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24/06 - Maioria dos jovens brasileiros diz se interessar por ciência, mas 90% não conhecem o nome de um cientista nacional
Duas mil pessoas foram ouvidas para trabalho pioneiro que busca compreender a interação dos jovens com temas de ciência e tecnologia no país. Programa é destinado a jovens cientistas de países emergentes para que desenvolvam suas habilidades científicas e profissionais. Ares Soares/Unifor Metade (51%) dos jovens brasileiros acredita que a situação das pesquisas científicas do país está atrasada, mas mesmo assim a maioria deles diz que se interessa pelo assunto. Esse é o resultado de um estudo apresentado nesta segunda-feira (24). Os pesquisadores ouviram mais de 2 mil pessoas - 93% não sabem dizer o nome de um cientista nacional. Alguns resultados: 80% dos participantes disseram se interessar por assuntos relacionados ao meio ambiente; 74% em medicina e saúde; 67% em ciência e tecnologia; 87% sequer conhecem alguma instituição que se dedique a pesquisa; Quase metade acham a ocupação atrativa, mesmo considerando "difícil" seguir a profissão; 48% dos participantes disseram que é "muito difícil" saber se um boato sobre ciência e tecnologia é verdadeiro ou falso. A pesquisa é assinada por cientistas do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (Fiocruz) e da Casa de Oswaldo Cruz. Para o desenvolvimento do estudo, foram ouvidas mais de 2 mil pessoas de 15 a 24 anos. Quando questionados sobre como normalmente tiram dúvidas sobre assuntos relacionados a ciência e tecnologia, 43% dos jovens disseram que normalmente conversam com professores e amigos. Apesar do interesse, a maioria dos participantes disse que busca ou recebe informações sobre ciência somente "de vez em quando" e que, na maioria das vezes, essas informações chegam por meio da internet ou da televisão - as pesquisas no Google e vídeos no Youtube são as principais formas de interação. Ainda de acordo com os pesquisadores, houve uma mudança no "ecossistema de informações", ou seja, as informações deixaram de ser "buscadas" e começaram a ser "encontradas" apenas com um clique. O levantamento também identificou que esses jovens passaram a "tropeçar" mais vezes nesses conteúdos. Investimentos Em meio a "bloqueios preventivos" em bolsas de pesquisa anunciadas pelo Capes em maio, 60% dos jovens ouvidos dizem que é importante aumentar os investimentos na pesquisa científica, e 69% acham que a ciência traz muitos benefícios para a sociedade. Além disso, eles também apontam uma dificuldade em identificar a veracidade das informações relacionadas a ciência e tecnologia. Os jovens relatam "angústia e insegurança" e afirmam que "é cada vez mais difícil identificar o que é verdadeiro". "A confiança em conseguir identificar notícias falsas depende fortemente do grau de consumo de informação científica e dos hábitos culturais", diz o artigo. Ou seja, os pesquisadores definiram que os jovens que vão a museus e eventos de ciências, por exemplo, identificam com mais facilidade uma notícia falsa. "Não surpreendentemente, nossos dados mostram que a percepção de receber possíveis notícias falsas sobre C&T (Ciência e tecnologia) é maior entre jovens mais engajados politicamente, de maior escolaridade, e que consomem mais frequentemente informação científica".
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24/06 - A vida de um médico especialista em eutanásia: 'Não sinto que estou matando o paciente'
O doutor Yves de Locht realiza eutanásias na Bélgica, um dos poucos países no mundo onde o procedimento é legal; a BBC acompanhou o médico em três dos casos que atendeu. O médico Yves de Locht já realizou mais de 100 eutanásias e diz que os procedimentos lhe causam grande impacto pessoal e emocional BBC "Injetamos isso nas veias do paciente e, em menos de um minuto, ele se vai, cai adormecido e depois morre. Sem sofrimento, sem dor," diz o doutor Yves de Locht, enquanto segura entre os dedos um pequeno frasco com um líquido. De Locht realiza eutanásias na Bélgica, país com uma das políticas mais liberais sobre o tema. A eutanásia ativa, ou morte assistida por intervenção deliberada, é legal no país e em apenas alguns outros: Holanda, Luxemburgo, Canadá e Colômbia, enquanto alguns estados dos Estados Unidos permitem certos tipos de morte assistida. Na Bélgica, o procedimento foi legalizado em 2002 e, em média, é aplicado a seis pessoas por dia. No ano passado, médicos belgas puseram fim a 2.357 vidas com a eutanásia. O doutor Locht – que realizou mais de 100 eutanásias – recebe constantemente pedidos de pacientes que querem morrer. Mas por motivos pessoais e emocionais, ele diz que só pode fazer uma por mês. "É um ato importante e difícil que tem um grande impacto emocional", admite. "Eu não chamo de matar um paciente. Ele encurtou sua agonia, seu sofrimento. Eu lhe forneço o cuidado final." A BBC acompanhou o médico durante os atendimentos a três pacientes que pediram sua intervenção. Alain: 'Quando perder a capacidade de me comunicar e me movimentar' Alain tem Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma condição que enfraquece todos os músculos gradualmente. Em média, os pacientes com ELA morrem entre três e cinco anos após serem diagnosticados. Cerca de 25%, segundo o Ministério da Saúde do Brasil, sobrevivem por mais de cinco anos depois do diagnóstico. Ele viajou 700 quilômetros com os dois filhos – saindo da França, onde a eutanásia é ilegal – para conseguir que o ajudem a encerrar a própria vida quando sua situação piorar. A chegada ao consultório é de ambulância, a única maneira em que Alain poderia ser transportado, diz De Locht. O médico quer ter certeza de que o pedido é feito pela vontade do paciente e pergunta sobre quando ele vai tomar a decisão. "Eu acho que quando perder a capacidade de me comunicar e me mover", responde Alain. De Locht explica a ele que a intervenção será feita em um pequeno quarto do hospital onde poderão estar um ou dois membros da família. Cabe a Alain decidir se quer que os filhos o acompanhem em suas últimas horas, mas eles também têm a opção de querer ou não estar presentes. Segundo o médico, Alain cumpre as três condições básicas para pedir a eutanásia: "Ele tem uma doença incurável e um sofrimento que não pode ser aliviado", diz ele, e "fez uma solicitação por escrito. Tenho o documento aqui". Alain voltou para casa com a esperança de poder pedir a eutanásia a qualquer momento. No entanto, ele morreu pouco depois, em fevereiro, de complicações respiratórias. "Devemos aceitar que não podemos curar tudo", diz o o doutor De Locht à BBC. "Quando não podemos curar, nosso papel é tentar aliviar o paciente, atenuar sua dor. Então, quando chego até o final continuo fazendo meu trabalho como médico." Louise: 'Eu não quero acabar em um lugar com cheiro de urina' Louise tem 79 anos e está em bom estado de saúde. Ela é paciente do doutor De Locht e, embora a eutanásia não esteja "na agenda" imediata, ela quer ter certeza de que a opção estará disponível caso seja necessária. "Eu acho que você tem de enfrentar a morte e, se puder, esperá-la de pé", diz. "É algo que afeta a todos nós, porque todos nós vamos morrer, mas eu tenho o direito de exigir qualidade ao final da minha vida." Louise argumenta que a eutanásia é uma maneira mais humana e mais eficiente de acabar com a vida. "Eu não quero acabar em um lugar com cheiro de urina", exclama. Ela sabe, no entanto, que por ora sua solicitação será negada. "É difícil dizer 'não'", diz o o doutor De Locht. "Somos obrigados a escolher, frente à quantidade de solicitações, então sempre pego os pacientes mais graves." Ainda que tenha realizado mais de 100 eutanásias, ele teve de recusar algumas e nem sempre por razões médicas. "Por razões afetivas, de nenhuma forma eu praticaria a eutanásia a pessoas que conheço muito bem ou a membros da família", admite ele. Michel: 'Não é o câncer que me leva, sou eu quem decide' Michel estava 'absolutamente decidido' a seguir adiante com o procedimento, mas sua mulher gostaria de ter mais tempo com ele BBC Uma noite antes de fazer a eutanásia, o doutor De Locht visita o paciente, Michel, que espera com sua esposa. Michel, de 82 anos, é ex-chefe de polícia e tem câncer terminal na mandíbula. Ele tem se alimentado por meio de um tubo gástrico há quase um ano. De Locht o cumprimenta e pergunta se ele mudou de ideia. "Não há perigo (de mudança de ideia)", responde Michel com a voz rouca. Ele diz que depois de se consultar com o médico em Bruxelas pela primeira vez, sentiu como se tivesse retirado o peso que sentia nos ombros. "Isso me transformou. Eu pensei que finalmente havia uma saída." Sua dor é tão insuportável que ele passou a pensar em suicídio, mas não deu o passo final porque queria partir "com dignidade". Para sua mulher Isabelle, tem sido difícil aceitar isso e ela sente que seria melhor esperar. "No início ele me disse: 'Eu vou lutar até o fim, vou fazer todo o esforço para tentar melhorar'", diz Isabelle, mas ela reconhece que nenhum dos intensos tratamentos a que foi submetido funcionou. "Chegou o momento de ele acabar com a própria vida, porque já não é mais a sua vida", diz ela, com resignação. "Ele me disse: 'Eu me sinto como um cachorro amarrado'. É um pouco desumano." Michel estava satisfeito por ter deixado tudo em ordem para a família antes de partir. "Não é o câncer que me leva, sou eu quem decide." Às 10 horas da manhã de 23 de abril, depois de passar a noite acordado com a mulher e os filhos, ele morreu em paz. Foi um momento de recolhimento para o doutor De Locht. "A imagem da mulher e dos filhos dele chorando vai continuar comigo por uns dias. É algo que realmente me impacta agora."
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24/06 - Dopey: o podcast de ex-dependentes de heroína que atrai milhões de ouvintes
Abordagem mais franca da questão é apontada como diferencial do programa que, no auge do sucesso, perdeu um dos criadores - morto por overdose Chris e Dave (à direita) criaram o podcast Dopey tentando manter o anonimato Divulgação/BBC/Dopey Podcast Quando dois ex-dependentes de heroína começaram um podcast para compartilhar histórias alucinantes sobre drogas, eles não tinham ideia do sucesso - nem da tragédia - que esperava por eles. Dopey - que significa Drogado, em tradução livre - tem sido descrito como o podcast "que você não ia querer que seus pais ouvissem". O apresentador do programa está pronto para gravá-lo no apartamento do pai, em Lower East Side, Nova York. O programa semanal já foi gravado várias vezes na mesa da cozinha desde que foi lançado, em 2016. Dave - o filho, agora com pouco mais de 40 anos - não tem nada a esconder. Ele compartilha abertamente histórias do próprio passado como viciado em heroína com qualquer um que sintonize. Seu pai, um professor de ciências chamado Alan, é um fã improvável. Ele lê orgulhoso, todos os dias, as avaliações que o podcast recebe online. "Você deveria dar uma olhada nelas", diz. "Como é que elas são chamadas? Reviews do iPad? Reviews do iPhone?" Neste mês, o Dopey ultrapassou a marca de dois milhões de downloads. Cerca de 15 mil pessoas sintonizam cada episódio semanal. A audiência chegou inicialmente em buca de umas boas risadas e de histórias alucinantes, e acabou ficando por ali, formando uma rede de apoio informal dentro e fora dos Estados Unidos. Demanda por conteúdo Dave começou o programa com um grande amigo, Chris, que conheceu alguns anos antes na reabilitação. Os dois ficaram impressionados com a escassez de relatos mais precisos sobre o uso de drogas no mundo. "Era tudo ou super sentimental, ou apresentado de um jeito super denso para invocar simpatia ou tristeza", diz Dave. Ele passou a procurar programas de TV, filmes e livros com personagens viciados. "Eu queria obter informações sobre a experiência que eu estava vivendo para poder compará-las, ou entender. Como eles conseguiram sair dessa? Por que eles fizeram isso?" Então, quando Chris cogitou iniciar algum projeto criativo, Dave sugeriu um podcast com abordagem franca sobre drogas. Nenhum dos dois tinha certeza de que alguém ouviria suas divagações. Eles postergaram o primeiro episódio durante semanas, hesitando publicá-lo. Quando finalmente foi ao ar, porém, eles identificaram que havia pessoas se deparando com o podcast ao procurarem "podcast de heroína". Aparentemente, havia demanda por esse tipo de conteúdo e os ouvintes começaram a divulgá-lo. 'O objetivo deste podcast é focar nas histórias de guerra' - Chris, episódio um O primeiro episódio de Dopey foi gravado no apartamento de Dave. Ele e Chris não tinham nenhum equipamento especial. Eles apenas falaram no microfone interno de um laptop aberto, supondo que a experiência fosse acontecer só aquela vez. Dave estava sóbrio havia quatro meses. Chris já acumulava um ano e meio longe das drogas. O passado de Dave inclui 15 anos de dependência em heroína, enquanto Chris - que é 10 anos mais novo e ainda na infância, aos 11 anos, já bebia álcool - acabou tomando heroína e metadona na veia. Dave - o mais confiante da dupla - abria o programa. Ele interrompia e provocava o amigo, deliberadamente, em uma tentativa de demonstrar conexão e criar química. Chris se mostrava mais inseguro, preocupado com como sua voz soaria. Mas isso não foi empecilho. Ele encontrou um jeito para contar as histórias mais estranhas sem parecer que estava se vangloriando. No primeiro episódio, Chris contou tranquilamente que roubou fenobarbital - um medicamento para controlar convulsõs - de um veterinário, depois de tentar fingir que seu gato estava tendo convulsões. "Eles me disseram algo como... 'Por favor, preencha aqui essa papelada. Nós podemos ver o seu gato?' Obviamente, eu não tinha gato nenhum comigo." Ele também conta que uma vez fugiu da reabilitação e a polícia o pegou, mas o soltou na calçada em frente ao centro de tratamento. Então, ele escapou outra vez. "Isso é um trabalho policial amador", disse Dave. A dinâmica funcionou. Em pouco tempo, eles criaram bordões. Dave terminava cada episódio dizendo: "Fique firme, nação Dopey", enquanto Chris repetia "Toodles", um jeito informal de se despedir, no lugar de adeus, o que Dave odiava. "Por favor, pare de dizer 'toodles'" foi o que os ouvintes escutaram várias vezes no final do podcast, enquanto o som ia baixando. O público deles logo se estendeu para além dos EUA - para o Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Eles também estavam atraindo amigos e familiares de viciados. "E ainda tinha todos os 'voyeurs', que adoram ouvir histórias malucas de drogas (dos outros)", diz Dave. "Porque é ilegal, é perigoso, é um tabu... Histórias de drogas são sempre muito divertidas, na maior parte, até você chegar às consequências." Começaram a chegar cartas e e-mails de fãs estimulando os dois a continuarem. As pessoas enviavam trabalhos artísticos e músicas para eles. Alguns chegaram a tatuar o nome Dopey. Apesar do crescente sucesso, no entanto, Dave começou a temer que Chris estivesse perdendo o interesse. Ele estava estudando para um doutorado em psicologia e tinha vários estágios em andamento. Parecia que não tinha mais tempo ou entusiasmo para o programa. E então, um dia, Dave de repente se viu sozinho no microfone. 'A pior coisa que poderia acontecer, aconteceu. Chris teve uma recaída e morreu' - Dave, episódio 143 Estas foram as palavras que abriram o podcast em 28 de julho de 2018. Havia dois anos e meio que o Dopey tinha começado. Dave foi direto, como sempre, mas sua voz estava debilitada. A certa altura, ela ficou levemente fraca. Chris havia morrido na terça-feira e ele estava gravando apenas dois dias depois. Dave não tinha certeza se deveria ir adiante ou encerrar o programa por completo, mas achava que devia algum tipo de explicação aos ouvintes. Ele disse no podcast que não sabia que Chris tinha voltado a usar drogas escondido. A namorada de Chris, Annie, ficou desconfiada. Ela ligou para Dave na madrugada de terça-feira, perguntando se podia verificar como ele estava. Dave mandou uma mensagem para ele às 6h30. Chris respondeu às 6h31 da manhã: "Estou bem. Ainda vivo. Nada ótimo. Falo mais tarde". Às 10h30 da manhã, Dave recebeu uma ligação de Annie dizendo que havia encontrado ele morto. Chris havia tomado uma mistura de drogas e ficou com uma agulha enfiada no braço depois de injetar fentanil. Ele vinha comprando o produto na chamada dark web. Também tinha comprado urina "limpa" para trapacear em exames toxicológicos. Dave ficou atordoado quando ouviu a notícia. Pouco mais de um mês antes, um de seus melhores amigos, Todd, também havia morrido. Todd era a única exceção à regra do Dopey de que você não poderia aparecer no programa se estivesse usando drogas. Ele era um convidado quase regular. Overdose No final das contas, foi um pacote de heroína de 10 dólares, junto de uma quantidade letal de fentanil, que matou Todd, segundo Dave. O fentanil - a droga que está no centro da crise de opióides nos Estados Unidos - é um analgésico sintético, considerado entre 50 e 100 vezes mais forte que a morfina. Ele inundou o mercado de drogas, com grande parte chegando à internet a partir de fornecedores da China. Dave diz que, em um ano, cinco grandes figuras da comunidade Dopey morreram com o uso de fentanil. Eles também perderam um estagiário, Andrew; o cara que montou sua página no Facebook, Dave; e um ouvinte, Troy, um dos primeiros a escrever para eles. "Eu usei heroína durante 15 anos e não conhecia ninguém que morreu", diz Dave. "Essa é a minha experiência. Tenho certeza de que há outras pessoas que tiveram uma tonelada de amigos que morreram de overdose de heroína. Mas o fentanil ficou acessível e agora você tem mortes por todo lado." Seguindo em frente Faz quase um ano que Chris morreu e Dave nunca perdeu um programa. No começo, ele temia que os ouvintes não continuassem acompanhando. "Eles amavam Chris", diz ele. "Ele era gente boa demais. Eles gostavam mais dele do que de mim." Dave se lembra de ter recebido uma série de e-mails furiosos de um fã, que reclamava que o programa havia deixado de lado as brincadeiras sobre drogas que fazia de vez em quando. "E eu ficava tipo, 'escute cara, se dois dos seus melhores amigos morressem de overdose..." No entanto, esse tipo de reação negativa foi rara. A maioria do público encheu Dave de apoio. Mas ele sente que tem de continuar com o programa? É um dever para ele? "Não", enfatiza ele. "Eu faço o programa porque adoro fazer. Eu adoro tudo relacionado a ele." No entanto, a carga de trabalho ficou muito maior. Não só porque ele agora apresenta sozinho, mas também porque o público cresceu demais e ele quer manter o conteúdo interessante. O programa sempre teve convidados, mas recentemente incluiu nomes famosos, incluindo a atriz Jamie Lee Curtis e o ex-baterista do Guns N'Roses, Steven Adler. Dave trabalha diariamente, há 11 anos, como garçom em um dos mais famosos restaurantes judaicos de Nova York, o Katz's Delicatessen. Às 3h da tarde de um dia útil, o lugar está lotado. O estabelecimento de 131 anos é famoso por seus sanduíches enormes de pastrami. É também onde foi filmada uma cena famosa do filme Harry & Sally - Feitos um Para o Outro, de 1989 - onde a personagem da atriz Meg Ryan finge ter um orgasmo. Dave é mais do que um garçom aqui. Ele também faz as redes sociais do restaurante e administra o serviço de buffet externo. "Ei, Fanny! Fanny!" diz ele chamando uma colega que passa. "Há quanto tempo você me conhece? O que você acha do programa?" "Ele é meu filho judeu", me diz ela. Seu sotaque equatoriano incorporou o jeito de falar nova-iorquino. "O programa ajudou muito a ele, e eu acho que é muito útil para outras pessoas que tenham problemas parecidos. E finalmente, graças a Deus, ele parou [com as drogas]." O gerente do restaurante, Charles de La Cruz, é outro colega de longa data, que se lembra de quando Dave trabalhou no restaurante durante uma recaída. "Era uma estrada escura, era sombrio", diz ele. "Mas agora ele está usando suas experiências para ajudar outras pessoas. Eu acho incrível." Dave ressalta, repetidas vezes, que não faz o Dopey para ajudar as pessoas. Ele faz porque quer entreter. Mas o fato de ser entretenimento parece estar ajudando as pessoas. Uma das pessoas que dizem que o Dopey tem ajudado está em Londres, na Inglaterra. Ele prefere não revelar o nome verdadeiro. No Twitter, se apresenta como Secret Drug Addict (@scrtdrugaddict) e diz que entrou fundo no mundo das drogas quando trabalhou para a banda Oasis nos anos 90. "O que eu adoro ver de verdade é esse grupo de lunáticos se conectando através das redes sociais e se apoiando, rindo e se ajudando para enfrentar mais um dia sem usar drogas", diz ele. "Eu queria que já existisse algo assim para eu participar quando parei de usar drogas em 2007." 'A Nação Dopey é incrível' - pai de Dave, episódio 191 De volta ao apartamento de seu pai, Dave está desesperadamente tentando começar o episódio mais recente. Ele tem pouco tempo e precisa acelerar porque, junto com a parceira, Linda, precisa substituir a babá. Eles têm dois filhos juntos - o que é uma das razões pelas quais tenta manter algum grau de anonimato. O formato do programa evoluiu. O conceito, diz ele, é que, se houver um convidado na primeira parte, a segunda deve ser como "voltar para casa", como quando você é jovem e conta as histórias da noite anterior. O episódio daquela gravação tem um foco familiar, apresentando tanto seu pai quanto Linda. Alan é muito falante e parece confortável. Ele se lembra do pior momento que viveu: o dia em que teve de limpar o apartamento de Dave quando ele foi levado para a reabilitação. O filho havia rabiscado as palavras "me ajude" nas paredes. "Você se lembra de ter escrito isso?" pergunta Linda. Ela se envolveu com algumas drogas antes virar terapeuta, e parece em grande medida não se abalar, mas, com isso, também fica surpresa. "Não, isso é assustador", responde ele, antes de fazer uma transição rápida para uma história sobre o peixe de estimação que tinha na época. A comédia, disse ele antes, é sempre o outro lado das coisas muito trágicas. É impressionante quanto apoio Dave agora tem na vida. Seu pai, sua parceira, seus colegas. O Dopey alcança muita gente que não tem isso. "O Dopey não é uma cura", disse ele mais cedo. "Alguém me disse que eles (os ouvintes) pensam nele como um complemento dos 12 passos [o programa de reabilitação]. Eu vejo como um programa de entrevistas para viciados, para fazer companhia a eles e fazê-los se sentirem menos sozinhos." No ar, Alan diz que é um "milagre" que o filho tenha se livrado das drogas. "Ele é chato demais, mas eu amo ele", acrescenta. Então, depois de quase duas horas de conversa improvisada, o episódio 191 acaba. Dave se desconecta até o próximo. "Nação Dopey, fique firme. E toodles por Chris."
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24/06 - SUS poderá fazer cirurgia de pessoas que nascem com o sexo feminino e assumem identidade masculina
Sistema público não está autorizado a realizar a 'redesignação sexual' sem que o paciente entre com ação judicial. Procedimento só é realizado a partir dos 21 anos. Parada do orgulho LGBT+ em São Paulo, neste domingo (23) Nacho Doce/Reuters O Ministério da Saúde autorizou formalmente que o SUS realize procedimentos médicos, incluindo a cirurgia, relativos à chamada "redesignação sexual" feminina para homens trans - pessoas que nascem com vagina e reivindicam o reconhecimento social e legal como homens. De acordo com a portaria nº 1.370 publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira (24), esse tratamento foi incluído na tabela de procedimentos, medicamentos, órteses, próteses e materiais especiais. Os procedimentos só podem ser oferecidos por quem solicitou o atendimento por meio de ação judicial. O texto detalha que a redesignação sexual no sexo feminino consiste em "vaginectomia e metoidioplastia com vistas à transgenitalização feminino para masculino impostas por decisão judicial". Ela só pode ser realizada em caráter experimental. A vaginectomia é um procedimento cirúrgico que remove toda a vagina ou parte dela. Já a metoidioplastia é um procedimento que inclui tratamento hormonal para fazer com que o clitóris se aproxime ao tamanho e à forma de um pênis. Ainda não está autorizada no SUS a redesignação sexual sem que o paciente entre com ação judicial pedindo a mudança de sexo. Segundo a nova portaria, o paciente deve ter idade de 21 a 75 anos. O tratamento inclui a cirurgia e o acompanhamento clínico pré e pós-operatório. Formalização De acordo com a advogada Marina Zanatta Ganzarolli, presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual da seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a portaria é uma formalização de "uma luta bastante longa" dos transexuais. Especialista nos direitos LGBTQ+, ela detalha que o tratamento para assumir outro sexo pode incluir, também, a retirada das mamas ou a implantação de próteses mamárias. Embora esses procedimentos já venham sendo realizados, eles ainda dependem de ação judicial para homens trans - pessoas que nascem com o sexo feminino e assumem identidade masculina. "Procedimentos de redesignação são realizados pelo SUS desde 2008 e, por intermédio de ação judicial, já vínhamos requerendo isso como um direito de acesso à saúde. Não só a cirurgia, mas também o tratamento com hormônios", diz a advogada. As cirurgias de mulheres trans – pessoas que nascem com o sexo masculino e assumem identidade feminina – já são feitas há mais tempo e encontram mais facilidade de realização do que a dos homens trans. "A produção de dados para homens trans ainda é incipiente", afirma Ganzarolli. "Quando você depende de alteração judicial para alterar o nome, para conseguir uma cirurgia, para conseguir a hormonoterapia, você restringe isso àqueles que têm mais acesso a recursos jurídicos", diz. De acordo com a representante da OAB, o sistema de saúde ainda precisa se adaptar a diversos fatores que são problemáticos para o público LGBTQ+. "O homem trans que não fez a cirurgia continua tendo que passar por tratamento ginecológico. Mas se ele já mudou seu nome para o masculino, o sistema não o permite fazer um exame papanicolau por exemplo", afirma. Ela diz, ainda, que desde 1999 estão proibidos tratamentos ou terapias para cura da homossexualidade.
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24/06 - Um encontro com pais que não querem vacinar seus filhos
Na Itália, a questão da vacinação obrigatória se tornou um tema quente que mobiliza pais e políticos. Silvia Forasassi decidiu não vacinar o filho porque, aos três meses de idade, ele estava abaixo do peso BBC Cerca de 500 pessoas se reuniram na sala de conferência de um hotel de médio porte para ouvir um médico que já foi desmascarado falar. Ele sobe no palco sob fortes aplausos, fazendo reverência e acenando para o público como uma espécie de celebridade. O evento, realizado na periferia da cidade universitária de Pádua, na Itália, está lotado. E a plateia é variada – pessoas mais velhas e jovens casais se cumprimentam como amigos de longa data. Andrew Wakefield atuava como endocrinologista no Reino Unido em 1998, quando publicou um estudo fraudulento ligando à vacina SCR (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo. Desde então, seu trabalho foi desacreditado e desmentido por vários estudos - e ele perdeu o registro médico no Reino Unido. Mas ainda é capaz de atrair uma multidão. Especialmente na Itália, onde as vacinas se tornaram um grande problema nos últimos anos. Cerca de 8% dos italianos não acreditam que as vacinas sejam necessárias, de acordo com um relatório da instituição Wellcome Trust. Andrew Wakefield, o médico desmascarado após publicar estudo falso ligando a vacina SCR ao autismo BBC Tema quente Fomos até a Itália para tentar entender por que as pessoas estão optando por não vacinar os filhos mesmo que evidências científicas mostrem que as vacinas nunca foram tão seguras – ou eficazes. E também para descobrir por que um homem que foi desmascarado e desacreditado por um estudo científico falso parece estar "renascendo" por aqui. Durante as eleições na Itália no ano passado, as vacinas foram um tema quente. Em 2017, o país enfrentou um surto de sarampo e o governo promulgou uma lei para aumentar o número de vacinas infantis obrigatórias de quatro para dez. Os pais que levam crianças não vacinadas à escola têm de pagar multas de até 50 euros (cerca de R$ 216) por dia. É um das legislações mais rigorosas de vacina na Europa. Os partidos populistas, que venceram a eleição, fizeram uma campanha contra a lei - mas ainda não conseguiram revogá-la. E ela está sendo rigorosamente aplicada na cidade litorânea de Rimini, não muito longe de Pádua, onde nos encontramos com Silvia Forasassi. Dúvidas Em um apartamento com vista para o mar e a basílica de Rimini, quatro pessoas – duas mães e dois pais – se sentaram em um grande sofá vermelho, prontos para explicar por que não concordam com a lei. A BBC se encontrou um grupo de pais em Rimini que se opõe à lei de vacinação obrigatória da Itália BBC Silvia decidiu não vacinar o filho porque, aos três meses de idade, ele estava abaixo do peso. Ela estava preocupada, mas os médicos a aconselharam a seguir em frente e dar as primeiras vacinas. Quanto mais ela falava sobre suas dúvidas, recorda Silvia, mais insistentes eles eram – chegaram a dizer, inclusive, que ela estava sendo egoísta. Seis anos depois, seu filho ainda não foi vacinado. E não pode ir à creche porque ela não tem dinheiro para pagar a multa. Silvia nos mostra vídeos no YouTube com conteúdos que reforçam seus medos em relação às vacinas. E tem o cuidado de dizer que não se opõe necessariamente às vacinas, mas é contra a ideia de as crianças tomarem muitas ao mesmo tempo. Fatos alternativos Em uma poltrona roxa ao lado dela, Vincenzo Drosi concorda. "Não tiramos isso da bola de cristal de um feiticeiro." "É ciência", diz ele. Depois, ele me enviou por e-mail links de pseudo-cientistas que levantaram dúvidas sobre as vacinas – a maioria dos artigos não passou pela revisão de pares. Alienados pelas autoridades, esses pais se voltaram uns para os outros – e para a internet – mergulhando em uma série de "fatos alternativos", em grande parte errados cientificamente. Enquanto conversávamos, duas irmãs de Silvia se sentaram ao fundo cochichando de tempos em tempos com ela. Disseram que não queriam ser entrevistadas, e mais tarde descobrimos que estavam processando o prefeito de Rimini pelo cumprimento da lei de vacinação. Ameaças de morte O prefeito, Andrea Gnassi, se tornou um herói daqueles que apoiam as vacinas obrigatórias ao enfrentar pais como Silvia e suas irmãs. Nós nos encontramos na praça principal de Rimini, onde ele começa a falar sobre o renascimento cultural que planejou para a cidade. Em seguida, entramos no assunto das vacinas. O prefeito é duro com aqueles que se opõem ao plano de vacinação do governo. "O movimento antivacinas é uma espécie de seita", diz ele, "impulsionado por pessoas com fins lucrativos, como advogados". Ele recebe regularmente ameaças de morte nas redes sociais. Ao longo da entrevista, um fotógrafo está tirando fotos ao fundo. Logo depois, o prefeito manda as fotos para o jornal local - inadvertidamente, somos envolvidos em sua campanha de relações públicas, que promove sua batalha contra o movimento antivacinas. Combate às notícias falsas Andrea Gnassi falou sobre um muro que estava sendo erguido nas escolas entre filhos de pais antivacina e aqueles que são vacinados. Mas não pude deixar de pensar em outro muro que ele não mencionou, mas que estava construindo entre as autoridades e os pais que têm medos genuínos, embora infundados, sobre as vacinas. E isso ficou ainda mais evidente quando conhecemos Jenny Arduini, uma jovem mãe que trabalha na área de tecnologia. Ela era contra as vacinas até se deparar com um médico na internet que, ao contrário de outros especialistas, conseguiu sanar suas dúvidas. Em uma longa troca de mensagens no Facebook, o médico ajudou Jenny a deixar de lado o conteúdo antivacina, provando que estava incorreto. E ela está convencida disso agora. "Se os médicos estivessem preparados para explicar as coisas aos pais", diz Jenny, "esse problema de notícias falsas na internet não existiria". Tudo indica que, quando se quebra a confiança entre pais, médicos e autoridades, os fatos podem ser sempre desafiados por crenças.
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24/06 - O 'homem-árvore' pede para que suas mãos sejam amputadas
Embora os médicos de um hospital universitário de Daca já terem declarado Abul Bajandar curado, ele já foi submetido a mais de 20 cirurgias. Abul Bajandar tem 28 anos e sofre de epidermodisplasia verrucosa, uma condição genética muito rara Munir UZ ZAMAN / AFP O cidadão bengali conhecido como "o homem-árvore", por suas mãos e pés cheios de verrugas em forma de casca, anunciou nesta segunda-feira que quer que suas mãos sejam amputadas para aliviar sua dor insuportável. Abul Bajandar, 28 anos, sofre de epidermodisplasia verrucosa, uma doença genética muito rara. Seu caso ficou conhecido em todo o mundo durante sua primeira internação no hospital em Bangladesh em 2016. Os médicos de um hospital universitário de Daca o declararam curado. No entanto, ele sofreu várias recaídas e no total foi submetido a 25 cirurgias. Desde janeiro, se encontra novamente internado em um hospital na capital. "Eu não suporto mais a dor, não consigo dormir à noite, pedi aos médicos que cortem minhas mãos para pelo menos respirar", disse à AFP. O procedimento é apoiado por sua mãe, Amina Bibi. "Pelo menos ele será libertado da dor, é um inferno", declarou. Abul Bajandar também tem verrugas nos pés, mas estas são em menor número. Ele disse que pediu para ser tratado no exterior, mas não tem dinheiro para cobrir as despesas. Samanta Lal Sena, chefe do setor de cirurgia plástica do hospital em Daca, onde o paciente é tratado de graça, disse que uma comissão de sete médicos se reunirá para discutir o caso. "Ele deu sua opinião pessoal, mas vamos decidir a melhor solução para ele", explicou. A clínica também tratou em 2017 uma menina de Bangladesh que sofria da mesma doença. Embora suas excrescências tenham sido removidas, mais tarde elas reapareceram em maior número. Sua família acabou com o tratamento e a levou de volta para seu povoado.
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24/06 - Ministério da Agricultura aprova registro de mais 42 agrotóxicos, totalizando 211 no ano
Entre os produtos liberados, há um princípio ativo novo, à base de Florpirauxifen-benzil. É o primeiro inédito aprovado em 2019. Ministério da Agricultura diz que aumento de agrotóxicos liberados se deve à medidas de 'desburocratização' implementadas pelo governo Agência Brasil O Ministério da Agricultura aprovou o registro de 42 agrotóxicos, totalizando 211 neste ano. Os pesticidas são de fabricantes como Dow Agrosciences, Bayer e Syngenta, e aguardavam liberação há quatro anos, em média, de acordo com comunicado da pasta. As aprovações foram publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira (24) e incluem apenas um ingrediente ativo novo (o chamado produto técnico). Os demais são "genéricos" de substâncias e produtos já disponíveis no mercado, afirmou o ministério. Ritmo de liberação de agrotóxicos em 2019 é o maior já registrado Brasil usa 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano, mas quantidade pode ser reduzida, dizem especialistas A última lista de aprovações havia saído em 21 de maio, com 31 produtos. O que foi liberado A novidade entre as aprovações é o produto técnico Rinksor, da Dow, à base de Florpirauxifen-benzil. É o primeiro ingrediente ativo novo aprovado em 2019. Ele ainda não chegou ao mercado para o agricultor. Para isso, um produto formulado à base dessa substância ainda precisará ser aprovado. Segundo o Ministério da Agricultura, o ingrediente ativo "apresenta alta eficiência contra a infestação de diversas plantas daninhas". Da lista de registros, outros 29 são produtos técnicos equivalentes, ou seja, "genéricos" de princípios ativos já autorizados no país, para uso industrial, que serão usados para compor novas misturas. Outros 12 registros – 10 de origem química e dois de origem microbiológica – são produtos finais (os chamados produtos formulados) genéricos, já prontos para serem usados no controle de pragas. O ministério defende que a aprovação dos genéricos visa baratear o preço dos defensivos no país. "As aprovações de novos produtos técnicos equivalentes significam que novas fábricas estão autorizadas a fornecer ingredientes ativos para fabricação dos produtos formulados que já estão registrados, possibilitando um aumento na concorrência no fornecimento industrial destas substâncias", disse em nota o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio. Para ambientalistas e profissionais da saúde, a liberação de mais produtos, ainda que "cópias" de outros já existentes, pode aumentar os riscos para a população. 'Desburocratização' O Ministério da Agricultura diz que as aprovações ganharam velocidade nos registros após medidas para desburocratização implementadas nos últimos três anos, em especial na agência de vigilância sanitária, a Anvisa. Ainda segundo a pasta, nos últimos três anos, foram quebradas as patentes de ao menos 15 ingredientes ativos que antes eram vendidos apenas por uma empresa. As patentes já haviam expirado, mas as fabricantes continuavam comercializando os ingredientes ativos sozinhas porque não havia o registro dos genéricos. "Nos próximos meses, mais seis ingredientes ativos hoje comercializados por apenas uma empresa também devem ter genéricos registrados", acrescentou o ministério.
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24/06 - Fiocruz, no Rio, vai fabricar remédio usado no tratamento do HIV
Começo da produção inteiramente pública é previsto para agosto. Última autorização que falta é da Anvisa. Medicamento é fabricado atualmente em parceria com setor privado. Fiocruz vai fabricar remédio usado no tratamento do HIV O Duplivir, um medicamento usado para o tratamento do HIV, começará a ser totalmente fabricado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro. Esse processo deve baratear os gastos em 10% do governo federal com a compra do medicamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). O Duplivir será totalmente fabricado pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos, da Fiocruz, a partir de agosto. Atualmente ele é fabricado em uma parceria entre a Fiocruz e laboratórios privados. Ao longo de cinco anos, o Ministério da Saúde solicitou um total de 368 milhões de unidades do Duplivir que foram fabricadas em parceria com a iniciativa privada. O valor de mercado do remédio é de R$ 3 por unidade. A Fiocruz conseguiu baixar o preço para R$ 1,90 por causa dessa parceria. Isso representou uma economia de R$ 258 milhões aos cofres públicos. Para a produção completa da Fiocruz falta apenas uma autorização do procedimento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos primeiros quatro meses deste ano, a Fiocruz já conseguiu produzir 30 milhões de unidade. A expectativa é de que, até o fim do ano, sejam produzidas 75 milhões de unidades. “Esse projeto faz parte de uma política do Ministério da Saúde que chama Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), onde um laboratório privado transfere essa tecnologia de produção para um laboratório público”, explicou Alessandra Esteves, coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, da Fiocruz. Ela esclareceu que o país já possui um programa de combate à Aids mundialmente conhecido e que já domina a tecnologia de produção dos remédios para o tratamento da doença. “Além disso, a gente amplia o acesso à população, pois conseguimos reduzir os preços, estamos estimulando a indústria nacional, geração de renda, geração de empregos”, destacou Esteves.
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24/06 - Nasa anuncia duas novas missões para estudar o Sol
Objetivo é aprender mais sobre a influência do Sol no espaço ao seu redor e minimizar eventuais impactos negativos sobre a Terra. Mistura de duas imagens do Sol capturadas pelo observatório dinâmico da Nasa Divulgação/Nasa/SDO A agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) anunciou duas novas missões para estudar o Sol do nosso sistema solar. O objetivo é aumentar o conhecimento sobre ele e seus "efeitos dinâmicos no espaço" ao seu redor. Em nota divulgada na quinta-feira (20), a Nasa afirmou que uma das missões vai estudar como o Sol exerce influência sobre partículas e energia no sistema solar. A outra pesquisa vai estudar a reação da Terra. "O Sol gera uma vasta efusão de partículas solares conhecidas como vento solar, o que pode criar um sistema dinâmico de radiação no espaço chamado de 'clima espacial'", explcia a agência americana. O vento solar é, justamente, esse fluxo constante de partículas que saem do Sol. E o clima espacial é formado pelas condições variáveis no "ambiente espacial", que podem ter impacto nas atividades aqui na Terra. Nasa abrirá Estação Espacial Internacional para turistas a partir de 2020 Novo selo comemorativo pelo aniversário da chegada à Lua "Perto da Terra, onde essas partículas interagem com o campo magnético do nosso planeta, o sistema do clima espacial pode levar a impactos profundos em questões de interesse humano, como a segurança dos astronautas, as comunicações de rádio, os sinais de GPS, e redes de distribuição elétrica", acrescenta. Simulação mostra um fluxo constante de material saindo do Sol Divulgação/Nasa Segundo a Nasa, é preciso melhorar os conhecimentos sobre o "clima espacial" e sua interação com a Terra e a Lua para poder minimizar seus eventuais efeitos negativos. A eficácia do programa espacial Ártemis, por exemplo, que pretende enviar uma missão tripulada à Lua, depende desse tipo de descoberta. Nasa estima que próxima missão tripulada na Lua custará US$ 30 bi A primeira missão das duas anunciadas, chamada "Polarimeter to Unify the Corona and Heliosphere" (PUNCH), vai se concentrar na atmosfera que está ao redor do Sol, a "corona", e estudar a forma como produz o vento solar. Ela vai analisar as emissões que saem da massa solar, como erupções que podem ter algum impacto na Terra. A segunda missão é a "Tandem Reconnection and Cusp Electrodynamics Reconnaissance Satellites" (TRACERS). Associada à PUNCH, essa missão vai observar as partículas e campos na região Norte da Terra, mais especificamente a área que está ao redor do Polo Norte, onde o campo magnético do nosso planeta faz uma curva. "Essas duas missões farão ciência de grande escala, mas também são especiais porque virão em pequenos pacotes. Isso quer dizer que podemos lançá-las juntas e obter mais pesquisa pelo preço de um único lançamento", disse o administrador-associado da diretoria de missões da Nasa, Thomas Zurbuchen.
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24/06 - 'Mapa das bebidas' revela: leite é coisa de nórdico e refrigerante, de latino-americano
Pesquisa mostra que brasileiro tem níveis benéficos de consumo de suco de frutas e de bebidas com adição de açúcar. Em média, o brasileiro toma 116,8 mililitros de bebidas com adição de açúcar por dia Pixabay O brasileiro toma 127 mililitros de leite por dia. Muito menos do que o finlandês, com uma média de 374,4, ou mesmo o esloveno, com 220,4 mililitros por dia. Mas muito mais do que o chinês, com apenas 17,3 mililitros diários. No Brasil, o consumo per capita de sucos é de 70,9 mililitros por dia. Quase 13 vezes mais do que consume um vietnamita, bem mais do que a média francesa, de 50,4 mililitros, e pouco mais do que a argentina, de 67 mililitros. Mas ainda bem abaixo do consumo de um alemão (149 mililitros) e de um australiano (124,5). Em média, o brasileiro toma 116,8 mililitros de bebidas com adição de açúcar por dia, como sucos artificiais e refrigerantes. Cuba, Venezuela, Haiti e México têm índices impressionantemente altos - respectivamente 592,7 mililitros, 461,8 mililitros, 385,2 e 368,2. Nos Estados Unidos, são 273,8 mililitros por dia. Mas há países com muito menos do que o Brasil, como a França, com média de 74,3 mililitros e o Irã, com 44,8 mililitros. Esses são alguns dados de um estudo apresentado neste mês no congresso Nutrition 2019, promovido pela Sociedade Americana para Nutrição e realizado em Baltimore, nos Estados Unidos. Os dados foram reunidos pela pesquisadora Laura Lara-Castor, da Universidade Tufts, a partir de um estudo realizado com diferentes grupos demográficos em 185 países - parte do projeto Global Dietary Database (GDD) financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates. "Esses dados podem ajudar a informar as transições de nutrição ao longo do tempo, os impactos dessas bebidas na saúde global e mesmo formular políticas dietéticas para melhorar a dieta e a saúde", afirma a pesquisadora. Os dados são de pesquisa realizada pelo projeto GDD com informações coletadas ao redor do mundo em 2010. Em entrevista à BBC News Brasil, Lara-Castor enfatizou que "o consumo de bebidas é componente chave da dieta em todas as populações do mundo". "As diferenças de consumo entre os países podem ser devidas a vários fatores geográficos e sociodemográficos, incluindo crenças culturais, tradições, residência, educação, status socioeconômico, sexo e disponibilidade das bebidas", esclarece. Esse contexto explica boa parte das disparidades entre os países. Em geral, países subdesenvolvidos tendem a ter maior consumo de refrigerantes e alimentos com adição de açúcar. Já países mais desenvolvidos acabam tendo destaque no consumo de leite. Especificidades culturais também precisam ser ressaltadas. Saltam aos olhos os dados da China, por exemplo, onde tanto o consumo de leite, quanto de refrigerante e de sucos são extremamente baixos. No caso, a explicação está na predileção pelo chá - que não foi contemplado pelo levantamento. Especificidades e recordistas De modo geral, a pesquisa demonstrou que a ingestão de bebidas açucaradas e suco de frutas é mais alta na América Latina. "Trata-se de região onde tanto bebidas comerciais quanto bebidas caseiras adoçadas são amplamente consumidas", afirma. Por outro lado, o consumo de leite foi maior em países de alta renda, como os nórdicos Suécia, Islândia e Finlândia. "São também locais onde a pecuária leiteira é muito difundida, e o consumo de lácteos tem sido tradicionalmente parte importante da dieta", diz a pesquisadora. Lara-Castor integra um grupo de cientistas que estão trabalhando na compilação dos dados de 2015 da pesquisa - que ainda não foram divulgados publicamente e, conforme ela ressalta, dependem de revisões antes de serem tomados como completamente verossímeis. A pedido da reportagem, entretanto, a equipe repassou algumas informações do levantamento ainda inédito. Na nova edição do levantamento, o México é o líder mundial no consumo de bebidas com adição de açúcar, com uma média de 561,8 mililitros ingeridos por dia per capita. Na sequência, aparecem Suriname e Jamaica, com 443,5 mililitros diários. Os países com menor consumo desse tipo de bebida são China, Indonésia e Burkina Faso, conforme antecipou a pesquisadora, ainda sem condições de repassar os dados - em processo de finalização. Vaca Montbéliarde Globo Repórter A Colômbia destaca-se no consumo de sucos de frutas (325,2 mililitros por pessoa por dia), seguido pela República Dominicana (295,7 mililitros). Também ainda sem disponibilizar os dados, a equipe afirmou que os países com consumo mais baixo de sucos são China, Portugal e Japão. "Consideramos apenas o suco de fruta 100%, ou seja, excluindo suco de frutas adoçado, por exemplo", ressalta a pesquisadora. A Suécia lidera no consumo de leite (295,7 mililitros diários por pessoa), seguidos por Islândia e Finlândia (266,1 mililitros). China, Togo e Sudão estão entre os países com menor consumo de leite do mundo. "Esta definição exclui iogurte, leite fermentado e soja ou leite derivado de plantas (por exemplo, leite de coco, de amêndoa ou de aveia)", explica a pesquisadora. Os dados são de pesquisa realizada em 2015 a partir de um cruzamento de mais de 1.100 levantamentos do tipo em todo o mundo. Lara-Castor ressalta que se tratam de dados preliminares, já que o modelo ainda vai ser validado e as estimativas podem sofrer variações. "Esses dados destacam variações substanciais na ingestão de bebidas em todo o mundo, ressaltando as lacunas na vigilância da dieta global", afirma Lara-Castor. "Podemos compreender os impactos dessas bebidas na saúde global e aprimorar políticas nutricionais direcionadas para melhorar a dieta e a saúde."
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24/06 - Brasil registra quase 600 mil casos confirmados de dengue em 2019
Além disso, são 366 mortes causadas pela doença até 10 de junho, mais do que o dobro do mesmo período de 2018. Dados são do Ministério da Saúde. Número de mortes pela dengue no Brasil mais que dobra em relação a 2018 O Ministério da Saúde confirmou 596,38 mil casos de dengue neste ano, até o dia 10 de junho. O número de casos prováveis da doença, ou seja, ainda não confirmados, é ainda maior: 1,127 milhão. Em relação a 2018, houve um salto nos casos de dengue no país. No mesmo período do ano passado, eram 173,63 mil casos prováveis. Também o número de mortes por dengue neste ano é mais do que o dobro de 2018. Até aqui, foram registradas 366 mortes, ante 139 no mesmo período do ano passado. "Observa-se aumento da taxa de letalidade no grupo de faixa etária acima de 60 anos, o que corresponde a 51,3 % (188) do total de óbitos do país", diz o ministério, no boletim epidemiológico da Semana 23. O aumento de casos da dengue tem sido especialmente visível nos estados de Minas Gerais e São Paulo nas últimas semanas. Da Semana 13 até a 23, esses dois estados corresponderam, juntos, a 96,5% do total de casos observados no Brasil (774,28 mil) dentro do período. Mayaro, dengue, zika e chikungunya: veja semelhanças e diferenças Chikungunya e zika Em 2019, até 10 de junho foram registrados 65,83 mil casos prováveis de chikungunya no país. Além disso, houve 15 mortes (1 na Bahia, 13 no Rio de Janeiro e 1 no Distrito Federal). No mesmo período, foram 6,53 mil casos prováveis de zika registrados pelo ministério, ante 5,09 mil casos no mesmo intervalo de 2018. Não há mortes confirmadas por zika. Entre as gestantes, houve 1,68 mil casos prováveis, dos quais 299 foram confirmados: 39,4 % (118) dos casos confirmados foram registrados no Rio de Janeiro, seguido do Espírito Santo com 16,7 % (50), Minas Gerais com 8,3 % (25), Alagoas com 6,3% (19), Mato Grosso do Sul com 4,0% (12), Paraíba com 3,6% (11) e Mato Grosso com 3,3% (10). Mais de 6 bilhões de pessoas correrão risco de ter dengue em 2080 A espécie invasora mais famosa do Brasil: o Aedes aegypti Veja a diferença entre as doenças dengue, zika, chikungunya e mayaro
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24/06 - Um em cada cinco motoristas no Brasil admite uso do celular ao dirigir, diz pesquisa
Mais de 52 mil pessoas foram entrevistadas para levantamento do Ministério da Saúde. Total de multas entre janeiro e março aumentou 24% na comparação de 2019 com o mesmo período do ano passado. Um em cada cinco motoristas admite dirigir com uma mão no volante e a outra no celular Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde aponta que um em cada cinco brasileiros admite usar o celular enquanto dirige. O levantamento ouviu mais de 52 mil pessoas entre fevereiro e dezembro de 2018. Até 2016, dirigir usando o celular era uma infração média, mas a quantidade de acidentes levou à alteração do Código de Trânsito Brasileiro e agora a infração é gravíssima. O descumprimento da norma representa perda de sete pontos na carteira e multa de R$ 293,47. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), usar celular enquanto dirige aumenta em 400% o risco de acidentes. Digitar mensagem reduz muito o tempo de reação. As multas por usar celular ao volante, no entanto, seguem aumentando. De janeiro a março deste ano, foram 372,3 mil multas em todo o Brasil. O crescimento foi de 24% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 300.087 multas. Os dados são do Denatran. Em Brasília, as equipes de fiscalização usam câmeras fixas e até equipes com carros descaracterizados pra multar os infratores. O uso de celular ao volante foi a causa de quase a metade do acidentes nas estradas do Distrito Federal no ano passado. No Rio, as multas no primeiro trimestre passaram de 16 mil em 2018 para 20,1 mil neste ano. O presidente do Detran, Luiz Carlos das Neves, diz que o problema não é a fiscalização, mas a falta de conscientização. “Você pode aumentar a multa, mas o que falta realmente é conscientização, é ter civilidade. É a pessoa saber pensar no outro, conduzir um veículo com segurança e responsabilidade. É isso que tá faltando”, declarou Neves. Álcool e velocidade Além dos celulares, dados sobre multas envolvendo o uso de álcool e o excesso de velocidade também foram divulgados pelo Ministério da Saúde. Da população entrevistada, 11,4% (ou 5.973 pessoas) disse já ter recebido multas de trânsito por trafegarem acima da velocidade permitida. Destes, a maior concentração ficou para o Distrito Federal, com 15,6%. Na combinação de direção e álcool, 5,3% dos entrevistados (ou 2.776) assumiram já ter conduzido veículos motorizados após o consumo de qualquer quantidade de álcool. A maior incidência foi entre os homens, com 9,3%, contra as mulheres, 2%. A capital do Tocantins, Palmas, teve a maior proporção, com 14,2%. O Recife, em contrapartida, teve o menor índice: 2,2%.
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23/06 - O que acontece quando a comida some das prateleiras
Nossa sociedade moderna depende de cadeias de distribuição alimentar complexas e modernas. O que aconteceria se elas desmoronassem repentinamente? Área de açougue de um supermercado em Caracas é vista nesta quarta-feira (10) com prateleiras vazias, símbolo da escassez de alimentos na Venezuela Marco Bello/Reuters Aconteceu quase da noite para o dia. Rešad Trbonja era um adolescente comum que crescia em uma cidade próspera e moderna, que poucos anos antes abrigara as Olimpíadas de Inverno. Então, em 5 de abril de 1992, o lugar que ele chamava de casa foi repentinamente desconectado do mundo exterior. O que ele – e outras quase 400 mil pessoas presas dentro de Sarajevo pelo Exército Sérvio-Bósnio – não podiam imaginar é que esse só seria o começo de um pesadelo que duraria quase quatro anos. No cerco a Sarajevo, quem ficou confinado dentro da cidade viu seu cotidiano mudar com a presença de tanques e snipers. O simples ato de atravessar a rua ou fazer fila para o pão se tornaria uma experiência de vida ou morte; os soldados posicionados nas colinas ao redor da cidade faziam disparos contra população local. Mas enquanto balas e bombas eram uma ameaça constante, Trbonja e seus vizinhos enfrentaram outro inimigo muito mais silencioso: a fome. "A comida começou a se esgotar quase imediatamente", lembra Trbonja, que tinha 19 anos na época e agora ensina crianças sobre a guerra na Bósnia. "O pouco de comida nas lojas acabou muito rápido e muitas delas foram saqueadas. Uma dispensa e uma geladeira em casa não são suficientes quando você tem que alimentar uma família inteira, então não demorou muito para que tudo acabasse." Quando o cerco terminou em janeiro de 1996, mais de 11,5 mil pessoas em Sarajevo haviam morrido. Muitas por causa de estilhaços, explosivos ou disparos. Mas, sem dúvida, algumas de frio (gás e eletricidade foram cortados) e fome. Mas Trbonja lembra que, apesar de todo o sofrimento, o povo de Sarajevo resistiu. "As pessoas que viviam nos subúrbios compartilhavam legumes e verduras que cultivavam nos quintais de casa", diz. "Vizinhos trocavam sementes para plantar em caixas de flores de suas varandas. O sabor daqueles tomates cultivados em sua própria varanda é inesquecível." Enquanto a comunidade internacional hesitava sobre como intervir no conflito, as tropas canadenses – atuando como parte de uma força de paz das Nações Unidas - conseguiram reabrir o aeroporto de Sarajevo. Foi um passo crucial. Durante o cerco, mais de 12 mil voos de ajuda humanitária da ONU levaram à cidade 160 mil toneladas de alimentos, remédios e outros produtos. "Sem a ajuda humanitária, Sarajevo não existiria mais", diz Trbonja. "Noventa por cento da população vivia de alimentos distribuídos pela ONU. Aqueles que eram extremamente ricos podiam trocar joias, quadros, qualquer objeto de valor por comida extra no mercado negro. Já os que não tinham posses precisavam encontrar outras maneiras para comer. Trbonja, que como muitos jovens de Sarajevo pegou em armas em uma tentativa desesperada de defender sua família e sua casa, doava sangue no hospital da cidade quando voltava para casa depois de lutar. Em troca, recebia uma lata de carne. "Também tivemos que encontrar outras formas", diz ele. "Pesquisávamos nos livros para descobrir quais plantas eram comestíveis para podermos fazer saladas com flores. Houve dias em que só tínhamos uma fatia de pão e chá e outros nada. Estávamos realmente lutando por nossa sobrevivência a cada dia". Conversando com Trbonja, é difícil acreditar que isso tenha ocorrido no coração da Europa há menos de 30 anos. Mas relatos como os dele também não fazem parte da história oficial. Graças aos conflitos, incertezas políticas e seca, o mundo está atualmente passando por sua pior crise de fome desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Sistema de Alerta Antecipado de Fome (FEWS Net, na sigla em inglês), uma organização dos EUA que prevê emergências humanitárias, 85 milhões de pessoas precisarão de assistência alimentar de emergência em 2019 em 46 países – o equivalente às populações do Reino Unido, Grécia e Portugal somadas. Estima-se que hoje 124 milhões de pessoas enfrentem crises alimentares, de acordo com o Programa Alimentar Mundial da ONU. O número de pessoas em risco de fome aumentou 80% desde 2015, com o Sudão do Sul, o Iêmen, o noroeste da Nigéria e o Afeganistão entre os mais atingidos. Mas, enquanto imagens de crianças famintas durante a crise etíope da década de 1980 permanecem gravadas no imaginário popular, as "fomes modernas" estão passando quase despercebidas. Parte da razão é que o mundo parece ter se convencido de que não existe mais fome. É verdade que as taxas mundiais diminuíram. De acordo com Alex de Waal, diretor-executivo da Fundação da Paz Mundial da Universidade Tufts, em Boston, no Estado americano de Massachusetts, 1 milhão de pessoas morreram de fome por ano nos 100 anos que antecederam a década de 1980. "Desde então, a taxa de mortalidade caiu para 5%, 10% disso", diz de Waal. "Não tínhamos mais sociedades inteiras morrendo de fome. O crescimento dos mercados globais, melhor infra-estrutura e sistemas humanitários quase acabou com a fome. Até os últimos anos, foi assim." Podemos encontrar as nossas prateleiras de supermercados empilhadas com produtos de todo o mundo, mesmo de países vizinhos que sofrem de fome Guerra e má gestão A fome está ressurgindo como uma ameaça. O motivo? Guerra – e má gestão. "É difícil seres humanos passarem realmente fome, pois somos tremendamente resilientes", diz Waal. "Você precisa de um governo realmente ruim que busque ativamente o tipo de política que priva as pessoas daquilo que precisam e degradam o meio ambiente. É isso que explica as fomes que estamos vendo em lugares como a Síria, o Sudão do Sul e o Iêmen." Trata-se de uma das ironias do nosso mundo moderno. Graças às cadeias globais alimentares e ao comércio internacional, podemos transportar produtos pelos oceanos em apenas alguns dias. Podemos encontrar nossas prateleiras de supermercado repletas de mercadorias de todo o mundo. Mas mesmo nas nações desenvolvidas, a perspectiva de escassez de alimentos talvez não seja tão distante quanto gostaríamos de acreditar. As cadeias alimentares internacionais que fornecem nossos produtos prediletos são precariamente equilibradas. E não é preciso uma catástrofe como guerra ou seca para isso acontecer. Na Venezuela, país com ricas reservas de petróleo, uma crise política impulsionada pela disparada da inflação levou à escassez de alimentos e medicamentos, forçando famílias a viverem de carne podre. Mais de 3 milhões de venezuelanos já deixaram o país. Outro país a enfrentar a escassez de alimentos foi a Grécia, durante a crise da zona do euro. Enquanto isso, a doença, o mau tempo e o aumento dos preços vem fazendo desaparecer uma série de culturas agrícolas. Há cerca de dez anos, o aumento do preço do arroz espalhou pânico nas Filipinas e em outros países asiáticos, causando uma crise de abastecimento deste alimento básico. Em 2017, o mau tempo na Europa provocou o aumento do preço de muitos legumes e verduras. Além disso, houve também uma escassez mundial de abacates quando vários países foram atingidos por safras ruins. Os protestos contra o aumento dos combustíveis que ocorreram no Reino Unido em 2000, quando agricultores e transportadoras bloquearam as refinarias de petróleo e depósitos, levaram os supermercados a racionar os alimentos enquanto não recebiam seus pedidos. Assim, puderam reabastecer suas prateleiras. Até mesmo o aumento do estoque de alimentos por escolas, asilos, hospitais e pessimistas por causa do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, mostram o efeito que uma mera boataria pode ter. É importante esclarecer que a escassez de alimentos não leva à fome e que a maioria das crises de fome no mundo não é causada pela escassez de alimentos - e sim pela falta de acesso à comida. Somente quando a carência alimentar severa se transforma em uma experiência de massa que chamamos realmente de fome. Nos EUA, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, quase 12% das famílias não tem acesso adequado a comida por questões financeiras ou outros recursos. Chinês é eleito novo diretor-geral da FAO Mas a insegurança alimentar é mais comum do que muitos de nós pensamos. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima haver quase 821 milhões de pessoas subnutridas no mundo. Nos EUA, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, quase 12% dos domicílios são classificados como inseguros do ponto de vista alimentar e cerca de 6,5 milhões de crianças não têm acesso a uma alimentação adequada. Dores da fome O que a fome faz com você? Devido a questões éticas envolvendo experimentos, os cientistas têm que se basear nas experiências e relatos daqueles que sobreviveram a períodos de fome. "A curto prazo, há perda de peso à medida que você metaboliza a gordura extra e os tecidos musculares", diz Bradley Elliott, fisiologista da Universidade de Westminster, no Reino Unido, que estudou o efeito da fome em um homem que passou 50 dias sem comida. O corpo humano é capaz de lidar com níveis surpreendentes de perda de peso: quando o corpo perde 20% do seu peso, consome 50% menos energia. A temperatura corporal cai, enquanto a letargia e a apatia tomam conta. Ao mesmo tempo, o corpo tenta conservar a pouca energia que tem. Eventualmente, no entanto, os próprios órgãos começam a desperdiçar energia, todos com exceção do cérebro, que parece se adaptar para se proteger da fome. "Problemas no fígado e nos rins também parecem ocorrer", diz Elliot. "A regulação da pressão arterial também fica prejudicada, o que significa que as pessoas podem desmaiar mais facilmente". À medida que vitaminas e minerais começam a faltar, aparecem doenças como o escorbuto e a pelagra. As crianças tendem a ser mais vulneráveis do que os adultos, mostrando rapidamente os sinais de enfraquecimento e sucumbindo a doenças infecciosas, segundo a Rita Bhatia, do Programa Alimentar Mundial, que analisou a severa escassez de alimentos na Coreia do Norte nos anos 90. A sobrevivência sem comida depende do peso corporal de uma pessoa, das suas reservas calóricas em gordura e de outros problemas de saúde dos quais ela pode estar sofrendo. As mulheres tendem a ser mais resistentes do que os homens. Mas, em geral, a maioria das pessoas morrerá se o seu peso corporal cair para metade do índice de massa corporal normal – o que geralmente ocorre após 45-61 dias sem comida. Para aqueles que sobrevivem, podem haver sequelas permanentes. A fome a longo prazo pode afetar a altura das pessoas, levando ao nanismo em populações que enfrentaram fome e graves carências alimentares. Aqueles que tinham entre um e três anos no início da Grande Fome na China, onde cerca de 30 milhões de pessoas morreram entre 1959-1961, se tornaram adultos em média 2,1cm mais baixos do que aqueles que não cresceram durante a fome. Eles também tinham braços mais finos, eram 4,4% mais leves e, em média, atingiram níveis educacionais mais baixos. Os abortos entre as mulheres grávidas também aumentaram. Bebês que sobreviveram à fome na Etiópia em meados da década de 1980 tiveram maior probabilidade de sofrer doenças na vida adulta, enquanto outros estudos mostraram que uma longa lista de problemas de saúde, como pressão alta, diabetes e doenças cardíacas são mais comuns em crianças que crescem em períodos de fome. Mas o impacto da fome vai além da saúde física. Durante a Grande fome chinesa, o rendimento do trabalho caiu 25%, afetando drasticamente a produção econômica do país. As crianças que sobreviveram à fome etíope ganharam de 3% a 8% menos por ano ao longo de sua vida do que seus contemporâneos. Embora esses estudos possam fornecer algumas pistas, não conseguem transmitir a agonia do que é realmente passar fome. Oonagh Walsh, professora de estudos de gênero na Glasgow Caledonian University, no Reino Unido, descobriu que o número de pessoas internadas em asilos psiquiátricos disparou durante e imediatamente após a fome irlandesa entre 1845-1851. "Houve um enorme aumento nas internações em asilos de uma população que foi efetivamente reduzida pela metade durante esse período", diz ela. "Alguns deles talvez fossem pessoas que procuravam uma refeição decente e sabiam que iam encontrá-la em um asilo. Mas também houve uma mudança na maneira como as pessoas pensavam". "As pessoas rapidamente se tornaram muito fatalistas. A fome foi pior na costa oeste, onde eles têm acesso ao mar e aos peixes. O que não faz nenhum sentido até que você percebe que as pessoas venderam tudo o que tinham, incluindo suas redes e barcos. A população faminta passou a comer pássaros, grama, ervas daninhas e palha para sobreviver". Mecanismos de enfrentamento Situação semelhante aconteceu durante a fome holandesa durante a Segunda Guerra Mundial. Entre o inverno e início da primavera de 1944-1945, a população faminta começou a se alimentar de plantas e cogumelos na tentativa de sobreviver. "Na Holanda, um país relativamente rico e densamente povoado, com pouca vegetação natural, o forrageamento (busca e exploração de recursos alimentares) já não era uma prática comum quando a 2ª Guerra Mundial começou", diz Tinde van Andel, professor de história da botânica na Universidade de Leiden, na Holanda. As pessoas recorreram a antigos livros de receitas sobre a preparação de plantas silvestres e a parentes idosos para aprender a coletar e cozinhar alimentos que eram seguros para alimentação. Eles consumiram beterraba, bulbos de tulipa, cascas de batata, urtigas e fungos selvagens. "Grupos urbanos começaram a fazer excursões para o interior", diz van Andel. "Qualquer um que pudesse ter acesso a um pedaço de terra transformou-o em uma horta. As pessoas criavam coelhos nos pátios da cidade. Também roubaram forragem de fazendas ou resíduos agrícolas ". Muitos dos famosos parques reais de Londres foram loteados e transformados em jardins durante os dois conflitos, enquanto as pessoas tentavam se alimentar. Se hoje a rúcula é um ingrediente glamuroso em qualquer salada, seu uso teve origem durante a 2ª Guerra Mundial, quando os italianos passaram a buscar comida no interior do país. Mais recentemente, a ameaça de escassez de alimentos fez explodir o número de pessoas que buscam cursos para aprender sobre agricultura. Segundo Alex de Waal, as populações rurais tendem a sobreviver melhor à fome do que as das áreas urbanas. "Nas áreas tradicionais propensas à fome, as pessoas têm suas próprias fazendas e suas próprias formas de sobrevivência", diz. "Elas guardam também conhecimento. Na África, as avós saberão sobre alimentos, frutas e nozes que podem obter da floresta. Essas pessoas tendem a se sair muito melhor". Para Rešad Trbonja, a memória daquele pesadelo de 47 meses vividos em 1992 nunca vai desaparecer. Mas em meio ao horror e à miséria por que passou, ele diz acreditar que sua cidade sobreviveu à guerra e à escassez de alimentos ao alimentar-se de maneira diferente. "Toda Sarajevo tornou-se uma enorme família", lembra ele. "Fomos muito gentis uns com os outros, compartilhando tudo. Nunca tinha visto isso. Tenho muito privilégio de que, em um momento de desespero e miséria, vi minha cidade mais bonita do que nunca".
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23/06 - Como identificar os alimentos que parecem saudáveis, mas não são
Produtos que parecem 'nutritivos' podem pertencer a categoria alimentar perigosa. É o caso de barras de cereais, sucos prontos e peito de peru, por exemplo. Nem tudo é o que parece ser. Essa máxima vale para muitas coisas, inclusive para a alimentação, já que diversos produtos que parecem ser saudáveis nem sempre o são. Alguns exemplos clássicos são barras de cereal, cereais matinais, sucos prontos, pães de forma, mesmo os integrais, iogurtes (com exceção dos naturais), gelatina e peito de peru. Pão de forma faz parte da categoria de alimentos ultraprocesados CDC/ Debora Cartagena Presentes em vários cardápios, esses e tantos outros itens com "cara de nutritivos", na verdade, entram em uma categoria alimentar um tanto perigosa, a dos ultraprocessados, que, inclusive, nem existia até pouco tempo. Ela só passou a ser efetivamente considerada em 2014, com a publicação da segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, e a adoção do sistema de classificação alimentar NOVA, elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Universidade de São Paulo (USP). Este sistema agrupa os alimentos em quatro categorias, definidas de acordo com a extensão e o propósito do processamento industrial utilizado na sua produção. São elas: in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários, processados e ultra processados. Antes disso, explica Maria Laura Louzada, pesquisadora do Nupens e professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os alimentos eram divididos segundo seu perfil de nutrientes (proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais). A especialista conta que foi em 2009 que surgiu a proposta do agrupamento conforme o processamento industrial. "Isso se deu após analisarmos os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde a década de 1970, para avaliar o consumo domiciliar da população", diz. O que a entidade observou foi que a cada ano, as famílias brasileiras estavam comprando menos açúcar refinado, sal e óleo, mas, que, apesar disso, a composição nutricional do que era colocado no prato apontava aumento na quantidade destes elementos, considerados, até então, os grandes vilões da saúde e os responsáveis pelo aumento da obesidade e das doenças crônico-degenerativas, como infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial. "Foi a partir disso que percebemos que o problema não era exatamente o açúcar, o sal e a gordura, mas sim o que estava sendo ingerido", pontua Maria Laura. "Constatamos que as pessoas estavam parando de preparar alimentos in natura e minimante processados e comprando mais os prontos para consumo", acrescenta. A grande questão, ela pontua, é que esses produtos, em especial os ultraprocessados, contêm mais calorias e mais sal, açúcar e gordura, além de uma série de aditivos alimentares (reguladores de acidez, estabilizantes, espessantes, antioxidantes, realçadores de sabor, aromatizantes, corantes, conservantes, emulsificantes e fermentos químicos são alguns deles), que favorecem o consumo exagerado e provocam efeitos negativos no corpo e na saúde. Paula Johns, diretora executiva da organização ACT Promoção da Saúde, comenta que, no caso exclusivo dos ultraprocessados, o conjunto de evidências em relação aos seus malefícios já é bem robusto. "Esses alimentos, que, aliás, nem deveriam ser chamados de alimentos, mas sim de produtos comestíveis ultraprocessados, não contém nenhum nutriente, não saciam e ainda nos fazem querer comer cada vez mais", afirma. Classificação dos alimentos Os alimentos considerados in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas (frutas, legumes, verduras, raízes e tubérculos) ou animais (ovos) e adquiridos para o consumo sem que tenham sofrido alterações após deixarem a natureza. Já os minimamente processados são os in natura submetidos a pequenos processos, como limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, refrigeração, secagem, embalagem, pasteurização, congelamento, moagem e fermentação, mas sem que sejam adicionados sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias. Entram na lista grãos e cereais (arroz, feijão, milho, grão de bico, lentilha, trigo e aveia são alguns), oleoginosas (castanhas e nozes, por exemplo), leite, massas, farinhas, carne, ervas, chá e café. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, esses alimentos "são a base para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável". Ingredientes culinários Nesta categoria estão inclusos óleos vegetais, gorduras, sal e açúcar, extraídos de alimentos in natura ou da natureza por processos como prensagem, moagem, trituração, pulverização e refino, e responsáveis por diversificar e tornar a alimentação mais saborosa, sem que fique nutricionalmente desbalanceada. Alguns exemplos de óleos vegetais são os de soja, milho, girassol e oliva; de gordura, manteiga, banha de porco e gordura de coco; açúcar, branco, demerara ou mascavo, e sal (refinado ou grosso). Vale destacar que estes itens devem ser usados em pequenas quantidades para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias com base nos alimentos in natura ou minimamente processados. Alimentos processados Quando um alimento in natura ou minimamente processado recebe adição de sal, açúcar ou outra substância de uso culinário, para torná-lo durável e mais agradável ao paladar, ele passa a ser considerado processado. Segundo o Ministério da Saúde e o Nupens, este tipo de produto é derivado diretamente de alimentos, sendo reconhecido como versão modificada, e usualmente é consumido como parte ou acompanhamento de preparações culinárias feitas com base em alimentos minimamente processados - caso do queijo acrescentando ao macarrão e das carnes salgadas ao feijão. Macarrão à bolonhesa com queijo ralado Camilla Resende/G1 Alguns exemplos são cenoura, pepino, ervilhas, palmito, cebola, couve-flor preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extrato ou concentrado de tomate (com sal e ou açúcar); frutas em calda e frutas cristalizadas; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal. As entidades comentam que as técnicas de processamento se assemelham às culinárias, podendo incluir cozimento, secagem, fermentação, acondicionamento em latas ou vidros e uso de métodos de preservação, como salga, salmoura, cura e defumação. E elas recomendam que se limite a ingestão destes alimentos, pois os ingredientes e os métodos usados na fabricação alteram de modo desfavorável a composição nutricional. Alimentos ultraprocessados O termo ultraprocessado é usado para caracterizar formulações produzidas com muitos elementos, incluindo sal, açúcar, óleos, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial, como proteínas de soja e do leite e extratos de carnes, e que passam por várias etapas de processamento. Essas formulações também costumam utilizar substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas, como petróleo e carvão - muitas delas atuam como aditivos, cuja função é estender a duração ou dotar o produto de cor, sabor, aroma e textura para torná-lo mais atraente. Uma dica para saber se o alimento faz parte deste grupo é consultar a lista de ingredientes no rótulo. Os principais indicativos são: número elevado de ingredientes (cinco ou mais), com nomes pouco familiares e que não são usados nas preparações culinárias, como gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados e xarope de frutose. Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda evitar alimentos como o hambúrger, por conta da composição nutricional desbalanceada Ricardo D'Angelo/Divulgação Entram nessa categoria uma série de itens: biscoitos, sorvetes, balas e guloseimas em geral, cereais açucarados, bolos e misturas para bolo, barras de cereal, sopas, macarrão e temperos instantâneos, molhos, salgadinhos de pacote, refrescos e refrigerantes, bebidas lácteas e iogurte adoçados e aromatizados, energéticos, produtos congelados e prontos para aquecimento, extratos de carne de frango ou peixe empanados do tipo nuggets, salsichas e outros embutidos, pães de forma e pães para hambúrguer e cachorro quente. O Guia Alimentar para a População Brasileira indica que se evite esses alimentos por conta da composição nutricional desbalanceada, características que os ligam a ingestão excessiva de calorias e o impacto que as formas de produção, distribuição, comercialização e consumo têm sobre a cultura, a vida social e o meio ambiente. O documento ainda destaca que "o problema principal com alimentos ultraprocessados reformulados é o risco de serem vistos como produtos saudáveis, cujo consumo não precisaria mais ser limitado". Isso porque a publicidade explora suas alegadas vantagens diante dos alimentos regulares, como "menos calorias" e "adição de vitaminas e minerais". Riscos dos alimentos ultraprocessados Com o aumento no consumo dos alimentos ultraprocessados em todo mundo - só no Brasil, entre 1996 e 2009, segundo o Nupens, a participação na dieta da população subiu de 18,7% para 30% -, vários estudos têm sido realizados para identificar seus reais riscos para a saúde. Dentre os mais recentes está um publicado em maio deste ano pela Universidade de Navarra, da Espanha. Realizado com 19.899 voluntários, acompanhados durante 15 anos (de 1999 a 2014), ele constatou que consumir mais de quatro porções diárias de alimentos ultraprocessados está associado a uma chance 62% maior de todas as causas de mortalidade, e que a cada porção adicional, esse índice sobe mais 18%. Outra pesquisa divulgada no mesmo mês, esta pelo National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, mostrou a relação entre o consumo deste tipo de alimento e a maior ingestão calórica e ao ganho de peso. Para isso, cientistas da entidade avaliaram 20 pessoas durante quatro semanas. No período, elas foram submetidas a dois tipos de dietas, ultraprocessada e não processada, ambas com quantidades iguais de nutrientes. Ao final da experiência, a conclusão foi de que o grupo da dieta ultraprocessada consumiu 508 calorias a mais por dia em comparação com o da dieta não processada e ganhou quase 1 quilo em 15 dias. Por fim, um trabalho da Universidade de Paris, na França, reforçou a ligação entre a ingestão de ultraprocessados com o risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares. Após acompanhar 105.159 indivíduos durante cinco anos, os pesquisadores verificaram que uma participação de apenas 10% desses alimentos na dieta aumenta em 12% a chance de infarto e em 11% a de acidente vascular cerebral (AVC).
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23/06 - Projetos para depois da aposentadoria
Elena Martinis atua na área de pós-carreira, orientando as pessoas a buscar novos caminhos profissionais Elena Martinis cresceu vendo o pai tocar sua pequena empresa de representação comercial dentro de casa – inclusive o acompanhava nas visitas. “Desde cedo, aprendi que cada passo pode significar a sobrevivência ou não de um negócio”, conta. Acabou se formando e fazendo mestrado em paleontologia, mas o empreendedorismo estava em suas veias, tanto que migrou para o mundo do coach e das palestras, e dali não saiu mais. Autora de “Mulher de negócios – faça sua empresa acontecer”, coautora de “Ensino de empreendedorismo no Brasil” e com um terceiro livro pronto, que vai se chamar “Receitas de empreendedorismo”, hoje ela atua na área de pós-carreira, ou seja, orientando as pessoas a buscar novos caminhos profissionais. “Quando falamos da fase pós-aposentadoria, temos dois grupos bem distintos: um mais protegido e o outro, não”, explica. “O primeiro normalmente tem mais anos de estudo e conseguiu acumular uma reserva financeira. O segundo é o dos desprovidos, que perderam o emprego e não conseguiram se recolocar. Há grandes diferenças entre eles, mas, em comum, há o fato de que todos estão fora do mercado de trabalho, despojados do sobrenome corporativo. Mesmo quem entrou num PDV (programa de demissão voluntária)”, acrescenta. A escritora e coach Elena Martinis Mariza Tavares Ela lamenta que as empresas descartem essa mão de obra experiente: “perdem em diversidade, é um desperdício de talentos”. Mas sua maior preocupação é com os indivíduos que são destituídos não só da identidade social, mas também de um senso de propósito: “é um baque e muitos entram em depressão. As pessoas ficam sem chão, sem dinheiro, sentem-se sem valor”, afirma. É aí que entra em ação com o “Projeto futuro”, cujo objetivo é traçar caminhos. “Trata-se de uma construção pessoal, que nem sempre significa abraçar algo novo, mas, muitas vezes, resgatar interesses antigos, habilidades que não foram desenvolvidas”, diz. Elena estimula que todos criem uma espécie de ritual de despedida da etapa anterior: “é importante rever a trajetória, agradecer pelo que foi alcançado”. Na reflexão que propõe, Elena sugere que as pessoas pensem em cinco frentes que podem funcionar como um ponto de partida: “em primeiro lugar, o hobby pode se tornar uma fonte para complementar a renda. Pode ser marcenaria ou montagem de festas infantis, conheci um rapaz que recuperou a receita de um bolinho que a avó fazia”. Para os que se dedicam a ajudar os filhos na criação dos netos, a coach lembra que o cuidado é um campo de atuação que pode se transformar numa atividade, como cuidar de idosos, ou de animais de estimação. Há ainda quem queira voltar a estudar ou ser voluntário. Para os que pensam em abrir uma empresa, cita o Sebrae, que tem uma área voltada para o empreendedorismo sênior, e enfatiza que a experiência adquirida em décadas de trabalho representa uma ferramenta valiosa: “o que uma pessoa aprendeu, por exemplo, sobre gestão, logística ou distribuição em seu antigo emprego vai ajudar na formatação do próprio negócio”.
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22/06 - O ambicioso plano de quase 400 anos para ir à Lua em uma carroça voadora
O século 17 foi uma época de ouro para a ciência e a exploração espacial, uma época em que tudo parecia possível, até mesmo viajar para a Lua. Foi quando o inglês John Wilkins concebeu um plano engenhoso. Na primeira metade do século 17, surgiu um dos programas espaciais mais ambiciosos da história, com os primeiros esforços para chegar à Lua. Naquele tempo, o conhecimento científico avançava a uma velocidade sem precedentes. A exemplo, as descobertas astronômicas de Galileu, feitas na Itália em 1610 com o recém-inventado telescópio, e a descrição feita em 1628 pelo médico britânico William Harvey da circulação sanguínea em seres vivos. Uma série de invenções desta época, além dos telescópios acima mencionados, como os relógios mecânicos, a pólvora e a bússola magnética, alteraram radicalmente os limites da percepção humana e levaram as pessoas a se questionar cada vez mais sobre o mundo em que viviam. Um novo mundo no horizonte Quando Galileu olhou pela primeira vez para a Lua através de seu telescópio em janeiro de 1610, ficou surpreso ao descobrir que parecia ser um "mundo". Diferentemente de quando se observava a Lua a olho nu, foi possível com aquele invenção apreciar montanhas, continentes e o que Galileu confundiu com mares. Por sua vez, o astrônomo galês William Lower disse que o telescópio fez a Lua se assemelhar a uma carta marítima holandesa, com baías, ilhas e enseadas. Essas descobertas fertilizaram a imaginação dos pensadores europeus, e, em tempos profundamente religiosos, muitos se perguntavam se Deus fez da Lua um mundo como a Terra. Teria Deus colocado vida inteligente ali? Se assim fosse, poderíamos nos comunicar com esses seres? Século 17, uma era brilhante As observações por meio de telescópios feitas por Galileu, Huygens, Cassini e outros mostraram que o universo era vasto. Os estudos microscópicos pioneiros de Robert Hooke revelaram um novo mundo de maravilhas que poderia ser explorado com lentes de aumento. O trabalho de Robert Boyle com a bomba de vácuo criou as bases da moderna química quantitativa. As investigações anatômicas e fisiológicas de William Harvey, Thomas Willis Thomas Bartholin mostraram como o coração fazia circular o sangue e revelaram a função química do ar na respiração, além dos primeiros estudos científicos do cérebro. Robert Hooke e Isaac Newton criaram a óptica moderna e explicaram a física da luz, enquanto também lançaram teorias concorrentes para elucidar as leis da gravidade. E, ao contrário dos mitos persistentes, a Igreja Cristã não tentou suprimir a ciência. A maioria dos cientistas eram pessoas religiosas e devotas. Esta possibilidade tentadora está no centro do programa espacial do reverendo John Wilkins, um jovem clérigo inglês e amante da nova ciência. Em 1638, seu livro Descoberta de um Novo Mundo... na Lua forneceu a primeira oportunidade real para os leitores ingleses interpretarem as ideias de Galileu. Wilkins acreditava que a Terra se movia em torno do Sol e sugeriu que não só a Lua poderia ser acessível aos humanos mas também outros planetas. Ele havia lido extensivamente sobre a ciência de seu tempo e também foi inspirado por uma ou duas obras contemporâneas de "ficção científica", como Somnium (Sonho, em tradução do latim), publicado por Johannes Kepler em 1634, e especulou sobre a viagem humana ao espaço. Tirando proveito da ciência John Wilkins se propôs a usar o que havia de mais avançado na ciência e na tecnologia para projetar um tipo de nave espacial que incorporaria detalhes técnicos do navio, além de ciências atmosféricas, estudos ornitológicos e física experimental. Na década seguinte, ele empregou uma série de teorias e habilidades para criar uma proposta incrível. Um aspecto central do esquema pensado por Wilkins foi sua compreensão da atração gravitacional da Terra, já que era algo que qualquer viajante espacial em potencial deveria evitar. Neste momento, no entanto, 50 anos antes da obra de Isaac Newton, o pensamento científico ainda confundia da gravidade com a força de atração do campo magnético da Terra. A partir de sua observação de que um imã parou de atrair a agulha de uma bússola a partir de uma certa distância, Wilkins concluiu que a força de atração da Terra era interrompida a cerca de 30 quilômetros de sua superfície. Agora sabemos que ele estava errado, mas a ciência geralmente avança graças a erros. Rumo à Lua 1610 - Galileu usa o telescópio para descobrir montanhas e outras formações na Lua. 1634 - Somnium, de Johannes Kepler, é o primeiro trabalho da literatura de ficção científica que descreve uma viagem à Lua. O astronauta de Kepler foi impulsionado por espíritos. 1638 a 1648 - John Wilkins escreve A descoberta de um novo mundo... na Lua, no qual analisa os avanços da tecnologia mecânica e propõe uma viagem ao satélite natural em uma "carruagem voadora". 1695 - Cosmotheoros, de Christiaan Huygens, propõe que os seres que vivem em Saturno devem ser tecnologicamente avançados e estão provavelmente nos observando com telescópios. 1783 - Os irmãos Montgolfier constroem um balão na França para levar os humanos à atmosfera. Mas os cientistas já sabiam que o espaço era um vazio congelado intransponível. 1926 - Nos Estados Unidos, Robert H. Goddard lança o primeiro foguete "moderno" do mundo, usando um motor que queima combustível líquido. 1957 - A Rússia lança o Sputnik, o primeiro satélite a orbitar a Terra. 1961 - Yuri Gagarin se torna o primeiro ser humano a sobreviver a uma viagem espacial. 1969 - Os americanos Buzz Aldrin e Neil Armstrong aterrissam na Lua transportados pela Apollo 11, tornando-se os primeiros homens a pisar ali. Procurando os selenitas A fim de superar os 30 km iniciais, Wilkins propôs o desenvolvimento de um veículo notável. Sua carruagem voadora seria como um pequeno navio, no meio do qual haveria um poderoso motor de relógio acionado por uma mola. A força da pólvora poderia ser usada para movimentar esta máquina, de modo que, quando seu mecanismo fosse acionado, movimentaria seu grande par de asas, semelhantes às de um pássaro. A carruagem se levantaria e, quando tivesse subido 30 quilômetros, o motor poderia ser desligado. A partir deste ponto, esperava-se que deslizasse em direção à Lua. Os astrônomos de 1640 conheciam a distância até a Lua com bastante precisão, de modo que Wilkins calculou que a tripulação da carruagem voadora passaria várias semanas em uma jornada relativamente rotineira, como aquelas enfrentadas por marinheiros oceânicos. Quando os astronautas sentissem a fraca atração da Lua, precisariam simplesmente virar as asas no sentido horário para garantir uma descida e aterrissagem seguras. Simples, certo? Wilkins também imaginou o encontro com os possíveis habitantes da Lua, que ele chamou de "selenitas", em referência à deusa grega da lua Selene. Se existissem, escreveu Wilkins, comerciantes poderiam negociar com eles e estabelecer novos mercados lucrativos. Além disso, ele apontou que o suprimento de comida para viajantes espaciais não seria um problema, porque, ao seu ver, nós só sentíamos fome devido ao efeito da atração da Terra sobre nossos estômagos. Em outras palavras, no espaço não fiaríamos com fome devido à falta de gravidade. A lua-de-mel da ciência Não é necessário dizer que a carruagem voadora de Wilkins nunca se tornou realidade. A ciência avançava tão rápido que, 24 anos após sua proposta, em 1664, Wilkins já havia percebido sua impossibilidade. Em 1659, as investigações de seus amigos Robert Boyle e Robert Hooke levaram à descoberta do vazio e à compreensão de que provavelmente não havia ar no espaço e, portanto, este era intransponível. No entanto, enquanto Wilkins nunca tenha conseguido chegar mais alto do que conseguia pular, seu intelecto, sua personalidade e seu poder de inspirar os outros o colocaram na vanguarda do movimento científico inglês. Como diretor do Wadham College, em Oxford, entre 1648 e 1659, reuniu em torno de si um "clube" de amigos cientistas e, ao mesmo tempo, colaborou com pesquisadores de astronomia e física do Gresham College, em Londres. E, quando a monarquia foi restaurada após as guerras civis em 1660, o círculo científico de Wilkins tornou-se a Royal Society, que continua sendo o corpo científico mais renomado do Reino Unido. Mais tarde, como Bispo de Chester, ele colocou sob sua asa o genial Robert Hooke, que se tornou o maior físico experimental da época. Wilkins e seus amigos viviam no que poderia ser chamado de "lua de mel" da ciência: havia sido descoberto o suficiente para fazer surgir perspectivas maravilhosas, mas só o tempo diria quanto mais seria necessário para tornar o vôo espacial uma realidade.
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22/06 - Vacinas: o que são, como são feitas e por que há quem duvide delas
A vacinação salva até 3 milhões de vidas por ano no mundo. Mas ainda é alvo de boatos que prejudicam a imunização coletiva. Antes que as vacinas existissem, o mundo era um lugar bem mais perigoso, no qual milhões de pessoas morriam anualmente de doenças que hoje são evitáveis U. Leone/Pixabay As vacinas salvaram dezenas de milhões de vidas no último século, mas mesmo assim especialistas de saúde de diversos países têm identificado uma tendência de "hesitação em vacinar" - em outras palavras, uma crescente recusa em aderir à imunização. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a questão tão preocupante que a listou como uma das dez maiores ameaças à saúde global em 2019. Abaixo, uma breve história da vacina, entre descobertas e desconfianças. Como a vacinação foi inventada? Antes que as vacinas existissem, o mundo era um lugar bem mais perigoso, no qual milhões de pessoas morriam anualmente de doenças que hoje são evitáveis. A China foi o primeiro país a descobrir uma forma rudimentar de vacinação, ainda no século 10º: a prática da "variolação" consistia em expor pessoas saudáveis a tecidos das feridas causadas pelas doenças para aumentar a imunidade dessa população. Oito séculos mais tarde, o médico britânico Edward Jenner notou que mulheres que ordenhavam leite costumavam pegar varíola bovina de baixa gravidade, mas raramente contraíam a versão mais mortífera da varíola. Na época, essa era uma doença infecciosa altamente contagiosa, que matava cerca de 30% das pessoas infectadas. Os sobreviventes costumavam ter sequelas graves, como a cegueira. Em 1796, Jenner fez um experimento com um menino de oito anos chamado James Phipps: inseriu pus de uma ferida de varíola bovina no garoto, que rapidamente desenvolveu os sintomas. Assim que James se recuperou da doença, Jenner infectou o garoto com o vírus mais mortal da varíola, mas sua saúde permaneceu intacta. A exposição à varíola bovina havia feito com que ele se tornasse imune. Em 1798, os resultados foram publicados, e a palavra vacina - "vaccine", em inglês, originária de "vacca", que é vaca em latim - foi cunhada. Quais foram os êxitos das vacinas? No último século, a imunização ajudou a reduzir drasticamente o impacto de doenças. Cerca de 2,6 milhões de pessoas morriam, a cada ano, de sarampo no mundo, até que a primeira vacina contra a doença fosse criada, nos anos 1960. A vacinação levou à redução de 80% nas mortes por sarampo entre 2000 e 2017 no planeta, segundo a OMS. E não faz muito tempo que milhões de crianças corriam o risco real de morrerem ou sofrerem paralisia por conta da poliomielite. Hoje em dia, essa doença foi praticamente extinta. Por que algumas pessoas recusam a vacinação? A desconfiança quanto a vacinas existe há quase tanto tempo quanto as próprias vacinas modernas. No passado, as suspeitas eram relacionadas à religião, à percepção de que as vacinas eram anti-higiênicas ou à sensação de restrição à liberdade de escolha. No Brasil, por exemplo, a Revolta da Vacina de 1904, no Rio de Janeiro, se seguiu à campanha obrigatória de vacina contra a varíola, implementada pelo epidemiologista e sanitarista Oswaldo Cruz. Antes disso, ainda no século 19, surgiram no Reino Unido as chamadas ligas antivacina, que pressionavam por medidas alternativas de controle de doenças, como o isolamento de pacientes. Nos anos 1870, o movimento se espalhou aos EUA, após a visita do ativista britânico antivacina William Tebb. Mais recentemente, o britânico que mais marcou a história do movimento antivacina é Andrew Wakefield. Em 1998, em Londres, o médico publicou um estudo falsamente ligando o autismo e problemas gastrointestinais à vacina MMR (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola). Em 2004, o Instituto de Medicina dos EUA concluiu que não havia provas de que o autismo tivesse relação com os componentes da vacina. No mesmo ano, descobriu-se que, antes da publicação de seu estudo, Wakefield havia feito um pedido de patente para uma vacina contra sarampo que concorreria com a MMR, algo que foi visto como um conflito de interesses. Além disso, um assistente de Wakefield afirmou que, em seu estudo, o médico manipulou informações de crianças para forçar a ligação entre vacina e autismo. Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido julgou Wakefield "inapto para o exercício da profissão", qualificando seu comportamento como "irresponsável", "antiético" e "enganoso". E a Lancet, periódico que havia tornado público seu estudo, se retratou da publicação, dizendo que suas conclusões eram "totalmente falsas". Em meio a isso, as taxas de vacinação caíram em vários países após a publicação do estudo de Wakefield. Só em 2004, 100 mil crianças a menos receberam a vacina MMR no Reino Unido - o que levaria a um aumento de casos de sarampo. O tema ganha, também, contornos políticos. O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, se alinhou a grupos antivacina, enquanto o presidente americano, Donald Trump, traçou - sem oferecer provas - elos entre vacinação e autismo. Recentemente, porém, ele instou os pais americanos a vacinarem seus filhos. Um estudo internacional sobre comportamento perante vacinas identificou que, embora a confiança geral na imunização fosse positiva, está em seu nível mais baixo na Europa, particularmente na França. Quais são os riscos das vacinas? Quando uma alta proporção da população está vacinada, o resultado é a prevenção da disseminação da doença - algo que, por sua vez, dá proteção às pessoas que não desenvolveram imunidade ou que não podem ser vacinadas. Isso é chamado de imunidade de rebanho. Quando ela deixa de existir, surge um risco de contaminação à população como um todo. A proporção de uma população que precisa ser vacinada para que seja mantida a imunidade de rebanho varia conforme a doença, mas, para sarampo, é de 95%. Para a polio, que é menos contagiosa, é de 80%. No ano passado, em uma comunidade ultraortodoxa do Brooklyn, em Nova York, foram distribuídos panfletos com a falsa acusação de que há conexão entre vacinas e autismo. O resultado foi que, nessa mesma comunidade, houve um surto de sarampo - um dos maiores registrados nos EUA nas últimas décadas. Na Inglaterra, cientistas alertam que muitas pessoas estão sendo enganadas por informações mentirosas sobre vacinas sendo propagadas nas redes sociais, enquanto pesquisadores americanos descobriram que bots russos estavam sendo usados para causar discórdia online, pelo intermédio de falsos posts sobre imunização. A proporção de crianças do mundo que recebe as vacinas recomendadas permanece inalterada, em torno de 85% nos últimos anos, segundo a OMS. A organização atesta que as vacinas continuam a prevenir entre 2 milhões e 3 milhões de mortes a cada ano. Os maiores desafios à vacinação são os países com histórico de conflitos recentes e sistemas de saúde frágeis, como Afeganistão, Angola e República Democrática do Congo, locais onde as taxas de imunização estão entre as mais baixas do mundo. Mas a OMS também identificou complacência como uma questão-chave para melhorar os índices de vacinação em países mais estruturados (incluindo o Brasil) e desenvolvidos - para resumir, as pessoas simplesmente deixam de vacinar porque se esquecem do mal que algumas doenças podem causar.
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21/06 - A mãe que perdeu 2 filhos para o sarampo por acreditar em 'fake news' sobre vacinas
Filipinas vive surto da doença, mas notícias falsas atrapalham a campanha de vacinação. Arlyn B. Calos perdeu dois filhos com sarampo BBC As Filipinas vivem um surto de sarampo. Mais de 35 mil pessoas foram infectadas e quase 500 morreram desde o começo do ano. (Assista ao vídeo) Arlyn B. Calos perdeu dois filhos por causa da doença, no intervalo de uma semana, no ano passado. Ela conta que não vacinou as crianças porque havia lido notícias falsas dizendo que a vacina fazia muito mal. "Sinto raiva, porque eu não deveria ter dado ouvidos à TV e ao Facebook." "Deveria ter protegido meus filhos, assim eles não teriam pegado sarampo", desabafa. Há uma vacina segura e efetiva disponível. Mas controvérsias a respeito de uma nova vacina contra a dengue, chamada Dengvaxia, espalharam informações incorretas e sensacionalistas. "Nas notícias e até no Facebook diziam que muitas crianças morreram. Por isso, eu tinha medo de vaciná-los." Embora haja investigações em curso sobre a Dengxavia, não foi comprovada a relação entre a vacina e mortes de crianças. Mãe se recusou a vacinar os filhos porque temia que lhes faria mal BBC Apesar disso, alguns pais ainda ignoram as campanhas de vacinação. "Foi muito difícil perder dois filhos, mas estou me recuperando. Quando tiver filhos novamente, não vou hesitar em vaciná-los para que fiquem seguros", diz Arlyn.
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21/06 - Projeto simula clima da Amazônia em 2100 e futuro de peixes, plantas e insetos
Diante das mudanças climáticas e previsão de aumento da temperatura global, cientistas do Inpa tentam prever impactos sobre ecossistema amazônico - eles descobriram que mosquitos vão se reproduzir mais rapidamente e que alguns peixes precisarão de mais comida para sobreviver. Peixes em um dos ambientes simulados pelo Inpa: alguns precisarão de mais comida para manter a mesma taxa de crescimento Divulgação/BBC Peixes que precisam comer mais para manter sua taxa de crescimento e outros que correm risco de extinção, mosquitos que se reproduzem mais rapidamente e plantas que capturam menos dióxido de carbono (CO2). Esses são alguns dos resultados do projeto Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que criou microcosmos em quatro salas com 25 metros cúbicos simulando as condições climáticas do ano de 2100 seguindo as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para temperatura, concentração de CO2 e umidade relativa do ar. Essas previsões do IPCC antecipam um aumento nas temperaturas de 1,5°C a 7°C em algumas regiões amazônicas durante o século 21. São mudanças que podem interromper os padrões atuais de distribuição de organismos, como peixes, mosquitos e plantas. Foi para tentar prever como isso poderá ocorrer com algumas espécies que foram criados os microcosmos do projeto Adapta. A primeira sala serve de controle e reproduz o clima atual da Floresta Amazônica. "A segunda simula o ambiente brando do IPCC, com uma concentração de 250 partes por milhão (ppm) de CO2 mais alta que a de hoje e 1ºC mais quente", explica o pesquisador Alberto Luís Val, do Inpa, coordenador do projeto. "Na sala 3 (intermediária) há mais CO2 e mais 2,5°C de temperatura. Por fim, na quarta, o ambiente é drástico, com 850 ppm de dióxido de carbono acima dos níveis atuais e de 4°C a 4,5°C mais quente. Em todas, a umidade relativa do ar é mantida entre 80% e 90%." Nas simulações, esses dados (temperatura, CO2 e umidade) são coletados em tempo real por sensores em uma torre instalada em uma reserva florestal próxima ao Inpa, em Manaus. Eles são enviados, a cada dois minutos, para os computadores do instituto, que acionam máquinas em cada microcosmo para simular as condições climáticas previstas para 2100. Cientistas submeteram plantas, peixes e insetos a diferentes ambientes para entender seu comportamento em um mundo de temperaturas mais altas Divulgação/BBC Nas salas, existem aquários com peixes, gaiolas com mosquitos transmissores de doenças, como malária e dengue, por exemplo, e plantas que permanecem no ambiente por períodos variáveis, podendo chegar a seis meses, dependendo do experimento. O comportamento sob mudanças climáticas Os cientistas estudam o comportamento desses organismos de acordo com o ambiente simulado em cada sala. "Nosso objetivo é entender como os organismos aquáticos poderão ser afetados pelas mudanças climáticas", diz Val. "Ou seja, como diferentes espécies de plantas, peixes e insetos reagem a esse desafio ambiental. Queremos aprender com as respostas biológicas que esses organismos dão ao aquecimento global." Val cita como exemplo os peixes. "Eles surgiram numa época em que havia mais CO2 na atmosfera - e na água - e menos oxigênio do que hoje", explica. "Então muitas adaptações ocorreram para eles poderem lidar com a baixa disponibilidade de oxigênio. Nós imaginávamos que eles poderiam se adaptar à alta concentração de CO2 e a temperaturas elevadas. Mas não é isso que estamos vendo. Percebemos que os da Amazônia de uma maneira geral são muito sensíveis a esses dois fatores. Apesar de viverem em um ambiente quente, eles não têm flexibilidade para se adaptar a temperaturas ainda mais altas, e estão vivendo no limite de sua adaptação." Coleta de material do peixe para análise de sua saúde: apesar de viverem em ambiente quente, eles não têm flexibilidade para se adaptar a temperaturas ainda mais altas, diz pesquisador Divulgação/BBC Entre as oito espécies incubadas nos microcosmos está o tambaqui, importante fonte de alimento para os povos da região. Em um dos experimentos, os cientistas constataram que houve um aumento no consumo de ração para que ele mantivesse sua taxa de crescimento. "Na sala com ambiente drástico, este peixe tem que comer 50 gramas a mais para cada quilo de peso corporal que ganha", conta Val. "Ou seja, consome mais alimento para ter um crescimento igual." Também foram estudadas duas espécies "irmãs" de peixes ornamentais, o Paracheirodon axelrodi, conhecido popularmente como cardinal tetra, e o Paracheirodon simulans, o cardinal neon verde. "Esta última conseguiu regular a expressão dos seus genes, conseguindo sobreviver durante o experimento", informa Val. "Ela se daria bem com as mudanças climáticas. A outra, no entanto, não conseguiu fazer isso e teve alta taxa de mortalidade. É uma candidata à extinção." Apesar de serem duas espécies aparentadas, elas reagiram de maneira diferente ao aquecimento. "Por isso, não dá para generalizar as conclusões em relação aos peixes da Amazônia", diz Val. "Mesmo animais muito próximos, como estes dois, têm respostas diferentes." Mais mosquitos em menos tempo Outro experimento estudou dois grupos que vivem nos igarapés, o dos caracídeos e o dos ciclídeos. O pesquisador do Inpa explica que esse ambiente tem temperaturas estáveis, que ficam entre 24°C e 25°C. "O que queríamos descobrir era a tolerância térmica crítica de cada grupo, que é a temperatura máxima da água em que ele poderiam sobreviver", explica. Tanque com peixes em uma das salas: 'Nosso objetivo é entender como os organismos aquáticos poderão ser afetados pelas mudanças climáticas' Divulgação/BBC Os pesquisadores descobriram é que os caracídeos têm a menor tolerância térmica crítica, que é de 32°C, enquanto os ciclídeos suportam até 38°C. "O problema é que a média das temperaturas máximas das águas da Amazônia está se aproximando dos 32°C, chegando a 30°C, 31°C", informa Val. "Isso significa que os primeiros terão dificuldades para sobreviver nesses ambientes que estão se modificando termicamente, ficando cada vez mais quentes." No caso dos mosquitos transmissores, a descoberta mais importante foi que o intervalo entre as gerações diminuiu. Ou seja, em um período de tempo menor, nascem mais insetos, o que deverá dificultar o seu controle, o que, por sua vez, poderá aumentar o número de casos de malária e dengue, por exemplo. Por fim, os pesquisadores do projeto Adapta estudaram nos microcosmos os efeitos de cenários combinando temperatura elevada e maior concentração de CO2 atmosférico na germinação e crescimento inicial da planta macrófita aquática arbustiva da Amazônia Montrichardia arborescens. "As sementes foram germinadas e as mudas produzidas foram monitoradas ao longo de cinco meses nas quatro salas", conta Val. "Verificamos, no ambiente drástico, que as severas mudanças climáticas esperadas no futuro podem influenciar negativamente a acumulação de carbono em M. arborescens. Como as macrófitas aquáticas nas zonas úmidas da Amazônia e em todo o mundo são espécies-chave de plantas, mais estudos são necessários para prever seu destino em uma perspectiva de mudança climática global."
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21/06 - Cientistas dizem que uso de celular pode criar protuberância no crânio
Anúncio de que postura com cabeça dobrada pode alterar formato do crânio foi contestado por outros pesquisadores. Imagem de protuberância na parte de trás do crânio; para pesquisadores da Austrália, ela é causada por dobrar a cabela para olhar o smartphone Reprodução/Nature Uma pesquisa de uma dupla de cientistas australianos aponta que jovens que ficam muito tempo com a cabeça dobrada para baixo, em uma posição comum para olhar a tela do celular, podem desenvolver uma protuberância na parte de trás do crânio. O crescimento é comparável a um calo, e fica na parte de trás, na junção entre o crânio e o pescoço. Os pesquisadores são David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália. Na mídia da Austrália, a pesquisa tem sido noticiada como o desenvolvimento de um chifre na parte de trás do crânio desenvolvido por causa do celular. Shahar e Sayers afirmam que a prevalência dessa protuberância em jovens adultos aponta para uma mudança na postura das pessoas que foi causada pelo uso de tecnologia. Smartphones e outros aparelho estão contorcendo a forma humana, de acordo com eles, porque os usuários precisam curvar a cabeça para a frente. Os cientistas disseram que a descoberta marca a primeira documentação física de adaptação à presença de tecnologia no cotidiano. Reportagem contesta anúncio de descoberta A conclusão da pesquisa foi contestada em um texto do “New York Times”. Um dos autores é profissional de quiropraxia, e o outro, professor de biomecânica. Especialistas consultados pelo jornal apontam algumas questões sobre o estudo: ele usa raios-x antigos, não tem um grupo de controle e não provou causa e efeito e, além disso, tem como base pacientes que já tinham problemas (e, por isso, procuraram um profissional de quiropraxia). Ficar com a cabeça dobrada pode, em teoria, formar uma saliência, de acordo com um pesquisador entrevistado pelo “New York Times”.
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21/06 - Governo francês lança grande plano nacional contra a mutilação genital feminina
Trabalho será concentrado na identificação de riscos e na prevenção e apoio a vítimas, particularmente aquelas vindas do oeste da África. O governo francês lançou nesta sexta-feira (21) um "grande plano nacional para combater a mutilação genital feminina”, concentrando-se na identificação de riscos e na prevenção e apoio a vítimas, particularmente aquelas vindas do oeste da África. "Na França, como em todo o mundo, a mutilação genital feminina é um ataque inaceitável à integridade e aos direitos fundamentais de mulheres e meninas que são vítimas dela", disse a secretária de Estado para a igualdade de gênero da França, Marlène Schiappa, durante uma coletiva de imprensa. "Nenhuma tradição pode ser invocada para justificá-la”, acrescentou. O número de mulheres que sofrem mutilação genital na França é estimado entre 40.000 e 60.000, segundo o governo francês, que afirma que as vítimas mais afetadas vêm do Mali, Senegal, Burkina Faso, Costa do Marfim e da Guiné. Medidas e prevenção O plano de ação do governo francês planeja melhorar o atendimento das vítimas mulheres, "em particular em termos de saúde mental e saúde sexual". Ele apoiará experimentos em cirurgia reconstrutiva na Casa das Mulheres de Saint-Denis (região de Paris), local escolhido por Schiappa para lançar a iniciativa nesta sexta-feira. Nas áreas mais afetadas, o governo também experimentará uma "parceria" entre os atores locais (autoridades regionais, associações, etc.) para fortalecer a informação e a proteção das mulheres. Um "guia prático" também foi criado para encorajar profissionais na França a relatar casos de mutilação ou riscos potenciais. Além disso, para "melhor quantificar e localizar" o fenômeno na França, novas "ferramentas regulares de coleta de dados" serão criadas, particularmente nas maternidades. Outra medida: quando uma investigação judicial for aberta por suspeita de incitamento à mutilação sexual de um menor, será obrigatório "avisar os pais sobre os riscos criminais incorridos por eles" (entre 10 a 30 anos de prisão). Também está previsto, neste contexto, "submeter a menina a um exame médico".
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21/06 - Dia Internacional da Esclerose Lateral Amiotrófica: brasileiros participam de pesquisa sobre genes da ELA
Instituto Paulo Gontijo (IPG) estuda a carga genética de pessoas que vivem com ELA e comparam o material com os genes de indivíduos saudáveis. Doença afeta os neurônios motores, responsáveis pela musculatura que acompanha os ossos. Especialista tira dúvidas sobre esclerose lateral amiotrófica Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros, vem tentando descobrir as causas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Eles analisam a carga genética de pacientes para identificar genes causadores da doença. A equipe do Brasil é do Instituto Paulo Gontijo (IPG), e trabalha em colaboração com o Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP) e o setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Fleury. Este 21 de junho é o Dia Internacional da Esclerose Lateral Amiotrófica. A ELA é uma doença que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle da musculatura que acompanha os ossos. Talvez o caso mais notável da doença seja o do cientista Stephen Hawking. O consórcio internacional "Project MinE", do qual o IGP faz parte, estuda a carga genética de 15 mil pessoas que vivem com ELA e comparam o material com os genes de 7,5 mil "indivíduos controle", ou seja, pessoas que não têm a doença. Stephen W. Hawking discute teorias sobre a origem do universo em uma palestra em Berkeley, Califórnia, em 13 de março de 2007 Kimberly White / Arquivo / Reuters Do total de 15 mil pacientes, 100 são brasileiros. E dos 7,5 mil indivíduos controle, 50 são do Brasil. "O objetivo do projeto é identificar um perfil genético dos pacientes com a doença. E, ao mesmo tempo, que esse perfil seja diferente dos indivíduos controle", explica Miguel Mitne Neto, doutor em genética e coordenador científico do IPG. Infográfico G1 Doença sem cura Em outras palavras, o objetivo do estudo é chegar aos genes causadores da ELA e descobrir o que cada um deles ocasiona. Atualmente, são conhecidos 35 desses genes. Dois foram reconhecidos recentemente: um há pouco mais de um ano e outro há cerca de oito meses. "Variantes desse genes estão presentes em indivíduos com a doença, e em geral não são encontrados nas pessoas consideradas normais", afirma Mitne Neto. Como ainda não se conhecem precisamente as causas da ELA, a doença leva em média de 3 a 5 anos para causar a morte do paciente após a identificação dos sintomas. Os tratamentos ainda são pouco eficazes: em média tendem a aumentar a vida da pessoa doente em 3 a 6 meses. "Apesar de ser conhecida há mais de cem anos, não sabemos quais são as causas reais da ELA e o que leva ao desligamento motor", diz Mitne Neto. A hipótese que prevalece atualmente entre os cientistas é a de que a ELA resulta de uma interação entre fatores genéticos e ambientais. Isso faz com que o estudo da doença seja extremamente complexo. "Não conseguimos reproduzir todos os fatores ambientais. Não dá para fazer todas as pessoas viverem sob os mesmos fatores. Mas, do ponto de vista genético, é possível mapear, num trabalho de formiguinha." - Miguel Mitne Neto do IPG. No Brasil, até 15 mil pessoas sofrem de esclerose lateral amiotrófica Compartilhamento Os resultados obtidos pelo IPG na pesquisa são compartilhados com cientistas de todo mundo que também estudam ELA por meio do Project MinE. Segundo o pesquisador, a participação do Brasil é fundamental para o sucesso desse consórcio internacional por causa da miscigenação da população brasileira. "Estudos anteriores com populações fechadas chegaram a identificar genes causadores da ELA, mas os resultados não foram reproduzidos em outras populações", diz Mitne Neto. Em junho de 2019, foram alcançadas 48% da meta de mapeamento mundial do projeto e 34% da meta da equipe brasileira. Para atingir a meta final do Brasil, o IPG recebe apoio financeiro de pessoas e empresas. "O processo de coleta, armazenamento e análise do material é extremamente caro e delicado. Das 15 mil amostras, fazemos o sequenciamento de 100 pacientes e 50 controles. Só para isso, são necessários 300 mil euros (R$ 1,3 milhão) – é muito dinheiro", afirma o pesquisador. Brasil participa de pesquisa internacional para desvendar a esclerose lateral amiotrófica
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21/06 - Agência Espacial Europeia prepara nova missão para pesquisar cometas
Ideia é fazer desde o desenho da nave até o lançamento, programado para ocorrer em 8 anos. Núcleo do cometa Halley visto pela sonda Giotto ESA A Agência Espacial Europeia (ESA) está preparando uma missão para pesquisar cometas em uma nova classe de missões, a classe F. Qual o cometa vai ser estudado? Não sei. Ninguém sabe, o cometa ainda vai ser descoberto. Confuso? Só parece, olha só. A ideia da ESA é montar uma missão completa, desde o desenho da nave, até o seu lançamento em 8 anos. Daí vem a classe F, de rápida em inglês. A sonda, ou as sondas dependendo do caso, não devem passar de uma tonelada de massa, para aproveitar um lançamento já programado de outra missão. A sonda vai ser colocada em órbita da Terra, numa posição especial chamada "L2", ou o segundo ponto Lagrangeano do sistema Terra-Sol. O ponto L2 fica em oposição ao Sol, ou "atrás" da Terra se você estiver na posição do Sol olhando para o nosso planeta. Esse ponto está a 1,5 milhões de km da Terra, umas 5 vezes a distância Terra-Lua, e é especial porque nele as forças gravitacionais do Sol e da Terra e a força centrípeta da órbita se equilibram. Assim, um corpo colocado nesse ponto tende a permanecer estável e se for preciso removê-lo de lá não será preciso grandes somas de energia. Uma vez lançada, a sonda será estacionada no ponto L2 à espera de um cometa para chamar de seu. E aí que a coisa tem ares de ficção científica. A ideia por trás do projeto é usar o interceptador de cometas em um cometa primitivo, um que nunca tenha passado pelo Sistema Solar ainda. Esses cometas são originários da Nuvem de Oort, por exemplo, e fazem apenas uma passagem pelas proximidades do Sol. São os chamados cometas de longo período, bem mais longos que 200 anos. Núcleo do cometa Churyumov-Gerasimenko visto pela Rosetta ESA A ESA tem um bom histórico de missões cometárias, como a sonda Giotto que visitou o cometa Halley em 1986 e a inesquecível Rosetta que orbitou o cometa Churiumov-Gerasimenko por mais de 1 ano lançando o módulo de pouso Philae. Nestes dois casos os cometas são de curto período, o Halley com uns 76 anos e o Chury tem 6,5 anos de período. Isso significa que eles já passaram incontáveis vezes pelas proximidades do Sol, o que altera as características originais do material cometário, por meio da ação do vento solar e principalmente pela ação dos raios ultravioleta. Um cometa primitivo, desses advindos da Nuvem de Oort, vai passar pelo Sistema Solar interior pela primeira vez e o material em seu núcleo é praticamente o mesmo desde sua formação, lá nos primórdios do Sistema Solar há 5 bilhões de anos. O alvo da missão da ESA, então, nem foi descoberto ainda. Cometas dessa categoria são descobertos de vez em quando, mas por causa da sua origem, passam uma única vez pelo Sistema Solar em milênios. Na maioria dos casos até acabam mergulhando no Sol e evaporam. Então a missão pretende jogar a sonda no ponto L2 e para aguardar a descoberta de um cometa dessa categoria. Depois de estudar sua órbita, a sonda parte do ponto de espera para interceptar seu alvo. Espera-se que o lançamento seja em 2028, pegando carona na missão para estudo de Exoplanetas Ariel e congrega vários países, não só da União Europeia, mas também EUA, Canadá, Índia e vários outros. Brasil não... Encontrar um cometa assim não é problema, atualmente o projeto PAN-STARRS é o mais prolífico descobridor de cometas em sua missão de monitorar os céus para mapear os asteroides perigosos. Até o lançamento da sonda, estará em operação o LSST, um telescópio de 8,4 metros de diâmetro que pretende mapear o céu todo (a parte vista do Chile) a cada 5 dias, produzindo 15 terabytes de dados toda noite! Espera-se que em seus 10 anos de operação, o LSST descubra vários milhões de objetos como cometas e asteroides no Sistema Solar. Outro aspecto legal desse tipo de missão é poder estudar visitantes interplanetários eventuais. Lembra do caso do Oumuamua, aquele asteroide que veio de fora do Sistema Solar? Pois então, muita gente se questionou se não daria para montar uma missão às pressas nem que fosse apenas para fotografa-lo de perto. Não dava. Com a missão de interceptação de cometas funcionando como a ESA quer daria. Bastaria ter o alvo escolhido e mandar tirar a sonda o ponto L2. Ah, o ponto L2 não é exatamente um ponto. Em outras palavras, é uma região do espaço que cabem várias naves. Seria possível manter um verdadeiro estacionamento de sondas leves assim, prontas para a ação. Não é demais?
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20/06 - Hospital de Amor de Barretos percorre país com carreta para detectar câncer de pulmão
Veículo possui tomógrafo altamente sensível, que emite 10 vezes menos radiação e detecta tumores em estágio inicial. Doença é segunda em incidência e mortalidade, diz Inca. Carreta do Hospital de Amor de Barretos auxilia no combate ao câncer de pulmão Referência em tratamento oncológico no país, o Hospital de Amor de Barretos (SP) projetou uma carreta que percorrerá o país realizando exames gratuitos para diagnóstico do câncer de pulmão, o segundo mais comum, tanto em incidência, quanto em mortalidade, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O veículo é equipado com um aparelho de tomografia de alta tecnologia, capaz de detectar tumores em estágio inicial. O coordenador do Centro de Pesquisa Oncológica do hospital, Rui Reis, explicou que o equipamento emite dez vezes menos radiação do que um convencional. O resultado é emitido em 10 minutos. “O câncer de pulmão, quando atendido no nosso hospital, 90% já estão em estágio avançado. Muitas vezes, até com metástase identificada. É um câncer silencioso, sem sintomas prévios. Então, a possibilidade de identificar em estágios iniciais é importante porque vai aumentar as chances de cura e de vida”, disse. Carreta projetada pelo Hospital de Amor de Barretos realizará exame para diagnóstico de câncer de pulmão Antônio Luiz/EPTV Segundo Reis, 80% dos tumores no pulmão são decorrentes do uso ou exposição ao tabaco. Além disso, tem mais chance de desenvolver esse tipo de câncer pessoas com idades entre 55 e 75 anos, e que fumam há mais de 15 anos. No ano passado, o Hospital de Amor atendeu 1,3 mil pacientes com a doença. “Sabemos que o câncer de pulmão afeta mais os fumantes, mais associado ao homem e à mulher que tem menos interesse em se dirigir aos hospitais, a fazer exames de rastreamento. Então, ter uma unidade móvel pode facilitar esse acesso a um método de rastreamento”, completou o médico. Tomógrafo de alta tecnologia realiza diagnóstico de câncer de pulmão Antônio Luiz/EPTV Inicialmente, a carreta realizará testes em pacientes atendidos na rede pública em Barretos. Depois, o veículo segue para Campinas (SP) e só então percorrerá o país. A pesquisadora do Hospital de Amor Fabiana de Lima Vasquez explica que o exame também pode detectar outras doenças respiratórias graves. “O paciente que fuma tem várias comorbidades, pode vir a ter várias doenças, além do câncer de pulmão. Ele pode ter doenças respiratórias, perda óssea, aumento da pressão arterial, que a gente detecta não na tomografia, mas no exame médico, quando ele vai nos procurar”, disse. Carreta projetada pelo Hospital de Amor de Barretos realizará exame para diagnóstico de câncer de pulmão Antônio Luiz/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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20/06 - O que é um quasar frio, descoberta que pode reescrever o que sabemos sobre as galáxias
Pensava-se que, no final de sua vida, as galáxias já não podiam formar estrelas, mas a astrofísica Allison Kirkpatrick e seus colegas detectaram um novo tipo de galáxia que mostra o oposto: mesmo 'aposentadas', elas ainda conseguem produzir novos astros. Gás em torno de um buraco negro Nasa/CXC/M.Weiss Allison Kirkpatrick, astrofísica da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, liderou a uma equipe de pesquisadores que fez a descoberta, apresentada nesta semana na reunião anual da Sociedade Astronômica dos Estados Unidos. Kirkpatrick chamou as novas galáxias de "quasares frios". Um quasar é basicamente um buraco negro supermassivo cercado por grandes quantidades de gás e poeira. O termo quasar significa "fonte de rádio quase estelar". Os quasares podem ser resultado da fusão de duas galáxias e da colisão de seus buracos negros. Os cientistas acreditam que nossa galáxia, a Via Láctea, está em processo de colidir com sua galáxia vizinha, Andrômeda. Mas você não precisa se preocupar com isso – a colisão deve ocorrer daqui a cerca de 3 bilhões de anos. Quando isso ocorrer, as duas galáxias deixarão de existir como tal, levando, em vez disso, à criação de um quasar. A descoberta é um tipo incrivelmente estranho de galáxia, que não havia sido detectado até agora e que muda o que foi entendido sobre a vida das galáxias. Mudança na compreensão O gás pode ficar no centro de uma galáxia em forma de um disco plano ou superior chamado "disco de acreção", que pode fornecer uma enorme quantidade de energia eletromagnética. Por isso, os quasares têm muito mais luz que uma galáxia normal. Antes, pensava-se que a formação de um quasar ocorria no estágio "passivo" – ou morto – de uma galáxia, ou seja, quando ela perde a capacidade de produzir novas estrelas. Porém, Kirkpatrick descobriu galáxias com uma grande quantidade de gás frio, mas que ainda podem formar novas estrelas – mesmo com um quasar em seu centro. A cientista acredita que os "quasares frios" representam um breve período nas fases finais da vida de uma galáxia. Segundo a cientista, se compararmos a vida de uma galáxia a uma vida humana, a fase do "quasar frio" pode ser "algo semelhante à festa de despedida de uma galáxia". "Essas galáxias são raras porque se encontram em uma fase de transição", explica Kirkpatrick. "Essa é uma fase de transição de cerca de 10 milhões de anos e, em escalas de tempo universais, é muito curta." A cientista e seus colegas identificaram quasares frios pela primeira vez em uma área delineada pelo Sloan Digital Sky Survey, o mais detalhado mapa digital do Universo disponível. "Então, passamos por essa área com o telescópio XMM-Newton e a examinamos em raios-x, e finalmente examinamos os quasares com o telescópio espacial Herschel, que captura as emissões infravermelhas." Kirckpatrick explicou que os raios-x "são a principal 'assinatura' dos buracos negros em crescimento". "Todo o gás acumulado no buraco negro está aquecendo e emitindo raios-x", disse a cientista. "O comprimento de onda da luz que você emite diretamente corresponde ao calor que você tem, por exemplo, você e eu emitimos luz infravermelha, mas algo que emite raios-x é uma das coisas mais quentes do Universo." O próximo passo na pesquisa de Kirkpatrick é tentar determinar se a fase de "quasar frio" ocorre em uma classe específica de galáxias ou em todas elas.
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20/06 - Rede antivacina no Brasil importa teorias da conspiração dos EUA e cresce com sistema de recomendação do YouTube
Alguns vídeos estavam monetizados; plataforma desmonetizou conteúdo e afirmou que sistema de recomendações vai mudar no Brasil até o final do ano. BBC News Brasil encontrou 15 vídeos antivacina no YouTube e 'bolha' de recomendação na plataforma, que diz que vai implementar mudanças até fim do ano Divulgação "Não sou eu que estou falando, são os fatos", diz um rapaz brasileiro para a câmera. Os "fatos", segundo ele: "o vírus da zika foi criado pela família americana Rockefeller, enquanto Bill Gates usou sua fortuna para investir em vacinas. Ambos com o mesmo objetivo: reduzir a população mundial". O vídeo está disponível no YouTube, tem cerca de 825 mil visualizações e pode ser encontrado pela ferramenta de buscas. Uma propaganda interrompe o vídeo, o que significa que ele é monetizado – ou seja, rende lucro ao autor –, embora o YouTube tenha anunciado que vídeos com desinformação seriam impedidos de explorar esse recurso. Um vídeo igual, mas publicado em outra conta, tem quase 244 mil visualizações. Sem estar logada em qualquer conta no YouTube, a BBC News Brasil fez buscas na plataforma com os termos "vacina", "devo vacinar minha filha" e "devo vacinar meu filho". A maior parte dos resultados são vídeos com informações verídicas sobre a vacinação. Alguns, contudo, são vídeos contrários à vacinação. E, ao clicar nestes, a recomendação dos vídeos seguintes leva o usuário a outros vídeos antivacina, levando a uma espécie de "bolha" no YouTube. Em outras tentativas, os vídeos reproduzidos automaticamente eram sobre outros assuntos – às vezes outras teorias conspiratórias, às vezes reportagens verídicas sobre vacinação. Alguns vídeos contra vacinas encontrados pela BBC News Brasil exibiam anúncios, ou seja, estavam monetizados no YouTube Reprodução/Youtube Esses vídeos são criados por pessoas adeptas do movimento antivacina, um fenômeno mundial com reverberação menor no Brasil. Há alguns grupos fechados no Facebook sobre o assunto e, no YouTube, a BBC News Brasil encontrou 15 vídeos de brasileiros sobre o tema, sendo o mais visto aquele com 825 mil visualizações. Depois que a BBC News Brasil enviou os vídeos ao YouTube, aqueles que eram monetizados foram desmonetizados pela plataforma. Segundo a empresa, vídeos que digam diretamente "você não deve se vacinar" violam diretrizes e serão retirados do ar; aqueles só com teorias da conspiração – mesmo que contrárias a vacinas – se enquadram apenas como desinformação e não podem ser monetizados, mas permanecerão no ar. Todos os vídeos encontrados pela reportagem foram publicados em 2018 ou 2019, e a maioria reproduz teorias da conspiração importadas dos Estados Unidos, onde o movimento é forte. O conteúdo dos vídeos brasileiros muitas vezes é copiado ou traduzido de vídeos antivacina americanos. Dois dos vídeos são de supostos médicos que contraindicam especificamente vacinas contra gripe e contra a febre amarela. Os comentários na maioria dos vídeos são de pessoas que hesitam em vacinar seus filhos e felicitam os youtubers pelas "informações". Cobertura vacinal A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a "hesitação em se vacinar" entre as dez maiores ameaças globais à saúde em 2019. Desde a década de 1990, o Brasil tem boa cobertura vacinal. Mas dados do Ministério da Saúde mostram que todas as vacinas destinadas a crianças menores de dois anos de idade no Brasil vêm registrando queda desde 2011. Por exemplo, a cobertura vacinal contra poliomielite no país era de 96,5% em 2012; dados preliminares de 2018 mostram que a cobertura dessa mesma vacina foi reduzida para 86,3%. Segundo o ministério, a redução pode ter diferentes causas: o sucesso do programa nacional de imunizações no país – já que a eliminação de algumas doenças no país pode ter levado a "uma falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar porque a população mais jovem não conhece o risco" e o acesso dos pais aos serviços de saúde. "A vacina está disponível, mas os horários dos locais não são compatíveis com os dos pais. Estamos começando a discutir um programa para melhorar esses horários de funcionamento", diz Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. E, por fim, uma terceira possível causa é justamente a resistência à vacinação, embora não se saiba exatamente qual é o peso do movimento na cobertura vacinal do Brasil, de acordo com Domingues. Domingues diz que o movimento é muito diferente do fenômeno nos Estados Unidos. "Lá tem um forte movimento antivacina, de pessoas que realmente não acreditam na vacina. Aqui temos mais uma hesitação em tomar a vacina, um pensamento como 'não tem mais casos da doença, então acho que não tenho que tomar'", afirma. É por isso, diz ela, que o Ministério da Saúde está fazendo ações para demonstrar para a população a importância da vacinação. Também vai conduzir estudos para entender como o movimento impacta nas coberturas vacinais do Brasil. Sistema de recomendação no YouTube Para esta reportagem, a BBC News Brasil entrou no YouTube sem estar logada em alguma conta. Em seguida, procurou no buscador da plataforma: "Devo vacinar minha filha?". Os primeiros vídeos que aparecem como resultado são reportagens de veículos de imprensa, alguns caseiros, um do Ministério da Saúde. O nono vídeo que aparece na lista é um chamado "Você deve tomar a vacina da febre amarela?", de Lair Ribeiro. Na primeira página, aparece também um vídeo de nome "Bill não vacina os filhos dele! Vacina é só pro gado", um vídeo com mais teorias da conspiração sobre Bill Gates e vacinas. Esse vídeo está monetizado. O vídeo de Lair Ribeiro critica especificamente a vacina da febre amarela. "Não precisa ser nenhum engenheiro brilhante da Nasa. Há discrepância entre dar a mesma carga virótica para uma criança de 9 meses e para um indivíduo de 18 anos de idade com saúde, cheio de força", diz. Procurado pela BBC News Brasil, ele afirma que "as vacinas têm o seu valor e como qualquer outra medicação podem trazer efeitos colaterais indesejáveis". Diz continuar "achando que uma criança de 1 ano de idade não deveria receber a mesma dose da vacina de febre amarela (ele sublinha 'febre amarela') do que um adulto de 30 anos". Segundo José Cássio de Moraes, especialista em imunização e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, não há problema em crianças e adultos receberem a mesma quantidade de partículas virais em uma vacina de febre amarela porque eles têm respostas imunológicas iguais. No Brasil, procurou-se recomendar vacina de febre amarela aos 9 meses porque aos 12, quando aplicada com a vacina de sarampo, acabava tendo uma menor resposta à imunização do sarampo, diz. A vacina de febre amarela é recomendada a pessoas que estejam em áreas de risco. No YouTube, o vídeo de Lair Ribeiro, publicado em fevereiro de 2018, tem 41,6 mil visualizações. Muitos usuários comentam contra vacinas como um todo. Outros vídeos vistos pela BBC News Brasil aparecem ligados entre si pelas recomendações. Depois de terminar de assistir ao vídeo "Vacinas: Redução Populacional", do canal "Verdade Mundial", o YouTube recomenda ao usuário o vídeo "Vacinas Esterlizantes de Bill Gates! GRIPE, Vírus para para Reduzir População! [COMPARTILHEM URGENTE]", de 243 mil visualizações. Quem assiste a um vídeo antivacina é levado a outro vídeo antivacina e com teoria da conspiração Reprodução/Youtube No primeiro vídeo, o fotógrafo Ton Müller diz que a vacinação provoca uma "eugenia controlada, uma eugenia pacífica". Por e-mail, ele diz que seu canal é um "hobby de pesquisa relacionada a conspirações". "Em nenhum momento empregamos como total verdade tudo o que é mostrado, mas sim uma forma de instigar as pessoas a pesquisar sobre cada assunto." O vídeo seguinte tem um rapaz apresentando mais teorias da conspiração ligadas a Bill Gates. Em determinado momento, usa o vídeo de Lair Ribeiro como fonte. Os vídeos desse youtuber, autor de várias teorias de conspiração e três especificamente antivacina, também são reproduzidos automaticamente depois do término de outro. A BBC News Brasil entrou em contato com 11 dos 13 youtubers contra vacina encontrados na plataforma. A reportagem não conseguiu o contato dos outros dois. As respostas variam: alguns argumentaram contra as vacinas, um negou que tivesse subido o vídeo no YouTube e retirou o vídeo do ar, e um autor disse não ter "compromisso com a verdade". Muitos brasileiros usam um vídeo que mostra uma fala de Bill Gates em que ele menciona redução populacional e vacinas. A teoria da conspiração de que ele investe em vacinação para reduzir a população mundial já foi notoriamente desmentida. De fato, sua fundação investe em vacinas, mas, segundo ele, com o objetivo de salvar a vida de mais crianças, não de matá-las por meio da vacinação. O empresário já declarou que acredita que salvar a vida de crianças, ou seja, reduzir a mortalidade infantil, pode ajudar a reduzir o crescimento da população mundial, que ele apoia. "Primeiro, mais crianças sobrevivem, depois, famílias decidem ter menos crianças", escreveu numa carta em 2018. Posicionamento do YouTube Em janeiro, o YouTube anunciou que a plataforma iria reduzir a recomendação vídeos "no limite" de violação de seus termos de uso nos Estados Unidos, citando, em nota e como exemplo, vídeos com "falsas curas milagrosas para doenças graves", vídeos "alegando que a terra é plana" ou vídeos "com alegações falsas sobre eventos históricos como o 11 de Setembro". Isso inclui alguns tipos de vídeos antivacina. Mas essa mudança ainda não chegou ao Brasil - deve ser aplicada no país no fim de 2019. "Graças a essas mudanças, o número de visualizações resultantes de recomendações desse tipo de conteúdo caiu mais de 50% nos EUA. Nosso sistema está ficando cada vez mais bem treinado para reconhecer vídeos que mereçam esse tratamento, e com o tempo poderemos tomar essas medidas com mais e mais conteúdo duvidoso", afirmou a empresa, em nota. Além disso, vídeos com conteúdo mais confiável serão favorecidos nos sistema de recomendação do YouTube. Vídeos de conteúdo duvidoso passarão a mostrar "painéis informativos" fornecendo mais contexto e outras fontes, como a Enciclopédia Britânica e a Wikipedia. Conteúdo importado No grupo de Facebook "VACINAS: O maior CRIME da história!", um dos administradores publica instruções sobre como traduzir "um artigo" pelo Google tradutor. O recurso precisa ser utilizado porque a maior parte do conteúdo antivacina no Brasil é uma adaptação de material em inglês. No YouTube, o procedimento é parecido. Youtubers contrários a vacinação colam trechos de vídeos em inglês em seus próprios vídeos. "Vou encerrar com as palavras do David Icke, com esse vídeo sobre as vacinas. Prestem atenção no que ele diz", diz um dos youtubers antivacina, antes de filmar um vídeo de Icke, um britânico conhecido por suas teorias da conspiração. Outro vídeo, este com 195 mil visualizações, tem parte dos textos explicativos em inglês – uma cópia de algum filme em inglês contra vacinas. Yasodara Córdova, pesquisadora-sênior sobre desinformação e dados na Digital Harvard Kennedy School, diz observar uma influência muito grande de conteúdo em inglês e de teorias da conspiração em vídeos brasileiros. Córdova foi coautora de um trabalho que identificou como o sistema de recomendação automatizado do YouTube estava sugerindo vídeos domésticos de crianças brasileiras aparentemente inofensivos para quem assistia conteúdo sexual - ou seja, o próprio algoritmo sexualizava as crianças. O achado foi divulgado em uma reportagem do jornal "The New York Times" no mês passado. "Desde o começo da internet, o conteúdo é majoritariamente em inglês. E quando essas teorias da conspiração, que são muito interessantes e bizarras e chamam a atenção, começam a ser expostas e monetizadas, elas prendem a atenção das pessoas", afirma Córdova. Na opinião da pesquisadora sobre comunicação científica Marina Joubert, da Universidade Stellenbosch, na África do Sul, as pessoas que se opõem à vacinação são conectadas dentro de suas comunidades, "mas também globalmente, via redes online". "Eles compartilham ideias por meio de redes sociais e reutilizam conteúdo e argumentos", diz ela, que conduz pesquisas sobre comunidades antivacina sul-africanas. Para Córdova, há pouco conteúdo que contradiga essas teorias da conspiração na internet. Uma das soluções, sugere ela, é que o próprio YouTube convide pessoas locais para produzir conteúdo que desminta a desinformação.
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20/06 - Descoberta nova espécie de verme que tem olhos na cabeça e no traseiro
Cientistas encontraram a nova espécie durante a exploração de área marinha protegida na Escócia. O verme foi encontrado durante uma pesquisa realizada em uma área protegida das Ilhas Shetland National Museums Scotland Uma nova espécie de verme que tem olhos na cabeça e também no traseiro foi descoberta no mar da Escócia. Os cientistas encontraram o animal durante uma pesquisa na Área Marinha Protegida de West Shetland Shelf. Com apenas 4 milímetros de comprimento, ele foi descoberto em uma parte inexplorada do fundo do mar da vasta área protegida. O verme marinho recebeu o nome científico de Ampharete oculicirrata. O verme descoberto tem apenas 4 milímetros de comprimento R Barnich A pesquisa foi conduzida pelo Joint Nature Conservation Committee (JNCC), a Marine Scotland Science, divisão científica da marinha escocesa, e a consultoria ambiental Thomson Environmental Consultants. O verme coletado durante a exploração do fundo do mar faz parte agora do acervo do Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo. "O fato de ter sido encontrado em uma profundidade relativamente rasa, relativamente perto da costa escocesa, mostra que ainda há muito para se aprender sobre as criaturas que vivem em nossas águas", afirmou Jessica Taylor, do JNCC. "Estou animada com as futuras pesquisas da JNCC e da Marinha da Escócia e o que elas podem revelar. É ótimo que espécimes da nova espécie tenham sido adquiridas pelo Museu Nacional da Escócia e estejam disponíveis para futuros estudos."
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20/06 - Cientistas descobrem sinais de Parkinson no cérebro até 20 anos antes dos sintomas
Exames realizados em pacientes considerados de alto risco revelaram disfunções no sistema de serotonina do cérebro - que controla o humor, o sono e o movimento - que podem agir como um sinal de alerta precoce. Exames mostraram disfunções no sistema de serotonina do cérebro, que controla o humor, o sono e o movimento Getty Images Cientistas dizem ter identificado os primeiros sinais da doença de Parkinson no cérebro - encontrados de 15 a 20 anos antes dos sintomas aparecerem. Exames realizados em um pequeno número de pacientes considerados de alto risco mostraram disfunções no sistema de serotonina do cérebro, que controla o humor, o sono e o movimento. Os pesquisadores do King's College London que conduziram o estudo dizem que a descoberta pode levar a novas ferramentas de monitoramento e tratamentos. Mas, de acordo com especialistas, é necessário realizar estudos mais amplos antes e tornar os exames mais acessíveis. O Parkinson é uma condição neurológica degenerativa progressiva que afeta cerca de 200 mil pessoas no Brasil. Entre os principais sintomas da doença, estão tremores, movimentos involuntários e rigidez - depressão, problemas de sono e memória também são comuns. Tradicionalmente, acredita-se que a doença esteja ligada a uma substância química chamada dopamina, em falta nos cérebros de pacientes com a doença. Embora não haja cura, há tratamentos para controlar os sintomas - e eles se concentram em restaurar os níveis de dopamina. Mas os pesquisadores do King's College sugerem, em artigo publicado na revista científica Lancet Neurology, que as mudanças nos níveis de serotonina no cérebro acontecem primeiro - e podem agir como um sinal de alerta precoce. Tomografias do crânio mostram uma redução na serotonina (área azul/preta) à medida que o Parkinson avança ('Saudável', 'Parkinson antes dos sintomas' e 'Doença de Parkinson') King's College London Os pesquisadores analisaram os cérebros de 14 pessoas de vilarejos remotos no sul da Grécia e na Itália, todos com mutações raras no gene SNCA, o que torna quase certo que desenvolvam a doença. Metade desse grupo já havia sido diagnosticado com Parkinson, enquanto a outra metade ainda não apresentava nenhum sintoma, fazendo deles candidatos ideais para estudar como a doença se desenvolve. Ao comparar o cérebro deste grupo com o de outros 65 pacientes com Parkinson e 25 voluntários saudáveis, os pesquisadores conseguiram identificar mudanças cerebrais precoces em pacientes na faixa de 20 e 30 anos. As alterações foram encontradas no sistema da serotonina, substância química que tem muitas funções no cérebro, incluindo a regulação do humor, apetite, cognição, bem-estar e movimento. 'Poderia abrir portas' O principal autor do estudo, Marios Politis, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College, afirma que as anormalidades foram identificadas muito antes dos distúrbios de movimento começarem e antes dos níveis de dopamina terem mudado. "Nossos resultados sugerem que a detecção precoce de alterações no sistema de serotonina poderia abrir portas para o desenvolvimento de novas terapias para retardar e, finalmente, prevenir a progressão da doença de Parkinson", explica. Derek Hill, professor de diagnóstico por imagens da University College London (UCL), no Reino Unido, diz que a pesquisa forneceu alguns conhecimentos valiosos, mas também apresenta algumas limitações. "Os resultados podem não ser escalados para estudos maiores", avalia. "Em segundo lugar, o método de imagem usado é altamente especializado e limitado a um número muito pequeno de centros de pesquisa, por isso ainda não é útil para ajudar a diagnosticar pacientes ou até mesmo para avaliar novos tratamentos em grandes estudos clínicos." "A pesquisa encoraja, no entanto, a abordagem de tentar tratar o Parkinson o mais cedo possível, o que é provavelmente a melhor oportunidade de impedir o crescente número de pessoas cujas vidas são destruídas por essa doença hedionda." Beckie Port, gerente de pesquisa da instituição Parkinson's UK, no Reino Unido, ressalta que são necessários estudos complementares: "Mais pesquisas são necessárias para entender completamente a importância desta descoberta - mas se for capaz de revelar uma ferramenta capaz de medir e monitorar como o Parkinson se desenvolve, isso pode mudar inúmeras vidas."
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20/06 - Cuidar da boca dos idosos se torna prioridade em Israel
Iniciativa do país reconhece a importância da saúde oral na longevidade Tive a oportunidade de conversar com Vadim Perman num evento realizado em São Paulo. Diretor-geral adjunto de planejamento, orçamento e preços do Ministério da Saúde de Israel, já ocupou diversos cargos nos sete anos em que está no órgão, e hoje é responsável pela gestão orçamentária de hospitais governamentais e a regulação de preços no setor de saúde. O país tem uma população de apenas 9 milhões de pessoas, sendo que 11% acima de 65 anos, com uma expectativa de vida alta: 84 anos para as mulheres e 80.3 anos para os homens. A cobertura de saúde é universal, ou seja, todos têm direito ao sistema público e o foco, acertadamente, está na prevenção. Para ele, é fundamental garantir que os mais velhos permaneçam saudáveis e independentes: “até 2030, população idosa vai dobrar em relação a 2014, mas não teremos dobrado o número de médicos, enfermeiras, tampouco o orçamento”. É aí que entra a iniciativa de oferecer atendimento dentário para os idosos acima de 75 anos – cerca de 430 mil. Em fevereiro, essas pessoas passaram a ter acesso à manutenção da saúde oral, o que inclui radiografias, extração, tratamento de canal e limpeza para combater a periodontite (doença das gengivas). A partir de outubro, quem tiver mais de 80 poderá fazer um tratamento completo. Não me refiro a providenciar dentaduras, e sim realizar implantes e o que mais for preciso para recuperar totalmente a boca. O governo estima que 50 mil sejam beneficiados no primeiro ano. Os custos ficarão entre 10 mil e 15 mil dólares por pessoa (algo entre 40 mil e 60 mil reais). Dos 430 mil acima dos 75, o governo acredita que metade necessite de cuidados, mas o projeto é mais ambicioso: o objetivo é alcançar todos acima de 65. Há limitações orçamentárias para implementar essa política, mas o primeiro passo está dado: o orçamento inicial de 70 milhões de dólares (280 milhões de reais) será aumentado para 110 milhões de dólares (440 milhões de reais) em 2021. Vadim Perman, diretor-geral adjunto de planejamento, orçamento e preços do Ministério da Saúde de Israel Mariza Tavares A saúde da boca desempenha um papel crucial na longevidade dos indivíduos. Para começo de conversa, é determinante para a nossa autoestima e, consequentemente, ajuda a manter o convívio social e combater a solidão. Além disso, preservar os dentes garante uma nutrição melhor e ajuda na deglutição – o que diminui o risco de engasgos. Pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, divulgaram, no começo do mês, estudo mostrando que doenças da gengiva estão relacionadas ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer: as bactérias podem migrar para o cérebro e produzem uma proteína que destrói células nervosas. No início da semana, levantamento feito pela Queen´s University de Belfast relacionou uma saúde oral precária com o risco de surgimento de câncer de fígado. Em 2004, cientistas descobriram a relação entre bactérias encontradas na boca e a ocorrência de pneumonia em pacientes internados em hospitais. De acordo com a Sociedade Americana de Geriatria, uma em cada dez mortes por pneumonia poderia ser evitada com higiene dental caprichada. Em 2017, outro levantamento relacionava a doença periodontal a câncer em mulheres mais velhas. Os pesquisadores acompanharam durante oito anos 65 mil mulheres, com idades variando entre 54 e 86 anos. Descobriram que aumentava o risco para câncer de esôfago e vesícula e, embora o exato mecanismo não tenha sido esclarecido, supõe-se que patógenos sejam engolidos com a saliva causando inflamação contínua em outros órgãos.
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20/06 - Pesquisa brasileira comprova que remédio usado por pacientes com Parkinson causa arritmia cardíaca
Estudo foi publicado na 'Nature' nesta quinta-feira. Cientistas da Unifesp usaram quatro grupos de ratos em testes cardíacos. Parkinson é uma doença que geralmente é diagnosticada após os 60 anos Sabine van Erp/Pixabay Uma pesquisa brasileira confirmou que o remédio domperidona, usado comumente para tratar enjoo e ânsia de vômito em pacientes com Parkinson, aumenta o risco de arritmia cardíaca. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (20) na revista "Nature". Foram usados 36 ratos machos em laboratório com peso entre 230 e 300 gramas. Eles foram divididos em quatro grupos em igual quantidade, mas apenas dois deles receberam 6-hidroxidopamina, composto responsável pelo modelo da doença de Parkinson nos estudos científicos. Dois grupos – um com a 6-hidroxidopamina e outro com uma substância salina (sem eficiência para a doença) – receberam a dose máxima de 80 mg/kg de domperidona. Os outros dois não receberam o medicamento. Os animais foram monitorados com eletrodos inseridos pela cabeça até o coração – método que garante que eles não sejam arrancados pelos roedores. Os cientistas avaliaram a reação dos ratos após três dias, cinco dias e após duas semanas. "Depois de cinco dias você já tem uma lesão estabelecida, e a gente pode analisar a situação do coração junto com o processo que leva ao Parkinson", explicou Fulvio Scorza, professor associado do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp, vice-diretor da Escola Paulista de Medicina e orientador do trabalho. Os resultados mostram que o uso da domperidona gera um risco maior de arritmia cardíaca, o que é um problema extra para os pacientes com Parkinson – quase 60% deles já apresentam alterações cardiovasculares. "A mortalidade da doença de Parkinson aumenta de duas a três vezes, em comparação à população em geral, cinco a dez anos após o diagnóstico inicial. Isso é um fato. Então, nós vasculhamos na literatura o termo 'morte súbita' na doença", disse Scorza. Segundo ele, há evidências de que as mortes repentinas causadas pela doença possam ser causadas pelo uso do remédio - ou até pela combinação com outros tratamentos. "Cada vez mais as pessoas precisam entender que a doença de Parkinson é neurológica, mas é preciso uma convergência entre as especialidades médicas, ou seja, outros órgãos podem estar em sofrimento e precisam ser avaliados, como o coração". O artigo é assinado pela pesquisadora Laís Rodrigues, da Unifesp. O orientador diz que mais um estudo, mas dessa vez com ratas, está em andamento. A incidência da doença em mulheres é menor: a cada três homens, uma mulher é diagnosticada. Scorza diz que outros artigos relacionam o estrogênio como um hormônio protetor.
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20/06 - Neuropediatra explica que autismo deixou de ser considerado raro, tem diagnóstico difícil e tratamento caro
O neuropediatra José Salomão Schwartzman esclarece dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista. Profissão Repórter desta quarta (19) acompanha a dificuldade das famílias e das escolas para tratar crianças com autismo. Uma em cada 59 crianças apresenta algum Transtorno do Espectro Autista, segundo um estudo divulgado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos. A incidência é maior em homens. Não há cura para doença e o tratamento adequado pode custar até R$20 mil por mês. Confira abaixo a entrevista com o neuropediatra José Salomão Schwartzman. Veja a edição do Profissão Repórter sobre autismo. O neuropediatra José Salomão Schwartzman diz que muitas pessoas ainda confundem autismo com doença mental. Foto: Eduardo de Paula / Rede Globo O que é autismo? José Salomão Schwartzman - Autismo é uma condição, um transtorno que apresenta algumas características básicas. Todo indivíduo diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem comprometimento da área da comunicação, comportamento e interação social. Um aspecto bastante comum é a falta de interesse de se comunicar e interagir com os outros. A pessoa com autismo tem uma tendência inata congênita ao isolamento. Existem hoje três níveis de autismo, classificados conforme o grau de severidade aumenta: Grau 1 ou leve, grau 2 ou moderado e grau 3 ou severo. Neste último nível, a pessoa apresenta um retardo intelectual importante e não tem habilidades de linguagem e comunicação funcional. São os autistas não-verbais, de baixo rendimento. Nos casos severos, o prognóstico é difícil, por mais completo e precoce que seja o tratamento. Há casos, por exemplo, de crianças autistas leves que são tratadas desde cedo, mas que desenvolvem o grau 3 quando crescem. Isso porque a criança autista nasce com determinado potencial e nem todo mundo responde ao tratamento da mesma forma. A maioria dos indivíduos apresenta um autismo regressivo, com um desenvolvimento normal durante a primeira infância e perda posterior das habilidades até então adquiridas. Muitas pessoas ainda confundem autismo com doença mental. São completamente diferentes. Autismo é um problema causado por um distúrbio de desenvolvimento. Atinge o cérebro em maturação. Uma pessoa diagnosticada com autismo pode apresentar uma doença mental? Schwartzman - Sim. Isso é comum, embora uma coisa não leve a outra. Mas, como qualquer pessoa considerada “típica”, o indivíduo com autismo também está sujeito a apresentar outras patologias e condições psiquiátricas. É comum, por exemplo, a associação do autismo com transtorno obsessivo compulsivo, o transtorno opositor e a epilepsia. Como os pais podem identificar os primeiros sinais de autismo? Schwartzman - A família deve ficar atenta aos fatores de risco. Por exemplo, um bebê de um ano que não olha para a mãe, recusa o peito, não aceita colo, não atende pelo nome, não fala, fica isolado olhando para uma determinada coisa o tempo inteiro e faz movimentos repetitivos com a mãozinha. Esse tipo de comportamento tem de chamar a atenção. Não quer dizer que a criança seja autista, mas que apresenta sinais de risco para o desenvolvimento do autismo. No momento em que se percebe que algo está fora do normal, é importante ir atrás de diagnóstico e começar a tratar imediatamente. Existe um exame que comprove o diagnóstico de autismo? Schwartzman - Não. O diagnóstico de autismo é clínico. Autismo tem cura? Schwartzman - Não. Mas com tratamento adequado é possível minimizar os efeitos do transtorno. Também não há medicamentos para o autismo, mas para combater sintomas do autismo, como agressividade, hiperatividade e epilepsia. O tratamento medicamentoso não resolve, apenas atenua problemas graves. Como é o tratamento para o autismo? Schwartzman - O que tem eficácia científica de que funciona são os tratamentos da psicologia comportamental, que por meio de recompensas, reforçam os comportamentos adequados e diminuem os inadequados. Cada indivíduo responde ao tratamento de uma forma particular, mas é seguro dizer que quem é tratado estará melhor do que quem não é. A pessoa com autismo não responde a apenas uma consulta semanal de 40 minutos, por exemplo. Ela precisa ser massivamente trabalhada. Recomenda-se acompanhamento de psicólogos altamente especializados de, no mínimo, 10 a 40 horas semanais. Também é fundamental o tratamento fonoaudiológico, desenvolvendo a oralidade e métodos alternativos de comunicação, além da terapia ocupacional, trabalhando as dificuldades sensoriais do indivíduo a longo prazo. O tratamento adequado para autismo é caro. Em São Paulo, por exemplo, tratar corretamente alguém com TEA pode custar até vinte mil reais por mês. O questionamento que se faz é: quem pode pagar por um tratamento desses a longo prazo? A imensa maioria das pessoas que precisa não tem tratamento adequado (conforme mostra o programa desta quarta-feira). O Brasil tem hoje uma política pública que garante à família alguns direitos básicos, mas não há locais de tratamento adequado sem pagamento pelo Sistema Único de Saúde. Hoje, você identifica um monte de casos, mas lamentavelmente não há muito o que fazer com essas pessoas. Ainda não tem alternativa no Brasil, pelo menos do ponto de vista público. Antes, considerava-se que o autismo atingia uma em cada 10 mil crianças. O número mais recente que se tem hoje é que uma em 59 crianças apresenta o TEA. É um problema premente de saúde pública, que atinge milhões de pessoas. Deixou de ser considerada uma doença rara. O autismo atinge predominantemente os homens, numa proporção de cinco homens para cada mulher afetada pelo transtorno. O autista consegue desenvolver um afeto? Schwartzman - Cada autista tem sua própria personalidade, seu jeito de ser. Não existe aquele estereótipo do autista violento ou bonzinho. Há os que odeiam toque físico e os que adoram. Alguns são extremamente carinhosos. Algumas pessoas usam esses estereótipos para negar o diagnóstico. "Dizem que meu filho é autista, mas ele me olha nos olhos e é carinhoso", por exemplo. É preciso tomar cuidado. As escolas estão preparadas para receber alunos autistas? Schwartzman - A maioria não está. O autista tem um perfil peculiar, vê de um jeito, ouve de um jeito, se comporta de um jeito. Como esperar que ele aprenda e se desenvolva numa escola que baseie seu conteúdo no aluno “médio”? Uma escola inclusiva é aquela que aceita o aluno com suas limitações particulares e que, ao mesmo tempo, elabora um plano de ensino e um currículo sob medida para o aluno. Poucas escolas oferecem essa possibilidade. É caro e cansativo. Também é preciso cuidado para não generalizar. Não é todo autista que tem de estar matriculado na escola do ensino regular. Sou a favor da inclusão, mas contanto que o aluno autista seja incluído no melhor lugar para seu desenvolvimento. Esse lugar não é, obrigatoriamente, a mesma escola dos irmãos. Como as famílias podem se preparar para cuidar de uma pessoa com autismo? Schwartzman - Não existe uma criança autista numa família sadia. A família também passa a ser autista. Passa a viver numa dinâmica completamente diferente do que se tivesse apenas um filho típico. O que a gente faz pouco no Brasil é um atendimento intensivo à família, como grupos de pais. Não adianta cuidar da criança autista sem levar em conta o ambiente familiar em que ela vai crescer. Para que o tratamento do autismo seja eficaz, é fundamental que a família também seja capacitada e orientada. Os pais, os terapeutas, a escola e o meio em que a pessoa com TEA vive devem apresentar uma postura mais ou menos similar. Como viver com o autismo? Veja série especial do Bem Estar. Jovens com autismo severo recebem tratamento em fundação especializada Lei garante direito a autistas, mas nem sempre a legislação é cumprida na prática
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19/06 - As 'fazendas de cadáveres' onde corpos se decompõem ao ar livre
Cemitérios forenses são lugares que desafiam vários dos ritos que os humanos têm em relação à morte. Esses lugares, onde os cadáveres são deixados ao ar livre por semanas ou meses, ajudam a solucionar crimes, embora alguns cientistas tenham críticas sobre eles. Os cemitérios forenses prestam serviços às autoridades que tentam esclarecer os crimes IFAAS/USF No meio de um gramado há alguns arbustos de aproximadamente um metro de altura. Eles são um pouco mais altos que os demais, porque o pedaço de terra em que crescem se alimenta de substâncias liberadas por cadáveres humanos que apodrecem por várias semanas. De longe, o local parece um campo ideal para dar um passeio, mas quando você entra nos arbustos, um forte mau cheiro de morte faz seus olhos lacrimejarem. O lugar onde os segredos da anatomia humana foram desvendados O dia está ensolarado e a temperatura chega a 30º - o ar é úmido e pesado. Neste terreno de pouco mais de um hectare existem 15 corpos humanos espalhados. Eles estão todos nus, alguns trancados em jaulas de metal. Alguns estão cobertos com um plástico azul, outros enterrados e outros diretamente ao ar livre. Cada corpo forma uma silhueta que parece um montinho de grama morta, mas então, naquele mesmo pedaço de terra, um arbusto vigoroso crescerá, mais alto que os outros. Esse local aberto é um laboratório de antropologia forense da Universidade do Sul da Flórida, que opera desde 2017 no condado de Pasco, a 25 minutos da cidade de Tampa. O campo fica em uma zona rural, próximo de um presídio. As pessoas comumente chamam o local de "fazenda de cadáveres", embora os cientistas prefiram chamá-lo de cemitério forense ou laboratório de tafonomia, área da ciência que estuda o que acontece a um organismo após sua morte. Na verdade, essa "fazenda" inicialmente seria localizada no condado de Hillsborough, a cerca de 80 km de Pasco, mas os vizinhos se opuseram ao projeto porque temiam a desvalorização de suas propriedades diante do fedor de corpos em decomposição. As críticas a este tipo de laboratório não vêm apenas de pessoas que não querem viver perto de pessoas mortas. Mesmo dentro da comunidade científica há aqueles que são céticos sobre a necessidade e o valor científico das fazendas de cadáveres. Mas como são essas fazendas, para que servem e por que geram tanta controvérsia? Alguns dos corpos são protegidos por gaiolas para evitar que sejam alvos de aves de rapina IFAAS/USF Corpos em decomposição A fazenda de cadáveres da Universidade do Sul da Flórida é uma das sete existentes nos Estados Unidos. Também há algumas na Austrália. Países como Canadá e Reino Unido têm planos para abrir seus primeiros campos do tipo neste ano. Os cadáveres que estão na fazenda da universidade americana são de pessoas que antes de morrer decidiram doar voluntariamente seus corpos para a ciência. Em outros casos, são os parentes do falecido que decidem dar o corpo à perícia. O objetivo principal desses lugares é entender como o corpo humano se decompõe e o que acontece no ambiente que o rodeia durante esse processo. A compreensão desse processo fornece dados para a resolução de crimes ou para a melhora das técnicas de identificação de pessoas. "Quando alguém morre ocorrem muitas coisas ao mesmo tempo (no corpo)", diz Erin Kimmerle, diretora do Instituto de Antropologia Forense da Universidade do Sul da Flórida. "Ocorre desde a decomposição natural, até a chegada de insetos e mudanças na ecologia." Kimmerle e sua equipe consideram que a melhor maneira de entender o processo de decomposição é observá-lo em tempo real, com corpos reais em um ambiente real. Segundo Kimmerle, em geral o corpo humano passa por quatro etapas depois da morte. Na primeira, chamada de "corpo fresco", a temperatura do cadáver cai e o sangue deixa de circular - ele também se concentra em certas partes do corpo. Então, durante a "decomposição inicial", as bactérias começam a consumir os tecidos - a cor da pele também começa a mudar. No terceiro estágio, a "decomposição avançada", os gases se acumulam, o corpo incha e os tecidos se rompem. Finalmente, inicia-se a "esqueletização", que se evidencia pela primeira vez no rosto, nas mãos e nos pés. Em algumas condições de umidade e outros fatores, o corpo pode ser naturalmente mumificado. Esses estágios, no entanto, são influenciados pelo ambiente em que o corpo está - e isso é de interesse para a ciência forense. Dados valiosos Na fazenda, alguns corpos ficam dentro de uma cerca de metal para que animais carnívoros, como aves de rapina, não os ataquem. A gaiola impede que eles sejam comidos por gambás e abutres, então, a perícia pode estudar como ocorre a decomposição tecidual. Os cientistas também observam a ação dos vermes, que se alimentam dos órgãos internos do cadáver. Por outro lado, outros corpos estão totalmente expostos, à mercê dos animais que chegam em bandos. Eles fazem buracos na pele, rasgam músculos e tecidos e até mesmo rodeiam o corpo para comer o máximo que podem. Enquanto isso, os pesquisadores visitam a fazenda todos os dias para tirar fotos e filmar, observar como a decomposição evolui e comparar o processo de cada um de acordo com as condições do local onde estão. Geólogos e geofísicos trabalham em conjunto com a perícia para analisar o solo, a água, o ar e a vegetação. Eles estão interessados ​​em saber como as substâncias liberadas pelo corpo mudam as propriedades do local onde ele se decompõe. "Tentamos obter o máximo de informações de cada indivíduo", diz Kimmerle. Quando os corpos já são apenas esqueletos, eles são transportados para o que a perícia chama de "laboratório seco", onde limpam os ossos e os armazenam para que estejam disponíveis para estudantes e pesquisadores. Crimes não resolvidos Os dados coletados por pesquisadores de tafonomia são úteis para investigações de medicina legal e forense. A maneira pela qual um corpo é decomposto serve para refinar a estimativa de há quanto tempo uma pessoa está morta ou se o corpo foi movido ou enterrado. As substâncias que o cadáver libera e o estado do corpo também dão pistas sobre a origem da pessoa. Isso, somado a outros dados genéticos e análise óssea, fornece informações que podem ser aplicadas em casos criminais que ainda não foram resolvidos. É por isso que parte da missão dessas fazendas é prestar serviços às autoridades que tentam esclarecer homicídios. Para muitos pode parecer chocante trabalhar diariamente com a morte e ver corpos humanos em um estado que normalmente preferimos esconder. Para Kimmerle, no entanto, essa questão não é a que causa maior perturbação. "Como profissional da ciência, a gente separa essa conexão", diz ele, referindo-se ao tabu que muitas vezes acompanha o tema da morte. "Trabalhamos com muitas investigações de homicídios, então, o maior desafio é encarar histórias realmente trágicas. Para mim, o mais tenebroso é ver o que uma pessoa é capaz de fazer com a outra", diz Kimmerle. Ele também afirma que é um desafio confrontar as histórias de famílias que perderam seus filhos 20 ou 30 anos atrás e ainda estão procurando por seus restos mortais. Para ela, seu trabalho faz sentido na medida em que ajuda a esclarecer alguns dos quase 250 mil crimes não resolvidos que existem nos Estados Unidos desde 1980. De onde vêm os cadáveres? Desde a sua inauguração em outubro de 2017, o cemitério forense recebeu 50 corpos de doadores e tem uma lista de 180 pré-doadores, isto é, pessoas vivas que já decidiram que quando morrerem querem se entregar, literalmente, à ciência. Os doadores são em sua maioria idosos que já estão planejando seus últimos anos de vida. "É como planejar sua profissão post-mortem", diz Kimmerle. "É como se os doadores ajudassem a resolver crimes após a morte." Entre as restrições que existem para doar o corpo estão doenças infecciosas que possam colocar em risco as pessoas que posteriormente estudarão o corpo. Uma ciência emergente As fazendas de cadáveres fornecem dados para a ciência, mas também têm limitações. Patrick Randolph-Quinney, um antropólogo biológico da Universidade Central de Lancashire, no Reino Unido, se diz a favor deste tipo de laboratório, mas afirma que as pesquisas na área ainda são uma ciência emergente. "O problema com essas instalações abertas é que existe uma série de variáveis que não se pode controlar, mas apenas monitorar", disse Randolph-Quinney à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "Isso torna os dados que eles produzem muito mais difíceis de interpretar, porque eles não se prestam facilmente para fazer previsões." Para o antropólogo, o desafio dos cemitérios forense é encontrar novos padrões para coletar informações e compartilhá-las com outros pesquisadores para obter resultados de maior significância estatística. Sue Black, antropóloga forense da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, também expressa suas reservas. Em um artigo na revista Nature, Black questiona o valor científico dessas fazendas, já que seus estudos são baseados em pequenas amostras e resultados altamente variáveis. A revista também cita um livro que Black publicou em 2018, no qual ela se refere às fazendas de cadáveres como "um conceito espantoso e macabro". Kimmrle, por sua vez, vê um futuro promissor para esses laboratórios e acredita que no futuro haverá novas unidades ao redor do mundo. "Quem entende esse tipo de pesquisa, a profundidade delas e sua importância em aplicações práticas, verá que elas são muito necessárias", conclui Kimmerle.
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19/06 - Programa Mais Médicos divulga lista das cidades em que cada aprovado trabalhará
Municípios com vulnerabilidade social e extrema pobreza foram prioridade no processo seletivo. Selecionados começarão a exercer função entre 24 e 28 de junho. Programa Mais Médicos para o Brasil divulgou resultados nesta quarta (19) Reprodução/Pixabay O resultado do processo de seleção de municípios do Programa Mais Médicos para o Brasil foi publicado nesta quarta-feira (19), no Diário Oficial da União. Os candidatos devem consultar a lista, disponível neste link, e verificar em qual cidade poderão trabalhar, caso aceitem a oferta. São mais de 2 mil vagas, em cidades com altos índices de vulnerabilidade social e de população em extrema pobreza. Para garantir a oportunidade, os aprovados têm até o dia 21 de junho para acessar o termo de adesão e incluir os arquivos solicitados pelo sistema. Depois, entre 24 e 28 de junho, esses médicos precisam comparecer pessoalmente ao município onde foram selecionados. Será necessário apresentar duas vias do termo e documentos pessoais, listados no site do programa, com cópias autenticadas. Os aprovados começarão a trabalhar logo em seguida. O cumprimento desses prazos é essencial para não perder a vaga. Desistências do Mais Médicos O edital atualmente em andamento foi publicado em 13 de maio. Trata-se da terceira tentativa feita pelo governo federal para preencher as vagas deixadas pelos médicos cubanos quando o país deixou o programa, em novembro de 2018. Após a saída de Cuba do programa, em novembro, um primeiro chamamento público foi aberto para preencher as 8.517 vagas que foram deixadas. No total, 7.120 vagas foram preenchidas em seguida por médicos formados no Brasil. Em um novo edital, publicado em dezembro, as 1.397 vagas remanescentes foram oferecidas a médicos brasileiros formados no exterior. Apesar desse esforço, cerca de 19% dos médicos brasileiros selecionados até o mês de maio desistiram do programa. Dados obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Saúde mostram que 1.325 profissionais com registro profissional brasileiro se desligaram do programa até o final de maio. O número de desistências cresceu 25% em relação ao balanço anterior, que indicava 1.052 médicos desistentes nos três primeiros meses do ano. Quem pode participar Nesta primeira fase, puderam participar: médicos formados em instituições de ensino brasileiras ou que possuem diploma revalidado no Brasil. Caso haja vagas remanescentes, no período do dia 2 ao 4 de julho, as inscrições serão abertas para profissionais brasileiros formados em instituições estrangeiras, com habilitação para o exercício da medicina no exterior. Regiões atendidas As vagas foram abertas em municípios que se encaixem em alguma das seguintes categorias: áreas com os maiores percentuais de população em extrema pobreza; cidades que estejam entre as 100 com mais de 80 mil habitantes, que tenham baixos níveis de receita pública e alta vulnerabilidade social; municípios que estejam nas regiões de Vale do Ribeira, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri ou Região do Semiárido, que tenham IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) baixo ou muito baixo; locais de atuação de Distrito Sanitário Especial Indígena. Bolsa-formação Os médicos selecionados poderão receber uma bolsa-formação, no valor de R$ 11.865,60, paga mensalmente por até 3 anos. Esse valor possibilita que eles se matriculem em cursos de especialização ofertados pelo Sistema Universidade Aberta do SUS (UnaSUS). É obrigatório que cumpram, semanalmente, oito horas em atividades acadêmicas teóricas e 32 horas em atividades nas unidades básicas de saúde. Calendário 1ª etapa 19/06 - Publicação do resultado final de médicos para cada município 19 a 21/06 - Confirmação da escolha de vaga 24 a 28/06, até 18h - Apresentação pessoal dos médicos nas cidades em que trabalharão e início das atividades 2ª etapa 02 a 04/07 - Inscrição de brasileiros formados fora do país, que tenham habilitação para exercer a medicina no exterior 05 a 26/07 - Validação dos documentos dos brasileiros descritos acima 29/07 - Publicação preliminar da validação desses médicos 07/08 - Publicação do resultado final 08 e 09/08 - Escolha das vagas 13/08 - Lista com alocação dos médicos
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19/06 - 97% dos brasileiros aprovam vacinação infantil em meio a ameaça global de volta de doenças
Pesquisa conduzida pelo 'Wellcome Global Monitor' em 140 países mostrou ainda que 80% dos entrevistados no Brasil acreditam que a vacinação é segura, índice próximo da média global. No total, foram ouvidas 140 mil pessoas em todas as regiões do globo Divulgação/Sesa Uma pesquisa conduzida pela "Wellcome Global Monitor" em 140 países e divulgada nesta quarta-feira (19) mostra que os brasileiros, apesar do aumento da desconfiança em relação às vacinas em algumas regiões do mundo, acreditam na importância da imunização, pelo menos na infância. Entre as mil pessoas entrevistadas no país, 97% afirmaram "concordar fortemente" ou "concordar" com a importância de que as crianças sejam vacinadas. A proporção é maior que a média global (92%) e que os índices observados em vizinhos como o Chile (89%), Uruguai (94%) e Peru (95%). Um percentual bem inferior, de 80%, declarou acreditar que as vacinas como um todo são seguras - proporção ainda superior, entretanto, à média global, que atingiu 79%. Entre as regiões com menores percentuais estão a Europa - especialmente o leste, onde apenas metade dos respondentes afirmou confiar na segurança das vacinas - e o leste da Ásia. No Japão, a taxa daqueles que disseram considerar as vacinas seguras foi de apenas 34% – neste ano, o país vive o pior surto de sarampo da última década. Desinformação preocupa mais do que grupos 'antivacina', diz epidemiologista Sarampo: Como uma doença evitável retornou do passado No total, foram ouvidas 140 mil pessoas em todas as regiões do globo. Além de imunização, também foram temas de perguntas o nível de conhecimento e de confiança dos entrevistados em relação à Ciência e aos cientistas e o interesse nesses temas. Essa é a primeira pesquisa global que investiga esses assuntos. Manifestação anti-vacina nos Estados Unidos com o ativista ambiental Robert Francis Kennedy Jr. Ted S. Warren/AP No caso do Brasil, os participantes foram ouvidos entre 19 de julho e 22 de agosto do ano passado. A margem de erro da pesquisa é de 3,6 pontos percentuais. Questionados sobre suas impressões a respeito da eficácia das vacinas, 81% dos brasileiros afirmaram "concordar fortemente" ou "concordar" com a afirmação de que elas funcionariam, um percentual inferior ao da média global, 84%. A proporção é menor que a de países como Colômbia (82%), Argentina (89%), México (91%) e Venezuela (94%), mas está à frente da registrada no Peru (70%) e no Uruguai (75%). Apesar das evidências científicas de que as vacinas ainda são um meio seguro e efetivo para prevenção de uma série de doenças, há grupos em diversos países que questionam a segurança dos programas de imunização e decidem não vacinar os filhos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou a chamada "hesitação vacinal" entre as dez maiores ameaças à saúde global. As vacinas protegem bilhões de pessoas. Graças a elas, a varíola hoje é considerada erradicada e a poliomielite está próxima desse patamar. Sete das oito vacinas obrigatórias para crianças têm cobertura abaixo da meta Outras doenças difíceis de serem combatidas e muito contagiosas, entretanto, estão ressurgindo. Entre as razões, dizem especialistas, está o fato de que um grande número de pessoas tem preferido não se vacinar por medo ou desinformação. Ann Lindstrand, especialista em imunização da OMS, afirmou que a situação atual é extremamente preocupante. "A hesitação vacinal tem o potencial, pelo menos em algumas regiões, de colocar em risco o progresso que o mundo conseguiu fazer nas últimas décadas em relação a doenças evitáveis." "Qualquer ressurgimento dessas doenças são passos inaceitáveis que damos para trás." A volta do sarampo Países que estavam perto de eliminar o sarampo, por exemplo, agora têm assistido a episódios de surto da doença. Dados da OMS mostram um aumento no número de casos em praticamente todas as regiões do globo - no total, um salto de 30% entre 2016 e 2017. No ano passado, a Unicef alertou para o fato de que 98 países registraram mais casos da doença em 2018. Os 10 países com situação mais crítica foram responsáveis por 74% do aumento. O Brasil está nessa lista, com 10.262 casos, e uma redução em paralelo da cobertura vacinal, que regrediu de 96% em 2015 para 85,2% em 2017. Febre amarela causa a morte de 14 pessoas em 2019 Na ocasião, a chefe da área de Saúde e HIV da Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, afirmou que o cenário é resultado de uma conjunção de fatores e que a organização tem "hipóteses" sobre as causas, mas que precisava de evidências mais concretas para falar sobre elas. O nível de imunização é um indicador importante porque, se a cobertura vacinal é alta o suficiente, a doença não consegue circular e menos pessoas são infectadas - o que os especialistas chamam de "efeito rebanho". Para doenças como o sarampo, por exemplo, bastante contagiosas, o percentual ideal é de 95%. Para a poliomielite, pouco mais de 80%. "Estamos preocupados neste momento por causa do sarampo. Qualquer percentual de cobertura inferior a 95% pode levar a surtos - e é isso o que estamos vendo", diz Imran Khan, do "Wellcome Trust". Retorno do sarampo BBC Desconfiança Moradores de regiões com renda média elevada estão entre aqueles, de acordo com os dados da pesquisa, que menos confiam na segurança das vacinas. Na França, um em cada três discorda que elas seriam seguras. Esse é o percentual mais alto registrado entre os 140 países avaliados na pesquisa. Os franceses estão também entre os que mais discordaram que as vacinas seriam efetivas (19%) e que a imunização seria importante para as crianças (10%). Não por acaso, o governo francês acrescentou recentemente outras oito vacinas às três que já eram obrigatórias na infância. Também em resposta à queda na taxa de imunização, a Itália recentemente aprovou uma lei que permite que as escolas barrem crianças não vacinadas ou multem os pais. Na pesquisa do "Wellcome Global Monitor", 93% dos italianos disseram ter vacinado os filhos, percentual semelhante ao da Bolívia (93%) e inferior ao do Brasil (96%). O mercúrio contido nas vacinas faz mal à saúde? O Reino Unido ainda não tomou medidas concretas contra os "antivacina", mas o Secretário de Saúde, Matt Hancock, disse recentemente que "não descarta" a ideia da vacinação compulsória, se for necessário. No continente, a maior descrença foi verificada entre os países do leste. Na Ucrânia, apenas metade dos entrevistados declarou acreditar que as vacinas são seguras – o país registrou o maior número de casos de sarampo na Europa no ano passado, 53.218. Lá, 50% declararam achar que as vacinas funcionam, percentual semelhante ao dos vizinhos Belarus (46%) e Moldávia (49%). Os Estados Unidos também têm registrado surtos de sarampo – o maior registrado em décadas no país, com 980 casos confirmados em 26 Estados apenas em 2019. Pesquisa sobre vacinas BBC Histórias de sucesso Um percentual elevado das populações de países de renda média baixa concorda que as vacinas são seguras. O maior patamar foi observado no sul da Ásia, onde 95% dos entrevistados concordaram com a afirmação, seguido do leste da África, com 92%. Os percentuais são ainda mais altos em Bangladesh (98%) e Ruanda (94%), onde as taxas de imunização atingiram níveis bastante elevados apesar das dificuldades práticas para se vacinar a população. Ruanda se tornou o primeiro país de renda baixa a fornecer acesso universal à vacina do HPV, que protege contra o câncer cervical, às jovens. "Isso mostra o que se pode alcançar com um esforço concentrado para elevar a cobertura vacinal", pontua Khan. O que gera desconfiança? Na pesquisa, aqueles que apresentavam maior confiança em cientistas, médicos e enfermeiras tenderam a concordar com as afirmações sobre segurança e efetividade das vacinas. Por outro lado, aqueles que buscaram recentemente informações sobre ciência, medicina ou saúde tiveram uma tendência menor a concordar com as afirmações. O relatório do "Wellcome Monitor" não explora todas as razões por trás dos casos de baixa confiança nas vacinas, mas pesquisadores ressaltam que elas são explicadas por uma conjunção de fatores que vai além da hesitação vacinal. Um deles pode ser complacência - se uma doença acaba ficando menos recorrente, a necessidade de vacinar pode parecer menos premente quando se pesam os benefícios e possíveis riscos. Todos os medicamentos podem apresentar efeitos colaterais, incluindo as vacinas. Elas são, entretanto, minuciosamente testadas para verificar sua segurança e eficácia. A velocidade rápida da internet acaba compartilhando crenças e preocupações acerca da imunização que não estão necessariamente baseadas em fatos concretos. Vacinação em Santos/SP Divulgação/PMS No Japão, por exemplo, especialistas acreditam que a redução da confiança nos programas de imunização como um todo pode ter relação com uma suposta ligação entre a vacina contra o HPV e problemas neurológicos, um tema que foi largamente discutido entre a população. Na França, por sua vez, há uma controvérsia em relação à vacina contra influenza - acusações de que o governo comprou grande quantidade de doses, fabricadas de última hora e não necessariamente da forma mais zelosa. No Reino Unido, a vacina tríplice viral e sua suposta ligação com o autismo ainda causa polêmica, mesmo depois de esclarecido pela comunidade médica de que a ligação não tinha fundamento. "Um das intervenções mais importantes para contrapor os questionamentos e preocupações sobre as vacinas é aquela feita por profissionais da saúde bem treinados e capazes de explicar a eficiência das vacinas com base em evidências científicas", afirma Lindstrand, especialista em imunização da OMS. *Gráficos de Becky Dale e Christine Jeavans; design de Debie Loizou; desenvolvimento por Scott Jarvis e Katia Artsenkova
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19/06 - Estudo lista 21 doenças que podem ser detectadas com a ajuda de postagens do Facebook
Cientistas analisaram perfis de mais de 900 pessoas e 949 mil posts da rede social. Estudo foi publicado pela revista científica 'PLOS One'. Homem usa aplicativo do Facebook no celular. Dado Ruvic/Reuters Um estudo divulgado pela revista científica "PLOS One" listou 21 condições médicas que podem ser detectadas com uma análise de perfil no Facebook. A pesquisa foi feita pela Universidade da Pensilvânia em parceria com a Stony Brook University e traz evidências que ajudam a identificar doenças como diabetes, ansiedade e depressão. O grupo de cientistas desenvolveu uma técnica para analisar como a rede social pode prever essas condições. Eles coletaram dados relacionados à linguagem recorrente no Facebook e cruzaram com as informações demográficas dos pacientes – é a primeira vez que pesquisadores associam prontuários eletrônicos com registros das redes sociais. Os pacientes foram convidados a compartilhar suas postagens anteriores e ceder dados dos seus Registros Médicos Eletrônicos (EMR, sigla em inglês). Com base nesses documentos, também foram coletadas informações sobre sexo, idade, e raça das pessoas envolvidas, além de possíveis diagnósticos anteriores. Durante a pesquisa, os cientistas analisaram publicações de mais de 900 pessoas e 949 mil postagens no Facebook. Eles acreditam que é possível prever, apenas com as atualizações de status, se uma pessoa está grávida ou com doenças na pele. "Mais de dois bilhões de pessoas compartilham regularmente informações sobre sua vida cotidiana por meio das mídias sociais. Muitas vezes elas revelam quem são, seus sentimentos, sua personalidade, seus dados demográficos e comportamentos", afirma o artigo. Analisando a linguagem A pesquisa foi feita, inicialmente, com a análise de linguagem em 500 palavras por participante, sendo que cada condição médica devia possuir pelo menos 30 pessoas. Após esse levantamento primário, a próxima etapa foi "encontrar tópicos significativamente relacionados às condições médicas". Os cientistas usaram análise estatística para chegar às seguintes conclusões: Os termos "bebida" e "garrafa" mostraram ser mais preditivos ao abuso de álcool; Pessoas que mencionaram as palavras "Deus" ou "orar" são 15 vezes mais propensas a ter diabetes; O uso de expressões hostis, como a palavra "burro" e alguns palavrões, serviram de indicadores para abuso de drogas e psicoses. "Nossa abordagem foi encontrar tópicos significativamente relacionados às condições médicas por meio de análise estatística, em vez de selecionar postagens específicas com base em termos de pesquisa com alto nível de ruído", afirmam os pesquisadores. Eles agruparam palavras semelhantes em 200 tópicos e, utilizando um modelo estatístico que mapeia essas expressões, eles as enquadram em uma condição médica específica para a criação de nuvens de palavras. Para os pesquisadores, a descoberta vai muito além de um mero acaso e afirmam que "todas as 21 condições médicas são consequências da linguagem utilizada no Facebook”, logo, "os status da rede social demonstram maiores ganhos de precisão em relação as variáveis demográficas". "Personalidade das pessoas, estado mental e comportamentos são refletidos em suas mídias sociais e todos têm um tremendo impacto. Este é o primeiro estudo a mostrar que a linguagem no Facebook pode prever diagnósticos dentro do histórico das pessoas, revelando novas oportunidades para personalizar o cuidado e entender como a vida cotidiana se relaciona com sua saúde". O estudo anterior Outra pesquisa publicada na "PLOS One" é consequência de um trabalho produzido pelos mesmos pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, em outubro de 2018. Divulgada na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", essa análise dos cientistas buscava associar um diagnóstico mais ágil da depressão por meio do cruzamento do histórico médico com a análise linguística do Facebook. Mais de mil pessoas toparam entregar seus dados. Entre elas, 114 já haviam sido diagnosticadas com depressão.
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19/06 - Na evolução, cachorros passaram a levantar sobrancelhas para ter atenção dos humanos
Movimento dos músculos acima dos olhos não ocorre com a mesma intensidade em lobos. Ao erguer as sobrancelhas, cães atraem os cuidados dos donos. Na evolução, cachorros passaram a levantar sobrancelhas para ter atenção dos humanos Seu cachorro faz, de vez em quando, uma carinha especialmente fofa, que desperta sua atenção? Esse comportamento pode ser proposital, justamente para atrair mais cuidados dos seres humanos. Pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriram que, ao longo do processo evolutivo, esses animais desenvolveram novos músculos faciais. Com isso, conseguem elevar as sobrancelhas intencionalmente e imitar os olhos arredondados de filhotes. Essa expressão desencadeia, instantaneamente, uma resposta nos humanos. "Quando cachorros fazem esse movimento, despertam um desejo mais forte de cuidarmos deles. Isso deu aos que conseguiam mexer a sobrancelha uma vantagem maior em relação aos demais. Essa característica foi transmitida para as gerações seguintes", explica um dos pesquisadores. Ao erguer as sobrancelhas, cachorros ficam mais parecidos com filhotes e atraem a atenção dos humanos Reprodução/Pixabay Os autores do estudo, liderados pela psicóloga Juliane Kaminski, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, compararam lobos e cães. Os primeiros não conseguem movimentar a sobrancelha, porque não desenvolveram esses mesmos músculos acima dos olhos. Ao que parece, foi uma diferença decisiva entre as espécies - cachorros têm uma capacidade maior de interação social com humanos. Cientistas desvendam truque dos cães para chantagear donos com olhar irresistível No periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), no qual o estudo foi publicado, uma ilustração mostra a comparação entre os olhos dos lobos e dos cães: À esquerda, as áreas destacadas mostram os músculos dos olhos dos cachorros, capazes de deixar os olhos mais arredondados. À direita, o desenho representa os lobos, que não têm a mesma habilidade Reprodução/PNAS
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18/06 - O distúrbio raro que fez mãe e filho nascerem com cabelos brancos
Daiana e Anthony nasceram com fios brancos na região frontal do couro cabeludo e diversas manchas claras na pele. As características pouco comuns, que costumam chamar a atenção nas ruas, são causadas pelo piebaldismo. 'Quando notei que o meu bebê tinha as mesmas características que eu, senti uma enorme conexão com ele', diz Daiana Adri Silva/Arquivo Pessoal "Se te apontarem na rua ou caçoarem de você, ignore, é porque eles não têm educação", dizia com frequência a mãe de Daiana Rodrigues para a garota. Hoje, mais de duas décadas depois, Daiana é quem aconselha o filho, o pequeno Anthony, de três anos, a não se importar com comentários sobre a aparência. Daiana e Anthony nasceram com fios brancos na região frontal do couro cabeludo e diversas manchas claras na pele. As características pouco comuns, que costumam chamar a atenção nas ruas, são causadas pelo piebaldismo, alteração genética que afeta a pigmentação da pele. O distúrbio raro se caracteriza pela ausência de células produtoras de pigmento – os melanócitos – em diferentes regiões do corpo, resultando nas áreas brancas por falta de melanina. Por décadas, Daiana não soube o que tinha. Primeira da família com a característica, ela havia sido diagnosticada com vitiligo, cujos sintomas têm semelhanças com o piebaldismo. "Durante toda a minha infância, fiz tratamento para vitiligo. Eu tive que tomar vários comprimidos por dia e não dava resultado nenhum. Aos 13 anos, pedi aos meus pais para parar com os remédios, porque não via nenhuma diferença na minha pele", relata à BBC News Brasil. Ela conta que, apesar de se incomodar com olhares e perguntas constantes sobre sua aparência, nunca deixou que a situação a afetasse tanto. "Sempre vivi sem focar nisso. Nunca tentei me excluir. Estudei, cultivei amigos, namorei e trabalhei", diz Daiana, que é assistente social e mora em São Paulo. Conexão entre mãe e filho Atualmente aos 33 anos, ela se divide entre o trabalho e os cuidados com o filho. O nascimento do garoto representou um novo capítulo da história de Daiana com o piebaldismo. "Logo que o vi pela primeira vez, fiquei surpresa", diz ela. "Eu tive depressão durante a gravidez e não me sentia tão conectada ao bebê. Mas quando notei que ele tinha as mesmas características que eu, senti uma enorme conexão com ele", relata. Estudos mostram que há 50% de chances de os filhos de pais com piebaldismo nascerem com a mesma característica Adri Silva/Arquivo Pessoal Conforme estudos sobre o tema, há 50% de chances de filhos de pais com piebaldismo nascerem com a mesma característica. "Na literatura, há relatos de famílias com seis gerações de pessoas afetadas pela doença. Porém, nem todos os casos apresentam um pai ou mãe com as mesmas características, porque o piebaldismo pode surgir por uma mutação nova, o primeiro caso na família", explica o médico geneticista Carlos Eduardo Steiner, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A vida com o piebaldismo Daiana é a mais velha entre os três filhos da babá Dalgiza Rodrigues, de 58 anos. Logo no primeiro contato após o nascimento da primogênita, as características físicas da recém-nascida chamaram a atenção da mãe. "O dermatologista me informou que ela tinha vitiligo", relata a babá. Daiana é a única que nasceu com piebaldismo entre os irmãos. A maior preocupação da mãe era sobre o modo como a primogênita encararia as manchas na pele e os fios brancos. "Eu sabia que ela poderia ter complexo por isso. Então, ensinava a não se importar, quando alguém falasse alguma coisa", conta. Daiana cresceu e os olhares de estranhamento em direção a ela se tornaram mais constantes, pois as manchas na pele e os fios brancos ficaram mais evidentes. "Eu ficava chateada por ver minha filha passar por isso. Mas sempre tentava mostrar para ela que o erro era daqueles que a julgavam", comenta Dalgiza. Para tentar reduzir as manchas, a mãe seguia as instruções do médico para tratar vitiligo. "Era um tratamento bem incômodo. Tinha de tomar remédios e ficar exposta ao sol por uma hora, todos os dias, além de vários produtos para passar na pele", relata Daiana, que fez os procedimentos durante anos, até desistir por não ver resultados. "Nunca mais fiz nenhum tratamento." As manchas de Daiana estão localizadas em regiões como a área central da testa, logo abaixo da parte frontal do couro cabeludo; o queixo; o antebraço; o tórax; as pernas e a panturrilha. As áreas do corpo afetadas pela doença costumam ser semelhantes entre muitos daqueles que têm piebaldismo. As manchas são irregulares e podem variar de dimensão em cada caso. Desde que era bebê, Daiana passava o dia com protetor solar na pele, que era reaplicado pela mãe por diversas vezes ao dia. "Eu odiava ter que passar aquilo tantas vezes", comenta. A proteção é considerada fundamental em casos de piebaldismo, para diminuir os riscos de queimaduras solares e reduzir as chances de um possível câncer de pele. Preconceito A maior dificuldade causada pelo piebaldismo, para Daiana, foi ter de lidar com o preconceito relacionado à doença. "Na adolescência, havia colegas que me respeitavam, mas sempre tinha uma brincadeira ou outra sobre o assunto, mas eu preferia ignorar e não deixar que me afetasse emocionalmente." "Passei a entender o preconceito, realmente, quando me tornei adulta. Percebi que as pessoas olham torto, algumas pensam que é algo contagioso e outras, mais curiosas, perguntam se dói ou coça. Muita gente vem me dar conselhos de remédios. Quando são educados comigo, também sou educada. Quando são deselegantes, eu ignoro", revela. O dermatologista Leopoldo Duailibe, especialista em doenças dos cabelos, acredita que o preconceito relacionado ao piebaldismo existe em razão do desconhecimento sobre o tema. "É uma característica rara e a população, em geral, tem pouco contato com pessoas com piebaldismo", diz o médico, que acredita que a melhor forma para combater o preconceito é difundir informações sobre o tema. Para esconder as manchas na pele, Daiana já usou maquiagens intensas. Ela também pintou o cabelo, durante a adolescência, para que os fios brancos sumissem. "Hoje, não tenho mais vergonha das minhas características. Aprendi a gostar de mim do jeito que sou. Passo uma maquiagem leve, não mais para esconder as marcas", declara a assistente social. Somente aos 22 anos ela descobriu que as manchas no corpo e os fios brancos no cabelo não eram sinais de vitiligo. "Eu conheci uma moça que tinha as mesmas manchas na pele que eu e a área frontal do cabelo dela também era branca. Foi ela quem me contou que eu tenho piebaldismo e me fez entender que fui diagnosticada de modo errôneo desde a infância", diz a assistente social. A partir da descoberta, ela pesquisou sobre o tema e conheceu outras pessoas que também têm a condição. "Foi muito importante conversar com gente que vive a mesma situação, porque isso ajuda a lidar melhor com a doença." Erros de diagnóstico Assim como o caso de Daiana, são comuns relatos de pessoas com piebaldismo que foram diagnosticadas com vitiligo. "Isso acontece porque o vitiligo é uma doença de pele muito mais frequente e conhecida, que também é cercada de preconceitos e rejeição", detalha Steiner. Apesar das semelhanças entre as doenças, como as manchas brancas na pele, há pontos que as diferenciam. As características do piebaldismo estão presentes desde o nascimento e são estáveis ao longo dos anos. Já o vitiligo surge nos primeiros anos de vida e costuma piorar com o passar do tempo. Diferente do piebaldismo, que é genético, o vitiligo pode ter diferentes causas e pode haver tratamentos distintos para cada caso. Comumente, o piebaldismo se restringe a características físicas na pele e no cabelo. Apesar de raros, há casos em que ele pode estar relacionado a outras doenças, como a anemia Diamond-Blackfan, que causa deficiência na produção de plaquetas e pode ocasionar defeitos congênitos na face, no coração ou no sistema urinário. Os tratamentos para aqueles que têm o piebaldismo isolado, como é chamada a doença quando não está acompanhada de outra, costumam se restringir ao uso de protetor solar e outras medidas de proteção da pele, como a utilização de bonés ou chapéus e roupas que cubram braços e pernas. Especialistas ao redor do mundo - no Brasil há poucos estudos sobre o tema - têm buscado formas para amenizar as manifestações do piebaldismo. Porém, os estudos ainda são considerados incipientes. "Os tratamentos oferecidos atualmente para a repigmentação da pele, com medicamentos, fototerapia, laser ou microtransplante de pele têm mostrado poucos resultados. O uso de enxerto de células do próprio indivíduo parece ter resultado melhor em 75% dos casos, embora sejam necessários estudos em longo prazo para saber a real eficácia", explica Steiner. Não há levantamento oficial sobre pessoas com piebaldismo no mundo. Estudiosos avaliam que a doença acomete um em cada 20 mil nascidos. A chegada do filho Daiana considera que o maior desafio em relação ao piebaldismo foi o nascimento do filho. "Mas sei que para mim, quando comparado ao que a minha mãe viveu comigo, se torna mais fácil, porque eu já conheço sobre o assunto. Além disso, o meu filho tem o meu exemplo como alguém que tem as mesmas características que ele", diz. Exames mostraram que, como no caso da mãe, a condição de Anthony não traz consequências além do cabelo branco e das manchas Adri Silva/Arquivo Pessoal O pai do garoto, o analista de canais Cássio Suzuki, de 29 anos, revela que se surpreendeu ao ver o filho pela primeira vez. "Foi engraçado. Confesso que nunca havia parado para pensar que ele também pudesse ter piebaldismo. Mas não era algo que me preocupava", conta. Logo após o nascimento do garoto, Daiana levou o filho ao médico, que o diagnosticou com a condição. Ele passou por exames que comprovaram que, assim como no caso da mãe, a doença dele não traz consequências além do cabelo branco e das manchas na pele. "Os meus cuidados com ele são apenas relacionados à proteção ao sol", detalha Daiana. O maior temor dos pais do garoto é o preconceito que ele pode enfrentar por conta das características físicas. Daiana relata que costuma responder de modo amigável a quem pergunta sobre a aparência dela e do filho. "Percebo que o Anthony fica incomodado quando alguém olha muito para nós, principalmente no transporte público. Uma vez, ele me abraçou e disse para a pessoa: 'a mamãe é minha'", relata. "Quero que ele aprenda que, independente de qualquer coisa, sempre será tratado com o maior amor e carinho possível e que as pessoas devem amá-lo pelo que ele é, não pela aparência", diz Suzuki. Cássio, Anthony e Daiana: "Quero que ele aprenda que, independente de qualquer coisa, sempre será tratado com o maior amor e carinho possível e que as pessoas devem amá-lo pelo que ele é, não pela aparência", diz o pai da criança Adri Silva/Arquivo Pessoal Apesar das preocupações dos pais, Anthony não se importa com os fios brancos ou com as manchas no corpo. "Eu acho legal. Gosto de ter o cabelo igual ao da mamãe", diz, em conversa com a reportagem. Daiana não sabe se o filho entende que os olhares que recebem com frequência são motivados pelas características do piebaldismo. "Mas eu quero que ele entenda que essa condição não afeta nosso desenvolvimento como seres humanos", declara. Ela afirma que seu maior objetivo é que o garoto compreenda que a doença não pode ser considerada um grande problema na vida dele. "Quero que ele entenda que podemos viver tranquilamente com o piebaldismo e que podemos fazer tudo o que os outros fazem. Quero que ele aprenda que podemos ser felizes", diz.
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18/06 - Urso polar faminto é encontrado a 800 km de seu habitat natural na Rússia
Longas caminhadas dos ursos em busca de comida são cada vez mais frequentes à medida em que seu habitat e alimentação se deterioram em consequência da mudança climática. Cansado e com fome, urso polar vagueia em cidade siberiana Um urso polar faminto foi localizado nas proximidades da cidade industrial de Norilsk, no Ártico Russo, quando procurava alimentos no lixo, a mais de 800 km de seu habitat tradicional, anunciaram as autoridades locais. As imagens do animal, visivelmente esgotado, circularam pelas redes sociais russas. O urso foi observado pela primeira vez no domingo à noite na zona industrial de Talmaj, nordeste de Norilsk, informou Alexander Korobkin, secretário local do Meio Ambiente. "Ainda caminha nos arredores de uma fábrica, sob o controle da polícia e dos serviços de emergência, que garantem sua segurança e a dos moradores", disse Korobkin. Uma equipe de especialistas deve chegar nas próximas horas à cidade, no extremo do círculo polar ártico, para examinar o animal e decidir sobre seu futuro. O animal procurava alimento no lixo e estava visivelmente cansado Reprodução/Youtube As incursões de ursos polares em busca de comida são cada vez mais frequentes na região norte da Rússia, à medida que seu habitat e sua alimentação se deterioram em consequência da mudança climática e do degelo. Mas é incomum que um urso polar alcance Norilsk, a centenas de quilômetros do banco de gelo. Na Rússia os ursos polares são considerados uma espécie em risco de extinção e sua caça é proibida. Em fevereiro, os moradores do arquipélago ártico de Nova Zembla registraram uma invasão de dezenas de ursos polares agressivos que procuravam comida. As autoridades declararam estado de emergência, mas os ursos só abandonaram a região 10 dias mais tarde.
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18/06 - O médico que receitava opioides para seus pacientes e acabou viciado
No começo, Lou Ortenzio achava que estava ajudando seus pacientes; aos poucos, começou a tomar os remédios para ajudar a lidar com estresse; logo, estava falsificando receitas para sustentar seu vício; foi processado, perdeu a licença, mas se recuperou. O médico perdeu sua licença e foi condenado a pagar uma multa de US$ 200 mil por fraudes Arquivo Pessoal/Divulgação/BBC Quando Lou Ortenzio era criança, sonhava em ser médico. "Minha mãe sempre contou sobre um cirurgião plástico que se voluntariou para cuidar de graça de uma mulher que havia ficado desfigurada", conta ele. Essa história ficou em sua mente. Ele estudou medicina e começou a atender em Clarksburg, no Estado de Virgínia Ocidental , no nordeste dos Estados Unidos, para enfim realizar sua meta de ajudar pessoas por meio de sua profissão - mas logo seria ele que precisaria de ajuda. Eram os anos 1990, e ele estava trabalhando exaustivamente, se dividindo entre o hospital e sua clínica. Suas jornadas, que costumavam ser de 9h às 17h, começavam cada vez mais cedo e terminavam cada vez mais tarde. Certo dia, tarde da noite, estressado e com uma dor de cabeça forte, ele abriu seu armário de amostras em busca de um remédio e encontrou exemplares deixados por representantes de laboratórios farmacêuticos de um novo tipo de medicamento na época. Os opioides são drogas derivadas da papoula - planta que também é a base de produção do ópio e da heroína. Estavam se tornando populares para tratar pacientes com dor crônica, porque afetam receptores no cérebro e produzem um grande alívio, além de serem eficazes para reduzir a ansiedade e combater a depressão que acompanham esse tipo de condição. Mas também geram uma sensação de euforia e são altamente viciantes - um efeito não conhecido no passado. "Foi uma sensação incrível. Era como se nada estivesse errado. Como se eu fosse à prova de balas, pudesse levantar um prédio com as mãos e fosse mais rápido do que um trem. E eu podia trabalhar ainda mais", conta Ortenzio. Ele diz que, na época, era explicado a ele e seus colegas que aquela droga, por ser liberada de forma moderada e constante no organismo, não teria um efeito viciante. Mas a verdade é que opioides podem viciar e ser letais. Nos últimos anos, os Estados Unidos têm vivido uma crise de saúde pública graças ao seu uso indiscriminado. Desde 1999, o número de mortes causadas pelo consumo de opioides quadruplicou, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). O Instituto Nacional de Abuso de Drogas estima que mais de 130 americanos morrem por dia de overdose destes medicamentos. No entanto, sem saber disso e diante do efeito positivo dos opioides em seus pacientes e em si próprio, Ortenzio acreditou que estava fazendo o que havia planejado desde criança - ajudar outras pessoas e fazê-las se sentir melhor - e passou a prescrever cada vez mais opioides. Crises de abstinência Ele estima que, no fim da década de 1990, metade de seus pacientes estavam usando opioides. Foi quando começou a notar alguns sinais preocupantes de dependência. "Algumas pessoas marcavam uma consulta antes do previsto para pegar uma receita, diziam que a medicação não estava fazendo efeito e que era preciso aumentar a dose ou tomavam uma pílula a mais por dia", conta Ortenzio. Se Ortenzio falava em reduzir as doses, os pacientes se revoltavam, saíam do escritório fazendo um escândalo, imploravam para que ele não fizesse isso. "Em muitas das vezes, eu cedi." O próprio Ortenzio começou a sentir por conta própria esse efeito. "Eu tomava de vez em quando de noite, quando tinha dor de cabeça ou estava estressado ou ansioso. Mas foi aumentando." Depois de três ou quatro anos, passou a ser um hábito constante. Ele não usava mais opioides só à noite, mas também pela manhã, para começar o dia. "Eu acordava pensando em quanto tempo conseguiria mais comprimidos. Um já não era suficiente. Precisava de três ou quatro pela manhã para me sentir normal. Foi quando fiquei preocupado." Não demoraria muito tempo para que Ortenzio estivesse cometendo atos ilegais para conseguir mais medicamentos. Ele convencia pacientes a entregá-lo opioides que estes pegavam com receitas escritas por ele. "Eu dizia que dependia daqueles medicamentos, e havia alguns pacientes nos quais confiava para fazer aquilo." Quando seu vício superou o número de pacientes de sua confiança, o médico passou a ter crises de abstinência e, em seu desespero, começou a escrever receitas no nome de seus filhos. "Eu tomava três ou quatro comprimidos já no estacionamento da farmácia. Em um momento, eu pensei: 'O que eu estou fazendo? Como cheguei a esse ponto? Como fiquei tão doente para ter de fazer isso?'." Mortes por overdose Logo seu casamento foi afetado. Além de trabalhar demais, ele não estava realmente presente no pouco tempo que passava em casa, e se afastou dos seus três filhos. Ao mesmo tempo, teve pacientes que tiveram overdoses de opioides. "Foi terrível. Eu me lembro de saber que uma mulher jovem morreu por causa dos medicamentos que prescrevi. Claro que eu não forcei ela a tomar nem a obriguei a cometer abusos, mas eu tinha alguma responsabilidade sobre aquilo", conta Ortenzio. "Há algum meses, eu conheci o filho dela, expliquei que tive um papel em tudo aquilo e pedi perdão - e ele conseguiu me perdoar." Mesmo viciado e ciente de que estava contribuindo para que outras pessoas também tivessem o mesmo problema, Ortenzio diz que não deixou de praticar a medicina porque "não sabia fazer outra coisa". "Aquele era meu trabalho. Não sabia como sair do ciclo vicioso nem tirar meus pacientes daquilo, por mais que tivesse tentado. Não via uma saída, então, apenas seguia em frente." 'Procure ajuda' Mas um dia, conheceu uma enfermeira chamada Donetta e confidenciou a ela pelo que ele estava passando. "Ela disse que rezaria por mim e compartilhou a palavra de Jesus Cristo comigo. Com a ajuda de algumas pessoas, com a fé e com a esperança, em três ou quatro dias, eu consegui parar de usar." Ortenzio diz que o caminho para se livrar de um vício tão grave é ser honesto consigo mesmo e a falar abertamente de seu problema. "Eu pensava que poderia resolver aquilo sozinho, mas, ao pedir ajudar e compartilhar dificuldades, você pode conseguir se libertar, seja por meio da fé ou não. Mas você precisa de ajuda e tem de reconhecer isso." Ortenzio estava finalmente livre do vício, meu seu passado ainda voltaria para assombrá-lo. O FBI fez uma operação em seu consultório, e ele foi processado. Em março de 2006, ele se declarou culpado por emitir prescrições falsas e outras fraudes contra o sistema de saúde. Ele foi sentenciado a prisão domiciliar por seis meses, a cinco anos em condicional, a prestar serviços comunitários e a pagar uma multa de US$ 200 mil. "Foi uma pena muito benevolente", diz Ortenzio, que perdeu sua licença como médico e passou a fazer outros trabalhos, como cortar a grama de um campo de golfe, vender materiais de escritório ou entregar pizzas. A restituição da dívida em pagamentos mensais foi acertada em um acordo. Hoje, ele administra um abrigo para moradores de rua, está casado com Donetta desde 2004 e tenta reconstruir seu relacionamento com os filhos. "Espero que as coisas positivas que faço hoje de alguma forma compensem o que fiz de ruim."
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18/06 - Seringas contaminadas e transfusões explicam 800 casos de HIV no Paquistão
Segundo dados da ONU, o Paquistão tem cerca de 150 mil infectados pelo HIV, sendo que 3,5 mil casos são de menores de 14 anos de idade. HIV pode ser transmitido no compartilhamento de agulhas ou seringas com portadores do vírus Pixabay/Divulgação Os reusos de seringas contaminadas e a realização de transfusões de sangue sem segurança são os principais motivos para o registro de 800 casos de HIV em um povoado do Paquistão, segundo revelou nesta terça-feira a ONU. As informações foram divulgadas em comunicado e antecipam os resultados de um relatório preliminar da Organização Mundial de Saúde (OMS). "A causa principal é o repetido uso de agulhas e seringas contaminadas, e transfusões de sangue não-seguras", aponta o texto. No fim de abril, foi detectado um aumento das infecções de HIV na cidade de Ratodero, na província de Sindh, localizada ao sul do território paquistanês. Foram 800 exames positivos entre pouco mais de 26 mil pessoas testadas, a maioria, menores de cinco anos. Por causa disso, uma equipe formada por dez membros da OMS chegou ao país no fim do mês passado, para investigar as causas das infecções registradas. De acordo com as informações divulgadas pela ONU, as contaminações revelam que há falta de conhecimento sobre a transmissão e a prevenção do vírus. Dos 800 infectados, apenas 396 recebem o tratamento antirretroviral, devido a insuficiência da reserva do medicamento, apontam dados do Programa das Nações Unidas para a Luta contra a Aids (UNAIDS). Além disso, o estoque só cobrirá estas pessoas até meados de julho deste ano. Com população de 207 milhões de pessoas, o Paquistão tem cerca de 150 mil infectados pelo HIV, sendo que 3,5 mil casos são de menores de 14 anos de idade, segundo dados divulgados pela ONU em 2017. EFE
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