetivos da missão Parkes (veja vídeo abaixo), a sonda que está estudando o Sol a uma distância atual de 25 milhões de quilômetros, cerca de metade da distância Sol-Mercúrio, é justamente tentar entender como a coroa solar consegue ser tão quente quanto as regiões mais centrais do Sol. A suspeita recai nas chamadas “ondas magnéticas” geradas no interior do Sol e que se propagam pelo Sistema Solar. A origem dessas ondas ainda é motivo de debate entre os físicos solares. Sabe-se que ela deve ser gerada a partir de vibrações do campo magnético do Sol. O processo é o mesmo de quando uma corda de guitarra elétrica é tocada, fazendo o campo magnético ao seu redor vibrar. A ideia básica é que a energia que essas ondas carregam faria a cora solar se aquecer. Parker Solar Probe: Entenda missão da Nasa para explorar o Sol As tais ondas magnéticas acontecem frequentemente e são registradas por instrumentos a bordo dos satélites em órbita da Terra, por exemplo. Mas, depois de percorrer 150 milhões de quilômetros, as ondas já chegam embaralhadas, por assim dizer, impedindo uma análise mais precisa. Por isso mesmo a sonda foi mandada para tão perto do Sol. A missão da Parker prevê se aproximar ainda mais do Sol nos próximos anos, executando manobras de sobrevoo em Vênus. A próxima delas está agendada para 26 de dezembro deste ano e, como consequência, a distância da sonda até o Sol deve encolher para 19 milhões de quilômetros. Depois disso, a sonda executará mais cinco manobras deste tipo, fazendo a sua distância até o Sol se reduzir a menos de 7 milhões de quilômetros na véspera do Natal de 2024! A essa distância, podemos dizer que ela estará tocando o Sol, pois estará posicionada nas partes mais externas de sua coroa. A posição privilegiada da Parker vai permitir estudar as ondas magnéticas do Sol a uma distância em que elas não se sobreponham e não interfiram umas na outras. Com esses dados, esperamos, o time que comanda a sonda vai tentar entender como o plasma solar se aquece mais de 300 vezes fora do Sol e assim responder a essa pergunta de quase 100 anos. Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol Claudia Ferreira/G1
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05/12 - Brasil tem 3 casos de danos no pulmão por cigarro eletrônico com substância da maconha, diz sociedade médica
Sociedade de Pneumologia diz que pacientes vaporizam tetrahidrocanabinol (THC) em dispositivos comprados nos Estados Unidos. Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto Christopher Pike/Reuters Três pessoas foram diagnosticadas no Brasil com danos nos pulmões associadas ao uso de cigarros eletrônicos, de acordo com alerta da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Na terça-feira (3), a SBPT comunicou os diagnósticos e alertou para os riscos do uso do equipamento. A venda dos dispositivos é vetada no país. A SBPT confirmou que os casos identificados no Brasil são decorrentes da vaporização de tetrahidrocanabinol (THC) e que todos os pacientes adquiriram o dispositivo nos Estados Unidos. O G1 entrou em contato com a Anvisa em busca de balanços oficiais do governo e a instituição comentou por e-mail que até o momento, não receberam nenhuma notificação. Cigarro eletrônico: 7 respostas sobre mortes, legislação e maconha Entenda os perigos de cigarros eletrônico e tradicional "Foram confirmados três casos até agora", disse ao G1 Jose Miguel Chatkin, presidente da SBPC. "Mas a pedido dos médicos e dos próprios pacientes, não podemos identificá-los. O que fazemos é um alerta para que profissionais da saúde saibam identificar este problema." 'Injúria pulmonar' Os sintomas decorrentes do uso destes equipamentos costumam incluir tosse, dor torácica e dispneia, disse a SBPT em um comunicado. A instituição destacou também dores abdominais, náusea, febre, calafrios e até perda de peso. O especialista explicou que ainda não há um termo brasileiro para identificar os danos causados pelo uso de cigarros eletrônicos e que os médicos usam o conceito importado dos EUA Injuria Pulmonar Relacionada ao Uso de Cigarro eletrônico (Evali, da sigla em inglês). "Falamos em, injúria ou agressão, porque há uma substância ainda indefinida que agride algumas partes do aparelho respiratório, principalmente o interstício, que é um tecido pulmonar que conecta vasos e brônquios, é ele que está sofrendo com essa agressão", definiu Chatkin. No Brasil, o tratamento indicado prevê a suspensão imediata do uso do cigarro eletrônico, uso de corticoides e até mesmo a internação para acompanhamento em casos de pacientes dispneicos ou com a respiração prejudicada. Hospitais devem notificar Anvisa Em outubro deste ano a Anvisa pediu que instituições de saúde do Brasil enviassem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos. Ao todo, 252 instituições de saúde do país farão parte da "Rede Sentinela", que contribuirão para a criação de um diagnóstico nacional. Para a agência, esta ação deve reduzir os riscos de que aconteça no país o mesmo que nos Estados Unidos, onde pelo menos onze pessoas morreram por causa de doenças pulmonares severas relacionados a esse hábito. Veja abaixo, em vídeo, como esta rede vai operar: Anvisa decide enviar alertas sobre efeitos causados pelo cigarro eletrônico Em nota, a Anvisa disse naquela ocasião que ação tem como objetivo reunir informações para antecipar e prevenir uma crise de saúde como a que tem sido noticiada nos Estados Unidos, onde há casos de uma doença respiratória grave, levando a óbitos, associada ao uso desses dispositivos. A SBPT reforçou que todos os casos que chegarem à instituição e forem confirmados serão encaminhados para a agência sanitária brasileira, e Chatkin destacou a dificuldade que os profissionais da saúde têm em identificar possíveis casos de danos nos pulmões. "Muitos passam despercebidos, por canta de ter sintomas muito parecidos com uma gripe. Apenas aqueles pacientes que evoluíram mal e acabam indo para o hospital é que recebem uma melhor avaliação e podem ter essa situação confirmada", disse o pneumologista. Mortes registradas nos EUA Autoridades de saúde pública dos EUA confirmaram até o final de novembro ao menos 47 mortes e 2.290 casos de hospitalizações no país. Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis. "Nos EUA, se aponta que essa agressão possa estar relacionada ao uso de maconha, que tem que seer misturada com a vitamina E. Há registros de que essa substância foi encontrada dentro de células de defesa do corpo, indicando que há uma relação entre os casos com a vaporização", disse o presidente da SBPT. A Food and Drug Administration (FDA), a "Anvisa" norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas. Cigarro eletrônico surgiu como promessa de auxílio para quem deseja parar de fumar Isabella Mendes/Pexels Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigarettes nos Estados Unidos, de acordo com o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante. A Anvisa justifica essa decisão com "a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto", especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto. Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um Roberta Jaworski/G1 VÍDEOS SOBRE O CIGARRO ELETRÔNICO Veja vídeos do Bem Estar sobre o tema: Cigarro eletrônico é tão ruim quanto o tradicional Teste mostra que índice de nicotina em cigarro eletrônico é o mesmo do cigarro comum Doutora Ana Responde: Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar? Initial plugin text
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05/12 - Como manter uma alimentação balanceada sem carne, com preços em alta no Brasil
Combinadas, proteínas de origem vegetal podem nos fornecer a quantidade ideal de nutrientes para o corpo funcionar bem. Legumes e verduras à venda em um supermercado de Sâo Paulo Celso Tavares/G1 No típico prato feito do brasileiro temos arroz, feijão, carne, farofa, às vezes ovo, às vezes batata frita. Mas o que fazer se esse prato estiver ameaçado? Ele pode estar, e a culpa é da carne. O produto sofreu um forte reajuste nas últimas semanas e, em menos de três meses, o custo do contra-filé subiu 50% para os supermercados e o do coxão mole, 46%, segundo a a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Praro de comida inclui arroz, feijão, legumes e vegetais Victória Cócolo/G1 Campinas e Região O aumento foi repassado aos consumidores, que podem se preparar para uma continuidade da alta desses preços em 2020. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que os preços mais altos vieram para ficar, enquanto o presidente Jair Bolsonaro disse achar que o preço da carne bovina diminuirá no futuro. Diante do cenário de dificuldade, muitos brasileiros devem estar se perguntando como vão conseguir manter um mínimo de equilíbrio no prato com a alta no preço de uma das principais proteínas animais consumidas no país. Mesmo quem não esteja pensando em adotar de vez uma dieta vegetariana ou vegana (que exclui totalmente o consumo de produtos de origem animal) pode reduzir o consumo de carne acrescentando outros elementos na composição das refeições. As proteínas são substâncias importantes para quase todas as funções do nosso organismo. "Formam nossa massa muscular, fazem parte dos nossos tecidos corporais, da pele, ajudam a manter sua elasticidade. É importante para o crescimento, para a reparação de tecidos. Fazem parte de algumas enzimas que usamos para a digestão, e os hormônios também são formados por proteínas", enumera a nutricionista Lara Natacci, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP e integrante da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Rick Miller, nutricionista clínico e especializado em esportes do King Edward VII's Hospital, em Londres, observa que, quanto mais velhos formos, mais precisamos de proteínas. "Nós diminuimos o ritmo e perdemos massa muscular. Acabamos ficando mais frágeis. Além disso, nossos músculos não respondem às proteínas da mesma maneira", diz. Por isso, brinca ele, são as avós, e não os netos, que provavelmente precisam mais daquele shake de proteínas. Veja dicas para substituir a carne nas refeições Natacci explica como funciona a ingestão de proteínas no corpo. "O que acontece é o seguinte: a gente ingere a proteína e no nosso estômago ela começa a ser quebrada. Então, ela é transformada em porções menores que são os aminoácidos, que se juntam para formar novas proteínas e que então vão para diferentes partes do nosso organismo, dependendo da nossa necessidade." Normalmente, diz ela, uma pessoa deve consumir cerca de 0,8g a 1g de proteína para cada quilo de seu peso em sua alimentação diária. Ou seja, uma pessoa que pese 70kg deve consumir cerca de 70 gramas de proteína por dia. Com uma dieta balanceada e variada, "não é difícil atingir isso", diz ela. "A carne era vista como status na mesa. É um alimento que antes era muito mais caro. Com o tempo, ficou mais barata. Mas agora com o aumento do preço talvez seja inviável manter. É complicado ter carne todos os dias", afirma. O gasto com carnes, vísceras e pescados pesa no bolso do brasileiro. A Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 realizada pelo IBGE e publicada neste ano mostra que é o grupo com que os brasileiros mais gastam seu dinheiro dentro do orçamento para a alimentação em casa. Do total gasto, 20,2% vai para essas carnes. Para a região Norte, pesa mais: 27,1% do orçamento para alimentação vai para carnes, vísceras e pescados. Para o Nordeste, 22,3%. A pesquisa foi feita em 58 mil domicílios brasileiros em 1,9 mil cidades durante um ano. Segundo um estudo conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro consumiu 24,5 kg de carne vermelha em 2018. O consumo de frango, uma carne muito mais barata que a bovina, foi be, maior: 39,8 kg. Não há distinção por região. "Mas temos uma variedade de produtos muito grande", observa Natacci. "A gente pode lançar mão dessas alternativas." E quais são elas? Ovo Ovo frito é fonte de proteínas na alimentação vegetariana Unsplash "A proteína de origem animal é chamada de proteína completa porque contém todos os aminoácidos que nossos organismos não têm a capacidade de produzir e na quantidade que a gente precisa", explica Natacci. Ou seja, um só alimento contém os aminoácidos essenciais para nosso organismo. O ovo, bastante falado quando se pensa em substitutos para a carne, também é uma proteína completa — embora não faça parte do cardápio de quem segue uma dieta vegana, já que também é de origem animal. Um filé de carne de 100 gramas tem entre 22 a 25 gramas de proteína. Um ovo, por sua vez, tem entre 6 e 7 gramas de proteína. Ou seja, mais ou menos três ovos podem substituir um filé de carne. Segundo a nutricionista, uma pessoa sem contraindicações, com boa saúde e sem tendência ou histórico familiar de colesterol mais alto pode comer três ovos por dia sem problema nenhum. No entanto, diante de um quadro de colestoral alto, esse consumo precisa ser avaliado individualmente. "É importante verificar se ela toma algum medicamento, quão alto está esse colesterol, e consultar um cardiologista", aponta Natacci, agregando que é preciso levar em conta o resto da alimentação — ou seja, se a pessoa está ingerindo muita quantidade de gordura saturada e trans. "Se a gente controlar a alimentação, pode ser que até uma pessoa com o colesterol mais alto consiga consumir essa quantidade (de ovo) por dia, mas vai depender da adaptação individual." Soja Soja é um alimento fonte de proteína na alimentação Ouro Safra/Divulgação Proteínas estão presentes predominantemente em alimentos de origem animal: podemos citar carnes, laticínios como queijos e iogurtes etc. Mas também podem ser encontradas em alimentos de origem vegetal. Uma delas é uma leguminosa: a soja. "A soja é única", diz Miller, "porque contém todos os aminoácidos de que precisamos, assim como a carne". Ele lembra que esse também é o caso da chia, "mas realisticamente, ninguém vai comer 100 gramas de chia, e nem isso será suficiente". A soja, seja em grãos ou a proteína de soja, ou então o tofu, que é um alimento produzido a partir da soja, são perfeitos substitutos para a carne. Em 100 gramas de soja, há 36 gramas de proteína. Combinação entre cereais e leguminosas Consumo de feijão é recomendado na alimentação vegetariana Whaun/Visual Hunt Outras leguminosas, como o feijão, a lentilha e o grão de bico, entre outros, também contêm bastante proteína. E o segredo para driblar aquela "proteína completa" do alimento de origem animal que contém todos os aminoácidos de que nosso corpo precisa é combinar leguminosas — que são grãos ou sementes que crescem em vagens — com cereais, como quinoa ou arroz. Essa combinação também providencia uma "proteína completa". "O que acontece é uma complementação. Quando a gente ingere os dois, não tem diferença entre consumir isso ou carne para a ingestão de proteínas", afirma Natacci. Segundo Miller, nosso fígado guarda aminoácidos, então caso um dos alimentos seja consumido sozinho, o fígado pode providenciar os aminoácidos, sem problemas. Ou seja, a combinação entre os dois alimentos é perfeita para nos dar as proteínas de que precisamos, mas também não tem problema consumir só um deles ocasionalmente. Alguns exemplos da proteína presente nas leguminosas, lembrando da quantidade de proteínas que precisamos por dia (0,8g e 1g de proteína para cada quilo): uma xícara de ervilha tem 8 gramas de proteína, uma xícara de tremoço tem 11 gramas de proteína, uma concha de feijão tem 8 gramas de proteína e uma uma concha de soja cozida tem 12 gramas de proteína. Em menor grau, os cereais também são ricos em proteínas. Em uma xícara de quinoa, um cereal muito rico em nutrientes e proteínas, há cerca de 8 gramas de proteína. O cereal, no entanto, não é barato como o ovo, por exemplo, ou outros produtos proteicos. Um quilo de quinoa pode variar entre R$ 20 e R$ 45, o que signfica que, ainda que com preços altos, a carne pode compensar mais para o bolso do brasileiro, considerando a quantidade de proteína que um pedaço de 100 gramas fornece (22 a 25 gramas) e seu preço atual. "Muita gente não vai ter acesso a esses substitutos, mas vai ter acesso a outros produtos, como o feijão, por exemplo", sugere Natacci. Nozes Nozes são alimentos considerados bons para o cérebro Unsplash Por fim, oleaginosas como castanhas do caju, castanhas do Pará, amendoim, entre outras, embora também às vezes mais caras, contêm uma boa quantidade de proteína e podem ajudar complementando a dieta alimentar. Miller destaca que todos os alimentos têm proteínas, em menor ou maior grau. É o caso de verduras como brócolis e couve, por exemplo. Mas nesses alimentos há mais fibra e água e menos proteína. O ideal, no final das contas, é seguir uma dieta balanceada e equilibrada. E um prato bastante equilibrado, segundo Natacci, é um cuja metade seja de verduras e legumes e a outra metade de carboidrato e proteínas — um quarto pode ser uma proteína de origem vegetal ou ovos e outro quarto pode ser de quinoa ou de um tubérculo, como batata. Veja o preço médio de cortes de carne em três capitais
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05/12 - Médicos espanhóis reanimam mulher após mais de seis horas de parada cardíaca
Audrey Marsh, de 34 anos, sofreu hipotermia durante tempestade de neve nos Pirineus. Equipe médica usou pela 1ª vez na Espanha um dispositivo de ressuscitação chamado ECMO, que aquece e oxigena o sangue. Médicos espanhóis explicam procedimento de ressuscitação de parada cardíaca no hospital de Vall d'Hebron Reprodução Twitter/Vall d’Hebron Barcelona Hospital Campus Médicos espanhóis disseram nesta quinta-feira (5) que conseguiram salvar a vida de uma britânica que passou mais de seis horas em parada cardíaca. A paciente, chamada Audrey Marsh, sofreu hipotermia em 3 de novembro durante uma excursão nas montanhas. "É como um milagre", reconheceu Audrey, que tem 34 anos. O médico Eduard Argudo, responsável pela reanimação no hospital Vall d'Hebron, em Barcelona, disse que foi a parada cardíaca mais longa com recuperação já documentada na Espanha. "Nos Alpes e na Escandinávia existem casos documentados semelhantes", disse o médico à AFP. Cientistas dos EUA imprimem válvula de coração 3D feita de colágeno Soneca até duas vezes por semana pode reduzir o risco de infartos Audrey Marsh ao lado dos médicos e socorristas que participaram de seu atendimento, em evento para a imprensa Reprodução Twitter/Vall d’Hebron Barcelona Hospital Campus No dia 3 de novembro, Audrey perdeu a consciência por volta das 13h quando foi surpreendida por uma tempestade de neve. Ela estava com o marido em uma travessia pelos Pireneus (cordilheira no norte da Espanha). Quando a equipe de resgate os alcançou às 15h35, Audrey não apresentava sinais vitais ou atividade cardíaca e sua temperatura corporal era de 18°C. Dispositivo pioneiro As primeiras manobras de ressuscitação não tiveram efeito e ela foi levada de helicóptero para o hospital de Barcelona, que possui um dispositivo inovador chamado ECMO. Este dispositivo, usado pela primeira vez na Espanha para ressuscitação, consiste em uma máquina que se conecta ao sistema cardíaco do paciente para substituir a função pulmonar e cardíaca. A máquina retira o sangue de uma veia, o aquece, o oxigena e o reintroduz no corpo através de uma artéria. Por volta das 21h45, mais de seis horas depois que as equipes de resgate a encontraram em parada cardíaca e quando seu corpo já havia atingido 30 graus, os médicos tentaram ressuscitá-la. "Decidimos realizar uma descarga elétrica para tentar despertar seu coração e foi assim que aconteceu", disse Argudo. Hiportemia é a explicação Segundo o médico, parte do sucesso do processo se deve à hipotermia. "A hipotermia mata e salva ao mesmo tempo. Com o frio, o metabolismo diminui, os órgãos precisam de menos sangue e menos oxigênio e isso permite que o cérebro fique bem", explicou. A recuperação foi extraordinariamente rápida. Seis dias depois, Audrey já havia deixado a unidade de terapia intensiva sem sequelas neurológicas. Suas mãos ainda não recuperaram toda a mobilidade, mas "ela tem vida praticamente normal" e "voltará ao trabalho nos próximos dias", informou o hospital em comunicado. Importância do socorro rápido Quando uma pessoa sofre uma parada cardíaca, a cada minuto sem nenhum tipo de socorro aumentam em 10% as chances de a pessoa morrer. Abaixo, veja o vídeo do Bem Estar que mostra a importância dos primeiros socorros e ensina como fazer a massagem cardíaca. Aprenda a fazer a massagem cardíaca
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05/12 - A descoberta do novo planeta que pode dar pistas sobre a morte do Sol
Um planeta recém-descoberto mostra o que ocorreria com nosso astro daqui a 5 ou 6 bilhões de anos. Ilustração: planeta gigante está perdendo sua atmosfera para estrela anã branca ESO/M KORNMESSER Um planeta recém-descoberto forneceu pistas sobre o futuro do Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim do seu ciclo de vida, daqui a 5 ou 6 bilhões de anos. Astrônomos observaram um planeta gigante orbitando uma anã branca - os objetos menores e densos em que as estrelas se transformam quando esgotam seu combustível nuclear. Essa é a primeira evidência direta de que planetas podem sobreviver ao processo cataclísmico que cria um objeto do tipo. Os detalhes da descoberta aparecem na revista científica Nature. Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol O Sistema Solar como conhecemos não vai durar para sempre. Em cerca de seis bilhões de anos, o Sol, uma estrela amarela de tamanho médio, terá inchado e estará cerca de duzentas vezes maior do que hoje. Nessa fase, será o que chamamos de Gigante Vermelha. Enquanto se expande, o astro vai engolir e destruir a Terra, antes de entrar em colapso e se transformar nesse núcleo pequeno, a chamada anã branca. Os pesquisadores descobriram que uma anã branca, localizada a dois mil anos luz de distância, tinha um planeta gigante em sua órbita. As estimativas dão conta de que o planeta teria o tamanho aproximado de Netuno - mas ele pode ser maior ainda. "A anã branca que observamos tem [temperaturas de] cerca de 30 mil graus Kelvin, ou 30 mil graus Celsius. Então se compararmos com o Sol, que tem 6 mil, é quase cinco vezes mais quente. Isso significa que está produzindo muito mais radiação UV do que o Sol", disse Christopher Manser, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. "As forças gravitacionais são muito grandes, então, se um corpo, como um asteroide, chegasse perto demais de uma anã branca, a gravidade seria tão forte que ele acabaria destruído". De olho no futuro O planeta gigante está perdendo sua atmosfera para essa relíquia estelar, gerando uma cauda semelhante à de um cometa como resultado. A anã branca está bombardeando esse mundo com fótons (partículas de luz) de alta energia e "puxando" o gás para si em um ritmo de 3 mil toneladas por segundo. "Nós usamos o Very Large Telescope, no Chile, que é um telescópio de classe 8m... para coletar a espectroscopia da anã branca. A espectroscopia mostra, em separado, as cores que compõem a luz", disse Manser à BBC News. "Ao olharmos para as diferentes cores que o sistema produz, identificamos aspectos interessantes, mostrando que havia um disco de gás em torno da anã branca - que nós deduzimos ter sido produzido por um planeta com o tamanho de Netuno ou Urano". Os cientistas querem estudar melhor o sistema e esclarecer o que poderia acontecer com o nosso Sistema Solar, quando o Sol chegar ao fim da vida. "Quando o Sol chegar à sua fase de Gigante Vermelha, ele se expandirá aproximadamente até a órbita da Terra. Mercúrio, Vênus e a própria Terra serão engolidos por ele. Mas Marte, o cinturão de asteroides, Júpiter e o restante dos planetas do Sistema Solar vão se expandir para fora de suas órbitas, conforme o Sol perde sua massa - porque terá menos atração gravitacional para esses planetas". "Por fim, o Sol vai se tornar uma anã branca e ainda terá Marte, o cinturão de asteroides e Júpiter em sua órbita. Conforme orbitam ao redor, esses planetas podem ser dispersos ou forçados para perto da anã branca". Mas a radiação emitida pelo Sol, quando chegar a tal estágio, vai ser poderosa o suficiente para evaporar as atmosferas de Júpiter, Saturno e Urano onde orbitam atualmente. Isso deixaria intacto apenas o seu núcleo rochoso. VÍDEOS: PESQUISAS SOBRE O SOL Nasa lança sonda para estudar o sol Nasa divulga imagens em alta definição de explosões do Sol Vídeo da Nasa resume três anos de imagens do Sol
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05/12 - Drogas que agem sobre inflamação no cérebro podem reverter demência
Com o envelhecimento, estrutura que protege o sistema nervoso central, bloqueando substâncias tóxicas, perde eficiência O declínio cognitivo que ameaça o envelhecimento poderá ser detido, ou pelo menos retardado, através de drogas que eliminariam processos inflamatórios no cérebro. A incrível novidade foi publicada ontem na revista médica “Science Translational Medicine”, criada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência. Trata-se de um trabalho conjunto dos pesquisadores Daniela Kaufer, da Universidade de Berkeley, Califórnia, e Alon Friedman, das universidades Ben-Gurion do Negev (Israel) e Dalhousie (Canadá). Embora ainda restrito a experiências feitas com camundongos, tem grande potencial de aplicação em humanos. A pesquisadora Daniela Kaufer, da Universidade de Berkeley Divulgação: Berkeley University Os cérebros de ratinhos senis que receberam a droga passaram a se assemelhar aos de cobaias mais jovens o que, segundo a cientista, é promissor. “Nossa tendência é pensar o cérebro mais velho da mesma forma como encaramos a degeneração neurológica: como se a idade avançada envolvesse a perda de funções e a morte das células. No entanto, essa descoberta nos conta uma nova história sobre por que o cérebro não está funcionando bem: é por causa de uma carga inflamatória que pode ser combatida”, afirmou a doutora Kaufer. Para entender o alcance do achado desses cientistas, uma breve explicação: a “blood-brain barrier”, ou barreira hematoencefálica, é uma estrutura que protege o sistema nervoso central, bloqueando o acesso de substâncias tóxicas. No entanto, com a idade, esse “escudo” natural vai perdendo eficiência e toxinas e patógenos acabam chegando ao cérebro, desenvolvendo um quadro inflamatório que pode estar associado aos sintomas de demência. Depois dos 70 anos, quase 60% dos adultos começam a apresentar falhas nessa barreira – foi o que mostraram os exames de ressonância magnética realizados por Friedman. Aí entra em cena o também cientista Barry Hart, que sintetizou uma molécula, chamada IPW, que bloqueia os receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a barreira danificada. “Quando eliminamos esse ‘nevoeiro’ da inflamação, em questão de dias o cérebro senil rejuvenesceu. É um achado que nos deixa muito otimistas porque mostra a plasticidade do cérebro e sua capacidade de recuperação”, completou a doutora Kaufer.
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05/12 - Maconha medicinal é usada no tratamento de epilepsia e dor crônica; estudos sobre efeitos ainda avançam
Anvisa regulamentou comércio e fabricação de produtos à base de cannabis no Brasil nesta terça-feira (3). Veja o que estudos e médicos dizem sobre os efeitos de substâncias derivadas da maconha no corpo humano. Cannabis: entenda como será a venda dos produtos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na terça-feira (3) a venda de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil, mediante prescrição médica. O tipo de prescrição médica indicada para cada tratamento vai depender da concentração de tetra-hidrocanabidiol (THC), que é o principal elemento tóxico e psicotrópico da planta, ao lado do canabidiol (CBD), conhecido por seus efeitos analgésicos e anticonvulsivantes. Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias Cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil continua proibido Veja o que muda com as novas regras da Anvisa Estudos científicos já mostraram como essas duas substâncias atuam na redução de crises de epilepsia e dores crônicas. No entanto, o uso dos derivados de maconha para outras condições, como enxaqueca e Mal de Parkinson, por exemplo, ainda precisa ser estudado mais a fundo, de acordo com especialistas ouvidos pelo G1. Por isso, entidades médicas como Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. Já a agência reguladora de medicamentos norte-americana (FDA) autoriza, desde junho de 2018, o uso de CBD no tratamento de epilepsia. Abaixo, entenda quais são os principais efeitos dos produtos derivados de maconha, como as principais substâncias agem no organismo e quais doenças elas podem combater: Indicações médicas As principais indicações médicas dos produtos derivados de cannabis são para tratar: Crises epiléticas, especialmente em crianças Dores neuropáticas Náuseas decorrentes de quimioterapia Sintomas do autismo Agitação noturna em pacientes com demência Espasmos decorrentes da esclerose múltipla Segundo Alexandre Kaup, neurologista do hospital Albert Einstein, esses são os usos "comprovadamente eficientes" das substâncias CBD e THC. Decisão da Anvisa vai ajudar brasileiros que sofrem com doença crônicas, diz associação Além dessas utilizações, também há estudos preliminares que trazem indícios de que o CBD e o THC têm efeitos positivos para controle de: Mal de Parkinson Alzheimer Enxaqueca crônica Sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) Glaucoma Ansiedade Artrite Para Kaup, ainda faltam estudos com grande amostragem de pacientes para comprovar que os derivados de maconha também podem ser usados no tratamento dessas doenças. Segundo o analista de desenvolvimento regulatório e projetos científicos da HempMeds Brasil, Gabriel Barbosa, a maior parte das importações de substâncias derivadas da maconha para tratamento são as do óleo de canabidiol, que contém tanto CBD quanto uma pequena quantidade de THC. "Trata-se de uma mistura de um óleo integral com o extrato da planta", explicou. "Os canabinoides são lipossolúveis, o que significa que se diluem na gordura, e não na água. E é um produto que não tem somente o CBD, mas mais de 500 componentes." Com esta forma de extração, o canabidiol atua em conjunto com outros componentes para melhores resultados. "Além das propriedades do CBD, há na solução flavonoides, que têm efeitos anti-inflamatórios", ressaltou Barbosa. No país, pacientes com quadro de epilepsia são os que mais buscam o medicamento, segundo a HempMeds. No entanto, o cenário é diferente nos Estados Unidos, onde o maior uso de medicamentos à base de maconha é feito por pacientes em tratamento de transtorno pós-traumático. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol Kimzy Nanney/Unsplash Efeitos das substâncias Enquanto o THC presente na maconha é considerado um perturbador do sistema nervoso central, o CBD é um depressor do sistema nervoso central. Por isso, eles têm efeitos muito diferentes no organismo. "O THC age em três receptores do sistema nervoso e tem atividade analgésica e antiespasmódica. Ele também ajuda na redução de náuseas e vômito e provoca a estimulação do apetite", explica Alexandre Kaup, neurologista do hospital Albert Einstein. É o THC que altera as funções cerebrais e provoca os mais conhecidos efeitos do consumo da maconha, droga cujo consumo recreativo é ilegal no Brasil. Entretanto, estudos indicam que o THC também pode ser usado como princípio ativo para fins medicinais. "Ele tem uma má fama, mas não é vilão. Se criou uma impressão de que o THC é ruim, mas há benefícios. Ele só não pode ser usado indiscriminadamente, porque há mais riscos", explica Kaup. Segundo o neurologista, produtos com THC não devem ser receitados para pessoas com menos de 25 anos, porque existe uma maior indução de efeitos colaterais, como quadros psicóticos. Óleo extraído da cannabis ajuda a combater epilepsia Reprodução De acordo com a Anvisa, produtos com dosagem de THC superior a 0,2% precisarão de receita médica restrita para serem vendidos nas farmácias. Nas formulações com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B e renovação de receita em até 60 dias. Já os produtos com concentração superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Neste caso, o receituário para prescrição será do tipo A, mais restrito, padrão semelhante ao da morfina. Enquanto o THC é considerado mais polêmico, o CBD é o principal ingrediente dos produtos derivados de maconha mais populares no exterior. Ele não causa dependência nem tem efeitos colaterais significativos. Ele tem propriedades anticonvulsivas, ansiolíticas e anti-inflamatórias, além de também agir como analgésico. "No Brasil são cinco patologias principais que buscam tratamento com CBD: epilepsia, Parkinson, Alzheimer, dor crônica e autismo", afirmou Barbosa, da HempMeds. "No entanto, a Anvisa já autorizou a importação para mais de 60 patologias diferentes." Segundo ele, os principais efeitos adversos dos produtos a base de cannabis com baixa concentração de THC são alterações de apetite e peso, distúrbios gastrointestinais, fadiga, irritabilidade, e sonolência. Já para produtos que têm mais desta substância, há um potencial de causar dependência e, por isso, pode ser prescrito apenas para casos terminais. Anvisa libera venda de produtos medicinais à base de maconha nas farmácias Estudos científicos comprovam eficácia Diversos estudos comprovaram que o CBD pode ser usado no tratamento de crises epiléticas, especialmente as que ocorrem em crianças. Pesquisadores da Universidade da Califórnia anunciaram em maio deste ano que puderam sintetizar uma substância análoga ao canabidiol (CBD) e obter bons resultados em cobaias no tratamento da epilepsia. A alternativa sintetizada é, segundo o estudo, mais fácil de se manipular que a substância retirada da planta. A molécula sintética recebeu a identificação 8,9-Dihydrocannabidiol (H2CBD) e, diferentemente da versão natural, não pode ser convertida para THC, composto com características tóxicas. A Sociedade Americana de Química anunciou em abril deste ano que há evidências que apontam para o uso de CBD no "transporte" de medicamentos para o cérebro. A substância atuaria como um "cavalo de Troia" e conseguiria vencer a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central. Entre os riscos para o uso de CBD em tratamentos, cientistas dos Estados Unidos alertaram no ano passado que a substância pode piorar casos de glaucoma e também aumentar a pressão intraocular. Na Inglaterra, cientistas da Universidade de Londres observaram, em abril deste ano, que o CBD atua para reduzir os efeitos danosos do consumo de maconha, que libera o composto tóxico tetrahydrocannabinol (THC), responsável pelo aumento do vício e por casos de psicose relacionados ao uso da droga. A descoberta foi corroborada pelos pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, que apresentaram em setembro de 2019 as descobertas de ensaios em cobaias. Eles mostraram o CBD atuando para proteger os danos cerebrais causados pelo THC. Além disso, usuários de heroína podem encontrar nos produtos derivados de CBD uma forma de poder controlar os efeitos da droga. Médicos do hospital Monte Sinai, nos Estados Unidos, registraram uma redução em surtos e casos extremos de ansiedade em viciados. Folhas da planta cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol Unsplash Posição de entidades médicas A discussão sobre a regulamentação da maconha medicinal começou há quatro anos, quando a Anvisa retirou um importante derivado de maconha da lista de substâncias proibidas no país. Em 2017, foi registrado o primeiro medicamento com derivado de cannabis no Brasil. Desde então, os médicos brasileiros podem receitar produtos à base de cannabis para seus pacientes, mas eles tinham que importar o produto, porque a Anvisa ainda não havia regulamentado sua venda no país. Nos Estados Unidos, a FDA aprovou o consumo da planta em seu estado natural apenas para alguns casos, porque a agência de saúde americana defende que ainda faltam evidências de qualidade que comprovem a eficácia da planta em outros usos. Outras instituições, como a Sociedade Americana de Medicina de Dependência, argumentam que não existe "cannabis medicinal", porque as partes da planta não cumprem os requisitos das normas para aprovação de medicamentos. Já no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. Eles pediram a revogação e o cancelamento da consulta pública sobre o tema, quando ela estava aberta para orientar a decisão da Anvisa sobre o tema. Salomão Rodrigues Filho, psiquiatra e integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM), diz que a instituição é favorável ao uso do canabidiol, mas que "é necessário ter cautela". O Conselho diz que a esclerose múltipla é uma doença, assim como o Parkinson, que ainda está em fase experimental de pesquisa em outros países. "Ainda não há evidência científica que recomende o uso. Não há segurança. Além de não fazer o bem, não pode fazer o mal", afirma. Initial plugin text
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04/12 - Pesquisadora italiana recebe prêmio de instituto brasileiro por estudo sobre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
Instituto Paulo Gontijo (IPG) seleciona pesquisas de excelência que buscam a cura ou a melhora da qualidade de vida de portadores da ELA. Marcela Gontijo, Presidente do IPG, e Laura Ferraioulo, vencedora do prêmio. Divulgação A cientista italiana Laura Ferraioulo, do Sheffield Institute of Translational Neuroscience, da Universidade de Sheffield, recebeu nesta quarta-feira (4), na Austrália, o prêmio Paulo Gontijo, dedicado a pesquisas sobre as causas e a cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A vencedora receberá a quantia de 20 mil dólares. Brasileiros participam de pesquisa sobre genes da ELA Anualmente, o Instituto Paulo Gontijo, com parcerias internacionais, destaca trabalhos que visam encontrar respostas para a doença que atinge o sistema nervoso de forma progressiva e degenerativa. O trabalho premiado foi realizado por um grupo de neurocientistas que têm se dedicado a identificar como a comunicação entre moléculas que estão no interior das células podem ajudar na sobrevivência dos neurônios. A descoberta da cientista pode influenciar no tratamento da ELA. Brasil participa de pesquisa internacional para desvendar a esclerose lateral amiotrófica Segundo a Associação Pró-crua da ELA, existem cerca de 12 a 15 mil pessoas com a doença no Brasil e quase 5 mil pessoas são diagnosticadas com ELA, anualmente, no país. Estima-se, também, que cerca de 200 mil pessoas tenham a doença no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, não há cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica e, desde 2009, o Sistema Único de Saúde (SUS), oferece assistência e medicamentos gratuitos, de forma integral, aos pacientes diagnosticados com a doença. Infografia: Karina Almeida/G1 Especialista tira dúvidas sobre esclerose lateral amiotrófica
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04/12 - Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol
Missão foi enviada para 'tocar' a estrela mais importante do nosso sistema em agosto de 2018. Primeiras descobertas foram publicadas em quatro artigos na revista 'Nature'. Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben A agência espacial americana (Nasa) divulgou nesta quarta-feira (4) as primeiras descobertas de sua missão inédita enviada para "tocar" o Sol. A sonda Parker Solar Probe (PSP) encontrou uma poeira fina ao redor da estrela. Os cientistas acreditam estar mais perto de uma zona livre desses detritos, devido às altas temperaturas e radiação. As novidades descobertas pela Nasa foram publicadas na revista científica "Nature": Uma poeira fina foi encontrada ao redor do Sol. Os pesquisadores dizem que são restos de asteroides ou cometas. A presença de partículas ocorre em todo o nosso sistema, mas os cientistas acreditam que há menos poeira ao chegar mais perto do Sol, até existir uma zona livre dessas partículas. A missão conseguiu chegar na parte em que os restos de cometas e asteroides ficam mais finos, comprovação e esperança de um dia chegar ao "espaço limpo" próximo ao Sol. "A zona livre de poeira foi prevista há décadas mas nunca foi vista", disse Russ Howard, pesquisador do instrumento WISPR, que captou as imagens. "Conseguimos ver o que está acontecendo com a poeira perto do Sol". Parker Solar Probe detecta poeira fina e busca confirmar área livre ao redor do Sol Nasa Os cientistas encontraram oscilações nos ventos solares (entenda o que são eles abaixo). O fluxo liberado pelo Sol é contínuo, mas distúrbios na viagem feita pelos ventos solares fazem que o campo magnético "se dobre". O fenômeno ainda é inexplicável pelos cientistas. Parker Solar Probe observou distúrbios durante a viagem dos ventos solares Adriana Manrique Gutierrez/Centro de Voos Espaciais Goddard/Nasa A missão A Parker Solar Probe foi lançada em agosto de 2018 em uma primeira viagem da Nasa para “tocar o Sol”. A missão enfrenta milhares de graus Celsius para chegar até a estrela mais importante do nosso sistema e, até então, cumpriu três das 24 etapas planejadas para pesquisas na atmosfera do Sol. A nave da missão foi projetada para suportar condições brutais de calor e radiação, com uma blindagem que é resultado de anos de pesquisas. A PSP chegou sete vezes mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave; Para suportar as altas temperaturas, ela tem um escudo especial com 11,43 centímetros de espessura; O material suporta temperaturas que passam de 1,3 mil ºC – a superfície do Sol pode chegar a 5,5 mil ºC. A coroa, atmosfera externa, pode ter milhares de graus Celsius. Por isso, a missão irá chegar até um certo limite; Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol Claudia Ferreira/G1 O nome da missão – Parker Solar Probe – é uma homenagem a Eugene Newman Parker, astrofísco de Michigan. Foi ele quem descobriu uma solução matemática para comprovar os ventos solares. Parker recebeu a honra de ter uma missão com seu nome ainda vivo, uma raridade na história da Nasa. Parker Solar Probe: Entenda missão da Nasa para explorar o Sol Os primeiros dados sobre o Sol foram enviados há pouco mais de 1 ano. Entre 31 de outubro e 11 de novembro de 2018, a sonda completou a primeira fase de aproximação do Sol pela atmosfera externa (coroa). Em uma das imagens enviadas, é possível ver o brilho de Júpiter em meio aos ventos solares (veja imagem abaixo). A Parker Solar Probe estava a cerca de 16,9 milhões de quilômetros da superfície do Sol quando esta imagem foi tirada, em 8 de novembro. O objeto brilhante perto do centro da imagem é Júpiter, e as manchas escuras são resultado da correção de fundo. NAsa/NRL/Parker Solar Probe Ventos solares Mas o que são os ventos solares e por que é importante entender mais sobre eles? Os ventos solares são um fluxo de partículas que sai constantemente do Sol. Essas partículas, basicamente prótons e elétrons, têm uma energia cinética (velocidade) muito grande, como diz a astrofísica Adriana Valio. Animação da Nasa mostra ventos solares do nosso Sistema Nasa Ela explica que essa energia supera a energia gravitacional do Sol. Ou seja: a atração gravitacional, da massa do Sol, é menor na parte da coroa solar - topo da atmosfera da estrela - local de onde saem as partículas. É a mesma lei que nos segura no chão da Terra e não nos deixa sair flutuando pelo espaço: nosso planeta também tem sua força gravitacional, e é ela que nos prende aqui. No Sol, na parte da coroa, as partículas têm tanta energia que conseguem "escapar" dessa força em um fluxo que é eterno. Isso cria o que chamamos de ventos solares, que são constantes e banham todo o Sistema. "As partículas acabam então sendo perdidas para o meio interplanetário. E isso é o vento solar. Isso é constante.", disse Adriana. A Terra, com suas particularidades e seu campo magnético, é em maior parte protegida pelos ventos solares. Mas as auroras boreais, por exemplo, são as partículas cheias de energia dos ventos solares que conseguem escapar e entrar pelos polos do nosso planeta. Aurora Boreal ilumina o céu da região da Lapônia, em Inari, na Finlândia Lehtikuva/Irene Stachon/Reuters
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04/12 - O que são os fractais, padrões matemáticos infinitos apelidados de 'impressão digital de Deus'
Os fractais são ferramentas importantes em diversas áreas — desde estudos sobre as mudanças climáticas e a trajetória de meteoritos até pesquisas sobre o câncer. Computação gráfica mostra uma imagem fractal tridimensional 'espiral', derivada do conjunto de Julia, inventado e estudado durante a Primeira Guerra Mundial pelos matemáticos franceses Gaston Julia e Pierre Fatou Science Photo Library/BBC O que as galáxias, as nuvens, o sistema nervoso, as montanhas e o litoral têm em comum? Todos contêm padrões intermináveis conhecidos como fractais. Os fractais são ferramentas importantes em diversas áreas — desde estudos sobre as mudanças climáticas e a trajetória de meteoritos até pesquisas sobre o câncer (ajudando a identificar o crescimento de células mutantes) e a criação de filmes de animação. O que é a matemática? Um modelo da realidade ou a própria realidade? Por que você deve parar de acreditar que 'não nasceu pra matemática' Estes são apenas alguns exemplos e há quem acredite que, devido à sua natureza altamente complexa e misteriosa, ainda não foi descoberto todo seu potencial. Infelizmente, não existe uma definição simples e precisa dos fractais. Como tantas outras questões na ciência e na matemática moderna, discussões sobre a "geometria fractal" podem gerar confusão para quem não está imerso nesse universo. O que é uma pena, porque há um poder e uma beleza profunda no conceito dos fractais. Hoje é dia de Jardim Botânico: Fractais O pai da geometria fractal O termo foi cunhado por um cientista pouco convencional chamado Benoit Mandelbrot, um matemático polonês nacionalizado francês e, depois, americano. Mandelbrot não cursou os dois primeiros anos de escola e, como judeu na Europa devastada pela guerra, sua educação sofreu interrupções graves. Em grande parte, ele foi autodidata ou ensinado por familiares. Nunca aprendeu formalmente o alfabeto, tampouco foi além da tabuada de multiplicação por 5. Mas tinha um dom para enxergar os padrões ocultos da natureza. Benoit Mandelbrot tinha um dom com o qual revolucionou nossa compreensão do mundo Getty Images/BBC Era capaz de ver regras onde todo mundo vê anarquia. Era capaz de ver forma e estrutura onde todo mundo vê apenas uma bagunça disforme. E, acima de tudo, era capaz de ver que um novo e estranho tipo de matemática sustentava toda a natureza. Celebrando o caos Mandelbrot passou a vida inteira procurando uma base matemática simples para as formas irregulares do mundo real. Parecia cruel para ele que os matemáticos tivessem passado séculos contemplando formas idealizadas, como linhas retas ou círculos perfeitos. "As nuvens não são esferas, as montanhas não são cones, os litorais não são círculos e as cascas das árvores não são lisas, tampouco os raios se deslocam em linha reta", escreveu Mandelbrot. A forma das nuvens é complicada e irregular: o tipo de forma que os matemáticos costumavam evitar, privilegiando as regulares, como as esferas, que eles eram capazes de domar com equações Getty Images/BBC O caos e a irregularidade do mundo — que chamava de "aspereza" — era algo a ser celebrado. Para ele, seria uma pena se as nuvens fossem realmente esferas e as montanhas, cones. No entanto, ele não tinha uma maneira adequada ou sistemática de descrever as formas ásperas e imperfeitas que dominam o mundo real. Ele se perguntou, então, se haveria algo único que poderia definir todas as formas variadas da natureza. Será que as superfícies esponjosas das nuvens, os galhos das árvores e os rios compartilhavam alguma característica matemática comum? Pois parece que sim. Autossimilaridade Imagine nuvens, montanhas, brócolis e samambaias... suas formas têm algo em comum, algo intuitivo, acessível e estético. Se você observar com atenção, vai descobrir que a complexidade deles ainda está presente em uma escala menor. Subjacente a quase todas as formas no mundo natural, existe um princípio matemático conhecido como autossimilaridade, que descreve qualquer coisa em que a mesma forma se repete sucessivamente em escalas cada vez menores. Um bom exemplo disso são os galhos de árvores. À esquerda, a silhueta de uma árvore. À direita, as figuras de Lichtenberg, que nada mais são que descargas elétricas ramificadas... Curiosamente são parecidas, não? Science Photo Library/BBC Eles se bifurcam várias vezes, repetindo esse simples processo sucessivamente em escalas cada vez menores. O mesmo princípio de ramificação se aplica à estrutura dos nossos pulmões e à maneira como os vasos sanguíneos são distribuídos pelo nosso corpo. E a natureza pode repetir todos os tipos de formas dessa maneira. Veja este brócolis romanesco. Sua estrutura geral é composta por uma série de cones repetidos em escalas cada vez menores. A estrutura geral do brócolis romanesco é composta por uma série de cones repetidos Getty Images/BBC Mandelbrot percebeu que a autossimilaridade era a base de um tipo completamente novo de geometria, a que deu o nome de fractal, mas que também costuma ser chamada de "a impressão digital de Deus". O fim é o começo O que aconteceria se essa propriedade da natureza pudesse ser representada na matemática? O que aconteceria se você pudesse capturar sua essência para fazer um desenho? Como seria esse desenho? A resposta viria do próprio Mandelbrot, que aceitou um emprego na IBM no final da década de 1950 para obter acesso ao incrível poder de processamento da companhia e deixar fluir sua obsessão pela matemática da natureza. Munido de um supercomputador de última geração, ele começou a estudar uma equação muito curiosa e estranhamente simples que poderia ser usada para desenhar uma forma bastante incomum. A ilustração a seguir é uma das imagens matemáticas mais notáveis ​​já descobertas. É o Conjunto Mandelbrot. Este é o fractal mais famoso gerado por computador: uma paisagem turbulenta, emplumada e aparentemente orgânica que lembra o mundo natural, mas é completamente virtual Science Photo Library/BBC Quanto mais de perto você examinar esta imagem, mais detalhes verá. Cada forma dentro do conjunto contém um número de formas menores, que contêm um número de outras formas ainda menores... e, assim por diante, sem fim. Uma das coisas mais surpreendentes sobre o conjunto de Mandelbrot é que, em teoria, ele continuaria criando infinitamente novos padrões a partir da estrutura original, o que demonstra que algo poderia ser ampliado para sempre. No entanto, toda essa complexidade vem de uma equação incrivelmente simples. E isso nos obriga a repensar a relação entre simplicidade e complexidade. Há algo em nossas mentes que diz que a complexidade não surge da simplicidade, que deve surgir de algo complicado. Mas o que a matemática nos diz em toda essa área é que regras muito simples dão origem naturalmente a objetos muito complexos. Essa é a grande revelação. É um conceito surpreendente. E isso parece se aplicar ao nosso mundo como um todo. Algo para ter em mente Pense nas revoadas de pássaros. Cada pássaro obedece a regras muito simples. Mas o grupo como um todo faz coisas incrivelmente complicadas, como evitar obstáculos e viajar pelo planeta sem um líder específico ou um plano consciente. É impossível prever como a revoada vai se comportar. Ela nunca repete exatamente o que faz, mesmo em circunstâncias aparentemente idênticas. Os padrões das revoadas de pássaros são semelhantes, mas não idênticos Getty Images/BBC Cada vez que partem em revoada, os padrões são ligeiramente diferentes: semelhantes, mas nunca idênticos. O mesmo vale para as árvores. Sabemos que elas vão produzir um certo tipo de padrão, mas isso não significa que somos capazes de prever as formas exatas, pois algumas variações naturais, causadas pelas diferentes estações do ano, pelo vento ou por um acidente ocasional, as tornam únicas. Isso quer dizer que a matemática fractal não pode ser usada para prever grandes eventos em sistemas caóticos, mas pode nos dizer que tais eventos acontecerão. A matemática fractal, juntamente com o campo relacionado da teoria do caos, revelou a beleza oculta do mundo e inspirou cientistas de muitas áreas, incluindo cosmologia, medicina, engenharia e genética, além de artistas e músicos. Mostrou que o universo é fractal e intrinsecamente imprevisível.
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03/12 - Manter cultivo de maconha medicinal proibido multiplicará ações na Justiça, diz presidente da Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a regulamentação do uso medicinal de produtos feitos à base de maconha no país, que poderão ser produzidos no país e vendidos em farmácias, mas rejeitou a proposta de regulamentar o plantio da maconha para fins terapêuticos e científicos. Presidente da Anvisa, William Dib, foi o único a votar a favor da regulamentação do plantio de maconha para fins terapêuticos e científicos ABR A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (3) a regulamentação do uso medicinal de produtos feitos à base de maconha, que poderão ser produzidos no país e vendidos em farmácias. Ao mesmo tempo, a maioria da diretoria da agência rejeitou a proposta de regulamentar o plantio da maconha para fins terapêuticos e científicos, ponto contra o qual havia forte oposição por parte do governo de Jair Bolsonaro. Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias Anvisa rejeita cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil Três dos quatro diretores da Anvisa presentes na sessão de deliberação votaram por arquivar este ponto da regulamentação — e o único voto a favor da medida foi do diretor-presidente da agência, William Dib. Em entrevista à BBC News Brasil, Dib afirma que as decisões tomadas pela Anvisa hoje devem facilitar e desburocratizar o acesso a estas medicamentos por parte da população. Mas, ao mesmo tempo, devem levar a uma maior judicialização da questão no país, com um aumento de processos movidos por associações e cidadãos para obterem permissão para plantar cannabis sob a alegação de que não têm condições econômicas para custear o tratamento de outra forma. No últimos anos, diversos estudos científicos apontaram que substâncias extraídas da Cannabis sativa, como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabidiol (THC), seu princípio psicoativo, podem ser usados para fins medicinais, em terapias para pacientes com epilepsia, câncer e outras enfermidades graves. Hoje, quem deseja ter acesso a produtos a base de maconha no país deve pedir à Anvisa uma autorização de importação. Desde janeiro de 2015, a agência permite que estes produtos sejam trazidos do exterior quando comprovada a necessidade do paciente. Hoje, mais de 4,6 mil pessoas têm autorização. Mas, há cinco anos, a Anvisa começou a estudar uma mudança nas suas regras, com base no que diz a lei 11.343, de 2006, que institui o sistema nacional de políticas públicas sobre drogas. A legislação proíbe "o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas". Mas diz que a União pode autorizar essas práticas, "exclusivamente para fins medicinais ou científicos". A proposta da agência era regulamentar tanto a produção e a venda de medicamentos quanto o plantio da maconha para fins medicinais e científicos, um processo que culminou com as decisões tomadas nesta terça-feira. Sem manipulação A nova regulamentação estabelece as regras para a fabricação e a importação desses produtos, sua comercialização, prescrição, dispensação, monitoramento e fiscalização. Cannabis: entenda como será a venda dos produtos Agora, estas mercadorias passarão a fazer parte de uma nova classe — "produto à base de cannabis", ou seja, ainda não serão classificados como medicamentos. Poderão ser adquiridos em farmácias, mas não será possível manipulá-los em drogarias. Só será permitida a venda do produto pronto, sob prescrição médica. A norma entra em vigor em 90 dias a partir da publicação da decisão da diretoria da Anvisa no Diário Oficial e será revista pela própria agência daqui a três anos a fim de avaliar os progressos de pesquisas sobre o tema. Essa mudança deve fazer com que estes produtos cheguem mais baratos ao cidadão, afirma William Dib, uma vez que haverá mais opções no mercado nacional, e a concorrência deve levar a uma redução do seu preço dentro de um prazo de mais ou menos um ano. Hoje, há apenas um produto à base de cannabis registrado e vendido no país, o Mevatyl, indicado para espasmos musculares em quem tem esclerose múltipla. Ele é fabricado por uma empresa do Reino Unido e comercializado a um custo médio de R$ 2,8 mil para sua dose mensal. Mas Dib acredita que a não regulamentação do plantio deixa aberta a brecha que leva muitas pessoas a pedir à Justiça a permissão para plantar maconha. "O remédio vai ficar mais conhecido, mais médicos vão prescrever, vai haver debate e pesquisa científica. Então, isso aumenta o número de consumidores e podem se multiplicar as autorizações judiciais para o plantio. Pode chegar a um momento de total descontrole social, não só do aspecto quantitativo e qualitativo e de segurança", diz. A avaliação vai de encontro à visão de Emilio Figueiredo, advogado da Rede Reforma, uma organização sem fins lucrativos que reúne profissionais desta área a favor de uma reforma da politica de drogas brasileira, para quem o número de processos deve aumentar. O advogado diz que a decisão da Anvisa de não regulamentar o plantio foi "adequada", por entender que se trata de uma competência do governo federal. Mas ele afirma que a decisão da Anvisa não resolve os entraves econômicos ao acesso à droga. "O acesso vai ficar mais fácil, mas para quem? Hoje, enquanto a dose mensal da única organização autorizada a plantar maconha no país custa cerca de R$ 400, o produto vendido em farmácias tem um preço sete vezes maior. E, mesmo com mais opções, vai continuar a ser um produto muito caro e inacessível para a maioria da população", diz Figueiredo, que atuou em 26 das 51 ações que obtiveram permissão judicial para plantio de maconha para fins terapêuticos. "O direito fundamental à saúde destas pessoas continuará a ser violado. Vamos fazer uma tsunami de ações judiciais para fixar no país o reconhecimento do cultivo como acesso a ferramenta terapêutica para graves moléstias." No entanto, o presidente da Anvisa acredita que a decisão da agência abrirá caminho para que o governo, o Congresso ou a própria agência revejam no futuro a decisão de não regulamentar o plantio, a partir do momento que mais brasileiros usem produtos à base de maconha e haja um debate mais amplo sobre a questão no país. Leia a seguir os principais trechos da entrevista com o presidente da Anvisa, que deixa o cargo e a diretoria do órgão no próximo dia 20 deste mês e diz "estar contando os dias" para que isso aconteça. BBC News Brasil - Como o sr. recebe essa decisão da Anvisa? William Dib - Em parte, com muita alegria, porque, por unanimidade, aprovamos o registro, a comercialização e a produção de produtos de cannabis. Com registro ágil e com previsão de se rever em três anos. Com isso, o acesso, tanto da classe médica quanto dos pacientes, vai ser facilitado. E há também a questão de pesquisa: vai ser muito mais fácil e ágil desenvolver pesquisas no país. Nesse aspecto, vi positivamente. No aspecto do plantio, que foi separado por uma questão estratégica, não passou por maioria absoluta. Fui o único a votar a favor. Os argumentos para o não plantio não me convenceram. Ele vai permitir a multiplicação de autorizações judiciais para o plantio. Pode chegar a um momento de total descontrole social, não só do aspecto quantitativo e qualitativo e de segurança. Mas o governo está preocupado em ele não autorizar (o plantio). Agora, o Judiciário autorizando, parece que está tudo bem. BBC News Brasil - Por que o sr. acredita que pode haver uma judicialização maior por parte de pacientes e associações? Dib - As pessoas alegam que o remédio é caro e que, plantando, há um barateamento do custo (do tratamento) de doenças, pois os remédios são de uso contínuo. Esse argumento tem feito grande parte do Judiciário ficar do lado das famílias e das associações de pais de crianças que precisam da cannabis e de outros pacientes, autorizando o plantio. Já existem muitas autorizações. Em teoria, regulamentando, isso tende a diminuir, porque você vai criar acesso ao medicamento. Mas, por outro lado, pode aumentar, porque o remédio vai ficar mais conhecido, mais médicos vão prescrever, vai haver debate e pesquisa científica. Então, isso aumenta o número de consumidores e podem se multiplicar as autorizações judiciais. Existe gente do bem, gente que não sabe (sobre o assunto) e gente mal informada. Quando você cria uma associação de 50 pais para plantar cannabis, você acha que eles vão abrir mão de cultivar para comprar o produto? Não, eles vão continuar querendo plantar. Se a gente regulamentasse o plantio, a Justiça poderia cassar essas autorizações individuais e para associações. A Justiça primeiro não vai cassar esse direito de ninguém, porque não está regulamentado. Vai ter mais médicos receitando. Então, não vai ficar igual, as ações só podem crescer. Na teoria, é isso que vai acontecer. BBC News Brasil - Por que o senhor fala em 'descontrole social'? Dib - O número de receitas vai crescer exponencialmente. A ideia de que o fulano consegue o produto porque ele planta pode se estabelecer, caso o Judiciário mantenha as decisões de hoje, de que é um direito de todos o acesso ao medicamento. A Justiça vai dar mais autorizações. Se hoje tem mil, vão ter 10 mil daqui a três anos e assim por diante. BBC News Brasil - Esses habeas corpus que autorizam o plantio são baseados no direito das pessoas à saúde e ao tratamento… Dib - Não sei como o Judiciário vai ver o acesso com a produção aqui. A Justiça pode baixar uma norma dizendo: 'está proibido dar novas autorizações de cultivo'. Isso não depende da Anvisa nem do governo. O Judiciário é outro poder. BBC News Brasil - Quais foram as alegações dos seus colegas para rejeitar a regulamentação do plantio? Dib - (Risos) Você não prefere perguntar para eles? Eu teria dificuldade de explicar para você, pois eu mesmo não entendi as alegações deles. Tive dificuldade de entender. BBC News Brasil - Por quê? Dib - É igual procurar pelo em ovo. São ponderações que… É que não querem que tenha o projeto. Então, alega-se tudo. Disseram que precisaria consultar a polícia local. Como se faria isso se eu não sei qual local vai haver o plantio? São alegações difíceis de entender. BBC News Brasil - Na sessão, o senhor disse que achava muito curioso que para concessão de autorizações da Anvisa não haveria problemas. O que o senhor quis dizer? Dib - Meus colegas disseram que o Ministério da Agricultura afirma que as sementes de cannabis precisam ficar em quarentena, pois poderia conter vírus e fungos. Mas e o cara que tem autorização judicial para plantar? Ele compra a semente pelo correio, e ninguém sabe o que ele está plantando. E aí não tem problema nenhum? BBC News Brasil - Com isso o senhor quer dizer buscaram qualquer motivo para que esse fosse o resultado? Dib - Sim, vários motivos. BBC News Brasil - E o senhor acha que esses motivos são inconsistentes? Dib - Me parece que poderiam ser aprimorados ou corrigidos. Quem quer fazer, faz. BBC News Brasil - O senhor acredita que a Anvisa errou ao não regulamentar o plantio? Dib - Não vou dizer que é erro ou não. Acho que perdemos a oportunidade. Mas ela vai ser recuperada logo mais, via Congresso. Ou a própria Anvisa pode rever seus conceitos. O mais importante é que o produto vai estar acessível à população. Isso vai acabar gerando uma discussão. A experiência vai fazer muita gente rever seu posicionamento. BBC News Brasil - Não tem problema por parte de quem? Dib - A Anvisa nem o Ministério da Agricultura não tem autorização judicial para questionar. Chega a semente, e ele planta. E aí? Aí, não tem importância, porque são milhares de pessoas? Quantas empresas iriam cultivar a cannabis no Brasil? Umas cinco ou seis, não mais que isso. Agora, com a decisão, essas seis não podem plantar, mas milhares de pessoas podem (risos). BBC News Brasil - Qual outro argumento o senhor acha incoerente? Dib - Como esse processo é muito velho, várias instâncias foram ouvidas. Mas se perderam no meio disso. Mas não ouvimos todo mundo que poderia ter sido ouvido. BBC News Brasil - O senhor acredita que isso teve influência no resultado? Dib - Olha, o resultado é esse. Então, agora vamos escrever por que o resultado é esse. Você faz uma equação em que o resultado é 8. Como você vai fazer? 4 + 4? 5 + 3? 7 + 1? O resultado é 8. Não importa como você vai escrever, o resultado é: não pode fazer o plantio. BBC News Brasil - O senhor acha que a não autorização do plantio pode encarecer o remédio em comparação com um cenário em que o cultivo fosse permitido? Pois as empresas que queiram produzir o remédio terão que importar a matéria-prima… Dib - Com a permissão da venda do remédio em farmácia, o preço do medicamento vai cair, pois as pessoas não vão precisar mais importar individualmente. Uma coisa é você trazer o produto para a Dona Maria. Outra coisa é você trazer para 3 mil Marias. Então, a compra do produto em quantidade maior deve baratear o custo na origem e aqui. E vai ter concorrência: a farmácia A contra a farmácia B. A tendência é reduzir custos. BBC News Brasil - Vai ser um preço acessível para a população em geral? Dib - Vai ser mais acessível que hoje. E outra coisa: com vai existir registro, o SUS e o Ministério da Saúde pode autorizar a distribuição, como é feito com outros produtos. BBC Brasil - Mas, pensando em uma empresa que pretende produzir o medicamento, ela terá que importar a matéria prima. Caso ela cultivasse a cannabis aqui no Brasil, esse remédio não ficaria ainda mais barato para o consumidor? Dib - Na teoria, sim. Hoje, me espantei com o voto do almirante (Antonio Barra, diretor da Anvisa indicado por Bolsonaro). Ele disse que está sobrando produto no exterior. Pode ser que o custo caia, não sei, não acompanho o mercado de cannabis. Não sei se está no ponto de curva mais alto ou mais baixo do preço. BBC News Brasil - Hoje, o único medicamento vendido com base de cannabis custa cerca de R$ 2.800 por mês. A sua expectativa, com a regulamentação, é que eles cheguem no mercado em qual patamar de preço? Dib - Acredito que a concorrência vai reduzir rapidamente esse custo, quando houver concorrência. Vou fazer uma brincadeira: quando o Viagra foi lançado, ele custava uma fábula. Hoje, o genérico custa dez vez menos em comparação quando foi lançado o produto. Os produtos farmacêuticos tendem a reduzir o preço conforme aumenta o consumo. BBC News Brasil - O senhor estima qual será a redução do preço? Dib - Não sou muito bom nesse aspecto econômico. Mas as pessoas que conhecem esse assunto dizem que há uma curva descendente (de preço) que dura um ano, um ano e meio, até que o valor seja estabelecido. Ele vai caindo conforme aumenta a concorrência. Não é uma queda súbita. BBC News Brasil - As pessoas comuns, além das classes médias e alta, vão ter acesso? Dib - Com certeza. Já há projetos para que prefeituras e governos estaduais possam pagar pelos medicamentos. Na hora que o laboratório e a distribuidora estiverem em território nacional, muitos municípios e Estados vão agregar os medicamentos. O SUS também pode fazer isso. No Brasil, infelizmente ou felizmente, há judicialização: se o seu filho está doente, precisa de cannabis e você não tem dinheiro, você entra na Justiça e o Estado tem de pagar. BBC News Brasil - O senhor acredita que essa restrição ao plantio ocorre por uma falta de conhecimento ou até preconceito em relação à cannabis? Dib - É difícil julgar as pessoas. Acredito que eles misturam a questão da droga e do consumo recreativo, ou do uso como entorpecente, e não separam a questão medicinal. Veem risco e misturam conversa de droga com o produto medicinal. O produto medicinal não tem efeito de droga. Por via oral, não dá barato, as pessoas não ficam entorpecidas. Não dá isso. BBC News Brasil - O sr. disse que o plantio foi discutido na Anvisa em separado da produção medicinal por uma questão estratégica. Por que isso ocorreu? Dib - Quando cheguei aqui, o governo de plantão, da Dilma Rousseff, queria liberar o plantio totalmente. Quem estivesse doente e precisasse de cannabis poderia plantar. Nesse caso, você não conseguiria distinguir quem plantaria para fins medicinais e quem cultivaria para recreação. Você não sabe o que ele estaria plantando, porque não há controle da semente. Você não saberia se ele está cultivando plantas com mais CBD (canabidiol) ou THC (tetrahidrocanabinol). Não daria para controlar o que é produzido domesticamente, não há laboratório nem fiscalização possível para monitorar isso. Agora, o governo Bolsonaro assumiu e, como eles são conservadores, não querem discutir em hipótese nenhuma a questão do plantio. Paciência… BBC News Brasil - Até quando o sr. fica na Anvisa? Dib - Hoje é dia 3? São mais 17 dias, estou contando um por um. BBC News Brasil - Por quê? Dib - Ah, porque está difícil (risos). BBC News Brasil - O que está difícil? Muita pressão do governo? Dib - Você imagina, essa questão da cannabis é fichinha, é só o troco. BBC News Brasil - Quais são as dificuldades o senhor tem enfrentado? Dib - Não, não. Não posso falar sobre isso com repórteres.
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03/12 - Brancos nos EUA recebem mais tratamento preventivo contra HIV que negros e latinos
Dados são dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde americano. Pílula do medicamento Truvada, usado na profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV Paul Sakuma/AP Um estudo divulgado nesta terça-feira (3) pelas autoridades sanitárias norte-americanas aponta que os médicos do país prescrevem mais tratamentos preventivos contra o vírus HIV para pessoas brancas. Mesmo se protocolos como a PrEP são autorizados nos Estados Unidos desde 2012, negros e latinos têm bem menos acesso ao dispositivo. Total de cadastrados para usar a PrEP, pílula para evitar HIV, sobe 38% no Brasil em cinco meses Os números publicados pelos Centros de Controle e de Prevenção de Doenças (CDC) ilustram as disparidades que persistem no país, apesar da promessa do presidente norte-americano Donald Trump de erradicar a epidemia da Aids até 2030. Os dados confirmam um alerta que já havia sido feito por especialistas: as desigualdades raciais e sociais estão entre os principais obstáculos na luta contra a doença. A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, é recomendada sistematicamente nos Estados Unidos aos homens que mantêm relações sexuais com outros homens, aos heterossexuais que adotam comportamentos de risco ou pessoas que utilizam seringas para se drogar. Atualmente, 18% dessa população já estaria se beneficiando do protocolo, contra 9% em 2016. No entanto, essa estatística, que poderia ser vista como um avanço, esconde as disparidades sociais, pois entre esses usuários da PrEP, 42% são brancos, 11% são latinos e apenas 6% são negros. Além disso, em locais que concentram pessoas com maior poder aquisitivo, como Nova York, 41% da população considerada em risco usa o tratamento, enquanto nos estados mais pobres e rurais do sul do país, essa proporção cai para 15%. Negros soropositivos nem sempre têm acesso a tratamentos O estudo também chama a atenção para o número de negros soropositivos que nem sempre têm acesso aos antirretrovirais. Esses tratamentos permitem atingir uma carga viral indetectável (impossibilidade de transmitir o vírus) após seis meses de aplicação. Mas, para isso, o paciente tem que usar os medicamentos diariamente. No entanto, apontam os peritos dos CDC, muitos dos negros soropositivos nos Estados Unidos não têm nenhum tipo de plano de saúde, o que torna mais difícil seguir o rigor do tratamento. Em 2018, mais de dois terços dos novos casos de HIV dos Estados Unidos foram registrados em negros ou hispânicos. VÍDEOS SOBRE HIV Veja vídeos sobre tratamento, detecção e prevenção: Brasil teve aumento de 21% no número de infecções por HIV Drauzio Varella entrevista primeiro homem curado do vírus HIV Autoteste de HIV pode ser feito em casa
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